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Carlos Esperança

8 de Outubro, 2009 Carlos Esperança

O Santo Sudário de Turim

Quando, há vinte anos, os testes efectuados ao Sudário de Turim revelaram que o tecido tinha sido fabricado entre 1260 e 1390, os crentes dividiram-se entre os que execraram o carbono 14 e os que exultaram com o pano de linho que cobriu o corpo de Cristo treze séculos antes de ser tecido.

Já antes Verónica tinha perdido a veneração dos crentes porque a santidade se devera à deficiente tradução do grego que confundiu a «verdadeira imagem» com o nome da pia mulher a quem se atribuía o acto de amortalhar o Redentor.

Nessa altura, perdeu a Igreja uma santa mas ganhou três sudários até o Vaticano decidir a autenticidade do de Turim. A ciência, num só dia, destruiu fraudes que resistiram durante séculos e excitaram a piedade dos devotos.

Não ficaram em causa os milagres obrados pela mistificação pia. Hoje sabe-se como são insondáveis os caminhos que os homens criaram para os deuses. Há relíquias autênticas que não conseguem curar uma pneumonia e outras, absolutamente falsas, que suprimem a lepra, eliminam diabetes e curam cancros.

A indústria produz hoje maior número de milagres através da virgem do que o seu filho foi obrigado, durante toda a vida, para provar a filiação divina.

O tecido de linho que os padres associaram à crucificação de Cristo, de 4,4 x 1,1 metros, ou seja, 4,84 metros quadrados de relíquia, é mais falso do que a roupa de marca que se vende na feira do Relógio, mas os milagres obrados graças ao óbolo e às orações são mais espantosos do que os prodígios inventados para os milhares de beatos e santos que os dois últimos pontificados inventaram.

Uma equipa de cientistas italianos garante ter feito uma cópia do Santo Sudário, que os cristãos acreditam ter sido o pano que envolveu o corpo de Cristo.

7 de Outubro, 2009 Carlos Esperança

Ainda canonizam a Amália

O que têm em comum Amália Rodrigues e Josemaría Escrivá? Á partida nada, mas.. quis o destino que o dia 6 de Outubro fosse comum aos dois.

Nesse dia de 1999 falecia em Lisboa, Amália Rodrigues, a grande fadista, admirada e seguida por portugueses e amantes do fado dispersos por todo o mundo, durante muitos anos e até aos dias de hoje.

Nessa mesma data, mas em 2002 era canonizado na Praça de S. Pedro em Roma o sacerdote espanhol São Josemaría Escrivá, fundador da Opus Dei (…)

in Spe Deus (Amália Rodrigues e S. Josemaria Escrivà)

6 de Outubro, 2009 Carlos Esperança

A crise da família globaliza-se

(…) O Cardeal ganês apontou ainda outros problemas, como a crise do matrimónio tradicional, minado por uniões alternativas “desprovidas do conceito de compromisso duradouro e sem a finalidade da procriação”.

“Isso tende a estabelecer uma nova ética global sobre a família, sobre a sexualidade humana, e sobre aspectos ligados ao aborto, à contracepção e à engenharia genética”, lamentou.

5 de Outubro, 2009 Carlos Esperança

Viva a República

caiu o trono e o altar

caiu o trono e o altar

A queda do trono e do altar

A Revolução de 1820, o 5 de Outubro de 1910 e o 25 de Abril são os marcos históricos da liberdade, em Portugal. Foram momentos que nos redimiram da monarquia absoluta e da dinastia de Bragança; são as datas que honram e dão alento para encarar o futuro e fazer acreditar na determinação e patriotismo dos portugueses.

Comemorar a República é prestar homenagem aos cidadãos que não quiseram mais ser vassalos. O 5 de Outubro de 1910 não se limitou a mudar de regime, trouxe um ideário libertador que as forças conservadoras tudo fizeram para boicotar.

Com a monarquia caíram os privilégios da nobreza, o imenso poderio da Igreja católica e os títulos nobiliárquicos. Ao poder hereditário e vitalício sucedeu o escrutínio do voto; aos registos paroquiais do baptismo, o Registo Civil obrigatório; ao direito divino, a vontade popular; à indissolubilidade do matrimónio, o direito ao divórcio; à conivência entre o trono e o altar, a separação da Igreja e do Estado.

Há 99 anos, ao meio-dia, na Câmara Municipal de Lisboa, José Relvas proclamou a República, aclamada pelo povo e vivida com júbilo por milhares de cidadãos. É essa data gloriosa que hoje se evoca no Ponte Europa, prestando homenagem aos seus heróis.

Cândido dos Reis, Machado dos Santos, Magalhães Lima, António José de Almeida, Teófilo Braga, Basílio Teles, Eusébio Leão, Cupertino Ribeiro, José Relvas, Afonso Costa, João Chagas e António José de Almeida, além de Miguel Bombarda, foram alguns desses heróis que prepararam e fizeram a Revolução.

Afonso Costa, uma figura maior da nossa história, honrado e ilustríssimo republicano, mereceu sempre o ódio de estimação das forças mais reaccionárias e o vilipêndio da ditadura salazarista. Para ele vai a homenagem de quem ama e preza os que serviram honradamente a República.

Há quem hoje vire costas à República que lhe permitiu o poder, quem despreze os heróis a quem deve as honrarias e esqueça a homenagem que deve. Há quem se remeta ao silêncio para calar um viva à República e se esconda com vergonha da ingratidão.

Não esperaram honras nem benefícios os heróis do 5 de Outubro. Não se governaram os republicanos. Foram exemplo da ética por que lutaram. Morreram pobres e dignos.

Glória aos heróis do 5 de Outubro.

Viva a República.