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23 de Maio, 2009 Carlos Esperança

CONVITE – 1.º Aniversário da AAP

AAP – Almoço de convívio e troca de impressões em COIMBRA

Faz 1 ano no próximo dia 30 de Maio, Sábado, que a Associação Ateísta Portuguesa se constituiu. Dezassete dias antes tinha havido a peregrinação a Fátima, contra o ateísmo, presidida pelo criador de milagres e fabricante de santos e beatos – o cardeal Saraiva Martins. Algum tempo depois o patriarca Policarpo considerava o ateísmo a maior tragédia da actualidade.

São exagerados estes publicitários. Até nos quatro bispos que soltaram ao longo deste 1.º ano para afrontarem a Associação Ateísta Portuguesa (AAP).

É boa altura para o encontro de todos os ateus, agnósticos, cépticos e livres-pensadores que queiram reunir-se nesse dia em Coimbra onde se pode aproveitar para discutir um documento a pedir um atestado de apostasia às dioceses.

Local: Restaurante «O Cantinho dos Reis» – Terreiro da Erva, N. 16 – COIMBRA (Largo entre a Rua da Sofia e a Av. Fernão de Magalhães, tudo locais muito conhecidos em Coimbra)

Ementa: Refeição completa com bebidas incluídas.

Hora: 13H00

Preço – > 10 € (Habitualmente anda pelos 7 € e a comida é boa e variada)

INSCRIÇÕES: (até segunda-feira,  dia 25) para o e-mail da AAP.

[email protected]

Caros ateus e ateias, Deus provavelmente não existe, portanto venham fruir este almoço e esqueçam a última ceia.

Bem-vindos a Coimbra. Viva o livre-pensamento.

Saudações ateístas.

23 de Maio, 2009 Carlos Esperança

Carta de um leitor

Por

Adão Cruz

Isto é a ponta de um incomensurável iceberg!

Os crimes cometidos pela igreja católica na Irlanda, vindos agora a público, somados a todos os outros crimes praticados e denunciados em todo o mundo contra a dignidade humana, especialmente a dignidade de crianças indefesas e desamparadas, os que se sabem e os que se encobrem, fazem da igreja católica, provavelmente, a instituição mais pedófila do mundo. Não se compreende como é que esta perversa instituição não é levada a tribunal.

A casa Pia é um grão de areia, comparada com o clamoroso escândalo universal, porco, sujo e escabroso em que a igreja católica sempre esteve atolada. Não só não é levada a tribunal, como se esquiva a qualquer penalização, dizendo-se, apenas, envergonhada e disposta a pedir perdão. Tretas! Tretas! Tretas! A monumental hipocrisia de sempre. Numa mão a hóstia, na outra o sexo, não o sexo saudável, impedido pelo Vaticano, mas o sexo-perverso, o sexo-psicopata, o sexo-crime. Repugnante, deveras repugnante, este comportamento de milhares dos chamados ministros de deus, em todo o mundo, comportamento mais que sabido e reconhecido pela igreja católica, a qual, mais não faz do que tentar esconder.

Como é que se pode compreender, à luz dos inúmeros e inegáveis factos destas últimas décadas, que uma instituição desta natureza não seja posta em causa, como é que é possível que a legitimidade oficial da sua existência seja aceite, como é que é possível que personalidades e governos de todo o mundo se verguem, vergonhosamente, a um poder tão divinamente baixo e porco, tão miseravelmente traduzido num dos mais hediondos crimes praticados pelo ser humano?

22 de Maio, 2009 Carlos Esperança

Irlanda – Protectorado do Vaticano

A Irlanda tem-se caracterizado pela influência eclesiástica a todos os níveis do poder. O reaccionarismo católico só encontra paralelo na dimensão dos escândalos do seu clero. Não há lei modernizadora que não depare com a intolerância da Igreja.

Ainda está na lembrança de todos a ordem do tribunal para reter uma adolescente cujos pais a queriam levar a Londres para abortar, na sequência de uma violação. O tribunal negava-lhe o direito de sair do país perante uma campanha de apoio orquestrada pelos padres. Depois explodiu com estrondo a denúncia do bispo que ocultava a paternidade mas transferia fundos da diocese para criar o filho.

