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Carlos Esperança

7 de Julho, 2011 Carlos Esperança

Saudação aos leitores

Há cerca de 3 meses interrompi a minha colaboração neste blogue por razões que devo explicar aos meus leitores.

Antes, porém, quero agradecer aos meus colegas que mantiveram vivo este espaço de diálogo.

Após uma operação de urgência à vesícula biliar surgiu-me uma pneumonia dupla provocada por uma obstinada bactéria hospitalar – pseudomona multirresistente – que me enviou para os cuidados intensivos onde estive 52 dias de coma. Perdi massa muscular com os 16 quilos de peso e tem sido lenta a recuperação.

Espero regressar assiduamente ao vosso convívio dentro de dois meses, talvez ainda débil fisicamente mas firme nas convicções de sempre. Estou certo de que vale mais a persistência dos médicos do que a infinita bondade de qualquer deus.

A todos saúdo com estima.

7 de Abril, 2011 Carlos Esperança

O Islão e a democracia_

 

Nas sociedades em que a religião é obrigatória o condicionamento da opinião pública começa na infância pela manipulação e fanatização das crianças que conduz ao martírio e ao crime.

O Islão de hoje não é diferente do catolicismo medieval mas neste, graças à descoberta da cultura helénica e do direito romano, surgiram forças para usar a razão e contestar a fé, para fazer a Reforma e retirar ao Papa o poder temporal.

O direito divino, como origem do poder, foi substituído pela legitimidade democrática e a secularização tornou abertas, tolerantes e plurais as sociedades. A fé foi remetida para a esfera privada e as convulsões só surgem quando os crentes pretendem fazer proselitismo através do aparelho de Estado.

Hoje, é o protestantismo evangélico que lidera o fundamentalismo cristão nos EUA, em clara violação da Constituição e da vontade dos seus fundadores. A Igreja Ortodoxa tem dificuldade em aceitar a separação do Estado e tem uma exegese de pendor francamente reaccionário.

Mas é no Islão que os constrangimentos sociais e a violência religiosa impelem os crentes para a irracionalidade da fé e a aceitação acrítica do Corão. Como nunca questionaram as tolices do Profeta, há um permanente conflito com a modernidade e uma violência incompatível com a civilização. Foi neste clima de opressão que germinou a recente contestação espontânea que percorreu o Magrebe e alastrou aos centros urbanos dos países islâmicos.

A laicidade que libertou o Ocidente da tutela clerical é difícil onde o clero tem o poder absoluto no campo económico, político, militar, assistencial e ideológico. Tal como durante a inquisição era impossível contestar a autoridade do Papa e o seu poder, também nas teocracias islâmicas é impossível discutir a misoginia, o adultério, a poligamia, o repúdio, a guerra santa, a homofobia e o pluralismo.

As religiões são, por natureza, totalitárias e avessas à modernidade. Ao Confiarem nos livros sagrados como a vontade literal de Deus, ditada a um eleito como versão definitiva, impedem a discussão e ameaçam a vida do réprobo enquanto a separação entre a Igreja e o Estado não se afirmar. Foi esse passo que as juventudes do Magrebe tentaram e que o Islão se esforça por reverter, mantendo as teocracias que defendem a fé contra a modernidade.

Contrariamente ao que têm afirmado os bispos católicos, os árabes não temem a liberdade religiosa que, segundo sondagens, é o que mais apreciam no Ocidente. São os clérigos que se assustam com a possibilidade de verem os crentes a renunciar à fé.
A liberdade, a democracia e, sobretudo, a perda da hegemonia sobre a mulher, assusta-os. Por isso que não renunciam à sharia, não dispensam uma boa decapitação de um apóstata, a alegre lapidação da mulher adúltera ou uma divertida amputação a um ladrão.

Do Egipto chegam ecos da forma como o Islão vai neutralizando a ânsia da felicidade e o direito à liberdade.

6 de Abril, 2011 Carlos Esperança

Se a ICAR ainda tiver clientela, chega a santo

Padre que defendia uso de camisinha no Brasil é obrigado a voltar para Itália

O padre Valeriano Paitoni, que trabalha no Brasil há 33 anos coordenando casas de apoio a crianças e adolescentes com HIV, foi afastado de sua paróquia e terá de voltar para a Itália por ordem de seus superiores da Igreja Católica. Paitoni, da paróquia Nossa Senhora de Fátima do Imirim, na zona norte de São Paulo, ficou conhecido por defender publicamente o uso da camisinha para a prevenção de Aids, se opondo ao Vaticano.

6 de Abril, 2011 Carlos Esperança

Os ateus pediram-lhe?

O Papa enalteceu hoje a vida “simples” e “escondida” de Teresa de Lisieux (1873-1897), que rezou pelos “ateus” e se tornou “uma das santas mais conhecidas e amadas” após a morte e a publicação dos seus escritos.

Comentário: Rezar pela conversão da concorrência, ou de quem despreza a religião, faz parte da demência totalitária que conduz à canonização.

6 de Abril, 2011 Carlos Esperança

Sem laicidade não há democracia

Patriarca católico copto: o Egito deve optar entre o Islamismo e a democracia

O Cardeal Antonios Naguib, Patriarca católico de Alexandria dos Coptos (Egito), assegurou em entrevista ao grupo ACI que neste momento seu povo deve decidir entre viver em democracia ou ser um estado muçulmano.

