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13 de Maio, 2009 Carlos Esperança

Por ter descoberto a ilha

A Câmara Municipal vai construir um monumento em homenagem ao Papa João Paulo II e que ficará localizado no Aeroporto de Ponta Delgada, que ostenta o nome do único Sumo Pontífice que visitou os Açores, a 11 de Maio de 1991.

Comentário:  Esperemos que, com tanta devoção, o não coloquem na pista de aterragem.

13 de Maio, 2009 Carlos Esperança

Fátima – 13 de Maio

Nascida para lutar contra a República e transformada em arma de arremesso contra o comunismo, Fátima mantém-se como símbolo da crendice popular e caixa de esmolas que sustenta a máquina eclesiástica.

Os ateus são sensíveis ao sofrimento humano, às manifestações de aflição, ao desespero e aos dramas individuais que exoneram a razão dos comportamentos. Já não podem ter a mesma benevolência para quem convence os crentes do gozo divino com as chagas nos joelhos e as maratonas pedestres ou com a oferta de objectos de ouro que atravessaram gerações na mesma família para acabarem no cofre forte da agiotagem mística.

Os alegados milagres das cambalhotas solares, das deambulações campestres da virgem e da aterragem de um anjo não foram originais nem exclusivas da Cova da Iria. Foram tentados em outras latitudes e repetidos em versões diferentes até atingirem a velocidade de cruzeiro da devoção popular e o pico da fama que tornou rentável a exploração.

Há um ano o cardeal Saraiva Martins, um clérigo atrofiado por longos anos de Vaticano, dedicado à investigação de milagres e à pesquisa da santidade, presidiu à peregrinação… contra o ateísmo. Podia ser a favor da fé, mas o gosto do conflito levou a Igreja a deixar cair a máscara da paz e a seguir o carácter belicista que carrega no código genético.

Há militares que regressaram há mais de quarenta anos da guerra colonial e que, ainda hoje, vão a Fátima agradecer o milagre do retorno, milagre que muitos milhares não tiveram, vítimas da civilização cristã e ocidental para cuja defesa o cardeal Cerejeira os conclamava.

Perdido o Império, desmoronado o comunismo, o negócio mudou de rumo e de ramo. É o emprego que se mendiga a troco de cordões de oiro, a saúde que se implora de vela na mão, a cura suplicada com cheiro a incenso e borrifos de  água benta. Enquanto houver sofrimento o negócio floresce. Dos bolsos saem os euros dos peregrinos  e os olhos dos crentes enchem-se de lágrimas perante a imagem de barro que a coreografia pia carrega de emoção.

Para o ano, no mesmo dia, repete-se a encenação e os corações dos devotos rejubilam com fé na virgem igual à que os índios devotam às fogueiras para atraírem chuva. Com os joelhos esfolados, os pés doridos e o coração a sangrar.

13 de Maio, 2009 Carlos Esperança

A voz do dono

JERUSALÉM – O Vaticano defendeu hoje o papa Bento XVI de uma série de críticos israelitas que acusaram o pontífice alemão de não expressar remorso suficiente pelo Holocausto – uma controvérsia que ameaça ofuscar uma peregrinação papal pelo Oriente Médio, que tem como objetivo unir diferentes religiões.

O Holocausto é apenas um dos muitos campos minados que Bento XVI atravessa enquanto visita a região. Ele também tem de acalmar a ira dos muçulmanos a respeito de comentários feitos no passado e tem recebido pedidos dos palestinos para fazer mais pelo avanço de sua causa contra Israel.

12 de Maio, 2009 Carlos Esperança

Todos iguais, todos diferentes

JERUSALÉM (Reuters) – Um influente clérigo islâmico palestino lançou duras críticas a Israel na segunda-feira, diante do papa Bento 16, e fez um apelo para que ele ajude a impedir os “crimes” do Estado judeu.

O discurso, ao final de uma reunião do papa com clérigos cristãos, judeus e muçulmanos, irritou o Vaticano e o Rabinato-Chefe de Israel, que decidiu boicotar essa instância de diálogo até que os palestinos afastem o clérigo em questão.

12 de Maio, 2009 Carlos Esperança

Calúnias

Jerusalém, 12 mai (EFE).- O papa Bento XVI nunca pertenceu à Juventude Hitleriana,

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reiterou hoje, por três vezes, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi.

Lombardi disse que “nunca” o jovem Joseph Ratzinger pertenceu à Juventude Hitleriana, que era, disse, “um corpo de voluntários fanáticos”.

11 de Maio, 2009 Luís Grave Rodrigues

Cristo Rei

 

No próximo dia 17 de Maio passarão 50 anos sobre a inauguração daquilo a que se convencionou chamar o «santuário de Cristo Rei».

 

O monumento foi erigido como pagamento de uma promessa dos bispos portugueses:

“Se Portugal fosse poupado da Guerra, erguer-se-ia sobre Lisboa um Monumento ao Sagrado Coração de Jesus, sinal visível de como Deus, através do Amor, deseja conquistar para Si toda a humanidade».

 

Portugal livrou-se efectivamente da II Guerra Mundial o que, se pensarmos na quantidade de países que não tiveram essa sorte, dá até azo ao desenvolvimento de teorias de que Deus afinal é português.

 

O pior é o impacto visual que a porcaria de um monumento à mais bacoca crendice de meia dúzia de mitómanos causa na paisagem de Lisboa e Almada.

De facto, quando tanto se fala da necessidade de protegermos as zonas ribeirinhas do Tejo do impacto de contentores e de armazéns decrépitos e inúteis, é estranho que ninguém se abalance a falar da poluição visual que causa uma porcaria de uma estátua – ainda por cima feia como tudo – de um sujeito de braços abertos e empoleirado numa enorme peanha de betão.

 

Já faz 50 anos que o monumento foi inaugurado.

Não era já tempo de tirar aquele mamarracho dali?…