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Carlos Esperança

9 de Julho, 2007 Carlos Esperança

ICAR – A interrupção voluntária do celibato

O bispo dos Açores admite a interrupção voluntária do celibato eclesiástico tornado obrigatório pelo concílio de Latrão, em 1139.

Quando os bispos começam a pronunciar-se no sentido de interromper uma tradição, de mais de oito séculos, é, de certeza, uma tentativa para auscultar reacções da clientela e a resposta do mercado da fé.

Não é uma questão religiosa que está em causa, é um problema de recursos humanos da ICAR que urge resolver.

Há, todavia, no casamento dos padres três perigos que facilmente se adivinham:

1 – O possível aumento de candidatos numa altura em que a espécie se encaminha para a extinção;

2 – O acréscimo da força de vendas da fé católica com o regresso de muitos dos 100 mil padres casados;

3 – A diminuição drástica dos escândalos sexuais contribuindo para a dignificação do clero e para o aumento do número de crentes.

O único aspecto positivo residirá na discriminação das freiras, a quem o Vaticano nunca apoiará a mais leve tentação libidinosa e, muito menos, o direito reprodutor, acentuando o carácter misógino e a desigualdade de sexos que fazem parte da tara genética comum às três religiões do livro.

7 de Julho, 2007 Carlos Esperança

A liturgia e a fé

Quem é um ateu para se imiscuir na liturgia da Igreja católica? Que tem a inteligência a ver com o Cristo servido às rodelas na língua dos devotos ajoelhados ou passado de mão em mão de um presbítero para o beato?

Não fora a vocação totalitária da religião e os ateus dedicar-se-iam a outras tarefas.

A liturgia é o circo da fé com Cristo a saltar do cálice, com duplo mortal e pirueta sobre a patena, para acertar na língua do devoto e percorrer o tubo digestivo até acabar na rede de saneamento após a descarga do autoclismo.

As religiões vivem de rituais como os ilusionistas da prestidigitação. O Papa de serviço é um avatar dos papas medievais que sofre a mágoa de não poder acender fogueiras e de ver os ímpios indiferentes ao Inferno e aos castigos divinos.

No regresso à Idade Média, no eterno retorno ao fanatismo e à intransigência, o pastor alemão sente a raiva da impotência e o ódio à modernidade. Sob a tiara, pensa na forma de fazer ajoelhar os homens e pôr de rastos os cidadãos.

Nada é mais desconfortável para B16 do que viver num mundo que não se persigna, ajoelha ou submete à vontade dos padres e às ordens do seu Deus. O Vaticano é uma ditadura encravada na União Europeia e o último Estado teocrático da Europa, herdeira do Iluminismo e da Revolução Francesa, berço da democracia e reduto da liberdade.

No bairro das sotainas germinam 44 hectares de ódio, cultivados pela legião de padres, monsenhores, cónegos, bispos e cardeais. Fabricam santos, bulas e indulgências, mas é o horror à liberdade que os anima, a conspiração contra a democracia e a aversão à modernidade.

O Vaticano é o Estado criado por Mussolini mas é, sobretudo, o furúnculo infecto num espaço onde o sufrágio universal não conta com o voto de Deus, ausente dos cadernos eleitorais.

5 de Julho, 2007 Carlos Esperança

Vaticano – O regresso ao Concílio de Trento

Os «pérfidos judeus» de uma oração da Sexta-feira Santa (abolida só em 1960) podem voltar pela vontade de Bento 16 cujo ímpeto reaccionário e proselitismo religioso só encontram paralelo nos mais histéricos mullahs.

Pedir a Deus que tenha piedade, «até dos judeus», inscreve-se no mais demente espírito persecutório do anti-semitismo cristão cujas consequências estão vivas na memória do holocausto. Do antro do Vaticano sopra o ódio vesgo, o racismo do Novo Testamento, a xenofobia romana, o horror à diferença e à liberdade.

B16 é a incarnação de todos os demónios totalitários a vomitar latim por entre odores de incenso e borrifos de água benta, ao som do cantochão. O tirano conhece bem a história mas não aprendeu a democracia que viu florir á sua volta como obra do Demo.

Hitler aprendeu no cristianismo a odiar os judeus. Bento 16 aprendeu na Bíblia que sabe de cor, no ódio que lhe percorre a face, da tiara até às orelhas, e nas fogueiras do Santo Ofício que o seu Deus só se impõe à humanidade através da exterminação dos inimigos.

A face tolerante do cristianismo não é mais do que a máscara que cobre a raiva e o ódio que a Reforma, a Revolução Francesa e o secularismo o obrigaram a afivelar. Se, por um instante descurarmos a vigilância contra o asco que crepita envolto em sotainas não tarda que novas cruzadas e velha fogueiras defendam a pureza da fé católica e o ódio torpe dos clérigos romanos á democracia e à civilização numa orgia totalitária ao gosto do pastor alemão.

