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26 de Março, 2013 Carlos Esperança

A laicidade como condição de sobrevivência

A luta partidária nos países democráticos, com a necessidade de atrair votos, tem levado os Estados laicos à cumplicidade com as religiões, ultrapassando a garantia da liberdade de culto – como é seu dever –, e subordinando-se aos interesses da religião dominante.

A globalização trouxe consigo a possibilidade de expansão de todos os credos à escala mundial, aspiração de todos os apóstolos, que desprezam a concorrência. Na Europa os cristãos ortodoxos procuram manter privilégios ancestrais e conquistar os países da ex- URSS; o Vaticano pretende opor um dique ao islão e atrair os anglicanos enquanto combate o secularismo e a laicidade; as seitas evangélicas desejam penetrar no mercado enquanto o Islão, ressentido com o seu atraso e o fracasso da civilização árabe, procura islamizar o mundo à bomba.

Em 2010, a Suécia sofreu o primeiro acto de terrorismo suicida cuja origem apontou para a demência islâmica. Segundo documentos dos EUA, difundidos pela WikiLeaks, a Catalunha é o principal centro do islamismo radical no Mediterrâneo. Na memória dos europeus perduram os atos terroristas de 11 de Março de 2004, na estação ferroviária de Alcalá, em Espanha, os atentados de 7 de Julho de 2005 no metro de Londres, a onda de ameaças por causa dos cartoons de Maomé, na Dinamarca, e o medo da Alqaeda.

Se os crentes das várias religiões se limitassem a salvar a alma que acreditam ter e não tivessem a obsessão de salvar as dos que não querem, tudo seria calmo. Nenhum cético, ateu, livre-pensador ou agnóstico se interessa pelo número de orações que rezam os crentes, pelos jejuns a que se submetem, a abstinência que guardam, os alimentos que proscrevem ou a vida sexual que têm. O problema reside no desvario de quem pretende impor aos outros os seus valores particulares, convencido de cumprir a vontade do deus que lhe impuseram.

A Física, a Química e a Biologia, por exemplo, todos os dias mudam e enriquecem com novas descobertas. As ciências, apesar do azedume das religiões, progridem a um ritmo que deixa a fé, desorientada, a ruminar livros antigos e velhos preconceitos.

O horror clerical ao secularismo só rivaliza com a aversão dos papas ao preservativo. Os judeus, menos de 20 milhões, ainda reclamam a herança divina da Palestina para as suas tribos. Os islamitas, desesperados, agarram-se ao Corão como náufragos a uma jangada, sem espírito crítico, com ódio ao progresso, à liberdade individual e à modernidade.

A re-islamização da Turquia é um intuito perigoso contra o espírito laico das suas elites, uma obsessão do atual primeiro-ministro adepto dos tapetes para as orações. A Espanha enfrentou, com B16, a fúria papal que a queria devolver ao redil do Vaticano e o assédio do islamismo que a pretende transformar num novo califado.

Ai da Europa, ai de nós, da liberdade, da herança do Iluminismo e da modernidade, se os Estados, com a conivência de uma esquerda pouco inteligente e de uma direita beata, abdicar da laicidade e deixar o fanatismo religioso à solta numa sofreguidão prosélita.

Sem laicidade, imposta sem subterfúgios, a Europa das Luzes pode regredir e tornar-se o espaço beato onde o poder democrático ceda o lugar à vontade do deus que ganhar a batalha da fé pela força das armas e pelo terror.

25 de Março, 2013 Carlos Esperança

O Diário de uns Ateus e os crentes assanhados

Andam por aqui alguns crentes à espera da penitência pelos pecados cometidos. Vêm, ansiosos, para agradarem ao seu deus. Não sei se é o desejo de mortificação que os atrai, se a inútil vontade de nos converter. Podiam ser mais originais no que escrevem, mas limitam-se a se subservientes para com os Papas e a debitar louvores a um defunto mais antigo – Jesus Cristo. Depois, repetem até à náusea a prosa e a convicção.

Os créus têm as igrejas, os órgãos de comunicação social, a Concordata, os padres, a água benta, o incenso, as orações e a eucaristia para ruminarem a fé numa posição de privilégio. Todavia arribam a este espaço de incréus onde não se apela ao terço, não se recomendam orações, não se reconhecem milagres nem a bondade do Papa.

