Os católicos que visitarem o santuário de Lourdes durante um período de um ano vão receber indulgências o que, segundo a Igreja católica, reduz o tempo no Purgatório (Reuters).
Às vezes dou por mim a pensar como foi possível, a partir de um texto bárbaro da Idade do Bronze – o Antigo Testamento -, desenvolver três negócios rivais: o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo, cada um deles dominando uma área geográfica e aspirando ao monopólio.
À semelhança das Máfias, surgidas na Idade Média, as religiões abraâmicas têm uma tradição violenta, guerreando-se de forma cruel, com a obsessão do domínio planetário. Assemelham-se no carácter tribal, na tendência para se infiltrarem na esfera pública, na protecção dos seus membros e na impiedade para quem quebre os códigos de honra. O afastamento, que nas religiões se denomina apostasia, é punido com a pena capital. Em regra as direcções são colegiais, só o catolicismo romano evoluiu para o poder pessoal de um único e infalível autocrata que acumula com a profissão de santo.
A conversão e a morte são armas tradicionais da fé. A Espanha, filha dilecta de Roma, atingiu o apogeu do proselitismo com os Reis Católicos, Fernando e Isabel, quando os judeus e os muçulmanos eram convencidos à conversão pela tortura, não descurando os churrascos na Inquisição quando suspeitavam da falta de convicção de um cristão-novo.
No Afeganistão libertado a Constituição mantém um artigo que pune com a morte o crime de apostasia. Em 1992, na Arábia Saudita, Sadiq Abdul Karim Malallah, após legalmente condenado por blasfémia e apostasia, foi decapitado em público, ao gosto do Profeta, dos clérigos e dos devotos autóctones.
Do mundo muçulmano soltam-se crentes desvairados, carregados de bombas, em busca do Paraíso, numa louca orgia de sangue e de proselitismo. Aquele Deus vingativo, cruel e apocalíptico que se esconde nas páginas do Antigo Testamento é a matriz genética do Deus dos judeus, cristãos e muçulmanos que continua a ser o único mito mais mortífero do que qualquer bactéria ou vírus.
Salvador – Mais de 20 mil católicos acompanham a celebração eucarística de beatificação de Irmã Lindalva Justo de Oliveira, no Estádio Barradão em Salvador. Assassinada com 44 facadas, em 1993, por um interno do Abrigo Dom Pedro II, onde a religiosa trabalhava, Irmã Lindalva foi considerada Mártir no Dever pelo Vaticano e teve seu processo de beatificação acelerado pela Congregação Para a Causa dos Santos.
Comentário: Com 44 facadas demorou 14 anos a ser beatificada. Com 88 era logo canonizada.
«Os homens nunca fazem o mal tão completa e alegremente como quando o fazem por convicção religiosa». (Pascal)
No Sudão, um obscuro país onde a fome e a fé dizimam o povo, uma professora de inglês foi condenada a 15 dias de prisão, seguidos de deportação, por ter permitido aos alunos que dessem o nome de Maomé a um urso de peluche, o que foi considerado uma ofensa ao Profeta e não ao urso.
Poupou-a às chibatadas a nacionalidade e a intervenção do primeiro-ministro inglês e às balas a polícia anti-motim. Os piedosos sudaneses que se manifestaram, junto ao palácio presidencial, contra a clemência da sentença, queriam vingar a afronta ao Profeta à saída das orações de sexta-feira, excelentes para estimular a violência.
Foi uma desilusão para os crentes terem sido impedidos linchar a professora. Estavam munidos de paus, facas e machados e só ansiavam por dar público testemunho da sua fé e agradarem ao seu Deus.
Há quem pense que a demência mística é mera manifestação tribal ou apanágio de uma única religião, talvez por desconhecer o Levítico, por exemplo, e a dívida para com o Iluminismo e a Revolução Francesa.
O fundamentalismo é uma palavra que serviu para definir, primeiro, o protestantismo evangélico americano que no início do século XX pregava um Deus apocalíptico, cruel e vingativo, e que actualmente ameaça transformar-se de novo na característica comum das diversas religiões.
É preciso um sobressalto republicano e laico em massa para evitar que as religiões destruam a civilização e comprometam a sobrevivência humana e que a blasfémia – um «crime» medieval – desapareça do Código Penal de todos os países civilizados.
Bento XVI critica ateísmo na sua segunda encíclica, com que já tinha ameaçado os devotos.
JP2, além de acreditar em Deus, uma excentricidade polaca, era um político pouco recomendável.
A editora Planeta lança no Brasil «O Poder e a Glória», espécie de biografia não-autorizada do pontificado de João Paulo 2º, e reacende a discussão sobre o lado obscuro do Vaticano.
Salvo o comunismo (sob Estaline e Mao), ele próprio transformado em religião, que glorificava o ditador de serviço a quem era rendido culto, nenhum sistema repressivo levou tão longe a opressão sobre os povos, a violência sobre os adversários e a limitação das liberdades individuais como as religiões.
Não é por acaso que as ditaduras se apoiaram quase sempre no poder das Igrejas, que o trono e o altar viveram em união de facto e de direito nas monarquias absolutas, nos impérios e nas numerosas ditaduras de pendor fascista que assolaram o mundo e nas que estão para durar.
Os homens que criaram as religiões foram certamente os piores do seu tempo no tempo em que os homens foram piores. Entre os ditadores destacam-se pela crueldade, ódio e espírito vingativo os dignitários religiosos. Dizia Pascal: «Os homens nunca fazem o mal tão completa e alegremente como quando o fazem por convicção religiosa».
Os ditadores laicos, por mais execráveis que sejam, limitam-se a ser cruéis, violentes e repressivos nos limites geográficos da ditadura que exercem mas os ditadores religiosos não se contentam com os antros em que se acoitam, lançam a peçonha através do mundo e castigam ou abençoam sem respeito por limites territoriais ou ideológicos.
O Papa excomunga um cidadão onde quer que viva, seja qual for a sua nacionalidade, a partir do Vaticano, tal como o aiatola Khomeini, do Irão, produziu idêntica sentença contra o escritor Salman Rushdie, que era britânico, neste caso com oferta pública de dinheiro para estimular a fé assassina de qualquer muçulmano que se prezasse.
Não sei se é a posição de joelhos, ou de rastos, que vai transformando lenta e eficazmente os líderes religiosos em répteis e em peçonha os seus actos.
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