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Carlos Esperança

7 de Dezembro, 2013 Carlos Esperança

A nódoa islâmica alastra

A Assembleia Nacional da Líbia adotou a lei islâmica para o país, fazendo com que este se torne oficialmente um Estado islâmico.

A Líbia é o mais recente país a ter passado pela «Primavera Árabe» a sofrer uma viragem no sentido do islamismo, depois da Tunísia e do Egito, sendo que também aqui o processo foi chefiado pela Irmandade Islâmica.

7 de Dezembro, 2013 Carlos Esperança

A Itália exige higiene ao Vaticano

O julgamento do prelado Nunzio Scarano, ex-funcionário do Vaticano acusado de corrupção e tentativa de lavagem de dinheiro, começou nesta terça-feira em Roma, na ausência do acusado, anunciaram os meios de comunicação italianos.

O tribunal de Roma procedeu com a constituição das partes civis e imediatamente encaminhou a audiência para 13 de dezembro, quando serão ouvidas as testemunhas de acusação.

Scarano foi preso em 28 de junho pela polícia italiana por suspeita de ter servido de “laranja” para transferências suspeitas realizadas de Mônaco através do Banco do Vaticano (IOR).

6 de Dezembro, 2013 Carlos Esperança

A Nelson Mandela – Homenagem do Diário de uns Ateus

Aos 95 anos faleceu um paladino da liberdade e o grande obreiro da transição pacífica de um regime racista e colonialista para um país multicultural e multirracial – a África do Sul. A grandeza moral levou-o a perdoar aos países que, em 1987, votaram contra a sua libertação incondicional proposta pela Assembleia Geral das Nações Unidas – EUA, Inglaterra e Portugal.

São homens da têmpera de Nelson Mandela, cuja inteligência e sensibilidade os distancia do comum dos dirigentes, que nos levam a ter esperança num mundo onde não seja possível a discriminação por razões de raça, religião, sexo ou convicções políticas.

Nelson Mandela, o prisioneiro 46 664, é o símbolo de quem não desiste de transformar o Mundo e deixar um país que não seja coutada só de alguns.

O velho prisioneiro e primeiro presidente da África do Sul livre, condenado a prisão perpétua, resistiu ao cativeiro 27 anos e ao ódio e à vingança o resto da sua vida. Foi distinguido com o Prémio Nobel da Paz e foi maior o prestígio para o Prémio do que para o premiado.

Obrigado, Nelson Mandela.

6 de Dezembro, 2013 Carlos Esperança

O Vaticano, o Papa e a tradição

O Vaticano recusou informações a uma comissão da ONU sobre investigações internas de abusos sexuais de menores, cometidos pelo clero, sob o pretexto de que é política da Igreja manter sigilo sobre tais casos.

Ao recusar partilhar informações com a ONU, o Vaticano revela uma duplicidade que pode anular a gigantesca campanha de promoção do Papa, ajudada pela figura retocada de simplicidade e determinação onde o despojamento pessoal, a atenção aos crimes do clero e as investigações ao Banco do Vaticano eram as linhas de força para o branqueio da imagem do Vaticano.

O Papa Francisco é uma fonte de contradições. Perante uma imagem de sinceridade e de bondade, permanece subjugado à Cúria que parecia estar a caminho da cura. Face a uma ideia de modernidade, insiste nos milagres e exorcismos que são mais mortíferos para a credibilidade da Igreja do que um PIM de Almada a fustigar o Dantas.

O Papa Francisco afirmou hoje no Vaticano que a fé na “ressurreição da carne”, referida no Credo, é uma “verdade”, que está ligada à ressurreição de Jesus. A fé e a razão detêm um litígio de difícil solução mas não se entende que a leitura literal de uma crença possa ser promovida sem reflexão crítica.

A antiguidade da Terra, biliões de mortos, 7,5 mil milhões de vivos e muitos biliões que ainda nascerão, são números colossais que o Antigo Testamento não previu. Como se convence um mortal, no pleno uso das suas faculdades, que no Vale de Josafá, ora Vale de Megido, terá lugar a Batalha do Armagedão, apenas para não deixar mal colocado o profeta Daniel, que a previu?

