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18 de Dezembro, 2013 Carlos Esperança

O primeiro santo da CIA

Um dos futuros santos da Igreja, João Paulo II colaborou com a CIA

Com a sua canonização prevista para 2014, o papa João Paulo II, hoje na lista dos beatos católicos, foi um dos colaboradores mais leais da CIA

Com a sua canonização prevista para 2014, o papa João Paulo II, atualmente na lista dos beatos católicos, foi um dos colaboradores mais leais da Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), antes mesmo de ser eleito para o pontificado católico romano. A sua primeira audiência como Papa foi dada ao diretor geral da agência norte-americana de informações, William Casey, em 1978.

17 de Dezembro, 2013 Carlos Esperança

Humor

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17 de Dezembro, 2013 Carlos Esperança

José de Anchieta, os milagres e a santidade

José de Anchieta, espanhol de famílias ricas, amigo de Inácio Loyola, depois de várias peripécias, acabou a evangelizar o Brasil, que é a forma com que se designa a conversão à força, naqueles tempos em que se levava numa das mãos a cruz e na outra a espada.

O padre Anchieta ensinou latim aos índios, língua que não os fez eruditos mas os tornou cristãos. O padre José de Anchieta, com outros jesuítas, começou o difícil trabalho de conversão, catequese e educação com índios tapuias, pouco dados à cultura e à devoção, sobretudo devido aos assassinatos e pilhagem das suas aldeias, bem como às tentativas de escravização das tribos indígenas, ao longo da costa, pelos colonos portugueses.

José de Anchieta, em defunção desde 9 de junho de 1957, tornou-se padroeiro do Brasil e, dadas as funções, entendeu João Paulo II, quando agilizou a indústria da santidade, elevá-lo a beato, em 22 de junho de 1980.

Os brasileiros, isto é, o cardeal arcebispo de Aparecida, contente com a distinção, quer agora a canonização do ex-aluno do Real Colégio das Artes de Coimbra, ora património da Humanidade. O padroeiro popular do Brasil não pode ser menos do que o indefetível apoiante de Francisco Franco, Santo Escrivà e numerosos defuntos de duvidosa virtude. Nisso têm razão.

O processo de canonização do beato Anchieta, encalhado à espera de um milagre, está a acelerar, após a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ter mandado uma carta ao papa Francisco pedindo que o Apóstolo do Brasil seja declarado santo. Desta vez vai, porque «O prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, cardeal Angelo Amato, pediu que seja encaminhada, no mais breve tempo possível, a Positio, texto com a biografia de Anchieta, a relação de prováveis milagres e provas de fama de santidade» – lê-se na Tribuna do Norte, de ontem.

Ora, fama de santidade é o que mais tem. Venha o proveito.

16 de Dezembro, 2013 Carlos Esperança

Presa por atentado ao pudor

Annette Kellerman promove o Direito das mulheres ao usar um maiô em 1907.

Ela foi presa por atentado ao pudor.


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16 de Dezembro, 2013 Carlos Esperança

As crenças, os crentes e a convivência pacífica

Há uns tempos fui convidado para um colóquio realizado sob os auspícios do «diálogo inter-religioso», circunstância que me fez refletir sobre a oportunidade da presença ateia num simpósio onde as conferências seriam proferidas por um budista, um judeu, um católico (padre), um protestante evangélico e um ateu.

Refletindo sobre o amável convite e, depois de ter pensado se a conferência de um ateu faria sentido, no âmbito de um diálogo inter-religioso, cheguei à conclusão de que, se alguém estaria a mais, seriam os crentes.

Lembrei-me do automobilista que ia em contramão na autoestrada e que, ao ouvir pela rádio que um condutor circulava do lado errado, pensou que eram todos. Acontece que no pensamento, tal como na condução, a verdade não se determina pelas maiorias. Não era por todos pensarem que o Sol girava à volta da Terra que Galileu estava errado ou a Terra interrompia o movimento de rotação.

Seja quem for que detém a verdade, aspeto que agora enjeito, pensei, e penso, que é mais fácil o diálogo entre quem não tem qualquer crença e mudará de opinião, se os factos ou a ciência o justificarem, do que entre os crentes, com verdades absolutas, irrevogáveis e eternas.

Os crentes estão cheios de certezas e os ateus crivados de dúvidas. Como método, parto do princípio de que todos podem ter razão ou de que esta não asiste a ninguém. Por isso entendo que a verdade não é passível de escrutínio. Esta postura serve-me no ateísmo e na política. A liberdade foi excomungada por Pio IX, o Islão julga-a obra de Satanás e os totalitarismos um furúnculo que corrói o poder absoluto.

Sem prejuízo das convicções profundas que me animam não abdico do contraditório. A intolerância nasce das verdades absolutas e da certezas eternas.

No fim desse colóquio, enquanto um dos crentes se furtou ao almoço, levando consigo o ódio, e outros crentes me olhavam com azedume, eu olhei-os com bonomia porque não combato os crentes, batalho contra as crenças.