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Carlos Esperança

31 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Demência mística

Há uma entidade nosológica que nunca vi abordada em tratados de psiquiatria nem ser objecto de comunicações científicas – a demência mística.

Não me refiro às bruxas que a santa Inquisição queimava após confessarem as relações sexuais com o diabo. Os métodos cristãos de investigação podem ter levado, nalguns casos, a falsas confissões enquanto, sob as sotainas, os pios inquisidores entravam em êxtase com divinos orgasmos.

Compreendo o gozo espiritual (não podia ser outro) de Teresinha de Ávila quando Jesus a visitava na cela, entusiasmo que a Irmã Lúcia não sentiu em Tui, por ser mais contida e ter visões mais pudicas.

Se os crentes têm visões que lhes pode valer a canonização, na sequência da clausura, dos jejuns ou de cogumelos, já não se percebe que a mesma síndrome afecte os clérigos.

É ocioso recordar as lucubrações sadomasoquistas dos clérigos medievais da ICAR, mas talvez valha a pena transcrever dois parágrafos do Jornal de Notícias, de hoje, a respeito de um membro do clero islâmico:

«O clérigo egípcio Ezzat Attiya, responsável pelo Departamento dos Ensinamentos do Profeta da Universidade de Al-Azhar (escreve a AP que se trata da a mais prestigiada universidade sunita), emitiu uma “fatwa” decretando que as mulheres que trabalham devem dar de mamar aos colegas de emprego.
A razão de Attiya é limpidamente simples: assim criar-se-ão laços maternais-filiais nos locais de trabalho e deixará de haver tentações eróticas entre colegas já que o tabu do incesto, Alá seja louvado, não permitirá tal coisa. Leio e, como diz Bataille, rio-me porque tenho medo».

Pessoalmente, nada tenho contra. O pior é se têm leite.

31 de Maio, 2007 Carlos Esperança

O Papa e o proselitismo

O Papa adverte do risco de que Igreja «se encerre em si mesma» no Ocidente.

O que o Papa propõe não é o aprofundamento da fé dos católicos, é o proselitismo junto dos que se recusam a crença nos milagres que inventa, nos quartos que aluga no Paraíso e nas formas de pagamento.

O Papa é o monarca absoluto e vitalício, nomeado por um anacrónico e corrupto colégio eleitoral, que, após a saída do fumo branco, se torna infalível e adorado pela multidão de fiéis que logo se ajoelham. Se, em vez do Papa, fosse o padeiro a assomar à janela dos aposentos pontifícios, vestido de branco, com a tiara na cabeça, seria o mesmo delírio, a mesma euforia beata, igual irracionalidade a percorrer os convictos do costume.

O regedor do Vaticano não é o único fundamentalista, nem o último, mas é dos mais perigosos. Goza da categoria de chefe de Estado do bairro de 44 hectares que Mussolini lhe outorgou nos acordos de Latrão, tem um exército de sotainas e seitas motivadas para o martírio e arrasta a comunicação social e imensos recursos financeiros.

Cria santos, mártires e cardeais como nas Caldas da Rainha os oleiros fazem lembranças e tem perante a fé a mesma obsessão das multinacionais – o monopólio.

Não é a divulgação de preconceitos aos fiéis que assusta, é o espírito totalitário com que pretende impor a superstição a todos, moldar pessoas de acordo com o seu paradigma e erradicar do planeta os ateus, agnósticos, livres-pensadores e todos os concorrentes.

A laicidade do Estado é a única forma de pôr freio nos dentes à deriva totalitária que contamina os adoradores de Deus e impedir que o mundo se converta numa arena onde se digladiam os idólatras de mitos diferentes ou de diferentes concepções do mesmo.

30 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Museu Irmã Lúcia

Sociedade: Museu Irmã Lúcia é inaugurado amanhã

Amanhã (dia 31), é inaugurado nas Carmelitas de Santa Teresa, em Coimbra, o museu em memória da Irmã Lúcia, a vidente de Fátima falecida a 13 de Fevereiro de 2005, aos 97 anos. A cerimónia decorrer depois de uma missa a celebrar pelas 15h00, pelo bispo da diocese.
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Nota: Coimbra é a primeira cidade do Mundo a ter um museu dedicado à Irmã Lúcia, a prisioneira que cumpriu mais longa pena.

O museu terá grande valor cultual e será enriquecido com o vasto espólio da freira que tinha queda para vidente e foi a confidente de estimação da Senhora de Fátima.

30 de Maio, 2007 Carlos Esperança

ICAR – Igreja dos pobres

O Papa Bento XVI recebeu hoje, no Vaticano, os pais de Madeleine McCann, desaparecida no Algarve a 3 de Maio, tendo-os abençoado, assim como à fotografia da menina, e prometeu rezar pela família e pelo regresso da filha.

Pensa-se que em próximas audiências o Papa irá receber os pais das crianças desaparecidas na Índia e no Darfur e abençoar as fotografias de crianças pobres que foram assassinadas ou vendidas como escravas.

29 de Maio, 2007 Carlos Esperança

A diplomacia do Vaticano

Há muito que se diz que Blair é católico, facto que deveria ser do domínio pessoal, não fora a sua decisão de explicitar publicamente a condição de cristão, antes da invasão do Iraque.

O anúncio da eventual visita de Blair ao Vaticano, pela própria Rádio Oficial, é motivo de alguma surpresa e perplexidade, bem como a referência à especulação da imprensa britânica sobre a condição católica do ainda primeiro-ministro inglês.

A suspeita da duplicidade do Vaticano na destruição do Iraque começa a ser um pouco mais do que meras coincidências.

O Papa João Paulo II condenou publicamente a invasão enquanto os líderes católicos que, ao contrário do que é hábito e salubre em Estados laicos, explicitavam abertamente a sua fé, apoiaram entusiasticamente o belicismo protestante evangélico de Bush.

Foram os casos de Aznar, com ligações ao Opus Dei, a seita mais reaccionária da Igreja católica, de Durão Barroso, Berlusconni e dos líderes da Polónia, Áustria e Irlanda. Só faltava Blair para serem todos católicos os que apoiaram Bush na trágica e criminosa aventura iraquiana.

É difícil esquecer, de Robert Hutchison, «O Mundo Secreto do Opus Dei» – Preparando o confronto final entre o Mundo Cristão e o Radicalismo Islâmico.

Só a atitude dúplice do Vaticano permite conceber que os seus mais devotos partidários tenham sido também os mais entusiastas da invasão iraquiana, sem que a mentira, a iniquidade e o sacrifício do direito internacional os dissuadisse.

E o Vaticano, que condenou a invasão, não censurou os invasores! Recebe-os com pompa e circunstância.