Nos conventos, até 1960, enclausuravam-se as mães solteiras que “envergonharam a família”, a quem roubavam os filhos, e outras que convinha encarcerar para manter indivisa a herança. Eram ultrajadas e maltratadas. Foi a crueldade no máximo esplendor, com o conluio das famílias e do clero católico, durante longas décadas, até à decisão dos tribunais, que levou ao encerramento dos conventos/prisões e à libertação das detidas.

Agora surgem acusações de violências e abusos comprovados num relatório impecável: privação de alimentos, violências sexuais e agressões físicas a crianças. Um oceano de horrores em charcos de água benta.

Revela-se a perversão, o drama de milhares de crianças a quem roubaram a felicidade e os crimes do clero (padres e freiras) contra vítimas que deviam cuidar. O que revolta é a inépcia do Estado para controlar instituições religiosas porque, em vez da autonomia, há a conivência que impede a defesa da dignidade humana e a investigação dos crimes.

Durante seis décadas foram vítimas de abusos sexuais, violências físicas e humilhações, milhares de crianças, com o conhecimento das autoridades políticas e religiosas, com a cultura do silêncio a vigorar enquanto a vida de crianças era dramaticamente destruída.

Já, várias vezes, o Diário Ateísta levantou o problema da defesa dos direitos das freiras e dos monges enclausurados, a necessidade de psicólogos, assistentes sociais e médicos verificarem se a clausura é uma decisão livre ou a reclusão pia coberta pelo manto da fé e do poder discricionário do clero. A violência não é só contra crianças.

Só tivemos insultos. Defender a liberdade, contra os preconceitos da fé, é um dever que pode custar caro e demora. Como se vê na devota Irlanda.

Nota: Não podemos esquecer as crianças vítimas das madraças islâmicas.

21 de Maio, 2009 Carlos Esperança

Momento zen de segunda

As homilias semanais de João César das Neves (JCN), no DN, não primam pela lógica mas brilham pela fidelidade ao papa, seja ele quem for, e pela defesa das afirmações da Igreja católica, quaisquer que sejam.

Nesta última segunda-feira, 18, sob o título «Anatomia da traição», esclareceu que os adúlteros incorrem no repúdio universal e são vistos como traidores, para acrescentar:  «Desde sempre a infidelidade foi sumamente desprezada, com delatores e apóstatas tratados com asco».

Quanto à traição conjugal, embora não enxergue tão severa reprovação social, sobretudo quando feita pelo homem, entendo a dor e o ódio do casto católico que julga interpretar uma sociedade que não o acompanha na abominação e na virtude.

Em relação à delação não partilho o asco de JCN, quando visa a prevenção dos crimes, nomeadamente do terrorismo, nem penso que o silêncio das máfias seja um paradigma ético.

Mas o que deveras me espanta no prosélito católico é o asco que lhe merece a apostasia. Não o vejo a execrar Paulo de Tarso por ter largado o judaísmo, a condenar Constantino por ter abandonado o mitraísmo e imposto o cristianismo ao império romano, e a rejeitar todos os apóstatas que se converteram ao cristianismo, quase sempre obrigados.

JCN não perdoa que os crentes das religiões falsas não se convertam à única verdadeira – a sua. O problema é que todos os crentes pensam o mesmo, que as outras religiões são falsas e, talvez, tenham razão. O anti-semitismo cristão, tal como o islâmico, deve-se à obstinada recusa dos judeus à apostasia. No fundo, o que todos querem é a apostasia dos outros, pelo que o asco de JCN apenas se refere aos apóstatas do catolicismo.

JCN não repele os apóstatas, odeia a liberdade religiosa, o livre-pensamento, o ateísmo e tudo o que evangelização e a Inquisição não conseguiram. Não concebe que a razão possa entrar em conflito com a fé, que a cidadania é incompatível com a obrigação de manter os valores incutidos no berço e cultivados nas mesquitas e nas igrejas com juras de felicidade eterna ou ameaças de penas perpétuas.

