19 de Setembro, 2010 Carlos Esperança
Vergonha por actos dos empregados
O Papa Bento XVI encontrou-se em Londres com um grupo de vítimas de abusos sexuais cometidos por membros do clero, exprimindo a sua “vergonha” por tais actos.
O Papa Bento XVI encontrou-se em Londres com um grupo de vítimas de abusos sexuais cometidos por membros do clero, exprimindo a sua “vergonha” por tais actos.
Bento XVI beatificou neste domingo em Birmingham, no centro da Inglaterra, o cardeal John Henry Newman (1801-1890), convertido católico a partir do anglicanismo, considerado um dos “pais espirituais” do Concílio Vaticano II, um reconhecido intelectual que influenciou na formação do papa Ratzinger.
Comentário: Só os cadáveres de católicos fazem milagres.
Em Londres, ter-se-ão manifestado milhares de pessoas contra Ratzinger, contra o reconhecimento do Vaticano como Estado, contra o encobrimento dos crimes de abuso sexual, contra os ensinamentos católicos em matéria de sexualidade e contracepção, e pela laicidade, pela liberdade e pelos direitos humanos. (Ver a reportagem na BBC.)
Ao Núncio Apostólico Rino Passigato
Embaixador do Vaticano
[email protected]
Avenida Luís Bívar 18
Lisboa 1069-147 LISBOA
Senhor Núncio Apostólico
A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) deplora que Bento XVI, na sua visita ao Reino Unido, tenha criticado o que chama «extremismo ateu» e estabelecido conexões entre o ateísmo e o nazismo.
A AAP não nega ao Papa o direito de condenar o ateísmo mas recusa a falta de verdade do alegado «extremismo ateu» quando é tão condescendente para com o anti-semitismo da Fraternidade Sacerdo-tal São Pio X (FSSPX) que, de excomungada passou a ser uma referência para o regresso ao rito tri-dentino da liturgia católica.
O cardeal alemão Walter Kasper, ex-chefe do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos, foi afastado do séquito papal ao acusar o Reino Unido de pertencer ao Terceiro Mundo, irritado com o seu carácter secular e pluralista, ao ponto de a Cúria ter de se retractar e afirmar tratar-se de uma opinião meramente pessoal.
Quanto à associação entre o ateísmo e o nazismo devia o pontífice lembrar-se de quem ofereceu a Hitler os certificados de baptismo para mais facilmente identificar os judeus em vez de lançar lama sobre quem não acredita em Deus.
A carga emotiva, que o nazismo justamente desperta, torna mais grave a difamação dos ateus quando o chefe da Igreja católica insinua que foi o ateísmo que conduziu ao crime os nazis.
Não sendo os ateus prosélitos, não deixam de ser irónicas as acusações de quem deseja converter o mundo ao deus da Igreja católica.
Assim, a AAP solicita ao Sr. Núncio Apostólico que transmita ao Vaticano a profunda indignação e revolta com as afirmações caluniosas de Bento XVI a respeito do ateísmo.
Apresentamos-lhe, senhor Núncio Apostólico, os nossos cumprimentos.
Associação Ateísta Portuguesa, 18 de Setembro de 2010
É Pecado Comer Carne de Porco?
Os que defendem a abstinência de carne de porco apresentam dispositivos da Lei do Antigo Testamento, como a seguir:
O Papa Bento XVI está de visita ao Reino Unido.
Mal chegou, o líder da Igreja Católica, pôs-se a arengar contra o ateísmo logo no primeiro discurso que fez à sua colega, a prestimosa líder da Igreja Anglicana, também conhecida como Rainha Isabel II.
É sempre curioso que o Papa dedique boa parte do seu tempo de pregação e de proselitismo a falar do ateísmo.
Deve ter qualquer coisa lá dentro que o mói…
Mas o que é mais curioso, é que, desta vez, o Papa lembrou-se de fazer uma associação entre o nazismo e o ateísmo.
E diz ele a certa altura do seu discurso:
«Ainda em tempo das nossas próprias vidas, podemos recordar como a Grã Bretanha e os seus lideres se opuseram à tirania Nazi que pretendia erradicar Deus da sociedade e a tantos negar a nossa humanidade comum, especialmente aos Judeus, que foram considerados indignos de viver.
«Também recordo a atitude desse regime face a pastores e religiosos cristãos, que falavam de verdade e de amor, e se opuseram aos Nazis e pagaram essa oposição com as suas vidas.
«Ao reflectirmos nos ensinamentos do extremismo ateu do século XX, nunca esqueçamos como a exclusão de Deus, da religião e da virtude da vida pública conduz necessariamente a uma visão truncada do homem e da sociedade e, assim, a uma visão redutora do ser humano e do seu destino».
