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Carlos Esperança

2 de Julho, 2014 Carlos Esperança

Vitória da laicidade

Tribunal europeu considera “legítima” proibição do uso do véu integral em França

Juízes do TEDH determinam que lei votada no final de 2010 não é contrária à Convenção Europeia dos Direitos Humanos.

O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH) considerou nesta terça-feira “legítima” a proibição do uso de véu integral em França, rejeitando um pedido de uma francesa que reivindicava o direito a usar o niqab ou a burqa.

O tribunal sublinhou que “a preservação das condições da vida em sociedade é um objectivo legítimo” das autoridades francesas, que dispõem sobre esta questão “de uma ampla margem de apreciação”. Por consequência, a lei votada no final de 2010 em França não é contrária à Convenção Europeia dos Direitos Humanos.

Fonte: Público

2 de Julho, 2014 Carlos Esperança

Reflexões (sucintas) sobre ‘califados’…

Califa

 

Por

E – Pá

O que julgávamos ser um facto histórico do passado morto e enterrado com a derrocada do império otomano está de novo a acontecer.

Algures no Iraque os jihadistas declararam o ‘Estado Islâmico no Iraque e no Levante’ e designaram como califa o xeque Al-Baghdadi

É curioso verificar que o último califado, o otomano, desgastado e decadente desde o séc. XVIII (com a expulsão dos turcos da Hungria) acabou por morrer no rescaldo a I Guerra Mundial (que começou há precisamente 100 anos) sendo o seu ‘executor’ um militar do agonizante sultanato otomano – o general Kemal Ataturk.

A ideia de ‘ressuscitar o califado’, durante o século XX, não é estranha a vários grupos (facções) fundamentalistas islâmicos como um instrumento da ‘unificação da luta’ (contra o Ocidente e pelo proselitismo). Informa – ou informou – as correntes doutrinárias (político-religiosas) ‘pan-islâmicas’, ou na sua vertente laica, os movimentos ‘pan-arabistas’.
O ‘Partido da Libertação’ (Hizb ut Tahrir), criado em 1953, nasceu com esse propósito programático como, por outro lado, o movimento Baath, unificado em 1947 (na saída da II Guerra Mundial), apresenta um programa laico, regionalista e do ‘socialismo árabe’ que fracassou, afundando-se em cruéis e sanguinárias ditaduras. Estes são exemplos de ‘movimentações islâmicas’ alimentadas por ‘sonhos unificadores’ (pan-islâmicos e/ou pan-árabes).

A grande questão é: quais as consequências deste novo ‘califado’?
Bem, a primeira e a mais importante será a criação de maior instabilidade na região (Médio Oriente). Quer o Irão (xiita), quer a Arábia Saudita (sunita), não estarão disponíveis para abdicarem, em favor do novo califado, dos papéis de liderança na região. O ‘efeito boomerang’ no interior do reino saudita, cujos dirigentes tem apoiado os jihadistas (nomeadamente na Síria), pode dar origem a adesões internas ao califado, contestando a casa real saudita que administra ou controla, concomitantemente, uma parte significativa do petróleo da região e os locais sagrados do Islão, o que não é uma perturbação de pouca monta.
Por outro lado, os governos em exercício na região, seja por questões políticas, por divergências faccionistas de índole religiosa ou por meras motivações de poder, não estão disponíveis para reconhecer um califado, qualquer que ele seja.
Esta iniciativa jihadista funciona globalmente como uma ameaça: para os países da região e para o Mundo Ocidental, que no decurso dos últimos acontecimentos no ‘Levante’ (a)parece disposto a emendar a mão sem, contudo, alterar a estratégia de dominação (no sector energético).

Aliás, o ‘espectro do califado’ persegue e condiciona, desde os trágicos acontecimentos de 11 de Setembro de 2001, a política internacional do Ocidente, liderada pelos EUA. Na realidade, também, Bin Laden alimentou o sonho de um califado que ainda perdura como instrumento histórico de unificação muçulmana.

G. W. Bush esforçou-se por tirar partido desta situação e a ‘questão do califado’ ensombrou a estratégia global desenhada por Washington na luta contra o terrorismo. Teve (e ainda tem) cúmplices por esta Europa fora – entre eles Blair, Aznar e Barroso – que ‘justificaram’ todo o tipo de tropelias pelo Mundo (islâmico e não só).