Do livro «A Igreja católica e o Holocausto – Uma dívida moral», Daniel Jonah Goldhagen, respigo os dados seguintes:

– O Evangelho segundo S. Marcos tem cerca de 40 versículos anti-semitas;

– O Evangelho segundo São Lucas tem cerca de 60 versículos explicitamente anti-semitas e apresenta João Baptista a chamar aos judeus «raça de víboras»;

– O Evangelho segundo São Mateus tem cerca de 80 versículos explicitamente anti-demitas:

– Os Actos dos Apóstolos têm cerca de 140 versículos explicitamente anti-semitas:

– O Evangelho segundo S. João contém cerca de 130 versículos anti-semitas.

«Só estes cinco livros contêm versículos explicitamente anti-semitas suficientes, num total de 450, para haver em média mais de dois por cada página da edição oficial católica da Bíblia» (pág. 316 e seguintes).

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Nota: O cartoon foi publicado por amável deferência do autor.
5 de Julho, 2007 Carlos Esperança

Alá abandonou-os

O líder da Mesquita Vermelha, Abdul Aziz, apelou esta quinta-feira através de uma entrevista à televisão pública, aos 1000 radicais barricados no templo para se renderem.

O líder religioso foi detido quando tentava abandonar a mesquita (palco dos confrontos entre os radicais islâmicos e as forças de segurança paquistanesas) disfarçado com uma «burqa» negra.

Comentário: Deve ser duro, para um líder religioso, viajar de burka, ser preso assim vestido e ver-se abandonado por Deus.

4 de Julho, 2007 Carlos Esperança

O proselitismo do Opus Dei

À medida que a demência islâmica se exacerba numa espiral de proselitismo e suicídio, cresce o entusiasmo do protestantismo evangélico na sua faceta mais troglodita, que deu origem à cruzada do Iraque, na triste expressão do pio presidente dos EUA, na sua mais ilegal e iníqua decisão.

Sem perdermos de vista os cristãos ortodoxos cuja teologia conservadora prima pelo desvelo com que se conluiam com o Estado, é importante vigiar a impudicícia com que a ICAR se lança à conquista de novos mercados.

Não arremete com um exército de carmelitas descalças ou frades capuchinhos, é com a elite da sua mais obscurantista e inquietante seita, a poderosa, rica e fundamentalista Opus Dei. Levam cilícios para mortificar o corpo e no coração o ódio torpe aos infiéis, a fé inflexível de que há um só Deus verdadeiro – o seu -, que é preciso impor ao Mundo.

Acredito que não restauram o Santo Ofício, não por indolência dos seus padres mas pelo espírito secular da Europa donde partem. Vão em bandos, mansos, à procura de vender o martírio do seu Deus e regressarem com os bolsos cheios de oferendas extorquidas aos novos crentes.

O assalto aos países do ex-bloco soviético começou na Polónia; depois, a Eslováquia, República Checa, Hungria e Países Bálticos. Nos últimos anos, a Eslovénia e a Croácia. Finalmente, o proselitismo católico invadiu a Rússia.

A denúncia do proselitismo e a luta pelo descrédito da fé são um combate civilizacional.

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Nota: O cartoon foi publicado por amável deferência do autor.
3 de Julho, 2007 Carlos Esperança

Terrorismo religioso

A galáxia terrorista que dá pelo nome de al-Qaeda não é uma mera associação criminosa com gosto mórbido pela morte, é uma nebulosa de fanáticos que crêem no Paraíso e nas virgens que os aguardam no estado miserável em que chegam.

Não têm uma ideologia, uma lógica ou um objectivo claro, pretendem apenas agradar a um Deus de virtude duvidosa e ao profeta que é cadáver desde o ano 632.

A demência ganhou ímpeto em 11 de Setembro de 2001, nos ataques às Torres Gémeas de Nova Iorque e ao Pentágono, em 11 de Março de 2004, na estação ferroviária de Atocha, em Madrid, nas explosões em estâncias de veraneio, nas embaixadas dos EUA e no Metro de Londres em 7 de Julho de 2005.

Londres, nos últimos dias, voltou a ser alvo de várias tentativas terroristas e a Espanha sofreu ontem sete mortos e seis feridos entre os turistas que visitavam o Iémen, vítimas de um carro bomba conduzido por um facínora beato.

Não vale a pena iludirmo-nos com a bondade do Islão quando os clérigos pregam o ódio e apelam ao martírio. Os países democráticos não se libertam da culpa das cruzadas e da evangelização e tratam o terrorismo religioso com a brandura que não merece.

