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Carlos Esperança

30 de Outubro, 2007 Carlos Esperança

O Papa e as beatificações políticas

O Papa não é um solípede com cabresto, o animal a quem o freio impede a ração de palha, uma santa besta sem a noção dos actos que pratica.

Pelo contrário, B16 é um homem inteligente e culto, possivelmente rancoroso e vil, que trouxe das SS o espírito de obediência, que adquiriu no seminário o ar dissimulado e a quem a tiara confere o dom da infalibilidade. É também um miserável fascista.

O que não pode o ditador perpétuo, o responsável pela «Sagrada Congregação da Fé», durante tantos anos, é fingir que a beatificação dos bem-aventurados foi uma festa da fé, uma orgia mística, um festim em honra do Deus que bem sabe que nunca existiu.

B16 sabia, e sabe, que os mártires da fé, como ele lhes chama, caíram do lado fascista, do lado de Franco, do crápula que chamou os alemães para bombardearem Guernica, do assassino que continuou a chacinar republicanos depois de a guerra acabar.

B16 sabe que se intromete na luta partidária em Espanha, que cauciona o terrorismo beato do episcopado contra o laicismo, que toma partido entre a Igreja e a democracia.

A beatificação no domingo de 498 «mártires» espanhóis não tem nada de «política», afirmou esta segunda-feira o secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Tarcisio Bertone*, um dia depois de um protesto por parte de um grupo de militantes de esquerda.

Claro que não. Até um torturador serviu para fazer número.

*O cardeal Bertone é aquele primata de mitra e báculo que presidiu à feira anual de Fátima em 13 de Outubro p.p.

29 de Outubro, 2007 Carlos Esperança

Um livro a não perder

Um livro que faz mais pelo ateísmo do que os jagunços de Deus que vomitam ódio no Diário Ateísta.

29 de Outubro, 2007 Carlos Esperança

Padre Pio – Fraude com odor a santidade

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Um novo livro sugere que o padre italiano, que morreu em 1968 e foi santificado pelo papa João Paulo 2.º, cometeu fraude, causando seus próprios ferimentos. O livro vem atraindo a fúria de fiéis, que acusam o autor de «calúnia anticatólica».
Comentário: Em Portugal o Frei Edmundo pôs uma imagem da Virgem a chorar lágrimas de sangue… de pomba, em Oleiros. Foi apanhado em flagrante. Tomou raticida mas não morreu. O raticida não mata ratos de sacristia.
28 de Outubro, 2007 Carlos Esperança

Vaticano – luta contra a democracia

Acabo de ver, no noticiário das 20H00 da RTP, imagens da beatificação dos 498 mártires com que a ICAR satisfez os ódios antigos e o azedume recente contra o Governo actual e legítimo de Espanha.

Agora, como no passado, é a felicidade humana que os bispos não toleram. Hoje e sempre, nas religiões do livro, católica, muçulmana ou judaica, é o ódio à liberdade que se alberga sob as vestes talares dos empregados de Deus. O que os move não é o amor divino, que insistem em dizer que existe, é a ambição do poder, a cupidez do luxo e a manutenção dos privilégios de casta.
Foi deprimente ver as entrevistas de gente simples, fanatizada pela fé, embrutecida pela Igreja, no seu ódio à modernidade e no horror aos ideais democráticos que trouxeram à humanidade a tolerância, a igualdade entre os sexos e o respeito pelo pluralismo.

Os familiares dos mártires pareciam saídos da Idade Média, súbditos dos reis católicos, Fernando e Isabel, cuja demência assassina tem atrasado o processo de canonização e a divulgação dos seus milagres. Não era a fé no Deus imaginário que os movia, era o ódio à República, a nostalgia de Franco e a subserviência às sotainas.

No rosto das reverendas criaturas bailava a alegria cínica de quem sabe que pode fazer o circo dos embustes sob a impunidade das protecções de que goza. Foi tanta a pressa de acrescentar aos 479 beatos, onze dos quais já promovidos a santos, com que JP2 abençoou o franquismo, que, entre os 498 beatos de hoje, um torturador aproveitou a boleia a caminho da santidade.

O descaramento dos bispos espanhóis não tem limite. Hoje tiveram um dia de alegria. Vingaram-se da democracia e mostraram a saudade e devoção a um frio assassino – Francisco Franco.

28 de Outubro, 2007 Carlos Esperança

Comício no Vaticano

Nunca a ICAR tinha beatificado tantos bem-aventurados de uma só vez. A visão vesga de Rätzinger e do episcopado espanhol, turva de ódio, cega de vingança, sem o mais leve pudor, eleva hoje aos altares 498 mártires da guerra civil espanhola.

Mais de mil sacerdotes e oitenta bispos participam na pantomina orquestrada pelo inveterado franquista Antonio María Rouco Varela, Cardeal-arcebispo de Madrid, para gáudio de 2500 familiares dos mártires que assistem à missa ruminando o velho rancor à República e à democracia.

A missa é presidida pelo fabricante de beatos e santos, um cardeal português de uma aldeia perto da Guarda, tão supersticioso que acredita em Deus e tão ingénuo que pode não ter a noção de que participa num comício.

Esta orgia mística não é um mero acto de propaganda de uma Igreja que perdeu a noção do ridículo e recuperou o entusiasmo das Cruzadas, é uma provocação contra o Governo de Espanha que teve a coragem de legislar sobre o aborto, os casamentos homossexuais e o carácter facultativo do ensino católico nas escolas do Estado.

