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13 de Agosto, 2011 Carlos Esperança

Fátima – A peregrinação dos emigrantes

Enquanto Madrid espera o Papa e a vasta clientela que dará animação aos restaurantes, albergues e casas de diversão, a ICAR recebe hoje, em Fátima, emigrantes, em número mais reduzido e com esmolas mais contidas.

Fátima tem a maior área coberta da religião, em Portugal. Foi um centro de propaganda da ditadura depois de ter sido um instrumento de luta contra a República. A guerra fria deu-lhe uma enorme importância e converteu o local num centro de recolha de esmolas onde o dinheiro e o ouro abundaram. Hoje, a crise da fé e da economia tornam o sítio menos rentável, apesar das campanhas papais de marketing.

Também é verdade que os pastorinhos nunca conseguiram fazer um milagre de jeito. São mais os peregrinos que morrem na estrada do que os estropiados que se curam. Os joelhos dos devotos sangram nas maratonas beatas à volta da capelinha das «aparições» e as orações aliviam os crentes mas não produzem efeitos.

Não sei como os laboratórios farmacêuticos não usam a ave-maria como placebo nos ensaios duplo-cegos com que testam os medicamentos.

O paganismo é hoje um detonador da fé que se cultiva na Cova da Iria. Ninguém quer saber de deus, apenas a virgem é a mascote que recebe oferendas, obriga a sacrifícios e a quem se pagam promessas.

Ainda se vêem velhos combatentes com a farda da guerra colonial a agradecer o retorno à Pátria. Se foi a virgem Maria que os protegeu deve haver 13 mil defuntos a sofrer em silêncio a desatenção da dita senhora que aparece em locais improváveis para alimentar a superstição e manter o negócio da fé.

12 de Agosto, 2011 Carlos Esperança

Correio dos leitores

Acho que muitos dos que se dizem ateus já passaram, em algum momento, pelo tipo de discussão com algum religioso (ou qualquer pessoa que acredito, com ou sem motivos, em qualquer tipo de deus ou coisa do género), no qual se discute a prova da existência com o argumento de que “é só olhar para o sol, para o mundo tão perfeito, as coisas tão perfeitas… essa é a prova da existência de deus”… pois eu digo que essa é a prova de sua “não existência”… olhar para o mundo, todos seus organismos funcionando perfeitamente, e ao mesmo tempo tão frágil… isso é a maior prova que não existe deus.

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Ou seja, as raízes da superstição estão cravadas tão fundo na psique humana, que quase não é possível retirá-la depois de um certo tempo. então é melhor cortar o mal pela raiz…é por isso que desde pequena, minha filha sabe que deus existe, assim como o papai noel e o coelho da páscoa…

a) Cassio Junior

11 de Agosto, 2011 Carlos Esperança

Mutilação genital feminina

Os países democráticos e civilizados mantém uma estranha condescendência para com os crimes cometidos em contextos étnicos ou religiosos. A violência contra as mulheres faz parte de uma velha tradição misógina de que as religiões são herdeiras. Entre as barbaridades de que as mulheres são vítimas conta-se, em algumas comunidades, a mutilação genital feminina, um atentado contra a autodeterminação sexual que, com um sofrimento atroz, lhes rouba a satisfação sexual e, não raro, a vida.

Pode dizer-se que a mutilação genital feminina não é uma aberração do Corão nem um crime de natureza africana mas é em comunidades negras e sempre em contexto familiar islâmico que o crime tem lugar no seio da família.

A tradição é a mais abjecta desculpa para a complacência com a perpetuação de crimes que deviam ser perseguidos com o empenhamento das forças policiais, a vigilância cívica dos cidadãos e o rigor do código penal.

Será difícil erradicar, a curto prazo, a ignóbil tradição nas zonas africanas onde perdura, mas é inaceitável que meninas de famílias oriundas dessas zonas sejam sacrificadas em Vale da Amoreira, na Moita, em Portugal.

Apesar de considerada internacionalmente como grave violação dos direitos humanos, a OMS estima em mais de 140 milhões as vítimas submetidas a tal barbaridade e que cerca de três milhões se encontram todos os anos em risco, como recentemente revelou o Diário de Notícias.

Que tais crimes possam ter lugar em Portugal, que a impunidade os possa perpetuar e as autoridades os ignorem, é uma infâmia que envergonha Portugal e o torna cúmplice, também neste caso, da grosseira violação dos direitos humanos.

10 de Agosto, 2011 Carlos Esperança

Viagem de negócios paga pelos clientes

O custo da visita à Espanha do Papa Bento XVI na próxima semana vem sendo alvo das críticas de grupos laicos, num momento em que os espanhóis sofrem os efeitos da crise económica e dos fortes cortes no orçamento do governo.

O papa chega a Madri no dia 18 de Agosto para os últimos quatro dos seis dias das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), organizadas pelo Vaticano e para as quais se espera a presença de mais de um milhão de fiéis.