Um templo onde se prega o ódio é um campo de treino terrorista. Um clérigo que apela à violência é um criminoso que deve ser detido.

Os japoneses que viam Deus no Imperador, imolavam-se em seu nome mas, perdidas as fontes de financiamento e desarticuladas as redes de propaganda deixaram de se dedicar ao suicídio e de se imolarem com aviões e torpedos que dirigiam contra alvos inimigos.

É tempo de conter a ameaça que paira sobre a civilização e a democracia, sem sacrificar o Estado de direito, sem abdicar das liberdades e garantias que são a marca de água da nossa cultura.

Mas não podemos hesitar na luta contra o financiamento e proselitismo ideológico que grassa entre fanáticos de várias religiões. Não são famintos em desespero, são médicos, pilotos e universitários que buscam um passaporte para o Paraíso através dos crimes contra os infiéis.

DA/Ponte Europa

2 de Julho, 2007 Carlos Esperança

A doença da fé

Tal como as carraças que assaltam o homem e transmitem a febre, também os clérigos atacam e envenenam o sangue das criaturas, debilitando-as com a superstição que lhes mina o entendimento e reduz o espírito crítico.

As doenças têm sempre um agente transmissor. A picada da fêmea do mosquito anofélis provoca a malária; a água leva o tifo e a cólera; o leite transmite a brucelose; o ar leva a tuberculose, enfim, podia passar horas a escrever sobre doenças e formas de contágio.

Há, porém, uma doença endémica que se propaga pela geografia, através da família, do medo e do esforço dos padres – a religião.

Enquanto as doenças orgânicas têm cientistas à procura dos meios de cura, a religião tem uma caterva de parasitas á espera de que se agrave. Nas outras doenças ataca-se o agente patogénico e os sintomas. Na religião aguarda-se que a infecção progrida, que o corpo se adapte, que o cérebro se embote, que o paciente se automatize e genuflicta, que o homem renuncie à dignidade e se transforme num escravo da Igreja.

Não viria mal ao mundo se os crentes não vivessem a obsessão da fé, não entrassem na loucura do proselitismo e no ódio aos crentes de outro deus, numa espiral de violência que aspira ao monopólio e à purificação, numa orgia de sangue, terror e morte.

1 de Julho, 2007 Carlos Esperança

A fé e a cegueira ou a cegueira da fé

As religiões nunca trouxeram felicidade à humanidade e, no entanto, nunca lhe faltaram com a violência, iniquidade, guerras e perseguições.

A ICAR não será das piores mas o passado é mais digno de uma associação terrorista do que de um Estado, embora teocrático e totalitário. Não é na estranha monarquia absoluta electiva que alguém espera encontrar uma ideia, um exemplo, um estímulo em proveito da liberdade e da democracia. No Vaticano encontra sotainas, intrigas e sede de poder.

Recorrer à história e aos crimes perpetrados em nome de um Deus, que inventaram para consumo próprio e domínio alheio, talvez seja cansativo. Falar dos «Papas Perversos» e em «A vida sexual dos Papas» é cansativo e inútil para os crentes, tal como aludir às «Mentiras fundamentais da Igreja Católica».

Talvez tenha algum interesse, por estar próxima no tempo, falar da cumplicidade da Igreja católica portuguesa com a ditadura fascista que fez com Salazar o que Pio XII fez com Hitler. Cerejeira merecia ter sido Papa.

Quando se deportavam cidadãos, assassinavam oposicionistas (Delgado, Ribeiro dos Santos, Dias Coelho), torturavam presos e demitiam democratas, a Igreja calou-se. Mas na censura e como informadores da PIDE não faltaram padres.Quando o bispo do Porto, António Ferreira Gomes, foi exilado, nem um só bispo ergueu a voz – uma cobardia digna de tartufos, pusilanimidade à altura do evangelho da seita.

Era proibido o divórcio a quem tivesse feito o casamento pela ICAR. E era perigoso não o fazer. Um professor primário tinha de ser católico «para cumprir os fins superiores do Estado». Em Escolas de Enfermagem não se podia fazer a matrícula sem o atestado de baptismo…católico.

Isto não invalidou que a Senhora de Fátima dissesse à Lúcia que o Salazar foi escolhido por Deus para governar Portugal, confidência que chegou aos ouvidos do déspota por intermédio do Cerejeira.

Esta igreja pusilânime, perversa e perseguidora foi o suporte da ditadura, da repressão e da guerra colonial. É a mesma que anda a inventar milagres e a fazer santos de figuras tenebrosas. Ninguém a acredita, mas temos de a levar a sério na sua infinita maldade e na genética propensão inquisitória. Basta recordar os salafrários dos dois últimos Papas.