Pois bem:
Curiosidades à parte, o que é absolutamente triste e completamente desonesto da parte deste facínora alcunhado de Bento XVI, é que ele bem sabe que Adolph Hitler era um fervoroso católico e que o infernal regime de terror que fez imperar durante mais de 12 anos por toda a Europa foi inspirado no misticismo cristão e principalmente na mitologia católica.
Não esqueçamos que é logo no Evangelho de Mateus (27:25) que encontramos a primeira sentença de morte aos judeus, e que tão bem tem sido obedecida pelos católicos em pogroms e autos de fé ao longo dos últimos dois mil anos:
E se o Papa Bento XVI pretende falar do Nazismo à Rainha de Inglaterra, era bom que tivesse a hombridade e a dignidade de lhe fazer também algumas citações do próprio Adolph Hitler.
Podemos encontrar no «Pharyngula» mais de meia centena dessas citações, de que respigamos aqui apenas três:
«Acredito hoje que tenho vindo a actuar de acordo com o Criador Todo-Poderoso; ao atacar os judeus estou a lutar pela obra do Senhor»
«Este nosso mundo humano seria inconcebível sem a existência prática de uma crença religiosa»
«Eu sou agora, como sempre fui e sempre serei, um católico»
O que isto quer dizer é que, pelos vistos, o Papa Bento XVI e Adolph Hitler sempre têm algo em comum:
– São ambos católicos.
E assim, quanto à honestidade, à dignidade e à ética deste Papa, estamos pois conversados.
Tradução
«Porque é um católico obrigado a votar na lista parlamentar de Adolf Hitler? Porque no estado Nacional Socialista intrinsecamente e através da Reich-Concordata
Portanto um Católico é obrigado a votar no dia 12 de Novembro [1933]
Referendo: Sim
Eleição parlamentar: Adolf Hitler»
Fonte: National Secular Society
Nota: trata-se da primeira eleição em que apenas se apresentaram candidatos nazis (o referendo era para sair da Sociedade das Nações), e que foi ganha com 92%.
Comentário: estes nazis são os mesmos que Ratzinger acusou ontem de «[desejarem] erradicar Deus da sociedade». E levaram-no a sério.
[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]
Um homem foi detido em Copenhaga depois de se ter ferido ao preparar uma carta armadilhada. A polícia é da opinião de que o alvo era o jornal dinamarquês que publicou as caricaturas de Maomé.
O fanatismo tem pilhas Duracell. E dura, e dura, e dura…
Desprezo o Papa, todos os papas, com a mesma intensidade com que a Aura Miguel e o João César das Neves amam este ou qualquer outro. Mas uma coisa são estados de alma e outra os factos.
Sou incapaz de desejar a alguém o que a ICAR fez a judeus, bruxas, hereges e a todos os que contrariassem os seus interesses. Não vou remexer nos crimes que desde Paulo de Tarso e Constantino se cometeram em nome de um judeu que dizem ter morrido pela salvação do mundo e nem a si próprio conseguiu salvar-se. É hoje uma referência para as multinacionais da fé que vivem da sua alegada divindade como os homeopatas do valor terapêutico das mezinhas.
O que um ateu não pode consentir é que o ex-inquisidor compare o ateísmo ao nazismo, esquecendo que a sua Igreja já excomungou o ateísmo, o comunismo, a democracia, a liberdade e o livre-pensamento e nunca o fez ao nazismo ou ao fascismo. O próprio Estado do Vaticano, a última ditadura europeia, foi obra de Benito Mussolini que, entre outras manifestações de tolerância, tornou o ensino da religião católica obrigatório nas escolas públicas.
Uma Igreja que apoiou Franco, Pinochet, Mussolini, Salazar, Videla, Somoza e o padre Tiso perde autoridade para condenar sinistros assassinos como Estaline, Mao, Pol Pot, Ceauşescu ou Kim Il-sung cuja esquizofrenia sanguinária os levou a cometer crimes em nome de uma crença política e não do ateísmo.
Bento XVI, que foi cúmplice do encobrimento de crimes cometidos pelo seu clero, que mantém o IOR como offshore do Vaticano, que se apoia no Opus Dei, Legionários de Cristo e na seita fascista dos sequazes de monsenhor Lefebvre, não tem autoridade para difamar os ateus a quem a liberdade deve mais do que à sua Igreja.
Pode continuar a canonizar os admiradores de Franco, os colaboradores da CIA e outros defuntos que, em vida, foram pouco recomendáveis. Pode exibir relíquias falsificadas e vender ao mundo os milagres engendrados numa repartição pia mas não pode insultar os ateus sem receber o troco que merece.
O papa Bento 16 fez hoje um discurso onde conectou o ateísmo ao nazismo. Depois de criticar o “extremismo ateu”, ele elogiou a actuação dos britânicos na Segunda Guerra Mundial porque “se opuseram a uma tirania nazista que pretendia erradicar Deus da sociedade”.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.