Em resposta às críticas da opinião pública, o arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, disse que não excomungou o rapaz que engravidou a sua enteada de 9 anos porque aborto é mais grave do que estupro.
Exmo. Senhor
General Luís Valença Pinto
Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA)
[email protected]
Av. Ilha da Madeira, 1
1400-204 Lisboa
Senhor General Luís Valença Pinto,
Excelência:
A Associação Ateísta Portuguesa (AAP), à semelhança de numerosos portugueses, nomeadamente do malogrado primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro, duvida da utilidade de uma Concordata entre o Estado Português e o Estado do Vaticano e lamenta, aliás, um tratado que privilegia uma religião ao arrepio da laicidade do Estado.
Além da Concordata, a AAP condena a presença de clérigos nas Forças Armadas Portuguesas (FAP), seja qual for o deus que adorem, as orações que debitem ou os rituais que observem.
A AAP repudia a insólita proposta do Estado Maior General das Forças Armadas para que o Estado do Vaticano nomeie um bispo para comandar os católicos fardados.
Em primeiro lugar, não vê a AAP necessidade de clérigos para prestarem assistência religiosa às FAP, tal como não vê a utilidade de padres privativos para estivadores, professores, médicos ou bombeiros, por exemplo, por não faltarem missas, novenas, terços e sacramentos, em templos, fora da instituições militares.
Depois, e é a soberania que está em causa, considera a AAP absolutamente intolerável que um estado estrangeiro – o Vaticano – possa nomear oficiais das FAP, padres ou bispos, cuja fidelidade à Pátria pode ser objecto de suspeita.
Portugal não é um protectorado do Vaticano e as suas Forças Armadas não podem ser infiltradas por um Estado não democrático e alheio à União Europeia.
Salvo o devido respeito pela devota intenção de V. Ex.ª, a Associação Ateísta Portuguesa considera uma humilhação para as Forças Armadas Portuguesas permitir que o Estado do Vaticano nomeie oficiais, independentemente das funções a que se destinem.
Assim, pede a AAP que seja abandonada urgente e definitivamente a proposta para que o Vaticano infiltre as Forças Armadas Portuguesas e aguarda que essa decisão lhe seja transmitida para tranquilidade dos portugueses, em geral, e dos nossos associados, em particular.
Aguardando as VV/ notícias,
Apresentamos-lhe os nossos cumprimentos,
Associação Ateísta Portuguesa, Odivelas, 06 de Março de 2009
Cidade do Vaticano, 04 Mar (Lusa) – A Rádio Vaticano disse hoje que um documento de 1943 encontrado num convento em Roma apoia a tese da Igreja de que o papa Pio XII salvou judeus na II Guerra Mundial.
Comentário: Infelizmente para o Papa de Hitler há numerosas provas de ter protegido os nazis e de lhes ter facilitado a fuga para os países da América do Sul.
WASHINGTON, EUA, 5 Mar 2009 (AFP) – Um homem vítima de um padre pedófilo quando era adolescente foi autorizado por um tribunal de apelações dos Estados Unidos a processar o Vaticano, revelaram nesta quarta-feira fontes ligadas ao caso.
CARTUM, Sudão (AFP) — O presidente sudanês, Omar al-Bashir, contra quem a Corte Penal Internacional (CPI) emitiu nesta quarta-feira uma ordem de prisão por genocídio em Darfur, é um militar de carreira hábil, mas imprevisível, que se projetou no poder com um golpe de Estado apoiado pelos islamitas.
Paulo Portas lamentou que o Governo não se tivesse congratulado com a canonização de Nuno Álvares Pereira. A comunicação social referiu a queixa mas foi indiferente à patriótica proclamação do antigo ministro da Defesa e do Mar e insensível à omissão do Governo.
Que Governo é este que não acompanha o ex-ministro que, graças à Senhora de Fátima, conseguiu que a poluição do navio Prestige poupasse as costas do Minho enquanto fustigava as da Galiza? Que jornalismo é este que já esqueceu o único ministro que se deslocou a Coimbra para assistir à missa pela Irmã Lúcia quando esta se finou?
