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Carlos Esperança

21 de Fevereiro, 2013 Carlos Esperança

Diário de uns Ateus

Lisboa diz “obrigado” a Bento XVI com 400 mil cartazes

Grupo de leigos católicos financiou a iniciativa apoiada pelo Patriarcado de Lisboa. Metade dos cartazes são horizontais e mostram o Papa a fazer uma gesto de saudação e os restantes são verticais e têm a imagem de Bento XVI a rezar em Fátima, avança a agência Ecclesia.

Diário de uns Ateus – Os ateus não querem deixar de manifestar o seu regozijo pela aposentação de B16 bem como a surpresa por sair vivo das funções, facto que não acontecia há quase 600 anos.

20 de Fevereiro, 2013 Carlos Esperança

Cardeal defende pena de morte para os gays

Dia 11 de fevereiro Bento XVI anunciou que renunciará ao papado dia 28. A Igreja Católica é uma entidade extremamente conservadora, com o pretexto de defender a família faz campanha contra aborto e homossexuais. Não seriam menos conservadores os candidatos a substituir Bento XVI.

Entre esses nomes está Peter Turkson, da Uganda. Turkson não é só declaradamente contra gays como defende a pena de morte deles. Além disso, declarou em 2009 que preservativos devem ser usados somente por aqueles que são casados, quando um dos parceiros tem DST. Disse ainda que a solução para o HIV é a abstinência sexual e que o investimento financeiro na África deve ser com anti-retrovirais para quem é soro positivo e não com camisinha.

19 de Fevereiro, 2013 Carlos Esperança

A informática, essa espécie de bruxaria

Antigamente a bruxaria era apanágio feminino que alimentava fogueiras e medos coletivos. Aproveitavam a calada da noite para os conciliábulos e a vassoura para transporte até às encruzilhadas dos caminhos onde desembocavam fantasmas e se rogavam pragas. Era aí que a tradição judaico-cristã domiciliava a origem das desgraças que semeavam o pânico na plebe e a loucura nos inquisidores.

Hoje, os feiticeiros têm o nome impresso à entrada dos gabinetes que acendem as luzes à sua chegada, ar condicionado que evita às pituitárias a náusea do odor corporal e computadores onde escondem o saco dos sortilégios.

Circulam sem cerimónia no Windows, deslocam-se em confortáveis automóveis que deixam aprisionar no inferno do trânsito. Vivem num mundo de luzinhas, textos esotéricos que refletem a cabala matemática em sequências de 0 e 1, linguagem binária inacessível a profanos e que estarrece os basbaques. Foi-se o pacto com o demónio.

Os informáticos rezam com o teclado e devassam as trevas do ciberespaço, incapazes de lançar mau olhado. Há bruxos estabelecidos por conta própria e outros que trabalham em multinacionais donde saem programas de várias gerações, informação para todos os gostos e links* à espera de um clique.

Não sei como conseguiu Bill Gates evitar ao exorcista oficial da Igreja católica, o padre Gabriele Amorth, a tentação de lhe esconjurar os demónios.

Que sorte para os informáticos, terem morrido Jaime I e Inocêncio VIII. O primeiro, em Inglaterra, mandava pagar prémios em dinheiro aos denunciantes de suspeitos de bruxaria e o segundo mandou os inquisidores descobrir e eliminar bruxas, incumbência que desempenharam a preceito.

*Link – Feitiço que transforma a seta do rato numa mãozinha de beato a bater no peito.

18 de Fevereiro, 2013 Carlos Esperança

Humor pio

eerstekeer

17 de Fevereiro, 2013 Carlos Esperança

A última bênção de B16 no Vaticano

A nomeação do barão Ernst Von Freyberg, cavaleiro da poderosa Ordem de Malta e construtor de tanques de guerra, como novo presidente do Banco do Vaticano, revela que a maior preocupação de B16 não era a teologia, era a tesouraria.

Que o burro ou a vaca fossem afastados do presépio é um mero detalhe da mitologia católica, mas que o cardeal Bertone se mantivesse à frente do IOR, era um perigo para as finanças do obscuro Estado.

Foi coerente com a tradição católica a última atitude relevante do papa demissionário. Ninguém se interessa pelo passado da Igreja mas todos os cardiais e bispos se torturam com as finanças do Vaticano e temem as consequências da lavagem de dinheiro e das eventuais conexões com a máfia.

Não foram os casos de pedofilia que abalaram o Estado criado por Mussolini, foram as contas opacas do IOR e a luta do Opus Dei pelo seu controlo. Este Papa era agente da prelatura que protegeu JP2 e o arcebispo Marcinkus. Tarcisio Bertone tinha mais poder. Deus nunca foi visto no Vaticano mas o único deus de que há provas, o dinheiro,  anda alheio à teologia mas atento ao poder das sotainas.

B16 pode dar-se por feliz por poder prescindir da tiara e do camauro, vivo. Valeu-lhe ter anunciado em direto a sua decisão. Doutro modo teria morte natural. Sem autópsia.

