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1 de Junho, 2010 Eduardo Costa Dias

Mafioso uma vez, mafioso toda a vida!

Banco do Vaticano suspeito de lavagem de dinheiro

A justiça italiana está a investigar o banco do Vaticano por suspeita de envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro, avançou hoje o jornal La Repubblica.

O diário adianta que os alvos da investigação são o Instituto das Obras Religiosas (IOR), nome como é conhecido o banco oficial do Vaticano, e dez outros bancos italianos, incluindo grandes instituições como a Intesa San Saolo e a Unicredit.

Segundo o jornal, os investigadores desconfiam que pessoas que têm residência fiscal em Itália estão a usar o IOR como uma “cortina” para esconder diversos crimes, como fraude e evasão fiscal.

O IOR gere contas bancárias das ordens religiosas e associações católicas e beneficia do estatuto off-shore do Vaticano.

Os investigadores descobriram que foram feitas transacções de cerca de 180 milhões de euros, num período de dois anos, numa das contas geridas pelo IOR.

Em Setembro de 2009, o representante do Santander em Itália, Ettore Gotti Tedeschi, foi nomeado presidente executivo do IOR.

O arcebispo norte-americano Paul Marcinkus, que liderou o banco entre 1971 e 1989, esteve envolvido numa série de escândalos, entre os quais a falência de um banco privado, o Banco Ambrosiano, em 1982, entre acusações de ligações à máfia e terrorismo politico

http://economia.publico.pt/Noticia/banco-do-vaticano-suspeito-de-lavagem-de-dinheiro_1440048

1 de Junho, 2010 Carlos Esperança

Frases para a História…

Por detrás de leis como o aborto, divórcio, procriação artificial, educação sexual e outras está o totalitarismo do orgasmo. Parece que o deboche agora se chama “modernidade”.

João César das Neves in DN

31 de Maio, 2010 Carlos Esperança

Momento zen de segunda_31-05-10

Tudo indica que João César das Neves (JCN) esteve demasiado tempo mergulhado em água benta quando lhe impuseram o baptismo e que a substância não identificada que altera a água normal passou a barreira hematoencefálica do neófito.

Na homilia de hoje, em que a assinatura de Cavaco Silva surge no Diário da República a promulgar a lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, atitude que só o nobilita, JCN ameaça-nos, num excesso de raiva, com o modelo chinês para substituir as democracias ocidentais. Ninguém diga ao bem-aventurado que a China foi o país que tornou o aborto obrigatório quando ele nunca se conformou que deixassem de prender as mulheres que o praticam, às vezes em circunstâncias dramáticas.

Ao PR compara-o a Pilatos, à maioria da AR chama «um grupito de deputados» e à decisão que garante direitos individuais e fazia parte de compromissos eleitorais que os eleitores sufragaram, acusa-a de ter mudado a definição de casamento quando apenas integrou os que excluía por mero preconceito beato.

JCN, que apenas considera legítimo o acto sexual para a reprodução, afirma que esta lei se insere numa «vasta campanha de promoção do erotismo, promiscuidade e depravação a que se tem assistido nos últimos anos». Não vale a pena discutir com JCN porque é uma inspiração divina igual á que o leva a acreditar que Nuno Álvares Pereira curou o olho esquerdo de D. Guilhermina de Jesus, queimado com salpicos ferventes de óleo de fritar peixe.

Anda tão desnorteado o bem-aventurado que julga haver na AR deputados capazes de «apoiar coisas abstrusas, como a proibição de touradas ou rojões, imposição da ordenação sacerdotal de mulheres ou a obrigatoriedade de purificadores atmosféricos».

Dentro do espírito marialva de JCN, a defesa das touradas tem a mesma legitimidade dos rojões».

Enfim, a água benta deu-lhe cabo dos neurónios e eu, que não a distingo da outra, não posso provar os malefícios que um sinal cabalístico faz à água normal.

Amem.

31 de Maio, 2010 Carlos Esperança

Celibato tridentino: companheiras de padres católicos escrevem ao papa!