20 de Maio, 2009 palmirafsilva

Crimes sem castigo

As lavandarias das Madalenas irlandesas eram instituições com fins lucrativos, sediadas em conventos, que albergaram durante século e meio as irlandesas de «mau porte», as demasiado bonitas para a sua «salvação» moral, as concebidas sem a bênção da Igreja, as mães solteiras, enfim, todas as raparigas que eram de alguma forma consideradas uma ameaça aos valores (i)morais da sociedade. As desgraçadas que eram enviadas para estas prisões, lavavam «os seus pecados» com trabalho árduo e não remunerado, isto é, em completa e abjecta escravidão. Como nos conta o History Times:

«Up to 1993 the public knew very little about the Laundries but when an order of nuns, the Sisters of Our Lady of Charity of Refuge of High Park Convent, Dublin sold part of their convent to the Irish Republic for public use to replace funds that nuns had gambled and lost on the stock exchange.

The full story of the sexual, psychological and physical abuse these poor women had suffered started to come to light. It quickly became a national scandal in Ireland that engulfed both the Catholic Church and the Irish government.»

Hoje foi publicado um relatório que promete causar ondas ainda maiores que as lavandarias das Marias Madalenas quando o escândalo estoirou. O estarrecedor relatório, que culminou 9 anos de investigação sobre o abuso de crianças por membros do clero, era há muito aguardado – excepto pela Igreja Católica, embora esta tenha conseguido que nenhum padre ou afins seja processado pelo que se descobriu … e se tenha desdobrado em desculpas mal o relatório foi tornado público.

(mais…)

19 de Maio, 2009 palmirafsilva

Ad asinum

Dermot Ahern, o devoto ministro da Justiça irlandês que se propõe criminalizar a blasfémia, acedeu magnanimamente a conceder direito de defesa aos blasfemos que a anacrónica lei que pretende instituir tornará criminosos. A proposta de emenda (documento em formato pdf), que será discutida amanhã no All-Party Committee on Justice,  prevê que alguém acusado de blasfemia se possa defender provando que «uma pessoa razoável (?) encontra genuíno valor literário, artístico, político, científico ou académico» na matéria blasfema.

Uma vez que o ónus da prova recai sobre o acusado e não sobre o acusador (que pode ser um dos muitos cristãos que se ofendem por tudo e mais umas botas ateias), a polícia pode apreender e destruir o «material blasfemo» mesmo antes do atestado valorativo de uma pessoa «razoável». Resta a dúvida sobre o que será considerado uma pessoa «razoável», se alguém como o cardeal Cormac Murphy O’Connor, que considera «não totalmente humanos» ateus e secularistas, os que acham que O’Connor apenas manifestou uma posição «razoável e equilibrada» ou  Eric Conway, que exige a criminalização do ateísmo…

em stereo na jugular.

19 de Maio, 2009 Carlos Esperança

A virgem, o clero e o Cristo-Rei

Adivinhava-se o fracasso das comemorações pias do 50.º aniversário do monumento ao Cristo-Rei. A inauguração contou com todos os que tinham medo de faltar, a presença do ditador e a influência política da Igreja. Foi no tempo em que a alma era objecto de mais cuidado e a fé adubada pelo medo, a conveniência e o obscurantismo.

A viagem da imagem de Fátima não logrou atrair multidões de devotos e comprometeu o relançamento do santuário que o tempo e a descrença transformaram em miradouro deficitário. Das quinhentas mil pessoas que na viagem da Virgem a Lisboa, em 2005, a aguardaram a debitar ave-marias e salve-rainhas apareceram agora cem mil, metade da clientela aguardada. Não foram as pessoas que procuraram a senhora de Fátima, foi esta que veio à procura dos lisboetas e passou pela rua da Prata com uma só colcha à janela, colcha que, por sorte, ainda aguardava a ida à lavandaria.

A abertura do santuário em Almada foi um negócio arriscado e os ventos não correm de feição para o reanimar. A liberdade é inimiga da fé e há locais mais estimulantes para o ócio do que o espaço lúgubre de um santuário que celebrou a aliança da ditadura com a Igreja num local hostil à primeira e indiferente à segunda.

Bispos, com a tristeza estampada no rosto, pareciam lojistas à espera de encerrarem. Os padres que há cinquenta anos exibiam vaidosos as sotainas e a tonsura traziam agora as vestes talares escondidas e paramentaram-se, embaçados, no salão nobre do ministério das Finanças. A evocação do Papa deixava apáticos os peregrinos e o cardeal Saraiva Martins parecia ter trocado a celebração festiva por um velório e não explicou se a fé exige a devoção à mãe que viajou de Fátima ou ao filho que se ergue em Almada.

