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28 de Novembro, 2012 Carlos Esperança

O Diário de uns Ateus e os crentes

Conheço e aprecio quase todas as grandes catedrais católicas da Europa, bem como os templos protestantes e ortodoxos, alguns templos budistas e mesquitas.

Do Brasil ao Canadá, de Lisboa a Roma, de Atenas a Marrocos, de Efésio a Londres, da Tailândia aos EUA, nunca deixei de apreciar a arte sacra: a arquitetura, a escultura, a pintura e a música. O ateísmo que perfilho, há mais de meio século, nunca me embotou a sensibilidade ou me levou a desequilíbrios psíquicos que me transtornassem em sítios onde os crentes cantam, rezam e se divertem em festejos místicos.

Nunca pensei entrar num templo para fazer a apologia do ateísmo, gozar os crentes que se ajoelham, rastejam e espojam ao som do latim, do grego, do árabe ou da língua autóctone.

Desprezo as crenças, divertem-me os sinais cabalísticos, condoo-me com os embustes com que o clero explora, aterroriza e torna infantis os crentes, mas não interfiro entre o clérigo quer vigariza e o crédulo que cai no conto do vigário.

Podia esperar a mesma postura dos avençados da fé que entram no Diário de uns Ateus como piolhos em costura. Vêm com surro no cérebro e ódio no coração, fartos de rezas e água benta, a cheirar a incenso e fumo de velas, com o mesmo fanatismo que leva os judeus a quererem derrubar o Muro das Lamentações à cabeçada e os muçulmanos que desejam abrir a porta do Paraíso com explosivos.

Eu sei que a fé os enlouquece, que as orações os embotam e os jejuns os debilitam, mas os padres podiam ensinar-lhes o tino que lhes falta e as maneiras que se usam em casa alheia. Mas vá lá alguém convencer um doido de que não é o Napoleão.

Alguns crentes prometem não regressar ao Diário de uns Ateus. Enquanto ruminam o ato de contrição prometem não voltar, mas voltam sempre. Garantem não voltar a pôr aqui os pés. Mas põem. TODOS.

27 de Novembro, 2012 Abraão Loureiro

27 de Novembro, 2012 Carlos Esperança

O Papa, o negócio da fé e os expedientes pios

Que um homem, celibatário por convicção, e papa, graças ao centralismo democrático dos consistórios, se dedique à criação de cardeais e santos, ao fabrico da água benta e à promulgação de indulgências, compreende-se por dever do múnus e necessidade de arrecadar receitas.

Já a atribuição de milagres a defuntos de comportamento duvidoso, em vida, e desfeitos pelos anos de defunção, parece um embuste para supersticiosos que levaria mulheres de virtude a tribunal e ciganos à prisão. Tal como os exorcismos para tirarem demónios do corpo dos que são crentes. Não há um único caso de um ateu atacado por demónios.

Sempre admirei o olfato papal para descobrir, entre milhões de defuntos, o taumaturgo que curou uma queimadura, desentrevou uma freira ou erradicou um cancro. Sabe-se que a fé é uma graça mas não é de graça. Custa dinheiro. E não é com missas, novenas e benzeduras de medalhinhas que se oleia a máquina do Vaticano. Os Anos Santos que já tiveram um ritmo predefinido são agora quando um papa quiser, mas os proventos das indulgências plenas minguam ao ritmo das dádivas para as alminhas do Purgatório.

A abolição do Limbo foi neutra em prestações monetárias mas a extinção do Purgatório foi demolidora para os rendimentos da ICAR. A progressiva secularização de países que o papa tinha como protetorados arrasou as contribuições financeiras.

Só o medo do Inferno, sobretudo na fase de decadência dos crentes, leva ainda, através dos lares, a deixar heranças à Igreja, com a conivência dos Estados que a exoneram de impostos e descuram a investigação sobre o modo como se transferem fortunas para as instituições pias.