10 de Agosto, 2011 José Moreira

Estou quase…

Ao ver as imagens do que se passa em Inglaterra, estou quase a convencer-me de que, afinal, o Homem é mesmo criado à imagem e semelhança de Deus.

10 de Agosto, 2011 Carlos Esperança

As mentiras dos crentes e dos ateus

Hoje não vou falar da falsidade das religiões mas referir as mentiras de crentes e ateus. Há ateus que frequentam a missa e a eucaristia à espera da recomendação do padre ou do bispo para o emprego nas Misericórdias ou nas aulas de Moral num estabelecimento de ensino. São muitos os indiferentes às pessoas da Trindade, tanto lhe importando que sejam três ou trezentas, desde que resolvam as suas necessidades.

Não será difícil imaginar o entusiasmo com que os muçulmanos cumprem o Ramadão, não com medo de Alá, mas com receio de serem denunciados aos saprófitas de Maomé.

O medo é o grande estímulo da fé: medo do inferno, das perseguições, dos incómodos sociais, das vinganças dos prosélitos, etc. Não é por acaso que as religiões têm um distribuição geográfica definida e, sem a herança iluminista e a Revolução Francesa, ainda hoje seríamos todos católicos no território que foi do Império Romano.

Os mentirosos mais interessantes que conheço encontram-se nas caixas de comentários do Diário Ateísta. Começam por se dizerem ateus para, segundo julgam, ganharem alguma credibilidade e passam aos ataques ao ateísmo, à defesa das seitas religiosas, especialmente do catolicismo, aos insultos aos ateus (os deste blogue, claro) e à apologia de todas as mentiras eclesiásticas e da santidade do Director-geral da seita.

Às vezes, perdida a vergonha e esquecidos de que se definiram como ateus, chegam ao ponto de defender os embustes da ICAR a que chamam milagres e figuras sinistras que foram canonizadas como o Sr. Escrivà.

Bem-aventurados os mentirosos porque deles é o reino dos céus.

9 de Agosto, 2011 José Moreira

Humor de Verão – O “livre-arbítrio”

Quando acontece uma catástrofe natural – um violento e mortífero terramoto, por exemplo – é vulgar que alguns ateus, algumas vezes em jeito de provocação, perguntem aos crentes: “onde está o seu Deus?” tentando, dessa forma, argumentar que se Deus existisse e amasse os chamados “seus filhos”, certamente não permitiria que eles morressem daquela forma. As contra-argumentações dos crentes podem variar de estilo, mas a ideia permanece: Deus não interfere com o que se passa na Terra, pois deu-nos o “livre-arbítrio”, embora não se consiga perceber o que tem o “livre-arbítrio” a ver com os terramotos. Alguns crentes, mais evoluídos e mais cultos, asseguram que os terramotos são causados pela extracção de petróleo, o que é aceitável, porque esta coisa de mexer nas entranhas da terra há-de ter os seus custos. O que me leva a ter inveja de quem viveu até 1846, data em que foi instalado o primeiro poço de petróleo moderno. Mas também me leva a suspeitar de que em 1755 já alguém andava a escarafunchar o planeta… Mas não vamos por aí…
A maioria dos crentes entende que o “livre-arbítrio” é a faculdade de escolhermos entre o Bem e o Mal. É uma visão convenientemente redutora, mas não é verdadeira. O livre-arbítrio é, segundo o Dicionário da Porto-Editora, “o poder de escolher ou não escolher um acto ou uma atitude, quando não temos razão para nos inclinarmos mais para um lado do que para o outro.” Por outras palavras, é o poder de decidirmos o que nos der na real gana.
Se perguntarmos a um ateu e a um crente aonde é que vão passar férias no próximo ano, as respostas, diferentes e prováveis, serão: Ateu – “ainda não decidi”; “estou a hesitar entre as Seychelles e a Costa da Caparica”; “depende das «massas» ”. Crente – “Deus sabe se lá chegarei”; “sei lá, Deus é que sabe”; “olhe, vou para onde Deus quiser”. Ou seja: quem, verdadeiramente, tem o “livre-arbítrio” é o ateu, e não o crente. Porque o crente pensará, sempre, que a sua decisão dependerá, inevitavelmente, da vontade de Deus; enquanto o ateu estará, quando muito, dependente do dinheiro, da concordância da sogra, ou de outros percalços perfeitamente terrenos e, quase sempre resolúveis. Mas sempre com hipóteses alternativas, que o ateu pode escolher a seu bel-prazer.
De acordo com as crenças religiosas, Deus sabe tudo. Ou seja, também sabe aonde o crente vai passar as férias no próximo ano. O crente ainda não sabe, mas “Deus é que sabe”. Ou seja: o crente pode correr e saltar, que tudo o que fizer para passar as férias – pedir dinheiro emprestado, consultar mapas, escolher a roupa para levar – vai conduzi-lo, inevitavelmente… ao lugar que “Deus é que sabe”. Porque é para aí que vai, queira ou não, e por muito que pense que planeou sozinho. Ele apenas se limitou a cumprir os “desígnios de Deus”.
Livre-arbítrio, isto?