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3 de Maio, 2013 Carlos Esperança

O Vaticano e o seu banco

O novo Papa é um homem que vem de fora da Cúria, do fim do mundo, mas os primeiros sinais políticos «não são bons». É muito difícil fazer mudanças, como se viu com Ratzinger, principalmente no banco do Vaticano.

(De uma entrevista do Público, hoje, de Sofia Lorena a Eric Frattini)

 

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3 de Maio, 2013 Carlos Esperança

F-1 e B-16 – União de facto?

Com a chegada de B16 ao Vaticano vivem 2 Papas no bairro de 44 hectares.

É a primeira vez, depois de 600 anos, que o bairro suporta dois papas, igualmente infalíveis, embora o primeiro tenha perdido o alvará.

2 de Maio, 2013 Carlos Esperança

A loucura dos homens e a maldade de Deus

Morrer devido à gravidez ou cumprir 50 anos de prisão por abortar

Dilema de Beatriz, impedida de abortar sob pena de ser acusada de homicídio agravado, levantou uma onda de indignação em El Salvador.

Uma mulher gravemente doente e grávida de 20 semanas de um feto anencefálico – sem parte do cérebro – corre risco de morte devido à proibição do aborto em El Salvador. Beatriz, que já apelou ao Tribunal Constitucional do seu país e ao Tribunal Iberoamericano de Direitos Humanos (CIDH), espera agora que o Governo abra uma exceção para que possa abortar.

1 de Maio, 2013 David Ferreira

Somos apenas

Somos. E questionamo-nos o porquê de sermos e o que somos apenas porque somos.

Houve um tempo em que não eramos o que somos e como tal não questionávamos. Mas já havia. O Universo já era muito antes de nós sermos o que somos, muito antes de o sabermos. Como tal, também já eramos. Porque somos parte dele. Somos uma parte do Universo. Só não o sabíamos porque não eramos como somos.

Quando não sabíamos que eramos também o Universo, uma ínfima parte da sua vastidão, inventámos explicações para o que eramos porque nos tornámos acidentalmente como somos e não o compreendemos. E fomos evoluindo. Porque, tendo reconhecido que eramos, sonhámos e inventámos. E porque para inventar tivemos necessidade de questionar. De questionar o Universo e de nos questionarmos. Só não sabíamos que eramos o Universo. Por isso imaginámos outros Universos, extrínsecos ao Universo e a nós, para explicar o que eramos, incapazes de saber o que eramos quando não eramos o que somos e como somos.

Surgimos apenas, por acaso. E julgámos que para surgir tínhamos de ser criados. Porque a ilusão de tudo o que observamos surge de algo. Só não sabíamos que eramos uma parte do Universo a questionar-se sobre si próprio e que não fomos criados, porque já eramos sem o conhecer, apenas não como somos. E agora que o sabemos, porque continuamos a não aceitar o que somos?

Somos insignificantes perante a grandeza do Universo que somos também. A única subtileza do acaso que nos torna especiais é a capacidade que temos para o reconhecer. Nós, o Universo que somos.

29 de Abril, 2013 Carlos Esperança

Esta tarde triste e pardacenta – cenas do quotidiano

Avança fria e chuvosa a tarde em Coimbra. Da janela da minha biblioteca, com os pés sobre a escalfeta, gozo o conforto pequeno-burguês de 44 anos de trabalho e descontos, enquanto os estarolas do Governo me deixarem, e olho pela janela.

Vejo uma vez mais o homem de cerca de quarenta anos que revolve o lixo do contentor que fica no lado oposto da rua. Observo os gestos lentos com que retira algo que leva à boca e mastiga. Não sei se é alienado ou apenas um desesperado que vem aconchegar a mucosa gástrica com vitualhas conspurcadas por bactérias que habitam o lixo.

Hesito entre chamá-lo a partilhar os restos abundantes de uma refeição em que sobram sempre alimentos para uma boca mais ou deixá-lo cumprir um ritual que todas as tardes me incomoda. O temor da sua reação impõe-se à solidariedade que me exige chamá-lo.

Não posso sentir-me confortável no habitat que me coube. Quando à minha volta vejo a miséria e fico inerte também eu me torno miserável. O homem partiu enquanto escrevia este desabafo. Amanhã, ou depois, lá virá de novo a este caixote, ou a outro, enquanto o medo ou o preconceito me tolhe um gesto humano e fazem de mim outro miserável que vê o semelhante a chafurdar no lixo que ali deixei, a recolher os resíduos de quem ainda não tem necessidade de o disputar.

Que raio de sociedade! Ainda hei de saber quem é aquele homem, este irmão de que não sei o nome, morada, se a tem, ou o passado, se isso interessa. Devia, pelo menos, saber como posso ser-lhe útil.

É esta tragédia que as religiões aproveitam para a conquista do poder.