Quem pode crer na ressurreição física de todos os mortos no exíguo espaço do Vale de Megido, onde aos transplantados serão reclamados os órgãos de corpos alheios?

Do pavor que a Igreja insiste em infundir, escapam três anos e meio em que o anticristo, personagem escatológica que dominará provisoriamente o mundo, fará um reino de ‘paz mundial, estabilidade económica e liberdade religiosa’ antes do fim dos tempos ou Armagedão, a tragédia fatal para derrotar Satanás, como se o importante fosse dar razão ao profeta Daniel ou a Mateus (24:3, 21) cujas profecias eram o seu modo de vida.

Quem quererá a Igreja católica convencer, para além dos que se habituaram a crer nela desde o nascimento?

5 de Dezembro, 2013 Carlos Esperança

A frase

 

[O papa Francisco] Antes da profissão de fé, teve uma profissão de pé: porteiro de discoteca.

(Ferreira Fernandes, jornalista, hoje, no DN)

5 de Dezembro, 2013 Carlos Esperança

Espanha – Considerações sobre o Golpe 23-F de 1981

Com quase 94 anos, faleceu no dia 1 de dezembro o general franquista Alfonso Armada, nono Marquês de Santa Cruz de Rivadulla, envolvido na tentativa de golpe de Estado de 23 de fevereiro de 1981 (23-F).

Da tentativa de interrupção do processo democrático e regresso ao fascismo puro e duro do cruel genocida do século XX, Francisco Franco, ficou a imagem do grotesco tenente-coronel Tejero Molina, de tricórnio, aos tiros, com 200 guardas civis, no Congresso dos Deputados. Alfonso Armada foi esquecido, como se não fosse o chefe do golpe que teve como efeito mais visível o sequestro dos deputados, na tentativa de impedir a posse do governo de Calvo-Sotelo, para dar lugar a um governo presidido por si.

Alfonso Armada foi o perceptor indicado pelo ditador Franco para educar o futuro rei Juan Carlos, de quem se tornou amigo e assessor. Foi um dos generais mais influentes de Espanha e, durante 17 anos, secretário-geral da Casa Real, lugar de que abdicaria por confrontos com o primeiro-ministro, Adolfo Suarez, e pelo hábito de enviar cartas com o selo da Casa Real a solicitar o voto na Aliança Popular, nas eleições 1977.

Em 1983 foi demitido e condenado a 30 anos de prisão, sendo perdoado pelo Governo em 1988, alegando razões de saúde. Viveu ainda mais 25 anos.

Se o regresso à monarquia foi um ato ignóbil do cruel genocida Francisco Franco, a sua continuidade ficou a dever-se à narrativa do golpe 23-F, onde Juan Carlos aparece como paladino da democracia, esquecidos os discursos de bajulação ao ditador e a formação fascista nas madraças franquistas às mãos de fascistas como Afonso Armada.

A memória da Guerra Civil, a conivência entre a Igreja católica e o franquismo, o medo e a urgência da transição pacífica fizeram democrata o rei e de Franco um estadista.

Mas já é tempo de julgar os crimes de Franco e de se contar a verdade sobre a atuação de Juan Carlos antes de se dedicar às várias espécies de caça, dos negócios aos elefantes e a outra espécies cinegéticas em que a rainha e a galinha não eram as únicas da sua ementa.

4 de Dezembro, 2013 Carlos Esperança

Sá Carneiro – aniversário da sua morte

Decorreu nesta quarta-feira a missa que assinalou o 33.º aniversário do desaparecimento de Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, vítimas da queda de um avião em Camarate, que ocorreu a 4 de dezembro de 1980.

Esta é a notícia comum da comunicação social. Ninguém se lembrou de referir que o bispo de Braga, D. Eurico Dias Nogueira, afirmou que, segundo o direito canónico, não tinha direito a cerimónias litúrgicas, por ter vivido amancebado, situação em que morreu na trágica queda do avião.

Enquanto o bispo de Braga defendia o direito canónico, o cardeal-patriarca, os bispos e numerosos padres deram colorido à mórbida encenação com que quiseram levar a PR o general Soares Carneiro, adversário de Ramalho Eanes.

E nunca mais lhe faltaram missas, apesar de ter morrido em pecado mortal.

