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Carlos Esperança

3 de Janeiro, 2011 Carlos Esperança

Momento zen de segunda_03_01_2011-01-03

João César das Neves (JCN) faz hoje, ao contrário do habitual, uma mistura de religião e política na sua homilia no DN. Aproveita para zurzir o primeiro-ministro com alguma leviandade e má fé nos aspectos pessoais e com legitimidade democrática, nos aspectos  políticos.

A homilia intitula-se «A sombra da falsidade» e serve para bolçar a raiva transportada com os avanços civilizacionais na legislação sobre Família.

JCN, um beato amigo do peito e da hóstia de qualquer cardeal a quem o espírito Santo e o Opus Dei enfiem a tiara, não digere a legislação sobre o divórcio, o aborto e os casamentos entre as pessoas do mesmo sexo.

JCN sabe que mente ao acusar o Governo de «enveredar impudentemente pelo partido mais extremista» no que se refere, por exemplo, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, pois fazia parte do programa com que o PS se apresentou a eleições. Mas o que é uma mentira quando se está convencido de que há um deus com um caderno a apontar todas as tolices que dizem ser do seu gosto?

Quando JCN afirma que «Agora a crise faz a impostura descer a canalhice» não é o troglodita que parece, é o beato sequioso de água benta, o catecúmeno ávido de bênçãos e o beato ansioso por indulgências.

JCN está sempre tão impaciente para defender as tolices da sua Igreja como para atacar a modernidade e os direitos individuais.

3 de Janeiro, 2011 Carlos Esperança

A RELIGIÃO NOS EUA

Por

C. S. F.

A VIDA EXEMPLAR DE HUGH MARJOE ROSS GORTNER

Hugh Marjoe Ross Gortner, mais conhecido por Marjoe Gortner nasceu em 1944 em Long Beach, Califórnia.

Ganhou fama como o mais novo pregador ordenado. Teve notoriedade nos anos 40 até meados dos cinquenta na idade de quatro anos de idade como pregador e nos anos setenta um documentário sobre o negócio lucrativo da pregação religiosa, em que a sua actuação de pregador era o tema, ganhou com um Óscar.

Quando tinha três anos o pai, de nome Vernon, um padre protestante com avô e pai padres, notou o talento do filho para a mímica e uma total falta de receio com os estranhos e com a vida pública.

Decidiram então explorar o filho como uma criança prodígio utilizando-o no negócio da pregação evangélica americana, atirando para cima dos púlpitos.

Para tal encenaram cuidadosamente a futura actuação do filho.

Começaram por o preparar, como se fosse um soldado das forças especiais, a dizer sermões, de forma dramática e exagerada.

Não se sabe se foi ordenado ou não e por quem.

Inventaram um nome ridículo para o filho de Marjoe, pela fusão dos nomes Mary e Joseph.

Arranjaram-lhe um fato de Little Lord Fauntleroy.

Obrigaram-no a dizer no púlpito que uma entidade divina lhe tinha ordenado que pregasse.

Anunciaram também ter recebido uma visão de Deus durante um banho e obrigaram Marjoe a repetir esta mentira nas suas pregações (o que este revelou mais tarde).

Contou também que os pais não lhe batiam quando se queixava ou chorava, mas era castigado pela mãe colocando-o debaixo de uma torneira ou asfixiando-o com um almofada, para não deixar marcas que se vissem nas suas constantes actuações e aparições em público.

Aos quatro anos os pais conseguiram arranjar-lhe uma cerimónia de casamento para os estúdios Paramount, tendo sido referido como o mais novo pregador no mundo.

A sua fama como criança milagrosa espalhou-se e atraiu a comunicação social.

Aos seis anos oficiava em casamentos para adultos.

Até ser adolescente os pais viajaram com ele por todo os EUA a realizar reuniões e ensinaram-lhe passagens das escrituras e formas de ganhar dinheiro como os donativos, a venda de artigos sagrados nas missas que curavam doenças e evitavam a morte, etc.

Era um rapaz bonito que despertava sentimentos maternais nas mulheres e as convencia a entregar-lhe as suas poupanças.

Usavam uma programação musical cuidada para criar o ambiente propício.

O miúdo afirmava ter sido visitado pessoalmente por Jesus.

Desenhavam-lhe previamente uma cruz com tinta invisível na testa que aparecia subitamente no momento oportuno e calculado, ou seja quando começava a transpirar, o que hidratava a tinta tornando-a visível.

As pessoas choravam e gritavam e caíam com espasmos e ataques.

