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17 de Dezembro, 2011 Ricardo Alves

Christopher Hitchens (1949-2011)

A doença que o matou ontem atingiu-o no pico da fama. E portanto será provavelmente mais recordado pelos pronunciamentos anti-teístas dos últimos anos do que pelos ataques anteriores à «Madre Teresa de Calcutá» e a Jerry Falwell, a Henry Kissinger e a Bill Clinton, à princesa Diana e à família real britânica.

Do grupo anglo-saxónico conhecido como os «Novos Ateus», Dawkins é o mais informado cientificamente, Dennett o filósofo, Sam Harris o radical e Hitchens é (era) o melhor escritor. Juntava uma vasta cultura erudita (e política) com um estilo de escrita fluente, preciso e humorístico, combinação só possível para um genuíno produto da região demarcada de Oxford. Após as décadas em que pensadores ateus se dedicavam a refutar a existência de «Deus», e quando o esforço já é mais provar que existe ética e moral fora da religião, devemos-lhe, enquanto ateus, a eficaz difusão da noção «anti-teísta» de que «Deus» não apenas não existe como seria péssimo que existisse (noção muito útil para contrapor aos religionários que aceitam as dúvidas sobre a existência d´«Ele» mas argumentam que a ideia de «Deus» é benfazeja e útil).

Hitchens era também, dos ateus hoje mais mediatizados, o que melhor entendia o papel histórico e político do anticlericalismo no combate a todas as formas de autoritarismo. Numa conferência em Lisboa, começou mesmo por citar Marx, no tal bitaite do «ópio do povo», que realmente significa que o homem (ou a mulher) se deve libertar da «alienação» religiosa para depois encetar o combate pela melhoria das suas condições materiais. Para Hitchens, derrubar ditadores ou derrubar santos dos altares era quase o mesmo. Como disse na última entrevista com Dawkins, «(…) para mim, o totalitário é o inimigo – aquele que é o absoluto, que quer controlar o interior da tua cabeça, não apenas as tuas acções e os teus impostos. E as origens disso são teocráticas, obviamente. O início disso é a ideia de que há um líder supremo, um Papa infalível, ou um rabino chefe, ou seja o que for, que serve de ventríloquo para o divino e nos diz o que fazer». O seu paralelo entre o Natal e a Coreia do Norte compreende-se.

O afastamento de Hitchens do trotsquismo terá começado em Portugal, onde observou em 1975 o nosso período revolucionário, numa das suas muitas reportagens da linha da frente dos conflitos mundiais. Afastar-se-ia ainda mais de alguma esquerda europeia em 1989, quando o aiatolá de Teerão emitiu um apelo ao homicídio de Salman Rushdie e muito poucos reagiram. Mais tarde, muitos se chocaram com o seu apoio à guerra do Iraque (embora esquecendo as suas críticas à tortura e à espionagem interna que a acompanharam), mas a coerência de Hitchens era o combate a todas as ditaduras (espirituais e materiais) e a defesa do pensamento livre e da liberdade do indivíduo. Os seus modelos eram Thomas Paine, Thomas Jefferson e George Orwell, todos eles heterodoxos e cosmopolitas.

Nos últimos meses, sabendo que o fim estava próximo, garantiu que não se converteria. Mais: afirmou que na hora final gostaria de estar «activo» e «olhando-a de frente e estar a fazer algo quando chegasse». Que tenha sido assim.

[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]

17 de Dezembro, 2011 Carlos Esperança

Deus é omnipotente…

A Conferência Episcopal da Holanda manifestou hoje “dor e vergonha” diante dos resultados de uma investigação que fala em milhares de crianças vítimas de abusos sexuais em instituições católicas, no país, entre 1945 e 2010.

Num comunicado citado pela Rádio Vaticano, os bispos holandeses e os representantes das congregações religiosas reconhecem a culpa dos autores destes atos, mas também das autoridades eclesiais que não agiram no “interesse prioritário” das vítimas, às quais apresentam um pedido de desculpas, que estendem às famílias.

 

16 de Dezembro, 2011 Carlos Esperança

Mensagem do presidente da AAP aos sócios

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) manifesta o seu mais profundo pesar pela morte de Christopher Hitchens, ocorrida ontem no “M. D. Anderson Cancer Center” em Houston.

Com o seu desaparecimento, aos 62 anos, ficam de luto todos os ateus, cépticos e livres-pensadores para quem este intelectual constitui uma referência relevante.

Dezenas de sócios da AAP tivemos o privilégio de assistir à notável conferência que Hitchens proferiu em 18 de Fevereiro de 2010, na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa. Lá esteve o livre-pensador, um dos maiores intelectuais do nosso tempo, a demonstrar a um imenso e interessado auditório a falsidade e os malefícios das crenças.

Um dos seus numerosos livros foi traduzido para português com o título «deus não é grande», uma obra essencial para se perceber «como as religiões envenenam tudo», mas o seu autor foi grande na coragem, na inteligência e no empenhamento com que combateu a superstição e desmascarou as mentiras das religiões.

Com Sam Harris, Richard Dawkins e Daniel Dennett, Christopher Hitchens foi um dos quatro grandes pedagogos contemporâneos que deram ao ateísmo a visibilidade que merece e que transmitiram os valores humanistas que nos libertam do totalitarismo a que as religiões condenam a humanidade.

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) manifesta enorme apreço e grade consideração pelo ateu desaparecido – o insubstituível Christopher Hitchens.

Penso poder dizer, em nome das centenas de ateus desta Associação, que todos estamos de luto e que todos saberemos honrar a sua memória e o seu exemplo.

