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28 de Junho, 2012 Ricardo Alves

O debate sobre a circuncisão na Europa

A circuncisão é praticada por pessoas de duas comunidades religiosas originárias do Médio Oriente. Por ser dogma dessas duas religiões, aceita-se na Europa que cortar parte da pele do pénis das crianças do sexo masculino, sem razões médicas, não seja crime. Nunca compreendi porquê: a paternidade (ou a maternidade) não podem, em qualquer sociedade civilizada, dar o direito aos pais de cortar partes dos corpos dos filhos. E se se trata de um dogma religioso tão importante, que esperem que as crianças tenham idade para dar o seu consentimento informado (lá para os dezasseis anos, por exemplo).
Felizmente, o assunto começa a ser debatido. Na Alemanha, um Tribunal de Colónia deliberou que o direito de uma criança à sua integridade física era mais importante do que os direitos dos pais. Na Noruega, discute-se a proibição pura e simples, e na Holanda há um apelo nesse sentido de uma associação médica.
Evidentemente, não vão tardar os gritos de «islamofobia» e «anti-semitismo» daqueles que acham que a «religião» e a «cultura» têm direitos sobre os corpos de crianças que nem idade têm para compreender o que lhes estão a fazer.
[Esquerda Republicana/Diário Ateísta]
26 de Junho, 2012 Carlos Esperança

Ateísmo para religiosos

Por

Kavkaz

O padre Anselmo Borges escreveu mais um dos seus habituais artigos no jornal DN, intitulado “Religião para ateus”. Sabemos que os padres têm um “calcanhar de Aquiles”: o ateísmo. Por mais que digam que o ateísmo tem pouca expressão na sociedade, este é manifestamente o alvo da frustração religiosa. Compreende-se, indicarem algo atual sobre os deuses é que lhes será impossível, pois nada têm para relatar deles. Os deuses não existem!

O padre colunista relata ter encontrado um ateu convicto, Alain de Botton, que escreveu um livro intitulado “Religion for Atheists”. Só pelo título do livro e pelo apoio caloroso do padre Anselmo Borges já estaremos a imaginar o “ateu”. Estarão bem um para o outro.

O tema que os entusiasmou a escrever é o da “solidão” e o da “vulnerabilidade perante o fracasso profissional”. Ambos elogiam a “Missa”, lugar de encontro de conhecidos e desconhecidos”. Criticam os centros comerciais, onde as pessoas também se encontram e convivem.

O padre Anselmo Borges escreve: “As religiões, porém, são mais realistas em relação ao ser humano e, por isso, sabem dar orientações concretas para os vários domínios da existência”. Aqui, engana-se. As orientações dos padres podem servir para alguns, mas não servirão para muitos. Ensinar a viver é o objetivo deles, mas quantas vezes encontramos os padres com uma vida pouco exemplar para ser seguida? Que interessa ter uma “boa” teoria formatada, se a prática que apresentam é claramente contrária ao que “ensinam”? São os outros que têm de fazer bem e os padres podem fazer mal?

As religiões são expansivas e agressivas. Tentam impor regras e colocar as pessoas a cumprir o que o clero lhes indica. Intrometem-se demasiadas vezes na vida alheia com as suas indicações, instruções, para “corrigirem” o que entendem ser o “caminho errado” nas suas ideias formatadas. De tanto se intrometerem na vida dos outros chega-se, tantas vezes, às vias de facto, às guerras. É que nem todos estão disponíveis e precisam das “lições” velhas e desfasadas da realidade dos religiosos. Estes querem sempre dominar e mandar. Pensam que eles é que sabem e têm a “sabedoria” máxima. E mesmo que isso fosse verdade, que não é, teriam a obrigação de respeitar as posições diferentes dos outros, mesmo que entendessem ser erradas. O que não fizeram tantas vezes ao longo da História!

Anselmo Borges não quer dizer que há muitas formas de fazer amizades nos nossos dias, se as pessoas o desejarem, claro. Só a missa é que garante uma amizade? Será ridículo pensar isso. Um ateu não precisa da missa e pela razão séria de não desejar pagar para ouvir as mentiras religiosas dos padres. Um ateu estudou e concluiu que os deuses não existem. Não faz sentido convidarem-no para a missa. Será criancice dos religiosos propor tal. Queremos conversar? Há tantos oportunidades para tal, a família, vizinhança, grupos de interesses, os museus, cafés, estádios, internet, lojas, etc., etc. Basta querer conversar! Não proponham aos ateus a Missa cantada. Para o ateu isso seria como propor-lhe a “pobreza franciscana” e o atraso mental. Os ateus merecem e querem mais que a mentira religiosa!

O padre Anselmo Borges não fala dos custos da religião. São imensos e incomportáveis para boa parte da sociedade que empobrece ao manter as igrejas e sustentando todo o clero. Isto ele omite, propositadamente, no seu artigo. Não deveria fazê-lo em nome da “honestidade intelectual”.

26 de Junho, 2012 Luís Grave Rodrigues

Moralidade

26 de Junho, 2012 Carlos Esperança

Deriva fascista do Vaticano

O Vaticano contratou Greg Burke, jornalista da Fox News Network e integrante do grupo católico conservador Opus Dei, para melhorar as relações com veículos de comunicação, informou a Reuters no último sábado (23/6).
25 de Junho, 2012 Carlos Esperança

D. João V, Alberto João Jardim e outros biltres

António José da Silva, o Judeu, foi um escritor e dramaturgo que sofreu as torturas da Inquisição mas, contrariamente a outros membros da sua família, teve a sorte de ser garrotado antes de ser queimado, em auto-de-fé.