No momento oportuno da missa, um grupo de homens e mulheres idosos começam a pedir dinheiro à assistência.

Quando tinha dezasseis anos a família tinha acumulado com a actuação dele cerca de três milhões de dólares, soma que nunca foi utilizada para sua educação ou para preparar o seu futuro. Depois do seu aniversário o pai fugiu com o dinheiro, o que levou o filho a abandonar a sua mãe e ir viver para São Francisco, onde se marginalizou na contracultura da Califórnia e se tornou amante de uma mulher mais velha que ele. Passou então a viver uma vida de hippy durante mais de quarto anos.

Depois, sem dinheiro, resolveu recorrer de novo aos seus talentos antigos e reapareceu no circuito dos palcos carismáticos como um roqueiro do tipo Mick Jagger. Trabalhava seis meses e voltava para a Califórnia vivendo o resto do ano com o que tinha ganho.

No fim dos anos sessenta sofreu uma crise de consciência por viver uma vida dupla e achou que era melhor utilizar os seus talentos para ser cantor e actor. Decidiu então revelar a fraude em que tinha participado desde a sua infância. Os documentaristas Howard Smith e Sarah Kernochan concordaram em que a sua equipa de filmagem o acompanhasse no final da tournée de reuniões religiosas na Califórnia, Texas e Michigan durante o ano de 1971.

Sem que os seus seguidores e também, num dado momento, o seu próprio pai se apercebessem, deu entrevistas atrás do palco entre os sermões, onde explicou os mais ínfimos detalhes da forma como os padres e ele actuavam. Depois dos sermões os cineastas eram convidados para o quarto de hotel para filmar a contagem do dinheiro ganho em cada dia. O filme Marjoe ganhou em o prémio da Academia para o melhor documentário.

Depois de deixar de ser pregador, Gortner tentou abraçar as carreiras de Hollywood e de cantor. Editou um LP para a Columbia Records intitulado “Bad, But Not Evil” (como Gortner se descrevia no documentário), que teve pouco sucesso e mereceu raras críticas.

Iniciou a sua carreira de actor em The Marcus-Nelson Murders. No ano seguinte ganhou o prémio para o conjunto de actores do filme Terramoto, onde fez o papel do sargento Jody Joad, e participou no filme para televisão Pray for the Wildcats.

Em 1973 foi contratado pelo revista para cobrir o Millennium 73, um festival de Novembro de 1973 encabeçado por Guru Maharaj Ji chamado às vezes “o rapaz guru”.

No fim dos anos 70 tentou financiar um filme, um drama acerca de um evangelista baseado na sua vida. Começou a ser filmado em Nova Orleães, mas seis meses depois acabaram as filmagens por falta de fundos. Gortner fugiu com o dinheiro restante e abandonou a equipa de filmagem no Texas. O que foi filmado desapareceu.

Casou com Candy Clark e com ela viveu de 1978 a Dezembro de 1979.

A representação mais memorável de Gortner foi a de um vendedor de drogas no filme Milton Katselas, uma adaptação da peça a cinema de 1979 de Mark Medoff When You Comin’ Back, Red Ryder?, contracenando com Peter Firth, Lee Grant, e Hal Linden. Fez também vários filmes B como o filme de televisão The Gun and The Pulpit (1974), The Food Of The Gods (1976), e Starcrash (1978). Até 1987 participou em séries e festivais de TV e em telenovelas.

Em 1995 terminou a sua carreira desempenhando um papel de pregador no western Wild Bill.

Actualmente patrocina torneios de golfe de caridade e outras iniciativas e também trabalha como orador.

Em 2007, o Philadelphia Live Arts Festival encomendou a Brian Osborne a peça para um actor sobre a vida de Marjoe Gortner, chamada The Word, que estreou no festival. A peça foi aperfeiçoada e representada no ano de 2010.

Em 2008 o Melbourne Underground Film Festival realizou a primeira retrospectiva dos trabalhos de Marjoe Gortner no seu nono festival.

Apesar da denúncia pública dos métodos ilícitos praticados pelas inúmeras igrejas norte-americanas que toda a vida de Marjoe proporcionou, hoje os pregadores nos EUA tomaram também conta das televisões e nelas manipulam os pobres, conseguindo um forte financiamento dos ricos que continuam a construir imensos e opulentos templos e palácios à sua custa, por exemplo, em Las Vegas!

