24 de Outubro, 2009 Carlos Esperança
ICAR insiste em crime contra a saúde pública
De acordo com a agência Efe, estas recomendações fazem parte da mensagem que emergiu no segundo sínodo de bispos africanos, que reúne no Vaticano 244 prelados.
De acordo com a agência Efe, estas recomendações fazem parte da mensagem que emergiu no segundo sínodo de bispos africanos, que reúne no Vaticano 244 prelados.
Segundo o líder da Igreja Anglicana do Quénia, Arcebispo Eliud Wabukala, a oferta da Santa Sé não terá seguidores na sua congregação.
O Vaticano veio a público indicar que aceitaria clérigos Anglicanos na Igreja Católica mesmo mantendo uma entidade religiosa própria, incluindo a possibilidade de serem padres casados.
Caim: Vaticano diz que «é um assunto ao qual a Igreja Católica não irá dar resposta»
A sucursal portuguesa não tem poupado nos adjectivos e no ranger de dentes.
Collor recebe homenagem por votação do acordo Brasil Vaticano
Senador conseguiu que o acordo fosse votado na Comissão e no plenário no mesmo dia
Por que motivo não senti a mínima pena ou o mais leve desgosto pelo atentado contra a elite militar de Teerão? Como Guerra Junqueiro, perante o regicídio, “lamento de olhos enxutos a execução” e há, nesta citação contida, uma dissimulação porque senti no feito impiedoso, na demência suicida dos algozes, a execução de uma sentença.
Não vou ao ponto de sentir aquela euforia imbecil que percorreu a rua islâmica quando as Torres de Nova York foram derrubadas. Não sinto aquele regozijo fanático com que na Idade Média se assistia ao churrasco dos hereges ou, ainda agora, nas teocracias se delira com a lapidação de uma adúltera, mas aceito que os agentes do terror teocrático mereçam prematuramente as setenta virgens que os suicidas lhes destinaram, apesar da minha aversão à pena de morte.
Tenho, pelos Guardas iranianos, o mesmo afecto que dispensava à PIDE e o asco que ainda guardo de Rosa Casaco. Sei que uma pessoa de bem não deve confessar regozijo pelo atentado a Carrero Blanco, à saída da missa, bem rezado e comungado, ou pelo feito heróico da cadeira que puniu Salazar, mas os estados de alma não são fruto da razão nem os biltres que amordaçam o povo, intoxicados por um livro, merecem compaixão.
Não percebo, aliás, que uma certa esquerda europeia defenda um multiculturalismo em que a opressão da mulher possa ser enquadrada numa tradição cultural, ou transija com a poligamia, sem que a poliandria goze de igual direito. Há parâmetros que diferenciam a civilização da barbárie e não são as normas do Corão, da Bíblia ou da Tora que podem servir de padrão civilizacional.
A escalada agressiva das Igrejas, o proselitismo doentio e a desvairada obsessão de cada religião a impor o seu deus privativo, aos crentes de outro deus ou a quem o dispensa, é um retrocesso civilizacional perigoso.
Pobre Europa, se esquecer o sangue vertido nas guerras religiosas e renegar a laicidade para agradar ao Papa ou aquietar o ódio pregado nas mesquitas.
Mário David não é um solípede à solta ou um inimputável analfabeto, é eurodeputado do PSD e vice-presidente do Partido Popular Europeu. Por isso as suas palavras podem ter eco, ser tomadas como boas e levadas a sério como se fossem de um homem culto e sensível.
Bem sei que Mário David, de que nunca tinha ouvido falar, é o Sousa Lara que entra na quota de todas as lideranças do PSD, o censor que honra o Santo Ofício, o analfabeto que, à semelhança do Sr. Duarte Pio, nunca leu Saramago e não gosta.
Mário David, sei-o agora, é o bem-aventurado primata que deseja a glória celeste na convicção de que há reino dos céus reservado aos pobres de espírito.
Pedir a Saramago, o Nobel do nosso contentamento, o mais admirável ficcionista do último século, não é de quem usa a cabeça mas de quem se serve dos pés. Todos.
Mário David afirma, referindo-se a Saramago: “Tenho vergonha de o ter como compatriota! Ou julga que, a coberto da liberdade de expressão, se lhe aceitam todas as imbecilidades e impropérios?”
Que quererá fazer este Sousa Lara, digo, Mário David? Quererá queimar o escritor? Retirar-lhe a nacionalidade? Ter a glória de Nero por incendiar Roma ou o nome nos jornais pela indigência intelectual?
Outra pérola deste analfabeto literário: “Se a outorga do Prémio Nobel o deslumbrou, não lhe confere a autoridade para vilipendiar povos e confissões religiosas, valores que certamente desconhece mas que definem as pessoas de bom carácter”.
Foi o bom carácter de pessoas como Mário David que alimentou as fogueiras da Inquisição.

Caim é um livro estimulante e divertido onde se confunde o génio literário de Saramago e a imaginação prodigiosa que nos faz viajar pelos mitos do Antigo Testamento e pelas maldades dos homens daquele tempo em que inventaram deus.
Desde a saída de Adão e Eva do Paraíso até à viagem na arca de Noé, a narrativa prende o leitor aos mitos bíblicos e deleita-o com a prosa admirável do mais notável ficcionista português.
Caim, depois de matar Abel por vontade de quem tudo pode, viaja no tempo e extasia-se com o vigor da sua juventude na cama de Lillith a quem faz o filho que a incompetência do marido não logra. Deixa-a prenha e consolada, e há-de voltar para encontrar o filho sem que este reconheça o pai biológico.
Saramago não perdoa a deus que brinque com a demência religiosa de Abraão, capaz de lhe sacrificar o seu único filho Isaac, e põe Caim a segurar o braço do infanticida antes de chegarem dois anjos que o impediriam mas que o trânsito fez chegar atrasados.
Caim é também o ponto de partida para o confronto dialéctico entre a civilização actual e a barbárie dos tempos bíblicos, entre o Estado de direito e o julgamento sumário onde as mulheres e crianças pagaram pelo delírio homofóbico do supremo juiz que destruiu Sodoma e Gomorra com chuva de fogo e enxofre que não puniu apenas os homens.
O leitor é um garimpeiro que penetra nos livros e devora páginas para encontrar numa frase a pepita de ouro que persegue. Em Saramago é vasto e inesgotável o filão. Não é preciso procurar as pepitas, o ouro vem já com os quilates da lei.

A Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) abriu as portas aos anglicanos.
Cerca de 1 mil sacerdotes anglicanos e outros milhares na Austrália e nos Estados Unidos podem deixar suas igrejas em direção ao Vaticano, disseram ao jornal britânico “The Times”, anglicanos tradicionais.
Dioceses inteiras que se opõem à ordenação de mulheres como bispos podem aceitar a oferta do papa Bento XVI.
Um padre ruandês de origem hutu, acusado de ter participado em 1994 no genocídio perpetrado no seu país contra os tutsis, foi detido terça-feira na Toscânia, na cumprimento de um mandado de captura internacional, revelou a agência Ansa.
O Papa Bento XVI recordou as raízes cristãs da Europa” e solicitou nesta segunda-feira a seus dirigentes “não deixarem seu modelo de civilização se desfazer”.
O pedido do pontífice foi transmitido ao novo embaixador da União Europeia no Vaticano.
Comentário: O modelo de civilização europeia baseia-se na laicidade e na tolerância. A fé já fez demasiadas mortes.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.