 

17 de Fevereiro, 2013 Carlos Esperança

O bispo, as hóstias e a bruxaria

Li no DN de sexta-feira, dia 15, que o bispo de Bragança denuncia o roubo de hóstias para bruxaria, hóstias que no mercado negro podem valer 250 euros, se consagradas por um padre, ou 5000 se for um bispo o autor da consagração. Está na 1.ª página.

O que me surpreende é o olfato dos bruxos para a consagração. Como é que distinguem uma hóstia consagrada de outra normal, sem um ensaio duplo-cego ou um laboratório alquímico que confirme a transubstanciação.

Basta ao padre colocar pão ázimo, sem fermento nem sal, no sacrário, e lá vão os ímpios iludidos com o placebo em vez do corpo e sangue que só a fé descobre depois dos sinais cabalísticos de quem tem alvará para a consagração.

Há até paroquianos – diz um padre – que «não engolem a hóstia para depois a poderem utilizar em rituais», o que deixa a suspeita de que os avençados da eucaristia podem ter pacto com o diabo.

O bispo de Bragança e Miranda, José Cordeiro, está muito preocupado pelo roubo das hóstias que, ao que lhe dizem, se destinam à bruxaria.

Quem julgava o Inferno uma metáfora pia e o diabo uma espécie extinta, verifica que o demo continua a perturbar a fé e a viajar para os meios rurais quando abandona o habitat – o Vaticano.

Não pensem, devotados leitores que a afirmação é escárnio de um ateu. Foi o exorcista oficial da Igreja, o padre Gabriele Amorth,  com 25 anos de experiência, a dizer que o demónio está no Vaticano, mas, dado o roubo de hóstias consagradas, também percorre o Brasil, Peru, Itália, Espanha e Portugal.

Em Portugal, “a vaga de furtos de hóstias para bruxaria preocupa bispos e padres”. Só há uma solução, consagrar na hora as rodelas de pão ázimo e enganar os sacrílegos com hóstias sem valor espiritual.

A Idade Média regressa lentamente através do clero e da superstição dos crentes.

16 de Fevereiro, 2013 Carlos Esperança

Carta aberta a Galileu Galilei (n. 15-02-1564)

“Eppur si muove!”

Galileu, ontem foi o teu dia de anos. Na sabedoria dos teus 449 anos deves agradecer ao Papa a missa com que celebrou o teu 445.º aniversário. Não sejas ingrato, repara que foi a primeira em séculos de defunção, foi de borla, e talvez em latim, para não atrapalhar o teu entendimento com o italiano moderno. Foi missa solene, daquelas que só se rezam por mortos poderosos. Quem sabe se essa missa não lhe custou a tiara, 4 anos depois.

Foste um felizardo, Galileu Galilei, não foste queimado vivo como Giordano Bruno que também escreveu heresias e a quem ainda querem derrubar a estátua. Não, eu não falei da estátua, daquela horrível tortura a que o Santo Ofício, a PIDE e outras polícias recorriam, referia-me à figura inteira, em pleno relevo, que representa um homem, pode ser em bronze, granito, terracota ou mármore, sim, ou dessas que o Santo Ofício usava para queimar quando lhe fugia o herege.

Eu sei que não sabes, como pode um cadáver saber, mas 350 anos depois da morte, o teu processo foi reaberto e bastaram sete anos para te reabilitarem. Hoje a Terra já é redonda, até para o Vaticano, e gira, mesmo com este Papa, e passas a ter uma estátua nos jardins do Vaticano. Não digas que não é grande a misericórdia dos ungidos do Senhor!

Já te absolveram há mais de uma década e tu, ingrato, não curas um cancro a uma freira nem a moléstia da pele a um médico do Opus Dei, és mal-agradecido, podias chegar aos altares, não faltaria quem te rubricasse um prodígio nem padre postulador para te elevar à santidade, podias até virar colega de S. José Maria Escrivà.

Não rias, é vulgar importar do Inferno um excomungado e exportá-lo para o Paraíso. A agência de viagens celeste faz mudanças, não calculas como evoluíram os transportes, o ex-prefeito da Sagrada Congregação da Fé, como agora se designa o santo Ofício, será o Papa até ao fim do mês e já nomeou uma escolta para transferir Monsenhor Lefebvre.

Hoje, Galileu Galilei, já não há incompatibilidade entre a ciência e a fé, esta é que ainda abomina a primeira, mas já se sabe que deus, na sua infinita sabedoria, no desenho inteligente que concebeu no estirador celeste, andou a espalhar fósseis para pôr à prova os que duvidam que, há exatamente 6017 anos, criou do barro Adão e Eva e do nada fez todas as coisas.

Galileu Galilei, larga o túmulo e, da tua Florença, corre a Roma e agradece ao papa a missa solene e a estátua e diz-lhe que há séculos que deixaste de incomodar a fé com as tuas heresias e que nunca mais farás uma descoberta que prejudique o brilho da tiara e o conforto do camauro. Mas apressa-te, tens 12 dias.

