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20 de Janeiro, 2014 Carlos Esperança

As mutações de Deus

Enquanto os animais, ao longo da história, sofreram modificações genéticas que melhoraram as espécies e transformaram o género humano em seres cada vez mais evoluídos, Deus não sofreu mutações que o fizessem progredir e o tornassem melhor.

As mutações divinas que empobreceram o produto original foram introduzidas pelos charlatães que fabricam Deus, sem terem em conta os benefícios dos clientes, olhando aos seus interesses exclusivos.

O Islão clonou o Deus judaico-cristão, sem conhecer a cultura helénica nem o direito romano. Produziu um aborto que o profeta Maomé, analfabeto e rude, converteu num perigoso inimigo da humanidade e em violento fator de retrocesso civilizacional.

Para piorar as coisas, Deus, per se um produto defeituoso, ficou nas mãos dos clérigos cujo poder depende da subserviência dos fiéis, da autoridade que conseguem impor e do terror que infundem.

É este o dilema da civilização: ou afasta o clero do poder ou perde os homens para a modernidade, a democracia e o progresso. Deus está a mais num processo de transformação social. É um elemento perturbador da felicidade humana.

As mortes diárias do Iraque depois da cruzada dos cristãos contra Saddam Hussein são a medida da ação das crenças ao serviço do extermínio dos crentes da concorrência.

20 de Janeiro, 2014 Carlos Esperança

Fátima e os milagres eleitorais

De:

José Ribeiro

Se para um cristão adulto, Fátima é um embuste, para um católico praticante também não é matéria de Fé. No entanto todos sabemos que em Portugal existe muita gente que acredita numa coisa que nunca estudou e que não tem ponta por onde se lhe pegue. Mas o poder autárquico que tem gasto milhões aos erário público sem que seja disciplinado, retira dos contribuintes muito dinheiro para promover passeios à borla para uns quantos irem ao local onde se iniciou a grande mentira. Se querem ir, que vão, mas PAGUEM DO SEU BOLSO! Este regabofe tem de acabar de vez!

1 – IDENTIFICAÇÃO E CONTACTOS DA ENTIDADE ADJUDICANTE
NIF e designação da entidade adjudicante:
506663264 – Município de Vila Nova de Famalicão
Serviço/Órgão/Pessoa de contacto: Departamento Municipal Administrativo e Financeiro – Área de Concursos
Endereço: Praça Álvaro Marques
Código postal: 4764 502
Localidade: Vila Nova de Famalicão
Telefone: 00351 252320900
Fax: 00351 252323751
Endereço Eletrónico: [email protected]

2 – OBJETO DO CONTRATO
Designação do contrato: Concurso Público n.º 09/13/DAS – Aluguer de autocarros de passageiros para a Viagem a Fátima
Tipo de Contrato: Aquisição de Serviços
Valor do preço base do procedimento 130000.00 EUR
Fonte:http://www.dre.pt/sug/2s/cp/gettxt.asp?s=udr&iddip=407043577

 

18 de Janeiro, 2014 Carlos Esperança

Baixou o preço das canonizações

A santidade custa os olhos da cara. Quem julga que só os vivos se dividem em classes e estas se sujeitam às inclemências do mercado, ignora o que custa a um defunto chegar à santidade.

São pesados os emolumentos para investigação de milagres, para transformar as graças recebidas, alegadas pelos crentes, em milagres certificados com a chancela do Vaticano. É inútil a dimensão do prodígio se a Sagrada Congregação para a Causa dos Santos não rubricar o milagre. Não se criam beatos e santos de graça, apesar das graças.

Quantos defuntos de países pobres, exímios a curarem achaques, a endireitar espinhelas caídas, a alinhar corcundas, a transformar coxos em maratonistas ou a sarar moléstias da pele, não ficaram no anonimato de crentes que lhes beijaram o retrato ou lhes dirigiram preces a troco de uma novena ou de uma simples ave-maria?

L’Osservatore Romano, Diário do Reino do Vaticano, informou na última quarta-feira, através do cardeal italiano Angelo Amato, que foi criada uma «lista de preços «como referência».

A medida, em vigor desde o princípio do ano, pretende – segundo o referido cardeal –, «inspirar-se num sentido de sobriedade e igualdade», a fim de evitar uma «desproporção de valor entre as várias causas».

A decisão, de acordo com o órgão oficial do Vaticano, resulta de uma colaboração entre a Congregação para a Causa dos Santos e as várias dioceses, que durante alguns meses apresentaram as suas despesas à Santa Sé.

O cardeal italiano não se tem esquecido de apelar à realização de donativos para ajudar ao financiamento de «causa pobres», isto é, de defuntos de elevado potencial milagreiro cuja simplicidade não atrai o mecenato de devotos ricos, injustiça que o Papa Francisco quer corrigir, tentando acabar com certos privilégios para um maior equilíbrio dentro da Igreja que conta com 1,2 mil milhões de batizados.

Os milagres não são exclusivos das dioceses ricas e da bondade dos crentes abastados.

17 de Janeiro, 2014 José Moreira

Ele não pára

Ao que parece, o Espírito Santo voltou a atacar, depois de ter estado, durante 2014 anos, mais ou menos, em abstinência sexual. Bem, isto não passa de uma hipótese, uma vez que o Espírito Santo pode ter estado sexualmente activo, mas não ter conseguido fecundar. Naturalmente, por culpa das mulheres, que isto da misoginia é para levar a sério. Bom, pelo menos e ao contrário do meio-irmão anterior, sabemos, de ciência certa, o peso e o local do nascimento.  Sabe-se mais que se chamará Francisco.

Não é despicienda a questão do conhecimento prévio. Com efeito, a Maria (a.k.a. Micas) foi informada por um anjo da sua futura condição de barriga de aluguer; já a freira de El Salvador, nem sabia que estava grávida, falha grave e inamissível, só se compreendendo se o anjo mensageiro estiver ligado aos CTT e, eventualmente, a fazer greve.  Também não é de pôr de parte a hipótese de o anjo não saber falar castelhano, questão não desprezável.

Bom, o que se espera é que o recém-nascido não venha, agora, armar-se em salvador do Mundo. Já basta o que basta.

17 de Janeiro, 2014 Carlos Esperança

Blasfémia – delito medieval

 

Por

Carlos Ferreira

Difundir uma imagem que apela ao uso do preservativo através da sua conta pessoal do Twitter pode ser considerado blasfémia? Talvez nalgum país do tipo da Arábia Saudita, pensarão. Bem… não, mas a COPE, a cadeia de rádio da Conferência Episcopal Espanhola acha que sim e despediu o apresentador que o fez.

Intereconomia, um grupo mediático ultra-conservador que, entre outras pérolas, faz campanha contra o casamento de homossexuais, a defesa da civilização cristã e ocidental e a unidade de Espanha (programa que Franco ou Salazar subscreveriam), mas que não paga os salários aos seus trabalhadores há oito meses e se propõe despedir umas centenas deles, critica outra rádio, a Megastar (por acaso da COPE, mas considerada demasiado liberal e pouco conforme com o ideário católico) por ter colocado no seu site uma imagem em que dois rapazes adolescentes se beijam na face. Por cá, o Parlamento acaba de aprovar, por proposta dos jotinhas do PSD, um referendo à adopção por casais homossexuais depois de a lei que a permite ter sido aprovada pela Assembleia da República.

E depois digam que isso de intolerância e fanatismo é mais lá para a Arábia Saudita…

17 de Janeiro, 2014 Carlos Esperança

Os casais homossexuais e a adoção de crianças

Confesso que um psicólogo pode mudar a minha opinião e que não tenho sobre o tema ideias definitivas. Quanto ao casamento entre indivíduos do mesmo sexo não tenho nem tive dúvidas. Respeito a orientação sexual de quem quer que seja.

Não entendo, nesta desvairada tática política, nas traquinices partidárias, os objetivos de um referendo e a negação da legitimidade representativa da A.R. e da liberdade de voto dos deputados em matéria que põe em causa problemas de consciência.

A estranha conceção de família e as alusões à mais retrógrada ideologia clerical-fascista estão longe de me convencerem. Não sei se é útil para as crianças trocarem o abandono pela companhia de um casal gay, se é preferível uma família verdadeira de um agressor alcoólico e de uma mulher sofrida, ambos desejosos de enjeitar a criança, ou confiá-la a um casal homossexual que a deseja, passando pelo crivo de psicólogos, assistentes sociais e, finalmente, pela decisão de um juiz.

O que sei, de ciência certa, é que há homossexuais com filhos próprios ou adotados e que são educados pelo casal legalmente constituído. Nada impede um homossexual ou uma lésbica de adotar uma criança mas, se vier casar, como a lei permite, a criança não pode partilhar legalmente o património afetivo e/ou habilitar-se à herança de ambo/as.

Parece haver uma dose de hipocrisia que joga com as crianças para fins eleitorais e com os preconceitos para envenenar ainda mais a atmosfera política.

17 de Janeiro, 2014 Carlos Esperança

O medo é a mãe das religiões

A religião nasceu do medo do desconhecido e da ignorância da ciência. Os homens criaram Deus à sua imagem e semelhança na infância de tempos cruéis e de práticas bárbaras.

Assim, Deus é o reflexo do pior que os homens sonharam, com uma esperança de vida reduzida e a sobrevivência diariamente comprometida. O Deus monoteísta, vingativo e apocalíptico, é uma elaboração a partir do medo e da incapacidade de explicar o mundo.

O homem fez-se escravo do mito e confundiu o criador e a criatura, a danação própria e a perversão divina, a violência atávica e o furor celeste. Depois, à medida que domou os animais ferozes, domesticou Deus e entregou a trela aos clérigos.

O que se passa hoje é um exercício parecido com o dos treinadores de cães de guerra. Os padres açulam Deus às canelas dos ímpios e ameaçam com ele os crentes, tal como os polícias de choque fazem com pastores alemães aos recalcitrantes que se manifestam contra a ordem estabelecida ou os exércitos com os inimigos que se aproximam.

A única diferença, e não é pequena, é que em democracia pode existir legitimidade na repressão, mas em questões de fé só existe a demência cega de quem não concorda com a mudança nem admite dúvidas ou críticas sobre a tradição.

O crente é a vítima que teme que os padres lhe larguem Deus e lhe ferre o cachaço se não pagar o dízimo, rezar as orações e cumprir os mandamentos. E não basta esfolar os joelhos e arriscar a cólera clerical, se não fizer tudo como Deus manda tem a eternidade como horizonte temporal do sofrimento.

Os ateus, apóstatas e crentes da concorrência têm o cutelo para a degola, a pedra para a lapidação e o chicote para a correção das imperfeições da fé. Basta que a fé dominante detenha o poder e solte os clérigos. Até as fogueiras voltam se a teocracia romana voltar.

No circo da religião maltratam-se pessoas por vontade divina mas, por tradição e desejo de profetas, são as mulheres as vítimas prediletas. Decorrem séculos e Deus mantém-se vivo nas alfurjas das sacristias onde germina o ódio e se conserva o espírito misógino.

16 de Janeiro, 2014 Carlos Esperança

Mito revisitado

 

A nuvem avariou.. ;)
A nuvem avariou..