Na verdade, o avanço do ultraconservadorismo (neoliberalismo), oriundo dos EUA, tem utilizado o argumento maniqueísta do Bem e do Mal (com algum conteúdo místico) e socorrendo-se de instrumentos financeiros (monetaristas) especulativos e dominadores, visa assegurar ao Ocidente a liderança mundial, dita global.

É, por assim dizer, o ‘califado do Ocidente’, ou se quisermos o ‘califado de Chicago’. Um mal (o ‘novo califado’) nunca vem só. Tem, sempre, antecedentes e consequências.

1 de Julho, 2014 Carlos Esperança

Vaticano

Sem renegar o ateísmo, apreciei a coragem de Francisco, o primeiro papa a ir ao coração da máfia calabresa e a ousar enfrentá-la: “Aqueles que durante a vida escolheram a via do mal, como os mafiosos, estão excomungados”.

É o fim de um velho contubérnio.

1 de Julho, 2014 Carlos Esperança

Citações

«Não há salvação em nenhum outro [para além de Jesus], porque, sob o céu, nenhum outro nome foi dado aos homens pelo qual devamos ser salvos». (Actos4:12).

«O Evangelho segundo São Marcos tem cerca de 40 versículos explicitamente anti-semitas. Incluem a cena teatral fictícia de Pôncio Pilatos, que foi o verdadeiro assassino de Jesus, perguntando-se inocentemente o que fez Jesus para merecer a ira dos sacerdotes e da multidão de judeus, enquanto os Judeus gritam mais de uma vez a Pilatos «crucifica-o»». (S. Marcos 15:6-15).

«O Evangelho segundo S. Lucas tem cerca de 60 versículos explicitamente anti-semitas. Apresenta João Baptista a chamar aos judeus que acreditavam que ser judeus era o caminho para Deus «raça de víboras» que iriam sofrer «com a ira que os ameaçava»». (S. Lucas 3:7-9).

«O Evangelho segundo S. Mateus tem cerca de 80 versículos explicitamente anti-semitas. Neles, São Mateus conta como João Baptista chamava aos Judeus, os chamados fariseus e saduceus, «raça de víboras», epíteto que pôs também na boca do próprio Jesus quando se dirige aos judeus que são fariseus como «raça de víboras», como podeis dizer coisas boas, vós que sois maus?». (São Mateus 3:7 e 12:34).

«Os Actos dos Apóstolos têm cerca de 140 versículos explicitamente anti-semitas. Apenas 8 dos seus 28 capítulos estão isentos de anti-semitismo».

«O Evangelho segundo S. João contém cerca de 130 versículos anti-semitas. (…). O Jesus de S. João acusa os Judeus de o tentarem matar. (…) O Jesus de S. João conclui que aqueles que o rejeitam, os Judeus, «pertencem ao (seu) pai, o Demónio»». (S. João 7:28 e 8:37-47).

«Só estes cinco livros contêm versículos explicitamente anti-semitas suficientes, num total de 450, para haver em média mais de dois por cada página da edição oficial católica da Bíblia».

Fonte: A Igreja Católica e o Holocausto – Uma dívida moral, de Daniel Jonah Goldhagen.

Nota: Que fazer com um livro que prega o ódio e cujos crentes estão convencidos de conter a palavra do seu Deus?

Com estas citações espero responder aos crentes de boa fé me chamaram mentiroso pois não há na Bíblia (Novo Testamento) qualquer manifestação de anti-semitismo.

«Bem-aventurados os ignorantes porque deles é o reino do Céu».

30 de Junho, 2014 Carlos Esperança

Dois Rivera distintos

Por

Leopoldo Pereira

Miguel Primo de Rivera foi um ditador fascista espanhol, que começou por aos 14 anos ingressar no exército, prática comum dos filhos de nobres, tendo chegado ao posto de general na idade de 42 anos, por mérito em combate nalgumas colónias espanholas. Não gostava dos anarquistas catalães, nem dos seus congéneres, e desencadeou um golpe de estado de que saiu vitorioso, com a ajuda do rei (Afonso XIII), da maioria do patronato, de grande parte do clero, das forças armadas e dos conservadores.

