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26 de Fevereiro, 2009 Carlos Esperança

Reacções ao Comunicado da AAP

Notícia do DN

Notícia do DN

2 – O programa [RDP Antena 2] que ocupa o espaço entre as 7 e as 10 tem um colaborador, o Pedro Malaquias, que, por três vezes vem ao microfone ler uma crónica que faz com base na
consulta dos jornais. Hoje ele falou desta notícia do DN.

(O. V.)

3 – Aos sócios da AAP:

Concordo totalmente com o teor deste comunicado.
Lamentavelmente, esta canonização traz água no bico…
De facto é vergonhoso para Portugal que a figura de um grande cabo de guerra da História tenha sido santificado  por, ao ser evocado, ter pretensamente curado uma senhora num acidente de cozinha… É evidente o ridículo e a desproporção entre a personalidade histórica e a falsa cura…

Quero lembrar que a figura de Nuno Álvares serviu para um movimento pro-fascista do tempo da ditadura de Sidónio Pais que pretendia a canonização! Decorreu o movimento na mesma época da encenação do milagre de Fátima, esta sim, de grande êxito. Nem o Salazar quis participar na palhaçada radical e monárquica desta canonização. É agora o Vaticano que, fora de tempo, realiza esta canonização fútil que apenas serve a forças ultraconservadoras derrotadas há muito… Este papa tem mostrado uma completa inaptidão em ajustar ao catolicismo aos tempos modernos, prolongando a sua agonia como entidade que conserva irracionalmente uma enorme quantidade de lixo histórico que inquina os rituais religiosos!

Vamos assim… (C. S. F.) – Sócio da AAP

4 – Há manifestações de simpatia e insultos em vários blogues.

25 de Fevereiro, 2009 Carlos Esperança

Associação Ateísta Portuguesa

Assunto: A canonização de Nuno Álvares Pereira

COMUNICADO

À Comunicação Social

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) ficou perplexa com a canonização de Nuno Álvares cuja antiguidade começa a contar a partir de 26 de Abril.

A AAP entende que o prestígio do condestável não se altera com o milagre que lhe foi adjudicado mas Deus podia mais facilmente ter evitado os salpicos de óleo que atingiram o olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus, enquanto fritava o peixe, e a consequente «úlcera da córnea, uma coisa gravíssima» – segundo o cardeal Saraiva Martins –, do que ter de a curar para o beato virar santo.

Um vulto histórico, da dimensão de Nuno Álvares, não se engrandece com a cura de uma queimadela ocular quando há tantos amputados a quem o crescimento de uma perna facilitaria a vida e era mais relevante para o seu prestígio.

A AAP duvida da capacidade do guerreiro para actuar como colírio e fica surpreendida por se ter lembrado dele a D. Guilhermina que, em vez do desabafo habitual, quando um pingo de óleo fervente atinge um olho, recorreu à intercessão de um taumaturgo, sem antecedentes no ramo, para lhe salvar a visão.

Há nesta maratona pia uma sucessão de coincidências suspeitas. Começou pelo facto de a D. Guilhermina ter optado por fritar peixe em vez de assá-lo; perante a dor que se adivinha, em vez de recorrer a uma expressão que não cura, mas alivia, ter pedido a intercessão de quem precisava do milagre para ser promovido a santo; ter dado conhecimento à Igreja católica e estar na presidência da Prefeitura da Causa dos Santos o experimentado pesquisador de milagres e criador de santos, o cardeal Saraiva Martins; finalmente, haver no Vaticano médicos para certificarem a cura do olho e, em Lisboa, devotos à espera do novo santo.

Só quem sabe distinguir a água benta da outra pode rubricar um milagre que, não sendo excepcional, foi o que se arranjou. O patriarca Policarpo preferia que D. Nuno fosse dispensado das provas públicas do milagre mas resignou-se com a exigência papal; o presidente da República já anunciou a sua satisfação, certamente a título pessoal, e a Pátria, angustiada com a crise, ficou estupefacta.

Os espanhóis que, durante muitos anos, não toleraram a santidade do carrasco que os humilhou nos Atoleiros, em Aljubarrota e em Valverde, têm agora tantos santos que não ligam à elevação de D. Nuno aos altares.