16 de Dezembro, 2011 Luís Grave Rodrigues

Christopher Hitchens

Christopher Hitchens
(13 de Abril de 1949 – 15 de Dezembro de 2011)


Christopher Hitchens, morreu ontem no “M. D. Anderson Cancer Center” em Houston.
Tinha 62 anos de idade.

Um excelente obituário pode ser visto no «New York Times»

16 de Dezembro, 2011 Abraão Loureiro

Obrigado Christopher

http://www.youtube.com/watch?v=crTE9RvRt_c
http://www.youtube.com/watch?v=YZ3KQa8ZL-s

14 de Dezembro, 2011 Carlos Esperança

Franco e o Vale dos Caídos

Creio que foi do El País que traduzi estas doridas palavras:

« O que não se pode tolerar mais é que numa democracia como a espanhola se perpetue a homenagem monumental a um genocida (mais de 114.000 execuções premeditadas e ordenadas ao mais alto nível, a maior parte depois da vitória, prisões e depurações maciças impostas retroactivamente aos republicanos, sequestros de crianças, etc.), quem mais sequestrou à força a vontade dos espanhóis durante mais de três décadas».

Nota: A Igreja católica foi cúmplice dos crimes deste pio facínora – Francisco Franco.

 

13 de Dezembro, 2011 Ricardo Alves

Vão chamar «Deus» à vossa tia

Não há pachorra para os jornalistas que se referem ao bosão de Higgs como «a partícula de Deus». Dá vontade de lhes responder: ai sim? Então «Deus» é um bosão escalar sem spin? E o «luminoso» fotão não é a «partícula de Deus» porquê? Porque o descobrimos há mais tempo? E se o Higgs é a sua própria anti-partícula, isso quer dizer que o diabo é treta ou quer dizer que «Deus» é o «Diabo»? E em que parte da Bíblia é que dizia que o Higgs tinha uns 125 GeV? E se «Ele» for representado nos diagramas de Feynman, os muçulmanos zangam-se? E, finalmente, a questão crucial: se o Higgs é «Deus», como é que não consegue violar CPT?
[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]
13 de Dezembro, 2011 Abraão Loureiro

Sou religioso

E vou provar o que digo.

Um dia sentado num banco de jardim e fumando o meu querido cigarro tranquilamente, fui abordado por uma repórter agarrada ao microfone que me questionou sem mais nem menos:

– O senhor acha que o cigarro lhe faz bem?

– Primeiro ponto. O que eu acho é meu, o que os outros acham é deles.

Segundo ponto. O cigarro é a minha religião.

– Mas porque o considera uma religião?

– Pelo mesmo motivo que os religiosos de outras crenças afirmam que lhes faz bem à alma.

– Não entendi a sua resposta.

– Simples. Todo o local de culto provoca uma carga psicológica sobre as pessoas e por isso dizem que sentem uma paz profunda quando entram num templo. Esta carga emocional é gerada pelo efeito do espaço ornamentado com uma simples cruz ou outros adereços tais como pinturas, esculturas, etc. dependendo da religião que praticam. No meu caso, é o cigarro que me provoca esse tipo de efeito.

– Mas o fumo faz mal à saúde!

– As outras religiões também fazem mal à saúde, provocam danos cerebrais e outros. Ouvimos falar de pessoas muito apegadas à religião que sofrem muito sem o saberem, por motivos vários. As doenças do foro psiquiátrico são silenciosas e por norma não são os enfermos que procuram ajuda médica.

As pessoas afirmam que se conseguem encontrar a si próprias dentro de uma igreja. Que os seus pensamentos fluem de forma diferente. Acontece que nos locais de culto as pessoas estão despojadas dos seus bens caseiros. Tv e rádio ligados quase 24 horas, vozes de vizinhos, aves chilreando e outros sons diversos.

Eu carrego a minha cruz dependendo do cigarro, porque psicologicamente acredito que consigo ter um comportamento melhorado. Penso melhor, as ideias surgem com mais facilidade, sinto-me mais tranquilo, consigo ser mais racional e etc. e tal.

– Então está a dizer-me que fumar faz bem!

– Não! Nada disso, mesmo sabendo que cada corpo reage de forma diferente. Mas vou mais além. Ao contrário dos outros religiosos que vivem uma vida de submissão e sabendo que nunca tiraram vantagem alguma, eu digo aos não fumadores: Amigos, se vocês se sentem bem sem fumar, por favor nem sequer experimentem porque a dependência vai causar montes de problemas. Esses problemas podem ser de vária ordem, desde saúde até ao desgaste financeiro ou até todos juntos num só.

Agora diga-me, a senhora já teve conhecimento de um crente que em conversa com um descrente lhe tenha dito: Olha meu amigo, se você se sente feliz por não crer em nenhum deus, por favor nem experimente frequentar uma igreja pois você vai ser um joguete nas mãos dos outros e vai ser explorado de todo o jeito e feitio. Seja sincera e responda-me, conhece algum caso destes?

 

Não obtive resposta.

13 de Dezembro, 2011 Carlos Esperança

ICAR e bula fiscal em Itália

Por

E – Pá

 

Bons velhos tempos: Silvio Berlusconi (ex-chefe do Governo italiano) e o cardeal Angelo Bagnasco (presidente da conferência episcopal italiana e “administrador” do vastíssimo património imobiliário…) Foto colhida aqui link

Um oportuno artigo de El País em que se dá a conhecer a dimensão do património imobiliário da Igreja em Itália e como a isenção de impostos que actualmente desfruta distorce a realidade (e a equidade) fiscal neste País. link