Todos os dias são conhecidos novos desenvolvimentos, isto é, mais abusos, do escândalo sexual que está a abalar a Igreja Católica na Alemanha. O caso forçou a uma tomada de posição da Conferência Episcopal germânica. Ao mesmo tempo, eclesiásticos criticam a Igreja de Roma e a moral sexual vigente.

Santidade vitalícia
Papa intervém para tentar calar “ataques injuriosos e injustos”
O papa Bento XVI interveio ontem para calar “os ataques injuriosos e injustos” lançados contra o Vaticano na imprensa italiana, e desmentiu com uma nota os rumores de conspirações e intrigas entre destacados eclesiásticos
É com muita satisfação que hoje vos apresentamos a nova imagem e o novo site da AAP – Associação Ateísta Portuguesa.
Fiquem também atentos à nossa presença nas redes sociais Twitter e Facebook, que será mais dinamizada. Iremos ainda abrir muito brevemente um novo Fórum de debate.
Contemporaneidade, futuro e clareza na transmissão das ideias que defendemos foram as linhas que orientaram este processo que se aproxima a passos largos do fim.
Mas não é tudo. Durante esta semana, o Diário Ateísta receberá também uma profunda remodelação. Pensamos nela como uma homenagem ao site que, no fundo, criou os alicerces fundadores da nossa associação.
No entanto, conforme decisão oportunamente tomada, o Diário Ateísta continuará a representar apenas a opinião de cada um dos seus colaboradores, não comprometendo a posição da AAP que, apenas, se exprime através da sua direcção.
Estamos conscientes de que muito trabalho há ainda a fazer. No entanto, olhamos para trás com um sentimento forte de dever cumprido. A Associação Ateísta Portuguesa é hoje uma realidade e cimenta-se de dia para dia. Os áugures estavam, como sempre, errados. Por isso não acreditamos neles…
Em último, queremos que fique lavrado o seguinte: só devido ao esforço comum dos elementos da direcção e de todos os sócios foi possível esta nova fase que estamos a inaugurar.
Um agradecimento especial a todos eles.


"Os hipócritas - A igreja católica e o sexo".
No seu terceiro post acerca dos equívocos do ateísmo o Alfredo Dinis repete que «O maior drama do ateísmo [é] estar estruturalmente impedido de conseguir os seus objectivos: erradicar a religião»(1). A ver se é desta que isto se desdramatiza.
O único sítio de onde é legítimo o meu ateísmo erradicar a religião é a minha vida. E nisso o sucesso foi total. Qualquer Edir Macedo, Joseph Ratzinger ou Alexandra Solnado que me queira vender a sua banha da cobra vai ter de se haver com o meu ateísmo. E o papel social do ateísmo não é o que o Alfredo julga. O ateísmo não é um polícia das crenças. É um cinto de segurança. Não impede os acidentes nem evita asneiras mas reduz os estragos. Em grande parte, é graças à propagação do ateísmo que hoje posso criticar um sacerdote jesuíta, e director de uma faculdade da Universidade Católica, sem ir preso nem sofrer represálias. Quando o meu pai tinha a minha idade isto seria difícil. No tempo do meu avô era impensável.
E mesmo que daqui em diante o ateísmo não avance um milímetro que seja, ainda assim é importante defendê-lo para contrariar a pressão constante da religião. Este equilíbrio não é estático, e se deixamos de pressionar os que vivem convictos de ter a verdade revelada e de saber o que é melhor para si e para os outros, voltamos rapidamente aos “bons velhos tempos” da religião a bem ou a mal.
O que me traz aos novos equívocos do Alfredo. «A religião tem sobretudo a ver com a questão do sentido do universo e da vida. Os não crentes afirmam que não há nenhum sentido para além do que nos é dado pelo conhecimento científico.» Não é isso. O que eu afirmo é que o sentido da minha vida vem de mim. Não me pode ser dado, nem pela ciência, nem pela religião nem por coisa nenhuma. É claro que qualquer actividade humana pode ajudar. O Alfredo menciona a poesia e a arte, mas posso acrescentar a religião, o atletismo, o macramé e a ciência. Qualquer coisa que façamos com paixão ajuda a criar sentido na nossa vida. Uma vida sem sentido é apenas a de quem fica à espera que lhe dêem um.
Assim, não critico a religião por julgar que a vida não tem sentido. Critico-a pelos seus erros factuais e porque o sentido da minha vida me diz respeito a mim e não ao Alfredo ou ao seu deus. Se o Alfredo quer apontar algum equívoco nesta minha posição ateísta, sugiro que me explique porque preciso do deus dele para dar sentido à minha vida. Concordo que é importante «interrogar-se sobre o sentido da existência», mas discordo que a resposta do Alfredo seja relevante para mim.