Aqui é um espaço de liberdade onde a Declaração Universal dos Direitos do Homem é a Bíblia que nos une, onde a igualdade dos sexos e a não discriminação por questões de raça, religião ou cor são o único credo. Aqui, no Diário de uns Ateus, consideramos que não há a mais leve suspeita da existência de Deus nem qualquer razão para pôr pessoas de joelhos e aliená-las com orações. Não reconhecemos à água benta mais valor do que à outra, nem à hóstia, depois de consagrada, mais calorias do que antes.

Os valores da liberdade, da igualdade e da fraternidade, que a Revolução Francesa nos legou, são incompatíveis com o direito divino e com as ameaças e castigos com que os seus padres atemorizam. O Inferno somos nós que o fazemos, aliás, sois vós, os crentes. O Vosso Senhor, que se zanga com os homens que procuram a felicidade, que tem uma multidão de clérigos a administrar uma treta a que chamam sacramentos, que aliena as pessoas com ladainhas e orações, é uma ficção perigosa de raiz totalitária.

O Vosso Senhor, o deus que as religiões vendem, com atributos pouco recomendáveis e mau feitio, é uma invenção muito antiga, adaptada ao longo dos séculos e imposta com a barbaridade de que só os clérigos são capazes.

Nós sabemos que Deus vos ama. Não deixem que vos troque por nós, ateus, que apenas queremos que nos deixe em paz.

 

24 de Março, 2013 Carlos Esperança

O Papa dos pobres…

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O PAPA DOS POBRES…

 

 

Por

João Pedro Moura

O papa Chico parece que se inclinou para o apostolado dos pobres…

Matéria esta que nem é original, na Igreja, mas se avigorou com o novo papa…

Os pobres para aqui… e os pobres para acolá… parece ser o lema dele…

Quanto às causas da pobreza… ainda não disse nada…

… Nada de novo, também, nessa matéria, quanto à essência do discurso eclesiástico e papal… diferentemente de Francisco de Assis, antigo boémio medieval, que, nos primórdios do séc. XIII, com 20 e poucos anos, na Praça de Santa Maria, em Assis, se despojou das roupas e das riquezas, ante o seu pai, o bispo e demais assistentes, e partiu nu para junto dos pobres…

Uma frase que Francisco de Assis ouviu numa missa, serviu de chamamento à sua mudança de vida:

Mateus 10:7-10

“E, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus.
Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demónios; de graça recebestes, de graça dai.
Não possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos,
Nem alforges para o caminho, nem duas túnicas, nem alparcas, nem bordão; porque digno é o operário do seu alimento.  “

Mas isso já passou…

Esta nova palhaçada papal, “os pobres”, veio para ficar e vai fazer carreira, porque não falta matéria-prima que a alimente…

Prevejo um revigoramento da figura papal, personificada no Chico esperto do Bergoglio, que encontrou um bom e sensível filão para cativar apoios e esconjurar velhas, repetitivas e corrosivas malevolências, decerto que inspiradas pelo Maligno…

Entretanto, vejamos as imagens, que ilustram este artigo, dalguns “pobres”, comodamente sentados na Praça de S. Pedro, assistindo à pomposa cerimónia do início do pontificado do “papa dos pobres”…

24 de Março, 2013 Abraão Loureiro

Ajudem-me

Com que finalidade Deus criou o Homem?
Porque lhe deu o nome de Adão?
Se a intenção foi criar um produto único, deveria ficar-se apenas por “Homem”!
Deus criou a Mulher a pedido do Adão. Então isto demonstra incapacidade de previsão à distância.
Se o planeta já estava repleto de bicharada com machos e fêmeas, qual a vantagem em criar mais um animal de estimação? Seria esse deus nessa data ainda uma criança brincalhona ou já seria um velho manipulador?

 

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22 de Março, 2013 Carlos Esperança

Citações

«Não há salvação em nenhum outro [para além de Jesus], porque, sob o céu, nenhum outro nome foi dado aos homens pelo qual devamos ser salvos». (Actos4:12).

«O Evangelho segundo São Marcos tem cerca de 40 versículos explicitamente antissemitas. Incluem a cena teatral fictícia de Pôncio Pilatos, que foi o verdadeiro assassino de Jesus, perguntando-se inocentemente o que fez Jesus para merecer a ira dos sacerdotes e da multidão de judeus, enquanto os Judeus gritam mais de uma vez a Pilatos «crucifica-o»». (S. Marcos 15:6-15).

