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Carlos Esperança

30 de Setembro, 2011 Carlos Esperança

A Concordata e o esbulho ao estado português

A concordata assinada entre a Santa Sé e a República Portuguesa no dia 18 de Maio de 2004 veio substituir a Concordata de 1940, para renovar as relações entre a Igreja Católica e Portugal e redefinir o estatuto desta religião no Estado Português, um acordo bilateral que privilegia de forma indecorosa os interesses do Estado do Vaticano.
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A isenção fiscal do património imobiliário bem como do imposto sobre rendimentos  e bens da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) é uma afronta aos portugueses que diariamente sofrem com as sucessivas medidas de austeridade
Quando o acordo assinado pelo Governo português com a troika prevê um aumento expressivo do imposto sobre o património (IMI) até 2012, é justo isentar a ICAR?
Não repugna que 0,5% do IRS seja destinado às Igrejas pelos contribuintes que afirmem esse desejo na respectiva declaração e que disso beneficie a Igreja católica conforme prevê o art. 27.º da Concordata, mas é intolerável que a Concordata seja tão lesiva dos interesses portugueses.  
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A isenção de impostos sobre rendimentos e bens da ICAR é um privilégio que prejudica tanto os católicos, a quem cabe sustentar o culto, como os crentes de outras religiões e os não crentes, todos sacrificados de forma mais pesada com as contribuições exigidas pelo Estado para poder isentar uma confissão religiosa.
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Os encargos com capelanias militares, prisionais e hospitalares, tal como a remuneração de professores de Educação Moral e Religiosa Católica, de nomeação discricionária dos bispos, são inaceitáveis num período de recessão e de colossais dificuldades económicas e financeiras com que os portugueses se vêem confrontados.
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Sá Carneiro perguntou para que era precisa a Concordata. Hoje precisamos de nos  livrar dela.
28 de Setembro, 2011 Carlos Esperança

Desmascarando a mentira sobre a fé de Einstein

O que se segue traduz o pensamento de Einstein sobre Deus, Religião e Judaismo, em 1954, um ano antes da sua morte.
É a tradução para inglês, feita por Joan Stambaugh, do original alemão de parte de uma carta que Albert Einstein escreveu de Princeton, em Janeiro de 1954, ao filósofo alemão Eric B. Gutking, a propósito do livro Choose Life: The Biblical Call to Revolt que este filósofo havia publicado em 1952. O manuscrito foi posto a leilão pela firma Bloomsbury de Londres por £8000, tendo sido vendido por £170000!!!, em 15 de Maio de 2008.  

 

«… I read a great deal in the last days of your book, and thank you very much for sending it to me. What especially struck me about it was this. With regard to the factual attitude to life and to the human community we have a great deal in common.

The word God is for me nothing more than the expression and product of human weaknesses, the Bible a collection of honourable, but still primitive legends which are nevertheless pretty childish. No interpretation no matter how subtle can (for me) change this. These subtilised interpretations are highly manifold according to their nature and have almost nothing to do with the original text. For me the Jewish religion like all other religions is an incarnation of the most childish superstitions. And the Jewish people to whom I gladly belong and with whose mentality I have a deep affinity have no different quality for me than all other people. As far as my experience goes, they are also no better than other human groups, although they are protected from the worst cancers by a lack of power. Otherwise I cannot see anything ‘chosen’ about them.

In general I find it painful that you claim a privileged position and try to defend it by two walls of pride, an external one as a man and an internal one as a Jew. As a man you claim, so to speak, a dispensation from causality otherwise accepted, as a Jew the priviliege of monotheism. But a limited causality is no longer a causality at all, as our wonderful Spinoza recognized with all incision, probably as the first one. And the animistic interpretations of the religions of nature are in principle not annulled by monopolisation. With such walls we can only attain a certain self-deception, but our moral efforts are not furthered by them. On the contrary.