Um país que não exulta com o milagre da cura do olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus, queimado com óleo de fritar peixe, não é digno de um santo com a dimensão de D. Nuno. Uma comunicação social que não exalta o heróico taumaturgo que, depois de exterminar castelhanos nas batalhas dos Atoleiros, Aljubarrota e Valverde, se recolheu a um convento e, após 577 anos de defunção, se estreou no ramo dos milagres, não vale o país que somos.
Paulo Portas, antigo Condestável de Durão Barroso e de Santana Lopes, não esqueceu o antecessor, no heroísmo e na piedade. E tê-lo-á recordado nas paradas militares quando, entre mancebos fardados, deslocava o fato às riscas com o ministro dentro.
Mas que ingratidão é esta que já esqueceu a coragem de Paulo Portas perante a invasão do barco do aborto quando, com risco da própria vida, fez deslocar para a Figueira da Foz um vaso de guerra para defender a Pátria da invasão iminente… de pílulas do dia seguinte?
Um país que esquece os pios lamentos de Paulo Portas não é digno da D. Guilhermina, não merece a intercessão celeste de D. Nuno nas sequelas do óleo fervente do peixe que fritava, nem a glória do taumaturgo que foi em vida carrasco de castelhanos e, depois de morto, colírio para queimadelas de óleo de fritar.
O caso da menina de 9 anos, grávida de gémeos, que teria sido estuprada pelo padrasto, teve novo desdobramento no fim da noite de ontem, e foi parar no Palácio dos Manguinhos.
Dizendo estar preocupado com o assassinato de dois “inocentes”, o arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, encontrou-se com o director do Imip, onde a menina estava internada, e até com o presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), para tentar impedir o aborto, marcado para as 8h de ontem.
Apesar da pressão da Igreja, a criança foi levada pela mãe para outra unidade de saúde ainda na noite de ontem. O Diário localizou as duas e tentou falar com a mãe no novo local de internamento, mas a mulher preferiu não se pronunciar.
– Notícia enviada por Stefano.
“O Presidente da República congratula-se, em nome de Portugal, pela notícia da decisão tomada hoje no processo de canonização de D. Nuno Álvares Pereira, figura maior da nossa História, que, no passado como no presente, deve inspirar os Portugueses na busca de um futuro melhor”, refere a Presidência da República numa nota enviada à agência Lusa.
Eu sabia da rapidez com que Cavaco Silva se congratulara com a canonização do Santo Pereira, mas desconhecia os termos em que o fez. Julguei que era a posição individual do devoto enfraquecido por jejuns e receoso das penas do Inferno, a procurar a remissão dos pecados. Acreditei que era a posição do paroquiano perante o director espiritual, a postura de crente face aos amigos do peito e da hóstia. Admiti que fosse o tributo pago ao Vaticano porque o papa de turno deixou que a D. Maria se lhe ajoelhasse aos pés.
Afinal, foi na qualidade de Presidente da República que ofendeu e humilhou todos os que desconfiam do mérito do Condestável na cura do olho esquerdo da D. Guilhermina. Como crente tem direito à felicidade com o milagre encomendado, mas o Presidente da República deve respeitar todos os portugueses, independentemente das suas crenças, descrenças ou anti-crenças.
O PR, ao afirmar «que, no passado como no presente, [Nuno Álvares] deve inspirar os Portugueses na busca de um futuro melhor», usou um português rudimentar e de difícil entendimento, mas percebe-se que aponta o bem-aventurado como fonte de inspiração na busca de um futuro melhor.
A dúvida que fica é se o PR pensou nos castelhanos que D. Nuno matou nos Atoleiros, em Aljubarrota e Valverde, método obsoleto para a busca de um futuro melhor, ou se teve em mente a vida monástica do novo santo cujo exemplo certamente será o único economista a apontar como solução para superar a crise que nos aflige.
De qualquer modo é lamentável que, num país com séculos de ignorância e superstição, o Presidente da República seja tão célere a celebrar a cura de uma “úlcera na córnea” por um cadáver com 577 anos de defunção e, mais lamentável ainda, que o faça em nome de Portugal, país laico e democrático.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.