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19 de Outubro, 2010 Luís Grave Rodrigues

A diferença entre um estadista e um badameco

 

É sabido que Francisco Sá Carneiro estava em processo de divórcio mas que vivia maritalmente com Snu Abecassis.
Mesmo enquanto primeiro-ministro, e até em cerimónias oficiais, sempre assumiu frontalmente a relação com a mulher que considerava então como sua família, e que com ele morreu no trágico acidente de Camarate.
Ninguém nunca se atreveu a questionar sequer essa relação!

Também é sabido que quando Jorge Sampaio era Presidente da República lhe foi discretamente sugerido por ocasião de uma projectada visita oficial ao Vaticano que não se fizesse acompanhar de sua mulher, porque não era com ela casado pela Igreja, mas tão só civilmente.
A resposta de Jorge Sampaio só podia de facto ser uma: preferia então cancelar a visita a ceder a tão ignóbil sugestão.
E o Papa não teve outro remédio que não engolir em seco e recebê-los oficialmente a ambos.

Agora chegou a vez do Presidente francês Nicolas Sarkozy.
Fontes oficiais do Vaticano confirmaram o envio de uma mensagem relacionada com a visita do Sarkozy ao Papa Bento XVI, dizendo que a primeira-dama, Carla Bruni, “não é bem-vinda no Vaticano”, porque nos seus tempos de modelo chegou a posar nua.
Nicolas Sarkozy obedeceu à proibição do Papa e no início de Outubro deslocou-se sozinho ao Vaticano para conversar com Bento XVI deixando a sua mulher sozinha no Eliseu.

Não há dúvida:
Não há mesmo nada melhor do que a religião para transformar um homem num monte de merda.

 

19 de Outubro, 2010 Carlos Esperança

A irracionalidade da fé

Por

José Moreira

Quedava-se, sentado, no Rossio, exibindo a sua disforme cara e, confesso, o meu sentimento de piedade mesclava-se com alguma repugnância. Era horrendo, aquele rosto, digno dos mais cruéis filmes de terror.

Um médico decidiu operá-lo e devolver-lhe o rosto humano que sempre devia ter tido. A notícia apareceu “online”, e os comentadores não perderam tempo. Mas conseguiram esquecer-se de uma coisa: José Mestre já podia ter sido operado há mais tempo, se não fosse Testemunha de Jeová. Porque a operação implicava, inevitavelmente, transfusões de sangue, o que a bíblia não permite (confesso que ainda não consegui ver onde é que isso está escrito…).

O próprio articulista assobia para o lado, quando relata esta passagem. Por outras palavras: a  fé de José Mestre em Jeová permitiu que a deformidade aumentasse de modo a obstruir-lhe a respiração e a quase impossibilitá-lo de comer. A morte era inevitável. Graças a Deus!

Em desespero de causa, e porque começasse a faltar-lhe o ar, José Mestre mandou Jeová às malvas e decidiu submeter-se à intervenção cirúrgica. Porque Jeová também tinha mandado José Mestre às malvas, quod erat demonstrandum. José Mestre está salvo. Graças à ciência! Donde se depreende que a Salvação está… na desobediência a Jeová.

Graças a Deus!

19 de Outubro, 2010 Carlos Esperança

A primeira santa australiana

A Austrália está eufórica. O Vaticano criou a primeira santa autóctone, alargando o mercado da santidade a um continente. Só falta descobrir um prodígio a alguém que se instale na Antárctida, para cobrir de santidade o Planeta.

Mary MacKillop (1842/1909) foi para o Inferno pois a isso a condenou a excomunhão que lhe foi aplicada por ter denunciado um padre pedófilo. Um Papa infalível (em matéria de fé) entendeu que devia condená-la às labaredas perpétuas onde um diabo lhe mergulhava a alma em azeite fervente, como se faz às rabanadas por altura do Natal. O mesmo Papa ou outro, tanto faz, igualmente infalível encomendou-lhe dois milagres e tornou-a santa.

Fizeram o mesmo a Joana d’Arc com a curiosidade de ter sido reabilitada pelos mesmos bispos que a haviam condenado. Aliás, a santidade foi atribuída a vários Papas católicos cujos crimes esgotavam a lista dos pecados e os altares acabaram por receber pai, filho e neto, todos papas, todos igualmente dados à luxúria e ao incesto. Enfim, insondáveis desígnios do deus de Bento 16 e de numerosos seguidores.