 

16 de Fevereiro, 2013 Carlos Esperança

O Presidente da República e o Vaticano

Por

João Pedro Moura

“Santo Padre,

Foi com sentida emoção que tomei hoje conhecimento do anúncio feito por Vossa Santidade de renunciar ao Pontificado.
Quero, nesta ocasião, sublinhar a admiração profunda do Povo Português por Vossa Santidade e por um magistério que constitui exemplo de fé e de esperança, na defesa dos valores universais da tolerância e da paz.
Recordo, muito especialmente, a Visita que efetuou a Portugal em Maio de 2010, e os sinais de afeto e carinho de Vossa Santidade para com o Povo Português que então pudemos testemunhar.
Reitero o profundo apreço dos Portugueses pela personalidade ímpar e pela sabedoria inspiradora de Vossa Santidade.
Aníbal Cavaco Silva”
Este é o teor da mensagem do presidente da república portuguesa ao papa resignatário, Bento XVI.

Analisemo-la:

1- Em primeiro lugar, recorde-se que o Vaticano é um Estado especial, formado pela direção da Igreja católica, portanto, por uma instituição religiosa, que, obviamente, prossegue os seus interesses particulares de propaganda religiosa e de proselitismo.
O estabelecimento de relações diplomáticas com tal entidade religiosa, nestas condições, é dar reconhecimento político à dignidade religiosa e equipará-la aos demais Estados…
… Mas isso é assunto para outro artigo…

2- Os Estados nacionais, porque são isso mesmo, isto é, uma organização política dum povo, contêm pluralismo político e religioso, enfim, ideológico e filosófico desse povo, mesmo que esse pluralismo, nos Estados totalitários, esteja abafado e reprimido.
Porque o pluralismo existe sempre e faz parte da natureza humana, mesmo que esteja na clandestinidade…

3- Ora, o representante político máximo, num Estado laico, dum povo não pode referir-se, nos termos em que se referiu, a um representante máximo dum Estado fundado numa religião, mesmo que essa religião seja maioritária nesse povo.

4- Um Estado laico, como são os Estados modernos do quadrante civilizacional a que pertencemos, não tem, portanto, religião oficial. O Vaticano é um Estado religioso, mas sem povo, porque assente, apenas, na ereção política da hierarquia da Igreja.
O Vaticano é um artifício oportunista, que resultou do Tratado de Latrão, em 1929, acordado entre o ditador fascista italiano, Mussolini, e o papa Pio XI, que, entre inúmeras benesses para a ICAR, delimitou tal território contínuo em Roma, mais um palácio e 3 basílicas extraterritoriais.
Só por isso, já não deveria haver relações diplomáticas com o Vaticano, como eu, noutro artigo, demonstrarei…

5- “Quero, nesta ocasião, sublinhar a admiração profunda do Povo Português por Vossa Santidade”, disse, o presidente português, Cavaco Silva.

Ora, o presidente Silva não sabe se o povo português tem uma “admiração profunda” pelo papa resignatário, nem interessa saber, porque as saídas e entradas de papas apenas concernem à Igreja e seus adeptos e não a um presidente de república.
E mesmo que houvesse “admiração profunda” do “povo português”, tal apenas concerniria a esse “povo”, assim dito, e não a um representante político máximo, que, obviamente, na medida em que o é dum Estado laico, não tem nem deve exprimir-se nos termos laudatórios em que se exprimiu, manifestando admiração por um papa, representante máximo duma ideologia, duma igreja, que é, intrinsecamente, assunto privado, portanto, alheio à direção e representação política duma república, e não assunto público.

6- “[admiração]… por um magistério que constitui exemplo de fé e de esperança”.

Ora, temos aqui o presidente Silva a manifestar apreço pelo “magistério” dum papa… que mais não é do que enaltecer a direção religiosa do mesmo!
Um presidente duma república laica jamais deveria pronunciar-se nestes termos!
Um presidente de república laica deve respeitar a laicidade do seu Estado e abster-se de comentar e, muito menos, enaltecer, o “magistério” dum Estado intrinsecamente religioso, porque, assim, põe-se do lado desse Estado religionário, confundindo o seu, do presidente, catolicismo com o pluralismo do seu Estado e quadrando-se num apoio de católico, assunto privado, a um Estado religioso, apoio esse transformado em assunto público…

7- “…na defesa dos valores universais da tolerância e da paz.”, disse o presidente Silva.
Já não se tratando de assunto religioso ou laico, pergunto o que é que o papa defendeu de “tolerância e paz”???!!!
Como é normal na ICAR, sempre que irrompe uma guerra ou um conflito qualquer de implicações internacionais ou de manifesta relevância, lá vem o papa com a balela sobre “paz” e “tolerância”, dispensando-se de apontar, clara, irrecusável e inequivocamente, quem é o fautor da guerra e da intolerância, não o denunciando, que é como se faz e se deve fazer em litigância política ou judicial, nacional ou internacional.
Clamar por paz e tolerância, constantemente, sem, constantemente, denunciar os prevaricadores, os intolerantes, os assassinos, os opressores, equivale, apenas, a mostrar-se pacífico e tolerante, em abstrato, esquivando-se à plena assunção e defesa duma verdadeira paz e tolerância, que passa, necessariamente, pela denúncia dos agentes da guerra e da intolerância, porque só quando esses agentes são denunciados é que se pode combater mais eficazmente por essa paz e tolerância.