3 de Dezembro, 2013 Carlos Esperança

O risível senhor Duarte Pio e os seus defensores

Surpreende-me que alguém, com formação democrática, defenda direitos vitalícios e hereditários que julgava reservados às moléstias, como a sífilis ou a esquizofrenia. Não aceito que se retire a qualquer cidadão o direito de ocupar o mais alto cargo do País, e repudio quem o atinja sem escrutínio popular, ou nele se perpetue, e se atribua o direito de o transmitir. Todos os homens nascem livres e iguais.

Sei que há cidadãos e vassalos. Há quem renuncie aos direitos de cidadania e à própria liberdade. Não é com esses que se constrói o futuro ou se conquista a liberdade. Os que renunciam aos seus direitos podem fazê-lo, não podem é confiscar os direitos alheios e opor-se ao princípio republicano de que os cargos públicos não são vitalícios nem transmissíveis.

Dado que a monarquia portuguesa esteve sempre ligada à Igreja católica e que esta era a religião oficial do país, há quem, por opção pia ou astenia democrática, insista na defesa de um anacronismo que exigiria descobrir um primeiro rei para ser o último.

Perante o folclore em volta de um figurante das revistas mundanas, aqui ficam algumas considerações para reflexão.

Os súbditos conhecem-no por Duarte Pio João Miguel Gabriel Rafael de Bragança. Parece um catálogo de nomes e, afinal, é um rol com que o titular enfeita as penas da descendência miguelista. Legalmente, é apenas Duarte Pio de Bragança, tendo deixado cair o João e três arcanjos com que se ornavam os príncipes da Casa de Bragança.

O Sr. Duarte é descendente de família pouco recomendável, de que a própria monarquia se libertou, por higiene política, quando D. Miguel I foi derrotado, exilado e banido do País, assim como os seus descendentes, entre os quais o especialista em milagres e autor de um opúsculo sobre S. Nuno Álvares cuja santidade foi obtida no ramo oftalmológico com a cura do olho esquerdo de D. Guilhermina de Jesus, queimado com salpicos de óleo fervente de fritar peixe.

Quando o Sr. Duarte Pio nasceu, ainda sob a lei do banimento, foi logo batizado, tendo como padrinho da cerimónia católica, o Papa Pio XII, por procuração, pois o Papa de Hitler, como ficou conhecido, era mais dedicado ao nazismo e às Concordatas do que à família de seu pai, Sr. Duarte Nuno, banida de Portugal.

Duarte Nuno Fernando Maria Miguel Gabriel Rafael Francisco Xavier Raimundo António de Bragança era o nome do pai, imigrante que veio para Portugal em 1953, três anos após a Assembleia Nacional ter revogado a lei do banimento, por ordem do ditador e intervenção dos monárquicos fascistas. Foi-lhe atribuída uma residência, cedida pela Fundação da Casa de Bragança, com autorização do déspota de serviço, monárquico por convicção e ditador por decisão própria.

Tamanho nome recruta vassalos para o regime que expirou, para a família extinta e para um candidato a rei, que existe pela fé de dezenas de candidatos a súbditos. Com nomes tão extensos, bastaria referir duas gerações de primos e tios para, em vez do opúsculo, ter o Sr. Duarte matéria para um tratado, ainda que lhe faltasse o método e o objeto para o transformar em ciência.
O Sr. Duarte, mulher e filhos são, conforme o sexo, cavaleiros ou damas da «Soberana Ordem Militar de S. João de Jerusalém, de Rodes e Malta», locais onde os desconhecem e ninguém os reclama.

Se os portugueses ensandecessem ainda voltariam a ter, pela graça de Deus e desgraça nossa, um Rei de Portugal e dos Algarves d’Aquém e d’Além Mar em África, Senhor da Guiné e do Comércio, da Conquista e da Navegação da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, Senhor Fidelíssimo, etc..

Estes títulos e a varíola foram erradicados e da sereníssima Casa de Bragança resta uma fundação. No passado foi uma instituição de geometria variável que começou a encolher com D. João II, que escusava ter degolado o seu 3.º duque, e que tem sofrido, ao longo da História, as vicissitudes políticas de quem detém o poder.