Claro que as pessoas de são juízo se interrogam como funcionam os transportes no Paraíso e no Inferno, as duas criações mais lucrativas da ICAR depois de ter fechado o Purgatório.

Terá a santa uma guia de marcha passada pelo diabo para poder sair do Inferno ou um salvo conduto do deus de B16 para poder viajar para o Paraíso?

E quem paga a viagem, fornece o transporte e corrige os livros de registos das almas?

São questões teológicas que não me ensinaram na catequese.

18 de Outubro, 2010 Carlos Esperança

Lançamento de livro ateísta

Na próxima Quinta-feira o livro “Aprenda a Viver Sem Deus” será lançado no circuito comercial.

Os associados da AAP e os frequentadores do Site e do ‘Diário’ podem obter o livro em condições vantajosas.

O preço do livro é de 12,00 (portes incluídos). A vantagem/promoção é que na compra de um livro são enviados 2 livros.

NIB para transfer: 0010 000021688610001 47

Morada Postal em:  www.tdp-lda.pt

TDP – Edições

Rua do Progresso 495 Armazém 8

4455-534 Perafita

Após a transferência enviar comprovativo e morada para envio do livro para o mail:

[email protected]

18 de Outubro, 2010 Ricardo Alves

«Ofereçam-me aquilo que já uso», diz padre

Há uma igreja para os lados de Campolide que mete água. Literalmente. É propriedade do Estado, como todas as outras igrejas que, em 1911, se mantiveram propriedade do Estado mas foram cedidas gratuitamente para aí se continuar a realizar o culto católico.

O pároco local, não contente com celebrar cultos religiosos num edifício do Estado sem pagar renda, exige que a República lhe ofereça o edifício, graciosamente. (E fala em «roubo». Estranho roubo, em que o usufruto continua a ser de quem se diz «roubado»…)

Se a moda pegasse, todos os templos católicos do território que são propriedade do Estado poderiam ser reclamados pelas paróquias respectivas. «Gratuitamente».

O Ministério das Finanças já desceu o preço de venda para a bagatela de 233 mil euros. Deveria ser um pouco mais exigente, porque a confissão religiosa em causa é a mesma que constrói modestas catedrais de 70 milhões de euros.

[Esquerda Republicana/Diário Ateísta]

17 de Outubro, 2010 Ludwig Krippahl

Treta da semana: esperteza vegetal

Um artigo na Science, em Agosto, explica como as lagartas da traça Manduca sexta traem aos seus predadores a sua presença na planta do tabaco. Um composto na saliva da lagarta, ainda não identificado, catalisa a isomerização de compostos voláteis libertos pela planta danificada. O odor característico resultante desta reacção química atrai insectos do género Geocoris, que se alimentam destas lagartas.

Apesar do título do artigo ser descritivo e rigoroso, «Insectos traem-se na natureza aos predadores pela isomerização rápida de compostos voláteis de folha verde»(1), a notícia no DN Ciência baralha uma data de coisas. Além de omitir a referência ao original, por alguma razão prática corrente neste tipo de notícia*, e escrever mal o nome do segundo autor, dificultando a pesquisa, descreve que «as folhas das plantas do tabaco produzem um químico capaz de atrair insectos predadores que se alimentam dos seus atacantes – as lagartas.»(2)

O Mats, provavelmente lendo só a notícia no DN, deturpa ainda mais o artigo: «Impressionante como a planta descobriu por si só qual o químico certo para atrair os predadores certos para matar este tipo específico de lagarta.» E, com a típica humildade com que costuma abordar estas coisas, diz ser «Mais um sistema biológico que não pode ser explicado como o resultado de um lento acumular de mutações favoráveis.»(3) Na verdade, trata-se apenas de mais um de muitos sistemas e processos que o Mats não compreende.