(Texto baseado em Christopher Hitchens (Deus não é Grande) e em sites da Internet)

3 de Janeiro, 2011 Carlos Esperança

Momento de poesia

Dissertação sobre a profanação dos ícones…

Como disse Ortega Y Gasset, em matéria de arte,
amor ou ideias, são pouco eficazes os anúncios e programas,
e eu não tenho qualquer programa, nem venho aqui
anunciar nada que faça estremecer as convexidades labirínticas
dos cenáculos.
Vivo na desconexão grotesca de todas as realidades,
as existentes ou as simplesmente inventadas, e duvido sempre.
Duvido sempre, como se a dúvida galgasse todas as encostas
da vida e procurasse alcançar as asperezas das arestas nas
escarpas da verdade, numa exibição impudica da bebedeira
à beira de abismos esfomeados.
Por isso, eu sei que nunca serei encontrado no meio
das multidões ululantes, a anunciar alvoradas, crepúsculos,
em sintonia com a promiscuidade dos ícones ou a adorar
objectos siderais em danças mágicas com fetiches a iluminar
os caminhos aos rebanhos anémicos.
Peregrino pelas inquietações da minha cegueira
e procuro-me e regenero-me em cada nova encruzilhada
como se regressasse sempre à primitiva inocência.

Alexandre de Castro

3 de Janeiro, 2011 Carlos Esperança

Ecclesia Agit-Prop…

Rouco Varela[à esquerda na foto] Por

E – Pá

Rouco Varela [à esquerda na foto] numa [outra] manifestação em Madrid contra o casamento homossexual

Milhares de católicos convocados pelo cardeal Rouco Varela juntaram-se, na Praça de Colombo em Madrid, para assistirem a uma missa pela família tradicional…
Este é o 4º. ano consecutivo que o Arcebispado de Madrid terça armas, na rua, contra o governo de J. L. Zapatero. A igreja católica espanhola já fala na“reconquista cristã”
Estas manifestações são os preparativos para as “novas cruzadas”.
Na verdade, cerca de 100.000 espanhóis [avós, pais, mães, filhos, netos…] participaram com Rouco na missa da Praça de Colombo. Outros 44 milhões de espanhóis ficaram em suas casas, ou preferiram as rebajas, integrados em diversos ambientes familiares.
O cardeal corre o risco de passar mais tempo em manifs do que na sua catedral…
2 de Janeiro, 2011 Carlos Esperança

A intolerância religiosa e o sectarismo pio

A superstição seria irrelevante se não tivesse consequências. As crenças não passariam de convicções pessoais se os devotos não vivessem a desvairada tentação de converter os outros, de obrigar os agnósticos, ateus e cépticos e partilhar tolices individuais como dogmas universais.

As fogueiras ateadas pelos índios, para que a chuva caia, não diferem das procissões que os bispos e padres católicos organizam para o mesmo fim através das novenas.

Pedir a Santa Bárbara para amainar as trovoadas é incomparavelmente menos prudente do que instalar um pára-raios. A penicilina fez mais milagres do que as orações rezadas desde os primórdios da organização da superstição em negócios da fé. Morre mais gente nas peregrinações às grandes superfícies religiosas do que benefícios se colhem com as deslocações e oferendas.

Ninguém é prejudicado pelo facto de haver quem acredite que Cristo era filho de uma virgem ou que se dedicava à pregação e aos milagres numa altura em que as saídas profissionais eram escassas e a sobrevivência difícil. O que ninguém tem o direito é de impor que alguma pessoa se ajoelhe ou reze para agradecer uma prestação de serviços – a salvação da alma –, que ninguém lhe encomendou.

A liberdade é incompatível com as doutrinas totalitárias, políticas ou religiosas, e não há um só crente que não julgue ser a sua crença a única verdadeira. É neste clima inflexível que os crédulos de determinada fé se julgam no direito de converter os clientes de outra religião que dispute o mercado ou de perseguir quem recuse o paraíso.

A ICAR só reconheceu o direito à liberdade religiosa durante o concílio Vaticano II que B16 olha frequentemente com a mesma repugnância com que Maomé fita o toucinho.

Hoje, que a demência religiosa atingiu o auge com os talibãs, uma espécie de Opus Dei islâmica, em armas, exige-se aos Estados que defendam a laicidade para evitar que os avençados do divino impeçam os crentes da concorrência do legítimo direito à sua fé.

A Declaração Universal dos Direitos do Homem tem de substituir-se às tolices com que o Antigo Testamento, a Tora e o Corão intoxicam crianças nos templos e madraças onde o clero mata a inocência predicando a xenofobia, a crueldade, a violência, o sectarismo e o espírito de vingança.