“Não temos uma opção intermédia” entre o islamismo e a democracia, explicou o Cardeal Naguib e considerou que o Egito está destinado a ser uma nação onde a liberdade, a igualdade de direitos e a democracia prevalecerá, ou um estado muçulmano no qual estes valores poderiam estar intrinsecamente comprometidos.

5 de Abril, 2011 Carlos Esperança

A fé não tem preço mas custa dinheiro

Franc-Kramberger

El obispo Franc Kramberger, de Maribor (Eslovenia). Levantó un imperio empresarial en la diócesis de Maribor, a la que hipotecó hasta las cejas, y ha sido cesado dejando un pufo de 800 millones de euros. Fue nombrado por Juan Pablo II en 1980 y acabó emitiendo películas porno en la televisión arzobispal para ver si subía la audencia. Un ejemplo más de la rectitud de los obispos de la curia de Wojtila, ese santo. Pueden leer la historia mañana en el Domingo.

Retirado daqui.

5 de Abril, 2011 Carlos Esperança

Suave milagre…

Por

José Moreira

Até à náusea, a RTP vai repetindo a reportagem dos passageiros que chegaram a Lisboa, depois de terem apanhado um valente susto a bordo de um avião da TAP. E a reportagem abre com uma passageira a garantir que nunca sentiu medo, porque confiou em Deus que, por fim, acabou por fazer o milagre, evitando o pior.

Note-se que não tenho qualquer razão para duvidar, nem das palavras da passageira nem do poder de Deus; mas pergunto se não seria mais fácil a Deus evitar a avaria do motor – como, aliás, faz com todos os aviões cujos motores não pegam fogo, graças a Deus. A minha mulher, católica, elucida-me que naquele tempo ainda não havia aviões e, portanto, Deus não sabia nada de engenharia aeronáutica – nem tinha obrigação de saber, principalmente agora, que a idade começa a pesar. Era uma altura em que o Sol andava à volta da Terra, e esta era plana e assente sobre pilares. Acabei por concordar com a aliás imbatível argumentação.

Na verdade, lendo a bíblia não se vê qualquer referência a aviões… Adiante. Fico, pois, vencido e convencido de que a mão de Deus esteve no momento histórico da salvação dos passageiros do avião. E neste momento outra questão se levanta: de que está à espera, a TAP, para levantar um rigoroso inquérito à actuação do piloto e do co-piloto? Porque era a eles que competia levar o avião a bom porto – perdão, aeroporto – e, em vez de cumprirem o seu dever, demitiram-se das suas funções deixando nas mãos de Deus o que a eles competia em exclusivo – isto, claro, de acordo com a referida passageira, cujas palavras não me atrevo a pôr em dúvida.

Despedimento por incompetência, era o mínimo que lhes deveria acontecer. E a prová-lo, está o facto de a RTP não ter dedicado uma única palavra aos pilotos.

José Moreira

4 de Abril, 2011 Carlos Esperança

Vaticano pergunta se querem ser evangelizados?

Vaticano debate piedade popular e evangelização na América Latina

“A incidência da piedade popular no processo de evangelização da América Latina” é o tema da Assembleia Plenária Anual da Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL). (…)

O objectivo geral é reflectir sobre o significado e a dimensão da piedade popular nos cinco séculos de presença do cristianismo no continente e elaborar as recomendações pastorais que contribuam para a proteção e purificação da devoção colectiva, no contexto da Missão Continental que actualmente se realiza em todas as dioceses da região, como elemento fundamental no processo de nova evangelização.

4 de Abril, 2011 Carlos Esperança

Homenagem a um ateu – José Luís Zapatero

Eis um governante que jamais desiludiu. Sai no rescaldo de uma crise financeira como nunca tínhamos vivido. Sai depois de ter transformado um país, onde o franquismo ainda tem raízes, numa democracia laica e progressista. Foi um digno sucessor de Felipe González, honrado obreiro do projecto democrático que desmantelou o mais cruel e duradouro aparelho de repressão de um católico fascista que sobreviveu à derrota do nazi/fascismo.

Zapatero enfrentou as intrigas de Aznar, o humor de Bush, as provocações episcopais e as canonizações com que os dois últimos pontífices quiseram provocar a democracia. Não se vergou nem frequentou as missas em que o Papa e os bispos gostariam de vê-lo de joelhos.

Deixa um país com uma legislação progressista e sem as estátuas equestres de Franco. Deixa um país com um enorme índice de desemprego e com os problemas da crise que atingiu o mundo e se abateu em cheio na Europa, especialmente nos países do Sul.

Mas deixa, sobretudo, um exemplo de coragem e dignidade, de ética e honradez. Nem sequer indigita um sucessor. O PSOE que escolha. Ele cumpre os dois mandatos a que intimamente se propôs e será sempre uma reserva moral.

As palavras de renúncia a secretário-geral do PSOE não interessam ao Diário Ateísta, pois são de natureza política, mas a coragem com que enfrentou os papas, cardeais, bispos e padres ficará como um exemplo de quem não se verga perante as sotainas nem se ajoelha aos pés dos vendedores da fé.

3 de Abril, 2011 Carlos Esperança

Fabricantes de milagres e aldrabões da fé

Irurita, o bispo que não foi mártir

Oficialmente o prelado de Barcelona Manuel Irurita foi fuzilado em 1936 pelos anarquistas. Por isso aguarda agora ser beatificado como mártir da Cruzada. Mas testemunhos e provas documentais mostram que, na realidade, morreu depois do conflito. Esta é a história de um mártir que não foi.