Este iluminista era provavelmente judeu, uma abominação que o Concílio de Trento, antecipando-se a Hitler, desejou erradicar, numa época em que a Igreja católica não admitia a incineração dos mortos, talvez porque a destinava aos vivos suspeitos de heresia, bruxaria, judaísmo e outras abominações.

O Judeu, como era conhecido, chamou ao senhor D. João V «grande governador da Ilha dos Lagartos», labéu que não merecia um rei magnânimo que mandou fazer para Mafra um sino de 10 mil quilos e dois carrilhões com mais de 200 toneladas. O esmagamento das mãos foi o aviso para tal ousadia, embora a solução final lhe estivesse reservada.

O que chamaria hoje ao Governador da Ilha das Bananas, um pequeno arquipélago de 300 mil habitantes, situado no continente africano, e que ao futebol, à Igreja e às festas tem dado o apoio que lhe garantiu perpetuar-se no cargo, por eleições, e tornar-se o mais antigo governante africano?

Alberto João Jardim concedeu em dez anos cerca de 100 milhões de euros em subsídios a obras e instituições religiosas embora, como é seu hábito, mesmo para fins piedosos, grande parte esteja por pagar. Claro que o velho salazarista não compreende o que é a laicidade e, daí, que se tenha comprometido com 3,5 milhões de euros para a igreja do Livramento, no Funchal, enquanto o Centro Regional de Segurança Social entraria com meio milhão de euros e a Câmara do Funchal com 325 mil. Pode não haver comida para os mendigos da Madeira mas não faltam casas para o serviço divino.

No último domingo, 24 de junho, foi inaugurada mais uma imponente igreja na Calheta pois os fiéis cansaram de rezar sempre na mesma. A igreja do Atouguia foi benzida pelo Sr. Bispo, que presidiu à cerimónia, e lançou incenso às pituitárias do presidente do Governo Regional, do presidente da Câmara, do pároco e do Sr. Duarte Pio, alegado pretendente ao imaginário trono de Bragança que, talvez à falta de sacristão autóctone, foi importado do Continente.

O Governo Regional, dada a folga orçamental, comprometeu-se com 1.000.000 de euros e a Câmara Municipal com 300.000 e, assim, foi Deus servido de dispor de mais 857,6 m2 de área coberta ao serviço da fé de Roma, da autoria do arquiteto do costume.

25 de Junho, 2012 José Moreira

Uma origem do “buraco”…

… porque, certamente, haverá mais. Mas o Tribunal de Contas (serve para quê?) se procurar bem, encontrará as razões de muitos buracos orçamentais. Na República das Bananas da Madeira, por exemplo: “A nova igreja do Atouguia, na Calheta, inaugurada no domingo com a presença do presidente do Governo Regional da Madeira , Alberto João Jardim, é o 14.º templo construído nas duas últimas décadas com financiamento público. Ao todo, custaram ao orçamento regional 18,6 milhões de euros, não incluindo as comparticipações das câmaras e do Centro Regional da Segurança Social.”

Não sei quem foi que disse que estávamos num país laico…

24 de Junho, 2012 Carlos Esperança

Paolo Gabriele, Tedeschi e ámen…

Por

E – Pá  

Um mês após a prisão do mordomo pessoal de Bento XVI e da sua detenção nas celas do Vaticano – acusado de ser o ‘corvo’ (responsável pelas incómodas ‘filtrações’ e, ainda, de conspirar contra o papa – não surgiu qualquer luz sobre o caso que parece alongar-se em direcção ‘à eternidade’, como é usual nestes processos com grandes doses de misticismo à mistura.

Paolo Gabriele permanece incomunicável e o sepulcral secretismo que rodeia todas as diligências assemelha-se, podemos dizê-lo, a um véu negro que tudo envolve na mais profunda obscuridade e atinge todos – desde o simples mordomo até ao influente ‘banqueiro de deus’, Ettore Gotti Tedeschi, membro da Opus Dei e amigo pessoal de Bento XVI, sumariamente demitido pelo secretário de Estado cardeal Tarcisio Bertone.

Ontem, o papa que aparentemente se manteve alheado (ou foi colocado fora) dos problemas, resolveu descer á Terra e imiscuir-se directamente nos venais assuntos que inquinam o Vaticano tendo recebido (convocado?) em audiência privada cinco (5) cardeais: George Pell (Arcebispo de Sidney); Marc Ouellet (Prefeito da Congregação para os Bispos), Jean-Louis Tauran (Presidente do Pontíficio Conselho para o Diálogo Interreligioso); Camillo Ruini (Vigário Geral emérito para a Diocese de Roma), Jozef Tomko (Prefeito emérito da Congregação para a Evangelização dos Povos).

O motivo oficial desta ‘reunião’ informal : “Em razão da força da grande e variada experiência dos senhores cardeais a serviço da Igreja, não somente no âmbito romano mas também internacional, o Papa resolveu encontrá-los ainda neste sábado, para uma troca de considerações e sugestões para contribuir a reestabelecer o tão desejado clima de serenidade e de confiança no que tange os trabalhos da Cúria Romana.” link

O grande ausente: o cardeal Bertone. Exactamente o centro de toda a polémica e um homem que, indiferente aos acontecimentos, continua a exercer as suas funções até a um próximo episódio que esclareça a amplitude do problema que como sabemos passa por iniludíveis e dramáticas questões: desde a ‘limpeza’ das contas do Instituto de Obras Religiosas (IOR/Banco do Vaticano) até à sucessão na chefia dos católicos, onde cada vez mais o ‘Espírito Santo’ joga um papel secundário.

Assim vai a ICAR…