1 de Janeiro, 2011 Carlos Esperança

Feliz Ano Novo_1

Sob os escombros do ano que ora finda jazem os votos que formulámos no início. Onde se encontram a almejada paz, o amor jurado, a fraternidade anunciada? Pelo contrário, irrompem das trevas da intolerância fundamentalismos torpes e ódios obscenos.

Por todo o mundo lambem-se feridas de catástrofes naturais e conflitos provocados. A explosão demográfica, a pobreza e a guerra deram as mãos à intolerância e à vingança. O racismo e a xenofobia atingiram proporções dementes que terminaram na orgia de sangue em que os homens se atolaram. Foram frágeis os desejos e efémeras as expectativas.

Ano Novo, vida nova. Estes são os votos canónicos que fastidiosamente repetimos no dealbar de cada ano. E suplica-se que o Ano Novo seja o paradigma dos nossos sonhos e não a consequência dos nossos actos ou o fruto de circunstâncias que nos escapam.

Após as doze badaladas e outras tantas passas, o champanhe e os abraços, por entre beijos húmidos e corpos que se fundem numa sofreguidão de amor, com o brilho das luzes e o som da música, recomeça um novo ano com votos repetidos de ser diferente e ser melhor.

Os anos nascem ruidosamente e vivem-se em silêncio. Começam com ilusões e acabam em pesadelo.

Há em cada um de nós uma força que nos impele para a mudança, que nos dá ânimo para desbravar novos caminhos e assumir novos riscos enquanto o conservadorismo e o medo do desconhecido nos tolhem os passos, nos intimidam e levam a recusar a novidade.

Eu acredito que no coração dos homens mora um genuíno desejo de paz. Os mísseis que cruzam os ares, as bombas que perfuram o solo ou os efeitos colaterais da artilharia que errou o alvo e destrói povoações inteiras não são mais que um pesadelo passageiro.

O futuro constrói-se. A felicidade é um estado de alma que devemos procurar e a alegria o caminho a seguir.

É em cada um de nós, no espírito de tolerância, na aceitação da diferença, na solidariedade, que podemos começar a construir o mundo mais justo, fraterno e pacífico para o qual julgávamos bastarem os desejos formulados de olhos fechados na última noite de Dezembro.

Que o delírio do amor e a embriaguez do sonho se mantenham vivos durante o ano que aí vem. E que, por entre nuvens que pairam carregadas de incerteza, resplandeça o sol da esperança e a nossa vida decorra tranquila. Sem dogmas nem obscurantismo.

Feliz 2011.

31 de Dezembro, 2010 Carlos Esperança

Superstição e atraso numa reivindicação justa

Autarcas e população de Coimbra, Lousã e Mirando do Corvo seguem em marcha lenta até ao Santuário de Fátima em protesto contra o fim das obras do MetroMondego. Vão pedir à Virgem para que este processo se resolva e rezar para que o Governo seja responsável, diz Jaime Ramos.

[Vamos a Fátima] rezar para que o Governo passe a ter atitudes responsáveis, que deixe de fazer este terrorismo de Estado que tem estado a fazer contra Coimbra”, afirma o antigo governador civil de Coimbra.

30 de Dezembro, 2010 Carlos Esperança

O Vaticano e o “dinheiro sujo”…

Por

E – Pá

O Vaticano promulga leis para lutar contra a lavagem de dinheiro…

De facto, passados 28 anos [1982] do escândalo do Banco Ambrosiano/IOR [Banco do Vaticano], é uma medida que chega tarde. Melhor seria, concomitantemente, esclarecer de que modo 1,4 bilhões de dólares levaram sumiço, as circunstâncias do suicícdio de Roberto Calvi, a defenestração do alto funcionário do BV Giuseppe Della Ca e da secretária suiça Graziella Corrocher…
Só Michele Sindona foi apanhado pela justiça americana. Uma outra pia entidade – Arcebispo Marcinkus – o presidente do Banco, provavelmente o mais envolvido de todos, amigo pessoal de JP2 e, acrescente-se de nacionalidade americana, morreu tranquilamente nos EUA…

Se este emaranhado de factos, em devido tempo, não provocou qualquer reacção do IOR, a actual investigação dos magistrados italianos e uma maior exposição dos negócios da ICAR ao Mundo, alertou o Vaticano para a necessidade de tentar prevenir os negócios “sujos”… que, como se verifica, não morreram com Marcinkus.

Para não ferir a tradição, o actual inquilino Vaticano, B16, não deve tardar a aparecer pedindo desculpas públicas. Esperando que o Mundo as aceite… sem mais explicações!