Alguns bispos usaram ainda a voz soturna para referirem a Virgem Maria como a rainha de Portugal, esquecidos de que o espírito republicano vacinou os portugueses contra os títulos nobiliárquicos. A confusão de objectivos deixou os crentes confusos quanto ao pretexto das celebrações. Ninguém sabia se a festa era destinada ao filho ou à mãe, se o que estava em causa era o pregador de Nazaré ou a mulher do carpinteiro que o arcanjo Gabriel notificou da gravidez.

As presenças do presidente da República e do presidente da Assembleia da República foram anunciadas para as cerimónias, troféus a exibir de joelhos e de mãos postas, dois dignitários a trocarem a laicidade do estado por indulgências e a assumirem as funções públicas em devoção particular para que não foram sufragados. Lá estiveram na missa, com o grave precedente de terem encabeçado a comissão de honra das comemorações da cura do olho esquerdo da D. Guilhermina, queimado com salpicos de óleo de fritar peixe, por intercessão do herói de Aljubarrota que a Igreja exumou para a canonização.

As duas figuras do Estado têm todo o direito às suas convicções particulares mas não podem representar e afrontar os que não são crentes ou crêem em mitos diferentes. E foi deplorável a participação das Forças Armadas de um estado laico nas cerimónias religiosas apesar do mau exemplo das referidas figuras do Estado.

A senhora de Fátima viajou num barco da Marinha em vez dos transportes públicos a expensas do santuário de Fátima

18 de Maio, 2009 Carlos Esperança

Nazismo – um regime sem deus?

Ao despedir-se de Israel, referindo-se ao Holocausto, …[Bento XVI] denunciou que aqueles mortos foram “brutalmente exterminados” por um “regime sem Deus”.

Apesar de ter colaborado com o nazismo e de não desistir da canonização de Pio XII – o Papa de Hitler –, o actual pontífice procura atribuir ao ateísmo a vocação totalitária que é a sua. Nem lhe ocorre que o Vaticano é filho de Mussolini, que este déspota tornou o ensino da religião católica obrigatório nas escolas do Estado fascista de Itália, de acordo com a Concordata e a vontade de Pio XI que descreveu Il Duce como «um homem enviado pela providência», um biltre que usou gás venenoso na Abissínia sob o pretexto de que os seus habitantes persistiam na heresia do monofisismo, um dogma incorrecto da Encarnação condenado pelo Concílio de Calcédon… em 451.

O golpe de extrema-direita na Hungria, liderado pelo almirante Horthy, foi apoiado calorosamente pala ICAR bem com os movimentos fascistas semelhantes da Eslováquia e da Áustria. O regime nazi da Eslováquia (ateu?) era liderado por um padre… Tiso. Curiosamente nunca o nazismo (ao contrário do comunismo) foi excomungado nem o livro de Hitler «A minha luta» foi posto no Índex, ao contrário do que sucedeu a todos os livros considerados contrários aos ensinamentos da Igreja católica.

Bento XVI sabe que o Vaticano foi aliado incondicional dos regimes fascistas de Portugal, Espanha e Croácia cuja implantação contou com o apoio activo do seu clero. O general Franco foi autorizado a dar o nome honorífico de «a Cruzada» à sua invasão de Espanha e ao derrube da república eleita.

Este Papa não se caracteriza pelo amor à verdade, mais dado a certificar milagres como o da cura do olho esquerdo de D. Guilhermina de Jesus ou a canonizar, talvez por lapso, um torcionário espanhol incluído entre centenas de mártires, todos franquistas, embora houvesse católicos na defesa da República cuja legitimidade o clero desprezou.

O Papa tem o direito de abominar os ateus, sem mentir. Nenhuma outra Igreja levou tão longe a sedução por Hitler, ao ponto de a hierarquia ordenar uma celebração anual em honra do seu aniversário, em 20 de Abril. E o cardeal de Berlim transmitia regularmente ao Fuhrer as maiores felicitações em nome dos bispos e das dioceses da Alemanha.

Por curiosa coincidência, Bento XVI celebrou a sua primeira missa, como papa, em 20 de Abril.

Fonte: deus não é Grande, de Christopher Hitchens.