Now that I have quite openly stated our differences in intellectual convictions it is still clear to me that we are quite close to each other in essential things, ie in our evalutations of human behaviour. What separates us are only intellectual ‘props’ and ‘rationalisation’ in Freud’s language. Therefore I think that we would understand each other quite well if we talked about concrete things. With friendly thanks and best wishes

Yours, A. Einstein»

Depois disto, julgo que não ficam dúvidas sobre o que Einstein pensava, que é muito diferente daquilo que muitos comentaristas do DA gostavam que ele tivesse pensado.
27 de Setembro, 2011 Carlos Esperança

Equiparação justa

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A Amnistia Internacional considera que os abusos cometidos na Irlanda contra milhares de crianças que estavam a cargo de instituições controladas pela Igreja católica e pelo Estado equivalem a tortura e violam a legislação internacional sobre direitos humanos.
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Essa é uma das conclusões do parecer “A plena vista” elaborado para a Amnistia pela doutora Carole Holohan a partir dos dados oficiais publicados nos últimos anos sobre esses abusos.
26 de Setembro, 2011 Carlos Esperança

Portugal: A Igreja católica em números

A  Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) é proprietária, em Portugal, de enorme património imobiliário, todo ele isento de IMI, sem contar com os imóveis usados para fins religiosos classificados como monumentos nacionais ou de interesse público, onde cabe à ICAR regular todo o uso dos imóveis e ao Estado a sua manutenção.

Estes privilégios resultam da Concordata assinada pela Santa Sé e pela República Portuguesa em 18 de Maio de 2004, concordata que substituiu a de 1940 porque a perda das colónias e a proibição do divórcio, entre outros absurdos, a tornaram obsoleta.

A enorme fortuna da Igreja num país cada vez mais pobre é administrada por 55 bispos, 3355 padres, 246 diáconos e numerosos leigos que, por interesses vários ou vassalagem assumida, se ajoelham perante o poder eclesiástico.

Para publicidade a ICAR dispõe de 4368 paróquias, 364 centros religiosos (casas de retiro, santuários e reitorias), 539 órgãos da comunicação social, 59 seminários e 165 escolas católicas, além de tempo de antena na televisão pública e de propaganda nas escolas oficiais.

O Vaticano, cuja confiança nas informações bancárias do IOR e nos crimes praticados pelo clero anda muito abalada, afirma que Portugal tem 9,36 milhões de católicos, uma taxa de 88,3% da população, quando se queixa da diminuição acentuada de baptizados, de casamentos religiosos e da baixa frequência do culto por parte da população.

 

A percentagem deve ser tão verídica como a influência de D. Nuno a curar queimaduras oculares com óleo de fritar peixe, milagre rubricado pelo Papa para o canonizar.

A frieza com que B16 foi recebido na Alemanha natal não deve ser alheia à conduta dos padres em matéria sexual e ao embuste dos milagres, o que exasperou Lutero.

Já dizia o Eça que «quando um povo duvida da virtude dos padres deixa de acreditar no martírio do seu Deus».

Nota: Os números referidos foram retirados do DN, de ontem.

25 de Setembro, 2011 Carlos Esperança

A intolerância católica

Veio a público recentemente um artigo datado de 2003 em que o Vaticano define a sua estratégia relativa às pessoas transexuais e intersexuais.

Depois de anos de estudo, a congregação doutrinal do Vaticano enviou aos líderes religiosos um documento confidencial concluindo que os procedimentos de correcção de sexo não alteram o género da pessoa aos olhos da igreja.

Leia mais…

25 de Setembro, 2011 Carlos Esperança

Divergências na concorrência

Entre as divergências visíveis entre católicos e protestantes durante a visita desta semana do papa Bento XVI à Alemanha está um desentendimento sobre se Martinho Lutero, o monge reformista do século XVI que deu início à divisão da cristandade no Ocidente, foi reabilitado.

O papa Leão IX expulsou Lutero da Igreja Católica Romana em 1521 com um decreto vociferante tachando-o de “escravo de uma mente depravada” e qualificando seus seguidores de “seita herege e perniciosa”.

25 de Setembro, 2011 Carlos Esperança

Opus Dei e a santidade

Dois membros do grupo católico conservador Opus Dei vão hoje a julgamento num tribunal de Paris, acusados de forçar uma jovem a trabalhar ao longo de mais de uma década sem lhe pagarem ou a pagarem-lhe quantidades irrisórias. Leia mais…

23 de Setembro, 2011 Carlos Esperança

Demorou…

Imagem do «Público», hoje