Durante os dois últimos pontificados emergiu um tsunami de santidade que exumou os cemitérios da catolicidade em busca de taumaturgos. O folclore dos milagres é certamente uma forma de propaganda religiosa mas a AAP, temendo estar perante uma burla com a conivência das mais altas instâncias do poder, quer saber:

1 – Quem foram os médicos que comprovaram o milagre;

2 – Qual o critério para o atribuir a D. Nuno;

3 – Que exames mostram o olho esquerdo da D. Guilhermina antes e depois do milagre;

4 – O que pensa a Ordem dos Médicos portuguesa sobre o acto clínico de D. Nuno.

A Associação Ateísta Portuguesa não será cúmplice, com o seu silêncio, da manobra obscurantista em curso e, por isso, a denuncia.

Apela ao espírito crítico dos portugueses para não crerem em afirmações sem provas e não confundirem a superstição com a realidade.

Recorre ainda à comunicação social para prevenir os simples da manipulação, acautelar os frágeis contra a crença de que as dificuldades se resolvem com milagres e advertir os compatriotas de que as soluções se procuram com quem está vivo e não com quem é defunto há séculos.

Associação Ateísta Portuguesa – Odivelas, 24 de Fevereiro de 2009

25 de Fevereiro, 2009 Ricardo Alves

Williamson expulso da Argentina

O bispo negacionista Williamson abandonou a Argentina. Regressou ao Reino Unido, país de que é nacional. Williamson é hoje um herói das organizações de extrema-direita e neo-nazis.

No aeroporto, dois elementos da sua guarda pessoal agrediram um jornalista, enquanto o próprio Williamson os ameaçava com o punho.

A polémica, para além de mostrar o anti-semitismo que persiste nos sectores católicos tradicionalistas de que Ratzinger se escolheu aproximar, evidenciou também as ligações da Fraternidade São Pio X à ditadura militar argentina. Em 1976, Lefebvre elogiou a ditadura argentina como «um governo de ordem, que tem princípios». Em 1977, reuniu-se com o ditador Videla, que lhe facilitou a instalação no país da sua organização. Os lefebvristas viriam a ter um acesso privilegiado às forças armadas argentinas. Recorde-se que a ICAR argentina colaborou proximamente com a ditadura militar, havendo mesmo o caso de um padre que colaborou na tortura de presos políticos, e que foi posteriormente protegido pela hierarquia da ICAR. Depois de detido (numa paróquia remota do Chile) seria condenado a prisão perpétua. Sabe-se também que a Fraternidade São Pio X deu asilo, em França, ao criminoso de guerra fascista Paul Touvier.

Williamson não deseja, visivelmente, qualquer reconciliação com Roma, para ele um antro de comunistas e mações. Roma também não deseja Williamson, que se tornou incómodo. A própria Fraternidade São Pio X ganhará em desembaraçar-se de um homem que diz em voz alta o que costumam dizer em privado. A solução, portanto, deverá ser a marginalização de Williamson.

Como o Diário Ateístaanunciara no verão de 2005, Ratzinger tem uma postura de abertura à extrema-direita. Presumivelmente, deseja uma ICAR mais coesa (mais radical), e se isso implicar a diminuição do número de católicos, pouco lhe importa. Resta saber como lidará com o anti-semitismo de outras figuras da Fraternidade São Pio X, como Tissier de Mallerais.

Williamson tem o seu próprio blogue.

[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]

25 de Fevereiro, 2009 Carlos Esperança

Se acreditasse em Deus…

… não pedia aos crentes.

Cidade do Vaticano (EFE) – O papa Bento XVI pediu aos fiéis que rezem por ele para que consiga cumprir “fielmente a alta incumbência de que a providência divina o encarregou como sucessor de São Pedro”.

25 de Fevereiro, 2009 Carlos Esperança

Hipótese que regressa

SÓFIA, 24 FEV (ANSA) – O atentado contra o papa João Paulo II cometido na Praça São Pedro, em Roma, no dia 13 de maio de 1981 pelo turco Ali Agca, teria sido ordenado de dentro do Vaticano, com a colaboração de expoentes da máfia.

25 de Fevereiro, 2009 Carlos Esperança

Itália – Crime de heresia

Um professor de história e literatura de um instituto profissional PÚBLICO italiano foi suspenso do emprego e viu igualmente suspenso o vencimento durante 30 dias por decisão do Conselho Nacional de Educação Pública.

O seu crime foi ter tirado o crucifixo da parede durante as horas de aula. O professor voltava a pôr no sítio o símbolo religioso ao acabar a aula mas o director da escola, Giuseppe Metastasio, denunciou o professor ao Conselho Nacional que foi mais duro com ele do que com os professores acusados de assédio sexual para com os alunos (suspensão de um a dez dias).