Como os autores descrevem no seu artigo, é normal que as plantas libertem compostos voláteis quando são danificadas, compostos esses que frequentemente atraem predadores. Mas é errado ver isto como esperteza da planta. Devemos começar pela perspectiva do predador. Se os Geocoris fossem completamente azelhas, não sofriam muito com isso. O resultado seria uma proliferação tal de lagartas que, mesmo às cegas, haviam de encontrar que comer. Mas as variantes genéticas dos Geocoris competem entre si por um lugar na geração seguinte, e um insecto mais eficiente a procurar presas terá mais tempo e energia disponíveis para se reproduzir. Assim, a selecção natural favorece as variantes mais capazes de detectar as lagartas, desde que essa capacidade não seja demasiado dispendiosa.

Ao alterar os compostos voláteis libertados pela planta, as lagartas criam uma pressão selectiva nos Geocoris, favorecendo o aumento de sensibilidade a essa alteração. Isto não exige inteligência de nenhum dos intervenientes, e nem sequer é mérito da planta.

É claro que, se os predadores forem especialmente sensíveis a uma certa mistura de substâncias, isto cria uma pressão selectiva nas plantas. As variantes genéticas que levarem a planta a libertar mais dessas substâncias e, portanto, a atrair mais predadores, serão favorecidas com o passar das gerações. Por isso algumas plantas libertam odores específicos em resposta aos insectos herbívoros, atraindo outros que deles se alimentam. Isto também consequência da evolução por selecção natural. Mas, neste caso, nem sequer era esse o ponto do artigo. A ideia principal, como estava claro no título, é que são as próprias lagartas que se tramam pela alteração química dos compostos voláteis libertados pela planta. Se tivesse sido de propósito, tinha sido uma argolada das lagartas e não uma esperteza da planta.

Pior ainda, segundo a doutrina do Mats este sistema foi criado por um deus inteligente. O que não faz sentido nenhum. Criar uma lagarta que só come folhas e, ao mesmo tempo, um insecto que come a lagarta guiado pelo cheiro que ela liberta ao comer folhas não sugere inteligência. Se propositado, sugere apenas o ócio cruel da criança que se entretém a arrancar as asas às moscas. Mas, é claro, o Mats não sugere esta explicação. Nem esta, nem nenhuma. Alega apenas que é impossível explicar, como se a sua ignorância fosse a medida de todas as coisas. Porque esclarecer seria contrário ao seu objectivo.

O criacionismo, e a religião em geral, é uma ferramenta política. Serve para controlar as pessoas. E é mais fácil manipular quem anda espantado, às escuras e só com a fé para o guiar do que quem compreende as coisas, pensa por si e tem ideias claras. Por isso, o objectivo das doutrinas religiosas não é esclarecer. É tapar os horizontes com mistérios insondáveis, obscurecer ideias com conceitos confusos e convencer que as verdades profundas são contraditórias e impossíveis de compreender. Deus é bom e castiga, é transcendente e imanente, é três e é um, é divino e humano, age sem intervir. E é inteligente e bondoso mas faz as lagartas serem comidas pelo cheiro que deitam quando comem.

* O que é uma falta de consideração pelos autores originais e de uma chatice para quem quiser desembrulhar a confusão do jornalista.

1- Silke Allmann and Ian T. Baldwin, Insects Betray Themselves in Nature to Predators by Rapid Isomerization of Green Leaf Volatiles
2- DN Ciência, Planta do tabaco liberta químico que atrai predadores de lagartas
3- Mats, Planta do tabaco liberta químico que atrai predadores de lagartas

Também no Que Treta!

17 de Outubro, 2010 Carlos Esperança

Vaticano – Exportações em alta

Exportações em alta

Bento XVI proclamou hoje, perante mais de 80 mil peregrinos, seis novos santos: um polaco, um canadiano, uma espanhola, uma australiana e duas italianas. São quase todos religiosos, três delas fundadoras de congregações.

Nota: A indústria da santidade continua com a produção assegurada.

17 de Outubro, 2010 Carlos Esperança

Deus abandonou o Vaticano

Mais um escândalo a ensombrar o Vaticano.

O cardeal Crescenzio Sepe está a ser alvo de uma investigação por corrupção. Os factos remontam a 2005, quando dirigia a Congregação para a Evangelização dos Povos.

O cardeal é acusado de corrupção agravada, em conluio com Pietro Lunardi, um ex-ministro das Infraestruturas e dos Transportes do governo de Silvio Berlusconi.