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Carlos Esperança

22 de Junho, 2008 Carlos Esperança

Fujam, vem aí a bíblia…

D. Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, considera que a Bíblia deveria ser estudada na escola “não por razões religiosas, mas por motivos culturais”. Reconhecendo que para o homem de hoje a Bíblia tem uma mensagem “distante”, manifesta que os “grandes símbolos do passado não estão ultrapassados culturalmente”.

Comentário: Depois da experiência do Corão, o Vaticano ameaça com a bíblia.

CE

21 de Junho, 2008 Carlos Esperança

Associação Ateísta Portuguesa

Aviso

 

A Assembleia-geral Constituinte, que procederá à eleição dos corpos sociais para o primeiro mandato da AAP, terá lugar em Lisboa, em local, data e hora a anunciar no Diário Ateísta e no Sítio da Associação Ateísta Portuguesa.

Os sócios serão avisados por mensagem electrónica.

A reunião efectuar-se-á num dos primeiros Sábados do próximo mês de Julho.

Serão eleitores todos os sócios fundadores, ou seja, os que já se inscreveram ou venham a inscrever-se até à data da Assembleia-geral.

Para proceder à inscrição basta enviar o nome completo, a morada e o endereço electrónico para

 [email protected]

ou, de preferência, para:

 [email protected]

CE

21 de Junho, 2008 Carlos Esperança

Para canonizar o «Papa de Hitler»…

Pio XII salvou no mundo mais judeus do que qualquer outro na história”: foi o que afirmou aos microfones da Rádio Vaticano Gary Krupp, expoente da comunidade judaica norte-americana e presidente da Fundação Pave the Way, que este no Vaticano na última quarta-feira para encontrar o Santo Padre na conclusão da audiência geral junto com outros judeus sobreviventes ao Holocausto.

Pergunta: Quanto custou a mentira?

CE

21 de Junho, 2008 Carlos Esperança

Os conventos e a liberdade

Há direitos irrenunciáveis. O patrão que coaja os trabalhadores a abdicarem dos direitos sindicais, viola as leis do Estado e torna nulo o contrato. Não se podem recusar direitos consagrados na Constituição nem renunciar às liberdades inerentes à condição humana.

A entrada para um convento é a renúncia à liberdade e à autodeterminação individuais. Pode ser gratificante a assoalhada no Paraíso, divertidos os jejuns ou deliciosos no gozo masoquista os cilícios, mas não podem ser deixados nas mãos de uma seita, à mercê da madre superiora ou do prior de um convento.

Imagine-se uma jovem, destroçada nos afectos ou perturbada por êxtases místicos, que decide entrar num convento e renunciar à liberdade. Como pode uma decisão emocional converter-se em prisão perpétua sem que o Estado democrático indague periodicamente da sanidade mental e da ausência de constrangimentos sobre a vítima?

Claro que deus gosta de ociosos que passem a vida na contemplação. Os papas apelam a que se renuncie aos prazeres da vida para se dedicarem à castidade e à oração. Não sei quem terá ouvido deus a lamentar-se do método que os humanos descobriram para se reproduzirem ou envergonhado com o prazer que dá. Desconheço quem foram as testemunhas da obsessão divina pelas roupas femininas e quando começaram essas prisões que muitas vezes serviram para manter indivisa a propriedade transmitida ao primogénito.

O que está em causa é a possibilidade, remota que fosse, de haver no ambiente lúgubre de um convento alguém que os constrangimentos internos ou as ameaças hierárquicas impedissem de se libertar da severa pena da prisão perpétua pelo único crime de crer num deus cruel, violento e vingativo.

Não há Estado democrático sem defesa dos direitos, liberdades e garantias a que está obrigado. Os conventos devem ser periodicamente visitados por assistentes sociais, médicos e psicólogos. Os cidadãos precisam de quem os defenda, inclusive de si próprios, amortalhados em vida sob a máscara sombria do hábito conventual.

Carlos Esperança

20 de Junho, 2008 Carlos Esperança

A fé é a paciência

Um crente é o cinéfilo capaz de ver o mesmo filme, todos os Domingos, durante a vida. Há casos de devoção diária, independentemente do actor, dos figurantes e da parte do corpo que o artista exiba para a plateia.

Não se julgue que a repetição embota o espírito crítico ou reduz a acuidade dos sentidos. O créu distingue a água benta da outra e vê, na hóstia consagrada, o corpo e o sangue de Jesus. No paladar e na visão a fé leva vantagem ao ateísmo.

Um indivíduo com fé é capaz de pagar em orações uma bagatela divina, louvar o ente que julga superior por o ter poupado à morte no desastre que lhe levou o filho, por lhe ter curado a doença com que escusava de o ter massacrado, por lhe ter dado o privilégio de pertencer á única religião verdadeira.

Os crentes são assim, fáceis de compor, benevolentes para com o deus que lhes coube e para os padres que vivem dele. Não toleram a apostasia, a blasfémia e a heresia porque se julgam na obrigação de defender os interesses de quem julgam omnipotente.

