Longe do fulgor de outros tempos, em que a média diária de visitantes, ultrapassava as mil e quinhentas visitas, o Diário Ateísta, resistiu às dissensões internas, aos ataques informáticos, insultos, ameaças e, sobretudo, à alegada cólera divina.
O DA mantém-se uma trincheira contra o obscurantismo religioso, as tropelias da fé e as aldrabices clericais. Denunciou o terrorismo demente do islão político, o ódio vesgo dos judeus das trancinhas, a intolerância do protestantismo evangélico, do cristianismo ortodoxo e do catolicismo romano.
Enquanto os fanáticos de deus matam e morrem por um mito, o DA lança dúvidas sobre a mais mortífera criação humana, deus, e denuncia os crimes que trazem a sua chancela.
Do terrorismo cruel à indústria dos milagres, o DA tem sido uma voz crítica e vigilante. A criação de beatos e santos e os milagres obrados não são a maravilha divina com que se enganam os crentes, são um insulto à inteligência e uma fraude com fins lucrativos.
À medida que o fundamentalismo regressa com a crise económica e social que domina o mundo, é preciso ser firme na denúncia do proselitismo e dos objectivos totalitários das religiões do livro que contagiaram o hinduísmo onde já surgem células terroristas.
Deus não é um mal necessário nem as religiões uma praga inevitável.
O Diário Ateísta saúda todos os leitores que ao longo de cinco anos acompanharam o serviço público que prestou e orgulha-se de ter sido o ponto de encontro dos ateus que criaram a Associação Ateísta Portuguesa.
CIDADE DO VATICANO – As leituras não bíblicas ou não autorizadas pelo Papa devem ser evitadas nas missas, afirmou nesta sexta-feira o cardeal Francis Arinze, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.
Por
Onofre Varela
Óscar Wilde disse: “Os homens da Igreja não pensam. Continuam a dizer aos 81 anos o mesmo que diziam aos 18”.
Lembrei-me desta frase bem humorada e plena de verdade irrefutável, ao ter conhecimento da organização de um debate subordinado ao tema “Ciência e Religião: uma relação (im)possível?”, organizada pela Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, a ter lugar na próxima 4ª feira (3 de Dezembro), pelas 21 horas, nas instalações da Faculdade, ao Campo Alegre.
A mesa redonda terá como moderadora a jornalista Sandra Inês Cruz, e como oradores os Professores Catedráticos Alexandre Quintanilha e António Amorim, o sacerdote Jesuíta Alfredo Dinis e o vice-presidente da Associação de Médicos Católicos António Sarmento.
É sempre de louvar e aplaudir a realização de iniciativas como esta, para que seja mais aberta a discussão e se possa, até, a partir dela, tirar o ateísmo (que está, inequivocamente, ao lado da Ciência) da sarjeta para onde as sociedades teístas o empurraram.
Devo dizer, no entanto, que o tema proposto para debate é recorrente e, em regra, o resultado final é um empate. O que não quer dizer que há 50% de razão para cada lado! É impossível dizer-se que Ciência e Mito estão ao mesmo nível! Mas o discurso académico dos religiosos é demasiado elástico e moldável e, no limite, o Homem criou Deus porque teve necessidade de um objecto deífico, e a própria religiosidade é alvo de estudo por várias disciplinas científicas. Esta verdadeira ligação da Religião à Ciência (e o facto de o Homem ser um animal religioso) pode ser a responsável pelo empate.
Tive conhecimento deste debate através da Associação Ateísta Portuguesa que foi contactada pelos organizadores no sentido de conseguirem a indicação de uma personalidade religiosa para participar nele. A minha primeira reacção a tal pedido foi anedótica porque considerei ser o mesmo que pedir à claque dos Dragões que indique um bom benfiquista!… Depois de me despojar do tom anedótico e encarar o caso com mais seriedade (não é que o humor não seja sério…) fiquei a pensar que, se em vez do título “Ciência e Religião” para o debate, a proposta fosse “Ateísmo e Religião”, os organizadores não iam conseguir sacerdotes que se sentassem junto de ateus e o debate não se realizava. Primeiro porque a frase de Óscar Wilde está cheia de actualidade. E depois porque (por isso mesmo), a Igreja não aceita participar numa mesa redonda com ateus, porque isso seria encarar a ideia da inexistência de Deus, o que, está bom de ver, nenhum bispo aceitará nem autoriza um sacerdote a fazê-lo.
E devo dizer que têm toda a razão! Se eu fosse frade franciscano faria o mesmo! A Igreja não pretende alimentar tal discussão porque o discurso dos ateus intervenientes podia acordar as mentes de alguns religiosos, e a Igreja pretende conservar essas mentes assim mesmo… adormecidas.