Por

E – Pá

O jornal católico Il Dialogo [28.Maio.2010] publicou uma “carta aberta” subscrita por cerca de 4 dezenas de companheiras de padres católicos, dirigida a Bento XVI, questionando a cada vez mais polémica manutenção – no seio da ICAR – da regra do celibato dos eclesiásticos.
link

Em Março passado, o arcebispo de Viena, cardeal Schonborn, defendeu que a abolição da regra do celibato poderia limitar abusos sexuais no interior da Igreja.
Contudo, Bento XVI, foi peremptório no rejeitar desta pretensão. Relembrou, na ocasião, a sua fidelidade ao “princípio sagrado do celibato”…

As mulheres de actuais padres católicos resolveram – então – escrever uma carta aberta ao papa, relembrando que o chefe da Igreja pretende conferir um carácter sagrado a uma situação que, historicamente, não o é.
Na verdade – como defendem as companheiras de padres – o celibato dos eclesiásticos é uma regra [não será para estas crentes um “sacramento”], elaborada por homens, mais concretamente, no concílio de Trento [séc. XVI] …
Na realidade, a verdade histórica revela que nenhuma das religiões monoteístas – excepto a católica – adoptou a “regra do celibato”…

Aguardemos, pois, a resposta [ou a mais provável “não-resposta”] do Vaticano a esta oportuna missiva…

30 de Maio, 2010 Carlos Esperança

2.º Aniversário da Associação Ateísta Portuguesa

Um almoço de amigos é sempre um momento de descontracção e alegria em que as horas passam, as conversas se cruzam e as recordações acordam memórias esquecidas.

Ontem, em Coimbra, na farta mesa que nos acolheu, estavam alguns dos que deram os primeiros passos para que o ateísmo saísse da clandestinidade. O Ricardo Pinho, a Mariana e o João Vasco foram alguns dos pioneiros que tiveram a coragem e a lucidez de manter um espaço onde, desde há cerca de 10 anos, se discute o mundo sem recurso ao sobrenatural.

Faltaram o Cachapa, o Onofre, o Ricardo Alves e outros que a memória vai perdendo. Mantém-se o gosto fraterno do encontro, a força das convicções e a tolerância pela diferença.

Com sócios espalhados por todos os distritos do país, é difícil arranjar o local que abata as distâncias mas nada impedirá que ao almoço comemorativo dos aniversários da AAP se acrescente um novo Encontro Nacional de Ateus.

Foi assim que começámos. Podemos continuar por aí.

29 de Maio, 2010 Ludwig Krippahl

Apresentação na FMUP

Este é o vídeo da minha apresentação no debate do passado dia 21, na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto:

Já agora, lembrei-me de uma história interessante que o padre José Nuno contou durante o debate. Era miúdo e estava a comer bolachas às escondidas da avó quando trovejou subitamente. A avó, apanhando-o em flagrante, disse que era Deus a ralhar. Mas ele contou que, felizmente, não tinha acreditado naquele deus que ralhava com trovões, senão nunca teria ido para padre. O deus em que ele acreditava era um deus que é amor, bonzinho e essas coisas.

Esta história singela ilustra bem como é falsa a ideia da religião como guia moral. A religião não é uma bússola que aponta para o bem. É um caixote delas, cada uma encravada na sua direcção, de onde cada crente tem de escolher uma que calhe apontar para algo minimamente aceitável. E se sabe escolher a bússola certa é porque já sabia distinguir, por si, entre o bem e o mal.

Quem sabe escolher uma religião decente não precisa de religião para ser decente. E quem não sabe é melhor não se meter nessas coisas…

Também no Que Treta!

28 de Maio, 2010 Ricardo Alves

Cidade espanhola proíbe a burca

A primeira cidade da península ibérica em que o uso de véus integrais se vê restringido é Lérida. Fica proibido o uso da burca e do nicabe nos equipamentos sociais pertencentes ao município (que não tem competência para proibir o uso de véus integrais nas ruas).

Decididamente, a questão veio para ficar: proíbe-se a burca?

28 de Maio, 2010 Ludwig Krippahl

Inteligência e croché

Eu sei como resolver equações diferenciais. A minha avó não faz ideia o que isso seja mas sabe fazer croché. Muita gente pensa que resolver equações diferenciais exige mais inteligência, mostrando que uma opinião não é mais fiável só por muitos opinarem o mesmo. Resolver equações diferenciais é tão trivial que com meia dúzia de linhas de código se põe um computador a fazê-lo. A minha avó faz croché ao mesmo tempo que segue os diálogos da novela, conversa com a vizinha e decide o que vai fazer para o jantar, coisa que ninguém faz ideia de como por um computador a fazer.

