O Vaticano condenou como uma forma de eutanásia a decisão da justiça italiana de permitir que seja interrompida a alimentação de uma mulher em coma há mais de 16 anos.
Bastavam ao mundo a loucura prosélita dos beatos e a incontinência verbal de alguns líderes para o planeta se tornar um lugar de horror. O preço do petróleo e a míngua de alimentos contribuem para adensar as nuvens que ameaçam a sobrevivência colectiva.
É neste estado de pessimismo e desânimo que o Irão lançou com êxito, a partir de local ignorado do deserto, nove mísseis com um raio de acção de 2.000 km, capaz de atingir numerosas cidades da região, nomeadamente Tel Aviv.
Sabe-se como são piedosos os guardas revolucionários de Teerão e como tem sido loquaz o presidente Ahmadinejad a reiterar o desejo obsessivo de erradicar do mapa o Estado de Israel. Já não é a questão palestina, em que os árabes têm razão, que está em causa, é o destino colectivo da humanidade e a paz internacional que estão ameaçadas pela hecatombe nuclear.
Com a Europa bloqueada pelo Não irlandês e pelas suas próprias divergências internas, com o pior presidente dos EUA das últimas décadas em fim de mandato, com o pavor das economias com a alta dos combustíveis, com a Rússia a responder ás provocações da NATO, o Irão encontrou o momento ideal para a demonstração de força.
Hoje, pela vez primeira, o Irão pôs-me do lado de Israel e do seu direito de se defender. Nos períodos de crise, por maiores que sejam as contradições que nos dilaceram, não podemos hesitar na trincheira que escolhemos. ISRAEL tem o direito à sua existência. Sem «MAS».
Carlos Esperança
A vitória dos fiéis progressistas que já haviam consagrado o acesso das mulheres ao sacerdócio, bem como de homossexuais, e, agora, ao episcopado, é o prenúncio de um cisma em que a corrente conservadora se vira para Roma e os progressistas seguem o seu caminho como igreja protestante.
O anglicanismo é uma criação oficial de Henrique VIII, separada de Roma desde 1534, embora o desejo de emancipação já fosse forte e o contributo da Reforma protestante decisivo. Por isso permaneceu sempre uma corrente, influenciada pela Reforma, mais tolerante e progressista que coexistiu com outra mais tradicionalista e nostálgica do Vaticano.
Para esta corrente, que tem menos adeptos e mais praticantes, o acesso das mulheres ao sacerdócio foi sempre uma espinha cravada no coração de quem não perdoa à mulher o pecado original e a considera indigna do exercício do múnus.
A luta constante entre liberais e conservadores, que atingiu o auge com a indicação de uma mulher como Primaz da Igreja Episcopal dos EUA, teve agora um novo braço de ferro que ameaça desintegrar a Igreja que tem na Inglaterra e na monarquia inglesa a sua mais sólida referência.
Após um breve retorno à Igreja católica (1553/58) as vicissitudes do poder ditaram o regresso ao anglicanismo que, desde 1558, passou a ser a religião oficial. Hoje, todos os monarcas têm de jurar manter e proteger a fé e espera-se que casem com um protestante, obrigação mitigada pelo tradicional sentido da tolerância britânica onde são numerosas as religiões e 23% da população é alheia a qualquer fé.
Os homossexuais e as mulheres impedem que, no futuro, todos os anglicanos possam frequentar a mesma missa. O cisma vem aí. Não é a fé que os divide, é a tolerância.
Carlos Esperança
O pio pregador João César das Neves (JCN) não respeita o calendário litúrgico das homilias. Nem o dia. Vocifera à segunda-feira no Diário de Notícias repetindo os temas e os argumentos até à náusea. O aborto é a obsessão e o embrião humano a sua devoção.
A líder do PSD e o chefe da sua Igreja convenceram-no de que não é um desadaptado. A primeira entende que o casamento tem em vista a reprodução, não se percebendo que não haja limite de idade e não se exija atestado de fertilidade. O Papa, apesar da falta de experiência matrimonial, é quem dita a moral familiar. JCN é mero porta-voz e o eco da Igreja católica.
JCN afirma que «O Governo (…) está empenhado em intensa campanha de promoção do aborto». Dito por uma pessoa responsável seria uma calúnia, bolçado por JCN é um acto de fé, que não exige provas.
JCN afirma que ‘negar vida humana ao embrião, é um postulado básico do Governo, semelhante à escravatura’, esquecendo-se da enormidade da comparação, da mentira da intenção que atribui ao Governo e de que a escravatura, embora ignóbil, é defendida na Bíblia.
Diz o devoto que “11 a 12 mil mulheres já praticaram abortos nos termos da lei”, facto que denomina de monumental hecatombe, sem que declare claramente que preferia o aborto clandestino.
Há uma afirmação em que tem razão: «Espantaria, se a manifesta cegueira ideológica não fosse suficiente para ocultar a verdade», mas não se trata de autocrítica.
E termina, em êxtase místico, a misturar a legislação portuguesa sobre a IVG com a conduta das «autoridades soviéticas» num salto cuja relação não se percebe.
Carlos Esperança
Quando se ganham batalhas facilmente se esquece a bondade das causas, a legitimidade das posições e a personalidade do autor.
Nuno Álvares é um herói que as batalhas tornaram famoso e o sangue dos castelhanos glorioso. Pode parecer hoje anacrónica a razão dos combates, interesseira a escolha da trincheira e exagerado o número dos que sangrou, mas em época de crise alimenta a vaidade e anestesia o povo.
Nuno Álvares mudou a história da Península Ibérica, tornou possível a dinastia de Avis e serviu sempre, em momentos de crise, para estimular o orgulho nacional.