Não aprecio ditadores, qualquer que seja a sua cor; dizem que este até foi brando, o que pouco abona em seu favor (um ditador deve ser tipo Hitler, Estaline, Pol Phot, Mussolini, Mao Tse Tung, Kim Jong, etc.), mas não deixou de perseguir anarquistas, catalães e todos quantos lhe fizessem sombra. Acabou por cair em desgraça no seio das forças armadas e perante o próprio rei. Então apresentou a demissão (estão a ver, um ditador não faz isso) e foi morrer a Paris, volvidos dois meses.

Os portugueses, sempre atentos ao que se passa lá fora e ciosos de um enorme sentimento patriótico, logo bolaram o famoso golpe do 28 de Maio de 1926, a que se seguiu a criação da não menos famosa União Nacional, tudo inspirado no General fascista espanhol.

A sociedade espanhola apresentava contrastes extremos, dos anarquistas aos fascistas, passando pelos comunistas, católicos, monárquicos, etc., e o resultado foi a Guerra Civil, que provocou muitos milhares de mortos. Como costuma suceder nestes casos, apareceu um Salvador da Pátria que, com a ajuda de aviões, barcos e homens, dos amigos Hitler e Mussolini, também com a ajuda de Deus, levou de vencida os “arruaceiros”. O ditador Franco procedeu a inúmeras prisões, fuzilamentos sumários e enviou muita gente para campos de concentração. Assim é fácil governar e, tal como Salazar, morreu no seu posto.

Durante o “reinado” de Franco, o Monarca espanhol exilou-se em Portugal, tendo o seu sucessor sido reabilitado pelo ditador (ainda em vida), passando de novo a monarquia a reinar em Espanha. Franco não fez só coisas más, evidentemente; entre as boas destaco a Falange Espanhola, fundada por José António Primo de Rivera, um dos filhos do General fascista acima referido. Foi fuzilado pelas Forças Republicanas (estes gajos também não eram bons). Franco mandou construir um imponente monumento, perto de Madrid, em memória dos mortos da Guerra Civil, o Vale dos Caídos; aí estão sepultadas cerca de 40 000 combatentes, mais os fascistas José Primo de Rivera e o ditador Franco, que quis ficar ao lado da tumba daquele.

No encalço de um Rivera diferente, viajámos até ao México, onde alguns patriotas acreditam que as suas terras já eram habitadas há cerca de 20 000 anos. Consultando a Bíblia Sagrada, facilmente verificamos que os tipos mentem. De qualquer modo têm muito de que se gabar: Olmecas, Maias, Astecas, petróleo, Los Panchos, los sombreros, narcotráfico, Zapata Salazar, Octavio Paz (Nobel da literatura), boleros, ditadores como Santa Anna e Porfírio Díaz, não esquecendo o Zorro (lenda criada quando a Califórnia deixou de ser mexicana), a Senhora de Guadalupe, tão ou mais venerada que a Senhora de Fátima e a subjugação aos espanhóis, por volta de 1500, que fizeram uma limpeza profunda naquelas civilizações antigas (não católicas).

Em 1886 nasceu no México o menino Diego Rivera, que começou a pintar aos 3 anos de idade e aos 5 deu mostras de “maturidade” ao dizer alto e bom som que a Virgem Maria não passava de uma estátua de madeira (surda às orações), quando assistia à missa dominical com os pais. Obviamente deixou a família embaraçada, nem o caso era para menos; o menino tinha cometido blasfémia, a estátua podia ser de barro (por exemplo). Viveu e desenhou em Paris, foi simpatizante do comunismo, usufruiu de uma situação económica razoável, dedicava-se sobretudo a pinturas em paredes, cobrindo os seus trabalhos grandes superfícies, dedicados quase em exclusivo às injustiças de carater social. Acreditava que a arte pode ser uma arma.

Voltou para o México. Abandonou o Partido Comunista, passando a ser duramente criticado pelos ex-camaradas e pelos conservadores (por causa dos ataques ao clero). Levava porrada de todos os lados, mas nunca desistiu. Finalmente o Partido Comunista Mexicano reintegrou-o, talvez para daí tirar proveito, mas o País reconheceu o seu valor de artista (considerado por muitos o mais célebre artista revolucionário do mundo), sepultando-o na Rotunda dos Filhos Ilustres do México.

L. Pereira, 28/06/2014

29 de Junho, 2014 Carlos Esperança

O Vaticano é uma empresa

http://actualidad.rt.com/actualidad/view/84467-vaticano-sido-empresa-negocios-religion-secundario

Ver aqui: