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7 de Julho, 2013 David Ferreira

Hóstia dominical – III

Racionalizar a premissa de uma primeira causa não causada argumentando que tudo teve uma causa é uma armadilha grotesca de ginástica intelectual.

Se tudo teve uma causa, não pode haver uma primeira causa e se a capacidade que possuímos para deduzir uma primeira causa não causada pode ser aduzida como justificativa de tal possibilidade, a capacidade que igualmente possuímos para racionalizar uma causa causada ad infinitum destrói impiedosamente qualquer noção de primeira causa.

É perante este simples raciocínio que toda a apologética que tenta viabilizar não só a conceção de Deus como também a sua irredutível inegabilidade, implode no seu próprio paradoxo.

 

7 de Julho, 2013 Carlos Esperança

Vaticano – uma no cravo outra na ferradura

Enquanto os beatos gostam de qualquer papa, por mais sinistro ou pusilânime que seja, é natural que um ateu, sobretudo anticlerical, deteste o representante máximo da única teocracia europeia, o chefe absoluto de um bairro mal frequentado, o offshore onde as máfias e as sotainas branqueiam dinheiro e a Cúria conspira.

O Vaticano é uma criação de Benito Mussolini, um enviado da Providência, segundo o papa de turno durante o apogeu do fascismo. Deve-se aos acordos de Latrão a criação do único Estado sem maternidade e onde o poder é de origem divina, quer para lavar o dinheiro no banco privativo (IOR) quer para as orgias que privadamente aí têm lugar.

O Vaticano exporta títulos eclesiásticos, bênçãos apostólicas, indulgências e atestados de milagres, tudo trocado por emolumentos porque, como dizia o arcebispo Marcinkus, que João Paulo II não deixou que a polícia italiana lhe deitasse a mão, a Igreja não se governa com ave-marias.

O atual Papa que, como pessoa, parece normal e, para papa, um homem bom, acaba por regressar aos exorcismos e às canonizações. Já ameaçou com a canonização de um par de papas, por atacado.

João XXIII foi, para Papa, uma pessoa de bem, até se descobrir a carta confidencial que ameaçava de excomunhão quem denunciasse os crimes de pedofilia na Igreja, incluindo as próprias vítimas. Além disso, e tirando as mentiras pias, era um dos raros Papas com quem não era vergonha tomar o pequeno almoço.

João Paulo II, protetor de todas as ditaduras de direita, e amigo dos respetivos ditadores, foi uma estrela pop que brilhou no firmamento dos espetáculos religiosos e nas missas de ação de graças. Era um político reacionário que combateu, de facto, as ditaduras de esquerda, mas abençoou as de direita.

A santidade que o par de papas com a canonização em curso tiveram como profissão e estado civil, readquirem-na agora na sua defunção onde já não respondem a perguntas comprometedoras nem reincidem nos atos que os envergonharam.

A Igreja católica tem dois mil anos de passado pouco recomendável mas o seu estertor ainda vem longe. O negócio da santidade e das relíquias continua. Só crê quem quer.

 

6 de Julho, 2013 Carlos Esperança

O Egito, o Islão e a democracia

Os berberes já habitavam o território da atual Argélia dez mil anos antes da era vulgar e, quando a lepra islâmica alastrou como mancha de óleo, no século VIII, ainda resistiram, mas acabaram por converter-se ao mais primário e belicista dos monoteísmos.

A sedução dos cinco pilares islâmicos é ajudada pelo assanhado proselitismo e profundo constrangimento social. O monopólio da educação, assistência médica e distribuição de alimentos, em sociedades saídas do colonialismo, ajudam à difusão do manual terrorista que dá pelo nome de Corão.

Junte-se a fanatização, que começa na infância, nas madraças e mesquitas em países que não conheceram o Iluminismo e vivem numa civilização falhada – a civilização árabe –, e temos a perversão que teimamos em julgar paradigma de grupos isolados, sem darmos conta das ambições prosélitas prosseguidas à bomba por voluntários que esperam ter 72 virgens a aguardá-los no Paraíso.

Foi assim que, em dezembro de 1991, a Frente Islâmica de Salvação (FIS) teve uma vitória estrondosa na 1.ª volta das eleições e, perante o terror da sharia, a Frente de Salvação Nacional (FSN) cancelou a 2.ª volta. Perante a ditadura, a Europa sossegou e desinteressou-se dos 150 a 200 mil mortos da guerra civil que se seguiu.

Recordo aos mais desatentos o que está a suceder no Egito e ao que acontecerá, a prazo, na Turquia, os dois maiores e mais influentes países de maioria islâmica, que a vontade de Maomé pretende submeter à vontade de Alá, tendo a sharia como horizonte.

No Cairo, cristãos, democratas e diversos grupos sem consistência ou até antagónicos, motivados pela crise económica, uns, e pelo medo da sharia, quase todos, expuseram-se à repressão numa corajosa resistência à liturgia das 5 orações diárias e à imposição de se virarem para Meca.

Uma vez mais triunfou a ditadura que estava escrita nos astros. Um golpe militar nunca garante a democracia, mas adia a consolidação da teocracia. Muitas vidas se perderão na guerra civil que se adivinha e os muçulmanos não são piores do que os cristãos ou ateus. O que é efetivamente pior é o Islão, na sua obstinada demência, comum ao cristianismo, de tentar impor aos outros o Deus que deviam guardar para si.

Os países democráticos, mais interessados no mercado de matérias primas, sobretudo do petróleo, descuram a exigência do respeito pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. E a laicidade continua a ser adiada onde se erguem mesquitas e almenaras.

5 de Julho, 2013 Carlos Esperança

Depois da lavagem, começa a limpeza

Começa a “limpeza” no Banco Vaticano

O papa Francisco iniciou sua revolução pacífica com a limpeza do controverso Banco do Vaticano, cujos principais diretores se viram obrigados a renunciar ao cargo por um escândalo de corrupção e por suspeitas de lavagem de dinheiro.

O diretor-geral da maior entidade financeira do Vaticano, o Instituto para as Obras Religiosas (IOR), Paolo Cipriane, e seu vice-diretor, Massimo Tulli, apresentaram na noite de segunda-feira sua renúncia três dias após a detenção por fraude e corrupção do Administrador de Património da Santa Sé, monsenhor Nunzio Scarano, mais conhecido como “monsenhor 500”, por carregar sempre notas com esse valor elevado em euros.

5 de Julho, 2013 Carlos Esperança

Humor

joelhos

4 de Julho, 2013 Carlos Esperança

Vaticano aprova João Paulo II como santo

A comissão de cardeais e bispos do Vaticano reuniu-se esta terça-feira para analisar e assinar o caso da candidatura para a santidade a João Paulo II, o último passo antes da aprovação final do Papa Francisco.

Uma das possíveis datas para a canonização do antigo Papa polaco é o dia 8 de dezembro, festa da Imaculada Conceição, dia de comemorações para a Igreja Católica, informa a agência de notícias italiana «ANSA».

O futuro santo é o da esquerda (na foto).

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