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Carlos Esperança

27 de Janeiro, 2010 Carlos Esperança

JP2 – Santo ou masoquista e aldrabão?

O Papa João Paulo II autoflagelava-se com um cinto como acto de penitência para atingir a perfeição cristã. Esta é uma das revelações mais surpreendentes de um novo livro, intitulado “Porque ele é santo”, escrito pelo prelado do Vaticano responsável pelo processo de canonização do Papa, o polaco Slawomir Oder.

“O falecido Papa privava-se muitas vezes de alimentos e dormia frequentemente no chão, desalinhando os lençóis da cama de madrugada para que ninguém se apercebesse do seu acto de penitência”, revela o livro lançado ontem.

Comentários – O masoquismo é uma virtude religiosa e não uma doença mental; o embuste (enganar, desalinhando os lençóis) é um acto pio e não uma vigarice. Assim se fabricam santos.

26 de Janeiro, 2010 Carlos Esperança

Mudam-se os tempos…

As relações entre Igreja Católica e o mundo judaico encontram-se “no centro de um processo evolutivo”: foi o que afirmou, em uma entrevista à Rádio Vaticano, o rabino David Rosen, diretor do Comitê Judaico Americano, comentando a recente visita de Bento XVI à Sinagoga de Roma.

“Espero – acrescentou – que esses eventos façam calar tantos medos e tantas suspeitas”. “Nós continuaremos a trabalhar: com o tempo alguns conseguiremos convencer, outros não”, prosseguiu o rabino recordando ainda que certos elementos de polêmica, como o perdão aos lefebvrianos, não estão ligados a esse pontificado pois o então Papa João Paulo II já havia iniciado o percurso de aproximação com os ultra-tradicionalistas.

Comentário: Vão longe os tempos em que a ICAR via nos judeus matéria combustível.

24 de Janeiro, 2010 Carlos Esperança

Há mortos mais iguais do que outros

Milhares de católicos, entre fiéis e autoridades eclesiásticas, além do presidente do Haiti, René Préval, compareceram neste sábado ao funeral do arcebispo de Porto Príncipe, monsenhor Serge Joseph Miot, que morreu no terremoto do dia 12 de janeiro.

A missa, que durou duas horas e meia, foi celebrada ao ar livre, perto da catedral de Notre Dame de l’Assomption, um dos símbolos de Porto Príncipe, que ficou destruída depois do tremor.

21 de Janeiro, 2010 Carlos Esperança

A indústria dos milagres e Pio XII

Diálogo de reaccionários

Diálogo de reaccionários

O Papa não é obrigado a ser crente, mas tem o dever de preservar a fé e de a promover. Não admira, pois, que, apesar do descrédito dos milagres e da santidade, ainda insista no negócio das beatificações e canonizações para contentar os crentes e competir com a concorrência.

Que um torcionário tivesse sido beatificado entre centenas de bem-aventurados cuja santidade se manifestou sobretudo no ódio à República espanhola, é um detalhe que não embaraça um papa que trocou os milagres avulsos pela produção industrial.

Bento XVI foi o ideólogo de João Paulo II, supersticioso, muito provavelmente crente, que canonizou monsenhor Escrivà de Balaguer, admirador de Hitler e indefectível de Franco, depois de lhe ter adjudicado três milagres, um acto de gratidão pela solução encontrada em vida para o escândalo do Banco Ambrosiano.

As canonizações são pias condecorações póstumas, de que a teocracia do Vaticano tem o alvará, iguais às veneras que nos países laicos fazem comendadores e cavaleiros, para gáudio dos agraciados, pagamento de favores ou distinção de méritos públicos.

Não se percebe, à primeira vista, a batalha que o actual pontífice trava para elevar aos altares o Papa de Hitler, Pio XII, quando o Vaticano é uma criação de Benito Mussolini e este foi considerado, pelo infalível Papa de serviço, como enviado da Providência.

O nazismo, sendo um fenómeno de natureza secular, contou com a solícita colaboração de padres católicos e de pastores protestantes que forneceram as certidões de baptismo, permitindo, por exclusão, mais facilmente diagnosticar os judeus. E quem se admira do ódio aos «pérfidos judeus» que nasceu com um dissidente, Paulo de Tarso, e alimentou o cristianismo até ao concílio Vaticano II? O anti-semitismo é a tara dos monoteísmos prosélitos que provieram do judaísmo.

A insistência de Bento XVI na canonização de Pio XII, além da simpatia ideológica pelo antecessor, é uma tentativa de branquear o passado anti-semita da sua Igreja, como se não tivesse havido Cruzadas, a Inquisição não tivesse perseguido judeus, os papas não os tivessem odiado e não os execrasse o Novo Testamento.

Os quatro Evangelhos (Marcos, Lucas, Mateus e João) e os Actos dos Apóstolos têm, segundo Daniel Jonah Goldhagen (in A Igreja católica e o Holocausto) cerca de 450 versículos explicitamente anti-semitas, uma média de «mais de dois por cada página da edição oficial católica da Bíblia».