O medo de perderem votos leva os partidos dos países democráticos a condescenderem com a espoliação dos velhos e a transferência de bens para uma instituição que vende na Terra a assoalhada que a superstição religiosa almeja no Paraíso.

Os Estados devem impor a laicidade e fiscalizar a transferência de bens de doentes senis e/ou terminais.

26 de Novembro, 2012 Carlos Esperança

A Escalada Beata e as Agressões Religiosas

Enquanto os judeus ortodoxos se agarram à Bíblia e à faixa de Gaza, os muçulmanos debitam o Corão e se viram para Meca e os cristãos evangélicos dos EUA ameaçam o Irão e a teoria evolucionista, os conflitos religiosos e o terrorismo regressam à Europa.

A emancipação do Estado face à religião iniciou-se em 1648, após a guerra dos 30 anos, com a Paz de Vestefália, e ampliou-se com as leis de separação dos séc. XIX e XX, sendo paradigmática a lei de 1905, em França, que instituiu a laicidade do Estado.

A libertação social e cultural do controlo das instituições e símbolos religiosos foi um processo lento e traumático que se afirmou no séc. XIX e conferiu à modernidade ocidental a sua identidade.

A secularização libertou a sociedade do clericalismo e fez emergir direitos, liberdades e garantias individuais que são apanágio da democracia. A autonomia do Estado garantiu a liberdade religiosa, a tolerância e a paz civil.

Não há religiões eternas nem sociedades seculares perpétuas. As três religiões do livro, ou abraâmicas, facilmente se radicalizam. O proselitismo nasce na cabeça do clero e medra no coração dos crentes.

Os devotos creem na origem divina dos livros sagrados e na verdade literal das páginas vertidas da tradição oral com a crueza das épocas em que foram impressas.

Os fanáticos recusam a separação da Igreja e do Estado, impõem dogmas à sociedade e perseguem os hereges. Odeiam os crentes das outras religiões, os menos fervorosos da sua e os sectores laicos da sociedade.

Em 1979, a vitória do «ayatollah» Khomeni, no Irão, deu início a um movimento radical de reislamização que contagiou Estados árabes, largas camadas sociais do Médio-Oriente e setores árabes e não árabes de países democráticos.

Por sua vez, o judaísmo, numa atitude simétrica, viu os movimentos ultraortodoxos ganharem dinamismo, influência e armas, empenhando-se numa luta que tanto visa os palestinianos como os setores israelitas laicos.

O termo «fundamentalismo» teve origem no protestantismo evangélico norte-americano do início do séc. XX. Exprimiu o proselitismo, a recusa da distinção entre o sagrado e o profano, a difusão do deus apocalíptico, cruel, intolerante e avesso à modernidade, saído da exegese bíblica mais reacionária. Esse radicalismo não parou de expandir-se e contamina o aparelho de Estado dos EUA, mesmo com os democratas no poder.

O catolicismo, desacreditado pela cumplicidade com regimes obsoletos (monarquias absolutas, fascismo, ditaduras várias), debilitou-se na Europa e facilitou a secularização. O autoritarismo e a ortodoxia regressaram com João Paulo II, que arrumou o concílio Vaticano II e recuperou o Vaticano I e o de Trento.

João Paulo II transformou a Igreja católica num instrumento de luta contra a modernidade, o espírito liberal e a tolerância das modernas democracias. Tem sido particularmente feroz na América Latina e autoritária e agressiva nos Estados onde o poder do Vaticano ainda conta, através de movimentos sectários de que Bento XVI foi herdeiro e protetor, se é que não esteve na sua génese.

A chegada ao poder de líderes políticos que explicitam publicamente a sua fé, em países com fortes tradições democráticas, foi um estímulo para os clérigos e um perigo para a laicidade do Estado. Por outro lado constituem um exemplo perverso para as populações saídas de velhas ditaduras (Portugal, Espanha, Polónia, Grécia, Croácia), facilmente disponíveis para outras sujeições.

