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Carlos Esperança

13 de Abril, 2007 Carlos Esperança

Símbolos de fé

O Sr. Joaquim Gonçalves, bispo de Vila Real, aponta, na sua mensagem pascal, que os símbolos de fé, são também construtores da civilização. Crucifixo, sacrário e o lava-pés são ícones «cimeiros das igrejas».

Comentário:

– Para dependurar paramentos, o crucifixo foi substituído, com vantagem, pelos cabides;
– O sacrário, se guardasse algo importante, teria dado lugar aos cofres blindados, com muito maior segurança;
– E o lava-pés? É assim tão importante? É incómodo para um semicúpio e, de certo, o Sr. bispo encontra melhor quando a bexiga o apoquenta.

12 de Abril, 2007 Carlos Esperança

Deus é um perigo

Na sequência de dois artigos do Ricardo Alves, «Leituras Recomendadas» e «Foram os do Costume», vale a pena insistir na denúncia dos ataques terroristas de índole religiosa perpetrados na Argélia e Marrocos e a que a agenda mediática portuguesa deu pouco relevo.

A Al-qaeda, uma espécie de Opus Dei bombista do Islão, continua a espalhar o terror à escala global. O sangue é uma exigência do Profeta e o suicídio o bilhete para o Paraíso.

Se um partido político fizesse a apologia do ódio e da xenofobia, se tivesse nos seus princípios programáticos o incitamento à violência que a Bíblia e o Corão preconizam, há muito que tinham sido dissolvidos pelos Tribunais e presos os seus dirigentes.

A suposição de que a maldade alarve é a vontade de Deus, cruel e sanguinário, protege os facínoras de serviço da aplicação do Código Penal e da vigilância dos campos de pregação do ódio — os templos.

A crença é um direito mas não é uma obrigação. À semelhança do dono da loja de legumes que acha que o cliente é obrigado a comprar, depois de apalpar um melão ou pegar num repolho, também o clero exige que o cidadão obedeça à religião depois de borrifado com água benta ou besuntado com óleo do travão de um veículo litúrgico chamado crisma.

Os crentes têm direito à genuflexão e à posição de rastos, mas não podem impedir a postura vertical e a dignidade dos livres-pensadores. E, sobretudo, não lhes assiste o direito de converter à bomba ou impedir a apostasia com a decapitação.

Não podemos deixar substituir as fogueiras da Inquisição da ICAR pelas bombas do Islão .

10 de Abril, 2007 Carlos Esperança

Manobras espirituais

VI Peregrinação Militar promovida pela Pastoral Juvenil da Diocese das Forças Armadas e de Segurança.
Num país laico, isto não é uma peregrinação, é um exercício militar de rastejamento.
10 de Abril, 2007 Carlos Esperança

Irão – Islão político

O Presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, anunciou esta segunda-feira que o Irão entrou para o grupo de países que produzem combustível nuclear a nível industrial, ou seja, que já tem pelo menos três mil centrifugadoras a enriquecer urânio.

O desafio à comunidade internacional, infringindo abertamente as resoluções da ONU, é uma provocação que não pode ficar impune. A escalada contínua do regime teocrata visa estimular o nacionalismo persa e, simultaneamente, liderar os xiitas em confronto com a hegemonia sunita da Arábia Saudita.

O ódio a Israel, às democracias e aos EUA, em particular, é o cimento que aglutina as diversas sensibilidades iranianas. O Islão político é a lepra que corrói a paz e despreza os direitos humanos, em especial os da mulher.

Quando o ruído do ódio chega ao silêncio dos cemitérios e o esplendor da raiva explode em autocarros de crianças, não é só o fanatismo religioso que está em causa, é o estertor de uma civilização falhada que se avizinha.

A irracionalidade, a demência e a fé conjugam-se numa mistura explosiva que semeia o caos, a miséria e a morte. Por maior que seja a perversão humana, há níveis que só Deus pode.

A humanidade já tem dificuldade em assegurar a sua sobrevivência em clima de paz. As rivalidades que se exacerbam, as injustiças que se acentuam e a fome que alastra, trazem no ventre a guerra que conduz ao suicídio colectivo. Era escusado o ódio religioso.

Para já, dessa demência da fé que se manifesta num crescendo de proselitismo, é o Irão que urge travar.

DA/Ponte Europa

9 de Abril, 2007 Carlos Esperança

O Patriarca Policarpo e a Páscoa

Durante a vigília pascal, na Sé de Lisboa, o Patriarca Policarpo atribuiu a Deus a fonte da vida – estranha linguagem exotérica que responsabiliza o mito pela existência. É natural que o vinho das celebrações litúrgicas e a noitada na Sé de Lisboa perturbem o discernimento, mas revela enorme ignorância sobre o processo da reprodução.

O Patriarca lembra ainda que «os que não têm fé vivem nas trevas», uma clara mentira. Uns vivem em Lisboa, outros em Évora, Coimbra, Braga ou noutro sítio qualquer. Nas trevas vivem analfabetos, crentes de várias devoções e clérigos de numerosas fés.

Depois da paixão – uma encenação litúrgica em diferido, todos os anos repetida -, veio a visita pascal que um santo de duvidosa conduta, Agostinho, chamou « a mãe de todas as vigílias», expressão que viria a ser usada por Saddam, em sentido bélico, antes da invasão do Iraque, com a célebre frase «a mãe de todas as batalhas».

Terminou a morte e a ressurreição de Cristo. Os adereços são guardados nas sacristias e, no próximo ano, repete-se a encenação para entreter os crentes e fingir que Deus existe.