Esta minha ideia tem razão de ser e enquadro-a nestes dois exemplos:
1º – O programa “Herman Zap!” (que Herman José apresentou na RTP em 1996) fez comédia com a última ceia de Cristo, pelo que foi repudiado pela Igreja, e a Rádio Renascença promoveu uma petição no sentido de reivindicar a supressão do programa. Numa mesa redonda televisiva moderada pelo jornalista José Manuel Barata Feyo para debater aquele caso mediático, a Igreja recusou o convite, embora fosse ela (ou a sua rádio) que se manifestou contra Herman. O único padre presente no programa foi Frei Bento Domingues que teve o cuidado de referir estar ali particularmente e não em representação da Igreja.
(Ver desenvolvimento deste caso no meu livro “O Peter Pan Não Existe – Reflexões de um Ateu” editado pela Caminho em Janeiro de 2007.
Págs.188 a 191).
2º – Quando o Papa João Paulo II agonizava, fui convidado para participar numa conversa televisiva na RTPN, com os padres Mário Oliveira e Rui Osório, onde se discutia se o Papa deveria, ou não, renunciar ao cargo (tema perfeitamente desinteressante para um ateu!).
Na circunstância abordei a inexistência de Deus e Rui Osório quase que teve um colapso. Protestou pela minha intervenção e, numa atitude inédita, preparava-se para abandonar o programa. Sou amigo dele, ele foi meu chefe de redacção no Jornal de Notícias, e nunca o vi assim, tão alterado! Fiquei a pensar que a hierarquia lhe ía bater por ter aceitado participar numa discussão onde se negou Deus!… Ao contrário, o padre Mário Oliveira concordou comigo e acabou por dizer que os religiosos têm muito a aprender com os ateus. Talvez o dissesse porque já não tem nada a perder… a Igreja já o expulsou da instituição há muito tempo…
Salvo melhor análise, parece-me que estas atitudes provam a fuga da Igreja ao debate. Fuga que não pode ser mantida eternamente, e estou para ver as diferenças do discurso quando ela tiver, por força das circunstâncias, de sentar o cu fantasiosamente religioso, ao lado de outro cu realisticamente ateu.
Nota: Não é tanto o facto de uma freira se poder comportar como alguns banqueiros que é preocupante. São apenas casos de polícia. O que devia preocupar-nos é o destino das heranças que revertem para instituições onde as pessoas passam os últimos dias e que, fragilizadas, são compelidas a legar os bens.
É assim que as Igrejas aumentam o poder económico e, com ele, o domínio sobre a sociedade onde a teia económica cria laços de cumplicidade.
Os suspeitos do costume já reivindicaram a carnificina. As vítimas aproximam-se da centena e o número de reféns é indeterminado.
A crença no Paraíso é mais nefasta do que a superstição do Inferno. Os alienados de deus matam porque sim e morrem porque querem o Paraíso. A demência mística é o detonador do ódio e da violência.
Por todo o mundo jorra o sangue de inocentes, vítimas da fé assassina dos carrascos. Os empresários da fé dizem em público que são desvios, mas rejubilam em privado. A catequização com que as religiões ensinam os seus crentes a abominar o deus dos outros está na base dos crimes de inspiração religiosa que põem em risco a civilização e o progresso.
O Corão é um livro que a razão e um módico equilíbrio mental repudiam, mas é o ganha-pão dos pregadores que fanatizam, embrutecem e atemorizam os crentes, nas mesquitas, com homilias xenófobas, racistas e misóginas.
A laicidade já conseguiu moderar os ímpetos prosélitos judaicos e cristãos mas ainda não chegou aos antros do fascismo islâmico onde os crentes se ajoelham e rezam contra alguém.
Malditas crenças cuja irracionalidade semeiam o pavor e a tragédia. É preciso parar os deuses de hoje antes que os mitos sacrifiquem a humanidade. Como nos tempos antigos, os rituais do sacrifício humano continuam a fazer-se nos altares para que os deuses se apazigúem. Todos os deuses juntos não valem uma só vida humana.
MUMBAI. Mais um nome a fixar, mais um crime a julgar.
Uma condenação, sem precedentes, condena os religiosos que cometeram ou encobriram estes casos
Washington. (EFE).- Um tribunal federal autorizou o estado de Kentucky (EUA) a apresentar acções judiciais contra o Vaticano por negligência em casos de abusos sexuais cometidos por sacerdotes da Igreja Católica dos Estados Unidos, segundo fontes judiciais.
Nota: Bem-vinda a jurisprudência que imputa responsabilidade cível às multinacionais da fé por crimes praticados pelos seus empregados.
03/DEZ às 21h00
Anfiteatro 0.40, Edifício da Biologia, Faculdade de Ciências da U.Porto
A Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências U.Porto promove no dia 03 de Dezembro, às 21h00, o debate “Ciência e Religião: Uma Relação (Im)possível?” e que irá decorrer nas instalações do Edifício de Biologia no Anfiteatro 0.40 (Rua do Campo Alegre, 687- Porto).
Entrada livre. Aberto ao Público
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.