Não sei se um poeta é mais inteligente que um bailarino ou se ser professor e ensinar informática demonstra mais inteligência que ser avó e fazer croché. Quando tentamos ver em detalhe quanta informação se tem de processar para executar uma tarefa, muito do que nos parece trivial se revela extremamente complexo. E vice-versa. Temos programas de computador que vencem qualquer um no Xadrez mas nem um que perceba a piada da anedota mais simples. Por isso não sei dizer se um crente é mais ou menos inteligente que um descrente ou se a crença tem alguma coisa que ver com inteligência, uma capacidade tão abrangente que nem sei bem em que consiste.

Mas há uma coisa que me parece estar relacionada a diferença entre crente e descrente. À falta de um nome melhor, e não querendo confundi-la com inteligência, direi que é prática na análise crítica de proposições. A minha avó tem a quarta classe e quase tudo o que julga ser verdade aprendeu porque confiou em quem lho disse. Nos professores, nos pais, nos padres, na TV. Apesar de ter vivido muito mais que eu, teve poucas oportunidades (e menos encorajamento) para questionar se essas afirmações eram verdadeiras ou falsas e como responder a essa questão. Só aprendeu a acreditar e, com poucas oportunidades de aprender pela dúvida, até acha que duvidar é má educação.

E como a minha avó há milhares de milhões de pessoas. Nas estepes da Mongólia, nas favelas do Brasil, nas aldeias do Paquistão. E também nos países mais ricos, que poucos têm a possibilidade de ganhar a vida questionando hipóteses e pensando em como distinguir o verdadeiro do falso. E assim proliferam as superstições, entre as quais aquelas a que chamam religião.

Sei que muitos que se dizem entendidos nestas coisas alegam que religião e superstição são diferentes. Só que nunca explicam a diferença*, e a religião sentida da maioria dos crentes, os que pedem e negoceiam os favores dos deuses, é igual a qualquer outra superstição. Só no ar rarefeito da teologia e da exegese é que se discute, a par do sexo dos anjos, a diferença entre crer que a ferradura dá sorte e crer que a hóstia se transubstancia.

Mas é com esses que discuto religião. Não é com a minha avó, ou com a maioria dos crentes, que crêem porque sim e para quem isso não se discute. Discuto apenas com os que dizem estudar essas coisas. E, ao contrário do que me acusam por vezes, não assumo que são menos inteligentes ou menos capazes de distinguir o verdadeiro e o falso. Discuto com quem me parece querer discutir o assunto e ser perfeitamente capaz de o fazer. No entanto, há na posição do crente um obstáculo difícil de transpor. Não é falta de inteligência ou de capacidades. Nem sequer é aquela falta de treino que me dissuade de discutir isto com a minha avó. É a crença.

Essa é a grande diferença. A minha descrença é uma conclusão que proponho defender no diálogo. É o ponto final de um raciocínio no qual posso mostrar a sequência de razões que me conduzem a essa conclusão. Todos sabemos que danos no cérebro afectam a mente e essa fragilidade é evidência que não resistimos à morte do corpo. Todos sabemos que há crianças que pisam minas e ficam estropiadas, ou morrem de cancro, ou nascem com deficiências, e isso indica não haver um deus omnipotente a cuidar dos inocentes. Eu posso apontar o porquê da minha descrença com razões que o meu interlocutor reconheça serem verdade.

Em contraste, o crente assume a verdade daquilo em que crê sem nada que a possa justificar a quem não creia. Acredita numa vida eterna sem dados que suportem essa hipótese. Acredita que existe um deus, aquele deus, sem evidências disso. Conclui as premissas. Mas não de forma banal. A caminho do ponto de partida invoca a tradição, cita autoridades, aponta que não se pode provar o contrário, fala em amor, relação e razão, usa maiúsculas q.b., chama liberdade ao infortúnio e faz corar o Dr. Pangloss. Não falta nisto inteligência nem revela capacidades diminuídas. Mas opta por não contribuir para o diálogo racional, cujo objectivo é encontrar as razões aceites por ambas as partes que justifiquem uma conclusão consensual. Em vez disso faz croché com as palavras.

Admito que o croché tem mérito. Não é qualquer um que consegue. Mas é uma arte meramente decorativa.

*Há uma excepção que devo notar. Uma vez vi um antropólogo entrevistado na TV, penso que na RTP-2. Não me lembro do nome do senhor, mas à pergunta acerca da diferença entre religião e superstição ele disse haver um critério simples. Em cada cultura, religião é a sua e superstição as dos outros.

Também no Que Treta!