A interferência da religião no Estado deve ser vista, tal como a intromissão militar, a influência tribal ou as oligarquias, como uma forma de despotismo que urge erradicar. A competição religiosa voltou à Europa. As sotainas regressam. Os pregadores do ódio sobem aos púlpitos. A guerra religiosa é uma questão de tempo a que os Estados laicos têm de negar a oportunidade. Só o aprofundamento da laicidade nos pode valer.

Talvez por isso o ódio de B16 à laicidade se tornou patológico. E do Islão nem vale a pena falar.

26 de Novembro, 2012 Miguel Duarte

Festa do Fim do Mundo

Ouvimos dizer que o mundo vai acabar … outra vez…

E o que poderá haver melhor que uma festa para celebrarmos o fim do mundo ou o Solstício ou a 6ª feira?

No dia 21 de Dezembro, pelas 21h, aparece no Vox Café mascarado da tua figura apocalíptica preferida e vem celebrar o fim do mundo!

Festa do Fim do Mundo

Imagem retirada de http://www.humortimes.com/3004/the-end-of-the-world/

Entre as 21h e as 23horas – a entrada inclui jantar. A partir das 23h a entrada será livre

Ementa Buffet “Festa do Fim do Mundo”

Creme de Cenoura c/ Abóbora
Salada Mista
Salda de feijão Frade c/ Atum
Saladinha de Polvo
Pastéis de Bacalhau
Croquetes
Quiche Vegetariana
Quiche de Frango e Cogumelos
Legumes Panados
Frango Assado
Carne Assada
Salada de Frutas
Bolo de Bolacha

Bebidas incluídas: Água, Sumo de Laranja, Chá Gelado, 7UP, Pepsi-Cola

Preço p/ pessoa: 10€

Nota: Apesar das bebidas alcoolicas não estarem incluídas no preço do buffet, a festa do fim do mundo não é abstémia.

Morada – Voz do Operário, Rua Voz do Operário 13 1100 Lisboa

Inscrições para o jantar via Meetup ou via Facebook.

A Festa do Fim do Mundo é uma iniciativa Vox Café n’A Voz do Operário em conjunto com a COMCEPT e o Humanismo Secular Portugal.

25 de Novembro, 2012 Carlos Esperança

O Papa, a criação de cardeais e a de frangos

É mais fácil criar cardeais do que criar frangos. Os primeiros são mamíferos e mamam a vida inteira; os segundos são granívoros e, em liberdade, fazem pela vida esgaravatando a terra; os cardeais usam o báculo e a mitra para ganharem a vida faustosa; os frangos servem-se do bico e das unhas para sobreviverem.

Os frangos servem para alimentar as pessoas; os purpurados alimentam-se delas. Quem cria os galináceos são as donas de casa que decidem quando os depenam, chamando-os ao som do piu!, piu!; os cardeais são criados pelo Papa que os chama em latim e decide quando podem depenar a diocese. Há bispos que perdem a cabeça por causa da mitra e frangos que perdem a vida por causa da mitra, que é a sua parte mais saborosa, mas têm destinos diferentes.

O papa B16 criará no próximo sábado seis novos cardeais vindos de várias partes do mundo. O número de frangos criados no Planeta são milhares de milhões que abanam a crista; os cardeais são em número reduzido e agitam o Cristo. Os frangos dão belos churrascos que deliciam os gourmets; os cardeais abdicaram do churrasco dos hereges porque a secularização lhes reduziu os poderes.

Um frango distingue-se de um cardeal porque o primeiro reveste o ânus com a mitra e o segundo cobre com ela a cabeça. A criação de frangos é universal e transversal a todas as religiões; a de cardeais é exclusiva do Papa e a capoeira é o Vaticano.

Não é preciso ser erudito para distinguir um galo de um cardeal. A utilidade e o volume são diferentes.