Um crente verdadeiro já não precisa de sacrificar um filho, como fez o palerma Abraão, basta-lhe levá-lo ao banho ritual do baptismo e, aos sete anos, entregá-lo ao padre e às catequistas. Pode nunca ser um cidadão, mas sai da igreja a recitar orações e a odiar os crentes das outras religiões e, sobretudo, os que não acreditam nas propriedades terapêuticas da confissão, penitência e eucaristia.

Em zonas tribais, em sítios onde não chega a civilização nem a polícia, deus exige aos crentes uma série de obrigações que, num país moderno, os levaria à enxovia. Mas que interessa a prática de manifestações tribais, a amputação de membros, a humilhação das mulheres e a decapitação de infiéis se deus se rebola de gozo enquanto recolhe o mel e fabrica virgens para compensar os que conseguirem transporte para o Paraíso? 

Carlos Esperança

18 de Junho, 2008 Carlos Esperança

Resposta ao leitor Alexandre Pinto

O respeito pelos crentes, quer acredite ou não, é sincero, tal como o desprezo pela crença. Há fortes evidências de que deus foi criado pelo homem e nenhuma em sentido contrário.

Ainda ontem, num frente a frente com Frei Bento Domingues, no Rádio Clube Português, respondendo a uma afirmação minha, dizia o tolerante frade, mais ou menos isto: «Bem, isso do Antigo Testamento… é para esquecer»,

Citar Bento Domingues ou Anselmo Borges, como fez Alexandre Pinto, é andar à procura de excepções numa instituição que se esforça por tornar obrigatório (repito, obrigatório) o ensino da Religião Católica nas escolas públicas, que reivindica capelanias militares e hospitalares, que doutrina criança de seis ou sete anos e baptiza lactentes, que chantageou o Governo quando o ministro Salgado Zenha permitiu o divórcio aos casais que tinham um casamento católico.

Em questões de tolerância a ICAR não é modelo.

E, quanto à bíblia (refiro-me aos 4 evangelhos, aqueles que resultaram da encomenda do imperador Constantino a Eusébio de Cesareia, para criar um corpo homogéneo entre as 27 versões) basta reparar no anti-semitismo violento que os inspira e na crueldade dos castigos propostos, para se ter a certeza de que a religião é uma criação humana que reflecte os costumes bárbaros da época em que foi criada.

É daí que nascem as objecções morais dos ateus às religiões que tendem a perpetuar a crueldade que a nossa consciência reprova. Quanto às objecções intelectuais, resultam da ausência de qualquer evidência de que sejam verdadeiras. Não é por acaso que todas as religiões consideram as outras falsas. Nós, ateus, apenas consideramos falsa mais uma do que todos os crentes.      

Quanto ao retrocesso do Professor Ratzinger, vai desde a liturgia (voltou a fazer ajoelhar os frequentadores da eucaristia), à beatificação dos mártires espanhóis numa tentativa de branquear os assassínios de Franco com a cumplicidade ou o silêncio do Opus Dei. A reintegração, à sorrelfa, dos seguidores de monsenhor Lefèbvre, que estavam excomungados, diz bem da deriva reaccionária do actual pontificado. As indicações dadas aos bispos espanhóis na luta contra a legislação sobre a família, do Governo democrático. As posições dos seus órgãos de comunicação têm sido um apelo ao golpe de estado que só a União Europeia e os tempos tornam difícil.

Não sei como explicará o Vaticano que um herege, excomungado, actualmente a residir no Inferno, o bispo Lefèbvre, arranja um salvo-conduto para o Céu ou onde arranja uma agência de transportes que conduza a alma entre as duas localidades.

Finalmente, o Diário Ateísta não procura ofender crentes mas não desiste de desacreditar os que se reclamam de uma fé para a qual não apresentam provas. É uma questão pedagógica.  

Carlos Esperança

18 de Junho, 2008 Carlos Esperança

Liberdade e religião

The Texas Constitution

Article 1 – BILL OF RIGHTS

Section 4 – RELIGIOUS TESTS

No religious test shall ever be required as a qualification to any office, or public trust, in this State; nor shall any one be excluded from holding office on account of his religious sentiments, provided he acknowledge the existence of a Supreme Being.

No Texas, a Constituição (Artigo I, Secção 4) permite claramente a discriminação de ateístas em cargos públicos, «ninguém será excluído de uma posição pública com base nos seus sentimentos religiosos, desde que reconheça a existência de um Ser Supremo»,

Até as democracias, no que diz respeito à liberdade religiosa, correm o risco de se converter numa extensão do Texas. O livre-pensamento é substituído pelo retrocesso dos princípios democráticos numa deriva mística de pendor conservador, sem rumo, sem objectivos pedagógicos e sem pudor republicano.