Foi para essa provocação que viajaram mitras e báculos a caminho de Roma. Apenas um (1) bispo, do imenso bando que povoa a Espanha, se demarcou da posição oficial da hierarquia católica, defendendo o direito de reivindicar a memória das vítimas fuziladas e enterradas em valas comuns pelo franquismo.

Todos os outros veículos litúrgicos, ornamentados com mitra e báculo, circulam em contramão na estrada da democracia, velhos cúmplices do franquismo, despojos fascistas de uma Espanha morta.

27 de Outubro, 2007 Carlos Esperança

Vaticano defende liberdade religiosa

O Cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado do Vaticano, defendeu que o direito à liberdade de religião e de consciência é uma «condição indispensável para a tutela dos direitos humanos em qualquer latitude do planeta».

Todos os fundamentalistas defendem a liberdade religiosa quando estão em minoria e o tratamento diferenciado quando se julgam em maioria.

Não passa pelas pias cabeças mitradas que a liberdade não precisa de adjectivo: existe ou não. Quando falam em liberdade religiosa os padres esquecem que o direito de não ser, ou ser contra, é tão respeitável como o direito de ser devoto.

Reside nesta evidência o princípio do laicismo que tanto condena o Estado ateu como verbera o Estado confessional. Não há liberdade se o Estado não for neutral em questões religiosas. O Estado pode ser social-democrata, liberal, conservador ou socialista, mas não pode ser cristão, islâmico, ateu ou budista. Cabe-lhe a ideologia política e, se for democrata – como deve -, fomentar a alternância. As religiões, pela índole totalitária, jamais a permitiriam.

Os países democráticos – os únicos respeitáveis – são sucessivamente governados por partidos de direita ou de esquerda, mais liberais umas vezes, progressistas, outras, com mais consciência social ou menos regras ao funcionamento do mercado, sem abdicarem de se legitimar por sufrágio universal, secreto, em escrutínios regulares.

Tal não acontece com as religiões. Nenhuma aceitaria o rotativismo que permitisse aos povos a competição religiosa e a alternância. Os partidos respeitam a vontade dos eleitores, as religiões submetem-se ao poder do clero e ao fanatismo dos crentes.

Eis a razão por que se muda pacificamente de política e nunca se troca de religião sem banhos de sangue e manifestações de barbárie. Os homens tendem para o entendimento mas as religiões apenas conhecem a intolerância e a exclusão.

* Desenho de Brito, prestigiado cartoonista, em França, publicado com a sua amável autorização.

26 de Outubro, 2007 Carlos Esperança

Correio dos leitores. Preocupação

Há dois meses fomos surpreendidos pela notícia da desarticulação de uma célula da Al-Qaeda, pela polícia italiana, que mantinha uma escola de técnicas terroristas, disfarçada de madrassa, numa mesquita da cidade de Pirugia.

O imã, um homem santo, certamente, foi preso. Agora, a notícia vem de Espanha, onde estes casos se vêm repetindo, alarmantemente. Sabendo-se que, em relação ao crime altamente organizado (tráfego de droga, redes de pedofilia e, recentemente, o terrorismo islâmico), a polícia apenas consegue uma eficácia de dez por cento, interrogo-me com preocupação sobre o que estará escondido em cada uma das milhares de mesquitas que livremente se instalaram na Europa, beneficiando do espírito de abertura e de tolerância que a odiada civilização ocidental prodigaliza a todos os cultos e a todas as confissões religiosas.

Será que estaremos a assistir à reedição de um novo Cavalo de Tróia?

Há meses vi, em plena Praça do Chile, uma muçulmana a passear-se vestida com o seu niqabe negro, indumentária feminina que apenas não oculta os olhos, e, por momentos, interroguei-me se, no carrinho de bebé, que puxava, não estariam escondidos explosivos, ao mesmo tempo que me surpreendia com a desfaçatez exibida por aquela mulher em, provocantemente, desafiar a lei que proíbe a utilização na via pública de uma qualquer máscara que não permita a identificação do rosto.

Tudo isto é preocupante!

a) Alexandre de Castro

26 de Outubro, 2007 Carlos Esperança

Violência racista

A violenta agressão de uma jovem equatoriana, no metro de Barcelona, perpetrada por um skinhead a quem a demência racista exacerbou a fúria, é um acto que não diz apenas respeito a Espanha, é um crime que põe em causa a civilização e desmente a tolerância de que a Europa se reclama.

Não basta denunciar a violência, é preciso ser firme no combate às motivações racistas e xenófobas que alimentam os nacionalismos e povoam as mentes de jovens normalmente pouco alfabetizados, primários e selvagens.

Aquela jovem que seguia tranquilamente numa carruagem de metro é o paradigma das minorias que a fúria selvagem dos biltres põe em permanente risco. O pontapé que lhe atingiu a face era o escape das frustrações e ódios acumulados por quem tinha apenas como motivo de orgulho a pertença à maioria que o energúmeno identifica como raça.

Se os que nos consideramos civilizados não formos capazes de defender a diferença que faz a riqueza das nossas sociedades não merecemos a paz que nos bateu à porta nem o bem-estar que desde 1945, apesar das queixas de novos-ricos, não parou de aumentar.

Os patifes que se comportam como o biltre do metro de Barcelona – e nós temos dessa escória entre nós -, não merecem circular no espaço público, precisam de ser polidos na enxovia.