Finalmente, o Alfredo aponta que a religião não é «fonte do conhecimento dos fenómenos naturais», pois isso é com a ciência, mas insiste que a religião é uma fonte de conhecimento, uma área do saber autónoma da ciência. Infelizmente, não deixa claro o que é suposto ser esse alegado conhecimento religioso. A religião sabe o quê?
O conhecimento é o conjunto dos dados e suas explicações. Sem dados não há nada que saber e sem explicações não há como sabê-lo. E estes aspectos são inseparáveis. Pode parecer que quando vejo chover sei que chove só pelos sentidos, um dado que não precisa de explicação. Mas, na verdade, concluo que está a chover por ser essa a explicação mais plausível para a sensação de ver chuva. Se em vez de chuva vir um elefante amarelo a voar já não concluo que exista tal coisa. Considero como explicação mais plausível ter sofrido um AVC, uma intoxicação alimentar ou psicose.
O Alfredo alega que a religião é fonte de conhecimento que não é científico nem é acerca da natureza. Mas se é conhecimento tem de incluir dados que possa conhecer, e falta indicar que dados tem o Alfredo que estejam fora da natureza e do âmbito da ciência. E se é conhecimento tem de incluir explicações, e não é concebível que haja explicações que não cumpram o que se exige de uma explicação científica: que explique.
Eu não cometo o equívoco de confundir religião com ciência. Sei que são bem diferentes, e nisto concordo com o Alfredo. Discordo é que a religião seja saber. A religião não precisa de dados nem de explicações porque é mera opinião e especulação. Há uns milhares de anos uns tipos inventaram umas profecias, outros mais tarde inventaram umas histórias baseadas nisso e assim por diante. Dos autores do Génesis à teologia moderna tem andado tudo a especular e opinar sobre as opiniões uns dos outros. A religião é autónoma porque inventa o que quiser.
Em suma, o Alfredo aponta como equívocos do ateísmo não servir para nada, não dar valor à vida e confundir ciência com religião. Mas o ateísmo é muito útil aos ateus, é perfeitamente compatível com uma vida realizada e com sentido. E não são os ateus que confundem religião com ciência. O problema é os crentes confundirem fé com conhecimento.
1- Alfredo Dinis, Grandes equívocos do ateísmo contemporâneo
Em simultâneo no Que Treta!
Os crimes de ódio são definidos nos Estados Unidos pelas leis federais que os identificam como crimes violentos motivados pela orientação sexual da vítima, cor da pele, identidade de género, incapacidade ou afins. O recente Matthew Shepard Act, cujo nome honra a memória do estudante homossexual de 21 anos torturado e assassinado em 1998, deixa isso bem claro assim como deixa bem claro que a legislação não se aplica às homilias de ódio de um qualquer homofóbico em nome de Deus:
An American Family Association radio show host has begun promoting legal sanctions for Americans engaging in “homosexual behavior”.
Bryan Fischer, que para além de integrar a associação que representa cerca de 2 milhões e meio de americanos dirige a Idaho Values Alliance, já louvou muito efusivamente o Uganda por resistir à «agenda» homossexual. Não sei se o próximo passo será pedir a emulação das leis do país que lhe mereceu tantos encómios… e que foram inspiradas por seus comparsas na homofobia!
(em stereo na jugular)
O terrorista que assassinou George R. Tiller em Maio do ano passado foi julgado e considerado culpado de homicídio de 1º grau. A sentença será lida na próximo dia 7 de Março e condenará Roeder a prisão perpétua. Mesmo assim, o terrorista está a ser investigado pelo FBI que tenta descobrir se Roeder agiu sozinho ou em conspiração com um dos muitos grupos de monstros sem pingo de moralidade que dão graças ao seu Deus pelo assassinato.
(em stereo na jugular)
A primeira capela dedicada ao exorcismo numa basílica católica foi inaugurada hoje na cidade de Querétaro, na região central do México. A cerimónia de benzedura da «Capela das Almas» foi conduzida com a pompa e circunstância apropriadas a tão solene momento pelo bispo de Querétaro, Mario de Gasperín.
Não há dados precisos sobre o número de exorcismos realizados no país mas, segundo as autoridades eclesiásticas, só na capital ocorrem cerca de dez por mês, e, de acordo os entendidos nestas coisas do Demo, as «possessões» estão a aumentar. Não sei se está previsto auxílio da concorrência com mais prática nestas lides demoníacas, por exemplo a Liberty Gospel Church que presta serviços análogos noutro continente…
(em stereo na jugular)
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.