«O Evangelho segundo S. Lucas tem cerca de 60 versículos explicitamente antissemitas. Apresenta João Baptista a chamar aos judeus que acreditavam que ser judeus era o caminho para Deus «raça de víboras» que iriam sofrer «com a ira que os ameaçava»». (S. Lucas 3:7-9).

«O Evangelho segundo S. Mateus tem cerca de 80 versículos explicitamente anti-semitas. Neles, São Mateus conta como João Baptista chamava aos Judeus, os chamados fariseus e saduceus, «raça de víboras», epíteto que pôs também na boca do próprio Jesus quando se dirige aos judeus que são fariseus como «raça de víboras», como podeis dizer coisas boas, vós que sois maus?». (São Mateus 3:7 e 12:34).

«Os Actos dos Apóstolos têm cerca de 140 versículos explicitamente antissemitas. Apenas 8 dos seus 28 capítulos estão isentos de antissemitismo».

«O Evangelho segundo S. João contém cerca de 130 versículos antissemitas. (…). O Jesus de S. João acusa os Judeus de o tentarem matar. (…) O Jesus de S. João conclui que aqueles que o rejeitam, os Judeus, «pertencem ao (seu) pai, o Demónio»». (S. João 7:28 e 8:37-47).

«Só estes cinco livros contêm versículos explicitamente antissemitas suficientes, num total de 450, para haver em média mais de dois por cada página da edição oficial católica da Bíblia».

Fonte: A Igreja Católica e o Holocausto – Uma dívida moral, de Daniel Jonah Goldhagen.

Nota: Que fazer com um livro que prega o ódio e cujos crentes estão convencidos de conter a palavra do seu Deus?

Com estas citações espero responder aos crentes de boa fé me chamaram mentiroso pois não há na Bíblia (Novo Testamento) qualquer manifestação de antissemitismo.

«Bem-aventurados os ignorantes porque deles é o reino do Céu».

20 de Março, 2013 Carlos Esperança

MARIA CAVACO SILVA E O VÉU

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Por

João Pedro Moura

O que é que aquela senhora está ali a fazer de véu na cabeça???!!!

É norma da casa, obrigar as senhoras a usarem véu, ante o papa???!!!

Se não é, para que é que ela usa???!!!

Qual a relação entre usar véu e estar diante do papa???!!!

Nos tempos hodiernos, ver uma mulher a usar véu ante o papa, sem que o seu homem também use, remete-nos para costumes ancestrais, em que as mulheres usavam véu nas igrejas, sobretudo até ao Concílio Vaticano II, embora não fosse obrigatório…

…Mas o véu era sinal de submissão feminina, recato, pudor, enfim, coisas totalmente dissonantes, há muito tempo, com a igualdade entre homens e mulheres, trazida pela mentalidade contemporânea dos “direitos humanos”…

Uma mulher de véu submisso é rebaixar-se à condição inferior das mulheres de antanho e equiparar-se à condição das mulheres muçulmanas, que o usam…

Nos tempos bíblicos, havia mulheres com véus, em sinal de submissão feminina, mas também algumas sem o mesmo, em sinal de libertação feminina…
As que não usavam eram, normalmente, as prostitutas, viúvas e esposas adúlteras… porque não tinham dono…

Mas, para esclarecer as coisas, não há nada como consultar o verdadeiro fundador do cristianismo, Paulo de Tarso, que traça a doutrina cristã, isto é, paulina, em matéria capilar…
…Dando para fazer uma ideia da conceção cristã sobre a mulher…

1 Coríntios 11:3-15:

Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o homem, e o homem a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo.
Todo o homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta, desonra a sua própria cabeça.
Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada.
Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu.
O homem, pois, não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus, mas a mulher é a glória do homem.
Porque o homem não provém da mulher, mas a mulher do homem.
Porque também o homem não foi criado por causa da mulher, mas a mulher por causa do homem.
Portanto, a mulher deve ter sobre a cabeça sinal de poderio, por causa dos anjos.
Todavia, nem o homem é sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no Senhor.
Porque, como a mulher provém do homem, assim também o homem provém da mulher, mas tudo vem de Deus.
Julgai entre vós mesmos: é decente que a mulher ore a Deus descoberta?
Ou não vos ensina a mesma natureza que é desonra para o homem ter cabelo crescido?
Mas ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso, porque o cabelo lhe foi dado em lugar de véu.