O professor Franco Coppoli defendeu-se apoiando-se na laicidade do Estado, na liberdade de ensino e na liberdade religiosa mas a suspensão foi confirmada pelo Centro regional de Educação.

A FIdA [[email protected]] convida a a enviar uma carta de protesto para a direcção do centro:

Istituto Professionale di Stato per i Servizi “Alessandro Casagrande”
Sede centrale (Indirizzo Economico Turistico e Grafico Pubblicitario)
Piazzale Bosco, 3 – 05100 TERNI
e-mail: [email protected]

Y también a Ennio Nugnes, Responsable de relaciones públicas del Ministerio de Instrucción italiano:
[email protected]

Mais informação em italiano:

http://www.repubblica.it/2009/02/sezioni/scuola_e_universita/servizi/prof-crocifisso/prof-sospeso/prof-sospeso.html

Información recibida de la Union des Familles Laïques (http://www.ufal.info/media_flash/2,article,537,,,,,_Un-professeur-italien-d-histoire-suspendu-pour-avoir-enleve-le-crucifix-pendant-ses-heures-de-cours.htm)

Visitar Red Social de la FidA en: http://federacionatea.ning.com

Visitar campanha de protesto em: http://federacionatea.ning.com/forum/topics/campana-profesor-italiano

24 de Fevereiro, 2009 Carlos Esperança

Intolerância islâmica

RIO – O produtor e apresentador de TV Marcelo Abbas Musauer olhou a cabeleira do Zezé e não gostou.

No ano passado, Musauer, de 38 anos, que professa a fé islâmica, entrou com uma ação na Justiça contra Irmãos Vitale S.A. Industria e Comercio, titular dos direitos autorais da marchinha de carnaval “Cabeleira do Zezé”, e João Roberto Kelly, compositor da música. Na opinião de Musauer, a marchinha denigre a imagem do profeta Maomé.

Ouvir a entrevista

Comentário: A intolerância faz parte do código genético das religiões.

24 de Fevereiro, 2009 Carlos Esperança

Milagre em versos pios

Enquanto D. Guilhermina de Jesus rezava
Com um olho no peixe e outro na lareira
Frigiam postas de pescada na frigideira
E o óleo, de tão quente, respingava.

D. Guilhermina, na sua vida de labuta
Costumava ter um santo sempre à mão
Não fosse, com a dor, soltar um palavrão
Ou ocorrer-lhe um desabafo para a rima.

Quando o óleo ao olho esquerdo lhe saltou,
Não lhe ocorreu um santo e o desabafo temeu,
Com a dor não havia quem lhe valesse, hesitou,
Valha-me o beato Nuno, foi o que lhe ocorreu.

Por estar folgado o beato na hora de aflição
Ou por precisar de um milagre o glorioso
Ouviu a prece  o guerreiro, fez-se bondoso,
Curou-lhe o olho e voou para a canonização

23 de Fevereiro, 2009 Carlos Esperança

O PR e o Santo Pereira

Beata alegria

Beata alegria

O presidente da República surpreende os portugueses mas não é infalível.

Que se congratule com a elevação aos altares de Nuno Álvares Pereira é um estado de alma que devia guardar para a confissão e as festas familiares. É uma manifestação que cai bem na família, habituada à missa e ao terço, mas pode prestar-se ao ridículo para quem não leva a sério a cura do olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus. É, pois, uma justa alegria para o avô mas uma crendice que o PR não pode exibir.

O cidadão Cavaco Silva tem o direito de acreditar, tal como Paulo Portas, que a Senhora de Fátima, no seu zelo patriótico, acautelou as costas do Minho da poluição do navio Prestige, enquanto sacrificou as da Galiza, mas não pode expor Portugal ao ridículo de ter um Comandante Supremo das Forças Armadas supersticioso.

Do mesmo modo pode pensar que o condestável substitui as unidades de queimados e a oftalmologia mas não é um bom exemplo que dá a quem procura na ciência a resposta às dúvidas exibindo as certezas da fé.

Pior ainda é a sua afirmação de que [Santo Pereira] «deve inspirar os portugueses na busca de um futuro melhor». Fica a dúvida se é a matar castelhanos que devíamos sair da crise ou se é recolhendo a um convento que devemos aguardar que a crise passe.

Que a Igreja católica tenha estendido a santidade não apenas a quem matou infiéis mas também a quem despachou católicos, em várias batalhas, é um problema papal mas que o Presidente da República se reveja em tal exemplo é uma dificuldade diplomática.

Quanto ao exemplo monástico, quando a idade nos tornar castos, não, obrigado.