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Carlos Esperança

13 de Outubro, 2011 Carlos Esperança

Os milagres crescem como cogumelos

O Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato, explicou em uma entrevista concedida a agência espanhola ACI, que o pedido de canonização do Beato João Paulo II actualmente está na fase de escolha e avaliação de possíveis novos milagres atribuídos à sua intercessão.

O Beato João Paulo II foi elevado aos altares em 1° de maio deste ano, após a confirmação do milagre da freira francesa Marie Simon-Pierre, curada do mal de Parkinson, a mesma doença sofrida pelo Pontífice falecido.

Nota: Em vida não conseguiu curar-se. Como defunto dedicou-se à especialidade de neurologia.

13 de Outubro, 2011 Carlos Esperança

A pena de morte e a civilização

O que ontem era a regra está a caminho de ser excepção, mas há excepções que doem mais. Como podem os Estados Unidos da América, com uma Constituição democrática e laica, redigida por quem fugiu à violência das guerras religiosas, conviver com uma pena que mantém a incerteza sobre a condenação de inocentes?

Progressivamente, nas últimas décadas temos assistido ao aumento do número de países que excluíram do seu Código Penal o bárbaro castigo que as religiões promoviam como sendo a vontade de Deus. Não é por acaso que a pena de morte subsiste em países com forte influência religiosa.

As teocracias praticam-na com o mesmo entusiasmo com que a Inquisição queimava bruxas, hereges e judeus. Na América do Norte a pena de morte não é alheia à influência do protestantismo evangélico e nem o facto de posteriormente se ter provado a inocência de condenados, faz vacilar os juízes ou tremer a mão dos governadores que assinam as execuções.

Para lá da repulsa que tão bárbara pena inspira bastava a possibilidade de assassinar um inocente para fazer recuar um Governo. A piedade do último Bush, que dizia falar com Deus, fez dele, enquanto Governador do Texas, o campeão destacado das execuções que foram assinadas nesse período de tempo.

Há na Europa uma certa direita, de natureza fascista e xenófoba, que vê com bons olhos a reintrodução da pena de morte. Esses arautos da crueldade suprema sabem bem que a referida pena é um prolongamento dos sentimentos racistas, que as vítimas são na sua maioria negros e pobres, imigrantes atirados para guetos e infelizes sem trabalho nem meios de subsistência.

Acresce que as execuções não têm qualquer efeito dissuasor, apenas satisfazem o desejo de vingança dos seus defensores.

Há várias formas de desumanidade. A pena de morte é uma das mais cruéis.

Depois da sua reintrodução (USA) em 1976, a pena capital é aplicada em 34 dos 50 estados e custou a vida de 1254 pessoas cuja imensa maioria eram homens negros. Perto de 3330 pessoas esperam hoje a sua sentença nos corredores da morte – lia-se em «Le Monde» de 10 do corrente mês, dia internacional contra a pena de morte.

12 de Outubro, 2011 Carlos Esperança

Para quem acredita na bondade da ICAR

Façam uma pesquisa no Google com cada uma das seguintes sugestões:

 

Cruzada dos Albigences
Tomás de Torquemada
Santo Ofício
Malleus Malleficarum
“A divinis”

papa Inocêncio IV
Diego Rodrigues Lucero
Júlio II della Rovere
Noite de S. Bartolomeu (1572)
Cavaleiro de la Barre
Patti Lateranensi
Roberto Bellarmino
Pralat Kaas
bispo de Freiburg, monsenhor Gröber
Índex Additus Librorum Prohibitorum
cardeal Stepinac
reverendo Stephen Kiesle

10 de Outubro, 2011 Carlos Esperança

Associação Ateísta Portuguesa (AAP) – carta ao M.A.I.

http://4.bp.blogspot.com/-Cjvc3DBFnRs/TpL2Z9oEa1I/AAAAAAAAKX4/h9S0SiEtdOM/s1600/Logo_AAP.jpg

Exmo. Senhor
Ministro da Administração Interna
Dr. Miguel Macedo
Praça do Comércio
1149-015 Lisboa

            Cc. Comissão da Liberdade Religiosa – [email protected]

 

Senhor Ministro:
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Claro que onde está escrito «cristã» deve ler-se «católica». Surpreende esta onda de fé que percorreu os recrutas da GNR, este chamamento divino antes das classificações do curso, mas adivinhamos a astúcia pia.
Se não estivessem a ser catequizados pelos capelães e o bispo, este com a patente de major-general, todos pagos pelo erário público, e se os futuros soldados da GNR não temessem pelos empregos se recusassem o incenso e a água benta , a onda de fé talvez não os tivesse atingido.
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A AAP lamenta que o comandante-geral da GNR tenha considerado a cerimónia litúrgica uma forma de «continuidade» à aprendizagem dos candidatos. Ficamos sem saber se a Sé de Portalegre passou a ser caserna da GNR ou se o quartel da GNR se transformou na sacristia da Sé.
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 A propaganda religiosa e, quiçá, a coacção psicológica sobre quem está a ser avaliado para um emprego, são inaceitáveis. Violam a ética, a independência e a dignidade de um estado laico, bem como a liberdade religiosa.
Em face do exposto, a Associação Ateísta Portuguesa, solicita ao Sr. Ministro que se digne informar esta associação se a violação grosseira da ética e da liberdade religiosa teve o aval do ministério que tutela e, caso contrário, como pensa evitar a reincidência.
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Aguardando resposta, apresentamos-lhe os nossos cumprimentos.
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Odivelas, 10 de Outubro de 2011
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