Assim, voltamos ao tempo em que era preciso um atestado de baptismo católico e outro de bom comportamento, passados pelo prior da paróquia de nascimento, para se poder frequentar uma escola de enfermagem. Nas Escolas do Magistério era exigida a crença católica aos futuros professores do ensino primário. Era assim o Portugal de Salazar.

Os juramentos sobre os livros sagrados, apesar de anacrónicos, são ainda rituais que algumas democracias consagram. É como fazer voto de castidade com a mão direita sobre o Kamasutra ou incensar os direitos humanos com base no Mein Kampf.

Os livros sagrados das religiões reveladas promovem a intolerância e os preconceitos, exaltam o proselitismo, discriminam a mulher e fomentam guerras entre povos.

A Tora, a Bíblia e o Corão, defendem a violência e normas que exigem a imutabilidade do pensamento das épocas em que surgiram. Acreditar que Deus fez uma viagem ao Monte Sinai para conversar com Moisés, que uma mulher foi mãe graças ao Espírito Santo e que um pastor de camelos decorou um livro que, durante vinte anos, lhe foi ditado entre Medina e Meca, é ingenuidade ou má-fé.

Ser tolerante não é condescender com arcaísmos ideológicos, é tentar compreender os que acreditam sem abdicar de exigir provas dos factos. É estimar os crentes sem deixar de combater as crenças e conter os prosélitos.

O Vaticano, copiando o Islão, manifesta preocupantes sinais de regresso ao passado.

O ateísmo não pode permitir o desmoronamento dos valores éticos e cívicos que são apanágio da modernidade e do secularismo sem trair a herança dos que defenderam a liberdade durante a ditadura, sem apunhalar a ética republicana, sem renegar a herança do Iluminismo. 

Carlos Esperança

16 de Junho, 2008 Carlos Esperança

Sobre o ateísmo militante

Há ateus que não aceitam que outros se associem ou se preocupem com os mitos. Por que motivo se nega ou merece atenção o que, com elevado grau de probabilidade, não existe?

Respondem melhor os exemplos do que a argumentação.

Ninguém se incomoda com Neptuno porque não se adora, não se nega a omnipotência de Osíris porque caiu em desgraça, não se leva a sério Zeus porque ninguém esfola os joelhos num ritual teofágico a devorá-lo em corpo e sangue.

Mas o deus abraâmico tem poder para fanatizar crianças e manter abertas escolas de terrorismo. Que interessa que não exista, se os efeitos da sua alegada existência são cruéis e devastadores?

Não interessaria se Cristo existiu ou não, se dormiu com Maria de Magdala ou com o apóstolo João, se atravessou o Mar Morto sobre as águas, antes de lhe furarem os pés, mas a verdade é que, em sua defesa, se destruíram templos, queimaram livros e pessoas, fizeram guerras e, ainda hoje, há quem obrigue crianças a ir à missa, a rezar o terço, a frequentar a catequese e a temer o Inferno. E combatem-se os regimes democráticos por não permitirem que se torne obrigatória a propaganda da religião nas escolas públicas!

Os que submetem os mitos ao crivo da razão não acreditam que em Fátima houve um anjódromo onde um anjo aterrou para meter conversa com a Lúcia, ou que uma virgem saltitou de azinheira em azinheira para mandar rezar o terço a três inocentes criancinhas. Mas reparem, meus dilectos, no negócio a que o ardil deu origem, nas consequências no ataque à República e no apoio à ditadura salazarista, a pretexto de umas cambalhotas que o Sol deu, para um público seleccionado, na Cova da Iria.

Ainda hoje morrem peregrinos a caminho de Fátima para pagar promessas e ali deixam, outros, o óbolo certos de subornar o deus dos padres que lhes aliviam as algibeiras.

Se o clero das várias religiões deixar de formatar mentalidades, abandonar o objectivo da conquista do poder, renunciar ao proselitismo e abdicar de impor normas de conduta, o ateísmo perde o seu objectivo. Enquanto houver uma «ciência» chamada teologia, sem método nem objecto, os ateus têm o dever de combater o que julgam mentira, explicar o que pensam ser embuste e alertar para os perigos a que a luta pelo mercado da fé expõe as populações do planeta.

Os ateus não combatem os crentes, desmascaram crenças.

Carlos Esperança

16 de Junho, 2008 Carlos Esperança

Associação Ateísta Portuguesa (AAP)

Aviso

 

A Assembleia-geral Constituinte, que procederá à eleição dos corpos sociais para o primeiro mandato da AAP, terá lugar em Lisboa, em local, data e hora a anunciar no Diário Ateísta e no Sítio da Associação Ateísta Portuguesa.

Os sócios serão avisados por mensagem electrónica.

A reunião efectuar-se-á num dos primeiros Sábados do próximo mês de Julho.

Serão eleitores todos os sócios fundadores, ou seja, os que já se inscreveram ou venham a inscrever-se até à data da Assembleia-geral.

Para proceder à inscrição basta enviar o nome completo, a morada e o endereço electrónico para

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ou, de preferência, para:

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CE