Racionalizar a premissa de uma primeira causa não causada argumentando que tudo teve uma causa é uma armadilha grotesca de ginástica intelectual.
Se tudo teve uma causa, não pode haver uma primeira causa e se a capacidade que possuímos para deduzir uma primeira causa não causada pode ser aduzida como justificativa de tal possibilidade, a capacidade que igualmente possuímos para racionalizar uma causa causada ad infinitum destrói impiedosamente qualquer noção de primeira causa.
É perante este simples raciocínio que toda a apologética que tenta viabilizar não só a conceção de Deus como também a sua irredutível inegabilidade, implode no seu próprio paradoxo.
Enquanto os beatos gostam de qualquer papa, por mais sinistro ou pusilânime que seja, é natural que um ateu, sobretudo anticlerical, deteste o representante máximo da única teocracia europeia, o chefe absoluto de um bairro mal frequentado, o offshore onde as máfias e as sotainas branqueiam dinheiro e a Cúria conspira.
O Vaticano é uma criação de Benito Mussolini, um enviado da Providência, segundo o papa de turno durante o apogeu do fascismo. Deve-se aos acordos de Latrão a criação do único Estado sem maternidade e onde o poder é de origem divina, quer para lavar o dinheiro no banco privativo (IOR) quer para as orgias que privadamente aí têm lugar.
O Vaticano exporta títulos eclesiásticos, bênçãos apostólicas, indulgências e atestados de milagres, tudo trocado por emolumentos porque, como dizia o arcebispo Marcinkus, que João Paulo II não deixou que a polícia italiana lhe deitasse a mão, a Igreja não se governa com ave-marias.
O atual Papa que, como pessoa, parece normal e, para papa, um homem bom, acaba por regressar aos exorcismos e às canonizações. Já ameaçou com a canonização de um par de papas, por atacado.
João XXIII foi, para Papa, uma pessoa de bem, até se descobrir a carta confidencial que ameaçava de excomunhão quem denunciasse os crimes de pedofilia na Igreja, incluindo as próprias vítimas. Além disso, e tirando as mentiras pias, era um dos raros Papas com quem não era vergonha tomar o pequeno almoço.
João Paulo II, protetor de todas as ditaduras de direita, e amigo dos respetivos ditadores, foi uma estrela pop que brilhou no firmamento dos espetáculos religiosos e nas missas de ação de graças. Era um político reacionário que combateu, de facto, as ditaduras de esquerda, mas abençoou as de direita.
A santidade que o par de papas com a canonização em curso tiveram como profissão e estado civil, readquirem-na agora na sua defunção onde já não respondem a perguntas comprometedoras nem reincidem nos atos que os envergonharam.
A Igreja católica tem dois mil anos de passado pouco recomendável mas o seu estertor ainda vem longe. O negócio da santidade e das relíquias continua. Só crê quem quer.
Os berberes já habitavam o território da atual Argélia dez mil anos antes da era vulgar e, quando a lepra islâmica alastrou como mancha de óleo, no século VIII, ainda resistiram, mas acabaram por converter-se ao mais primário e belicista dos monoteísmos.
A sedução dos cinco pilares islâmicos é ajudada pelo assanhado proselitismo e profundo constrangimento social. O monopólio da educação, assistência médica e distribuição de alimentos, em sociedades saídas do colonialismo, ajudam à difusão do manual terrorista que dá pelo nome de Corão.
Junte-se a fanatização, que começa na infância, nas madraças e mesquitas em países que não conheceram o Iluminismo e vivem numa civilização falhada – a civilização árabe –, e temos a perversão que teimamos em julgar paradigma de grupos isolados, sem darmos conta das ambições prosélitas prosseguidas à bomba por voluntários que esperam ter 72 virgens a aguardá-los no Paraíso.
Foi assim que, em dezembro de 1991, a Frente Islâmica de Salvação (FIS) teve uma vitória estrondosa na 1.ª volta das eleições e, perante o terror da sharia, a Frente de Salvação Nacional (FSN) cancelou a 2.ª volta. Perante a ditadura, a Europa sossegou e desinteressou-se dos 150 a 200 mil mortos da guerra civil que se seguiu.
Recordo aos mais desatentos o que está a suceder no Egito e ao que acontecerá, a prazo, na Turquia, os dois maiores e mais influentes países de maioria islâmica, que a vontade de Maomé pretende submeter à vontade de Alá, tendo a sharia como horizonte.
No Cairo, cristãos, democratas e diversos grupos sem consistência ou até antagónicos, motivados pela crise económica, uns, e pelo medo da sharia, quase todos, expuseram-se à repressão numa corajosa resistência à liturgia das 5 orações diárias e à imposição de se virarem para Meca.
Uma vez mais triunfou a ditadura que estava escrita nos astros. Um golpe militar nunca garante a democracia, mas adia a consolidação da teocracia. Muitas vidas se perderão na guerra civil que se adivinha e os muçulmanos não são piores do que os cristãos ou ateus. O que é efetivamente pior é o Islão, na sua obstinada demência, comum ao cristianismo, de tentar impor aos outros o Deus que deviam guardar para si.
Os países democráticos, mais interessados no mercado de matérias primas, sobretudo do petróleo, descuram a exigência do respeito pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. E a laicidade continua a ser adiada onde se erguem mesquitas e almenaras.
João Vale e Azevedo, que se encontra no estabelecimento prisional da Carregueira a cumprir mais cinco anos e meio de prisão, ingressou pela vida religiosa e foi nomeado ajudante do padre, escreve o Correio da Manhã. Além disso, assume pela primeira vez os seus crimes e mostra-se arrependido.
Polícia italiana deteta mais transferências suspeitas no banco do Vaticano
A polícia italiana detetou mais 13 transferências de dinheiro suspeitas, através do banco do Vaticano, noticiou hoje o jornal Corriere della Sera.
O diário afirmou que o monsenhor Nunzio Scarano, detido na passada semana, terá alegadamente oferecido as suas contas para transferir dinheiro de amigos.
O papa Francisco iniciou sua revolução pacífica com a limpeza do controverso Banco do Vaticano, cujos principais diretores se viram obrigados a renunciar ao cargo por um escândalo de corrupção e por suspeitas de lavagem de dinheiro.
O diretor-geral da maior entidade financeira do Vaticano, o Instituto para as Obras Religiosas (IOR), Paolo Cipriane, e seu vice-diretor, Massimo Tulli, apresentaram na noite de segunda-feira sua renúncia três dias após a detenção por fraude e corrupção do Administrador de Património da Santa Sé, monsenhor Nunzio Scarano, mais conhecido como “monsenhor 500”, por carregar sempre notas com esse valor elevado em euros.
A comissão de cardeais e bispos do Vaticano reuniu-se esta terça-feira para analisar e assinar o caso da candidatura para a santidade a João Paulo II, o último passo antes da aprovação final do Papa Francisco.
Uma das possíveis datas para a canonização do antigo Papa polaco é o dia 8 de dezembro, festa da Imaculada Conceição, dia de comemorações para a Igreja Católica, informa a agência de notícias italiana «ANSA».
O futuro santo é o da esquerda (na foto).
A Igreja católica protegeu os seus fundos das condenações por abusos sexuais.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.