O antigo escudeiro de D. Leonor Teles era danado para batalhas. Começou cedo a matar castelhanos, em 1384, no recontro dos Atoleiros. Em 1385 saciou-se em Aljubarrota e, tendo-lhe ficado o vezo, ainda se deslocou a Valverde, território castelhano, para aviar mais alguns.
Farto de matar castelhanos, foi a Ceuta experimentar os mouros, em 1415. Depois, aborrecido da espada e de andar fora de casa, recolheu-se ao Convento do Carmo, que fundara, e aí viveu o tempo que ainda teve, até ao ano de 1431.
Era um herói. Agora passou a taumaturgo. Uma sexagenária queimou um olho com óleo de fritar peixe, invocou o D. Nuno e logo ficou boa. Os médicos não sabem dizer se foi do óleo ou do beato a cura repentina e o Vaticano tem a certeza do milagre.
Mas é triste ver um herói acabar como colírio para queimaduras de óleo de fritar peixe.
Carlos Esperança
Associação Ateísta Portuguesa
CONVOCATÓRIA DA ASSEMBLEIA GERAL
Ao abrigo do disposto nos n.ºs. 2 e 5 do artigo 20º e no n.º 1 do artigo 12º dos «Estatutos da Associação Ateísta Portuguesa» aprovados na escritura pública notarial da sua constituição, outorgada no dia 30 de Maio de 2008, convoco todos os sócios da Associação Ateísta Portuguesa para uma Assembleia Geral a realizar no próximo dia 19 de Julho de 2008, sábado, pelas 14:00 Horas na Rua do Benformoso, nº 50 (Centro Republicano Almirante Reis) em Lisboa, e com a seguinte
ORDEM DE TRABALHOS
1º- Informações.
2º- Aprovação do «Regulamento Interno da Associação Ateísta Portuguesa» de acordo com o estabelecido no n.º 2 do artigo 5º, no n.º 2 do artigo 7º, no artigo 9º, no n.º 3 do artigo 12º e nos n.ºs. 1 e 2 do artigo 16º dos Estatutos;
3º- Formalização da apresentação de listas candidatas à eleição para os órgãos sociais da Associação;
4º- Eleição dos órgãos sociais da Associação Ateísta Portuguesa, por voto directo, universal e secreto de todos os associados no pleno gozo dos seus direitos sociais, de acordo com o estabelecido nos n.ºs. 1 e 2 do artigo 12º dos Estatutos.
5º- Tomada de posse dos membros dos órgãos sociais eleitos;
6º- Aprovação do endereço e da composição do sítio da Internet da Associação;
7º- Aprovação do endereço de correio electrónico da Associação;
8º- Outros assuntos de interesse geral da Associação;
Nota: se à hora da primeira convocatória não estiverem presentes pelo menos metade dos sócios na plenitude dos seus direitos associativos, de acordo com o disposto no n.º 2 do artigo 8º dos Estatutos, a Assembleia Geral da Associação Ateísta Portuguesa reunirá 30 minutos depois, no mesmo local e com a mesma ordem de trabalhos, funcionando com qualquer número de sócios que se encontrar presente.
Lisboa, 3 de Julho de 2008
Pela Comissão Instaladora
Carlos Esperança
Ludwig Krippahl
Ricardo Schiappa
Um tribunal judeu proibiu a utilização de aparelhos mp4 por parte dos fiéis ultra-ortodoxos por considerar estes «instrumentos do diabo para levar as pessoas a pecar», anuncia o jornal Yediot Aharonot
CE
Não havendo provas de que qualquer religião seja verdadeira, não faltam evidências da sua perigosidade.
À medida que a ciência destrói os mitos milenares e o ridículo cobre as afirmações de quem não consegue demonstrar os factos que alega, verifica-se maior agressividade, um desvario místico e a raiva prosélita que abalam os alicerces da liberdade e compromete a paz.
O Islão, em nome do Profeta, pratica a violência e exerce uma ditadura teocrática contra a liberdade individual e punições cruéis, em especial contra as mulheres.
Não se pode dizer que o fundamentalismo cristão do protestantismo evangélico siga a via da tolerância e da paz. O cristianismo ortodoxo não se resigna à separação do Estado e ao parasitismo a que se habituou. O judaísmo ortodoxo não consegue refrear o espírito sionista e a intolerância pia.
Enfim, a fé não é crime mas está frequentemente na sua origem.
A ICAR, após o Iluminismo, parecia conformar-se com o processo de secularização das modernas democracias mas, há dois pontificados, entrou num processo de regressão que a morte oportuna e suspeita de JP1 facilitou.
O actual déspota vitalício dá sinais alarmantes de um fenómeno regressivo cujo perigo se acentua progressivamente. Basta ver o comportamento das conferências episcopais da Espanha e, agora, de Portugal, para avaliar o espírito retrógrado e o carácter belicista das sucursais autóctones do bairro das sotainas.
B16 passeia o anel pelos beiços dos devotos, obriga-os a genuflectir para lhes dar à mão a ração de pão ázimo, regressa às vestes talares medievais, restaura o latim como língua sagrada (à semelhança do que faz o Islão com o árabe) e abraça os sequazes do defunto bispo Lefèbvre como arautos do entusiástico regresso ao espírito do Concílio de Trento.
Estes sinais seriam irrelevantes se os negócios eclesiásticos, através das Misericórdias, do ensino e da assistência, não tivessem uma tenebrosa agenda de domínio social.
Carlos Esperança
Por razões desconhecidas não tenho tido acesso ao Diário Ateísta.
Imaginem um beato privado da hóstia!
CE
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.