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21 de Junho, 2014 Carlos Esperança

Associação Ateísta Portuguesa (AAP) – o 1.º Encontro

Assunto:Jornal de Coimbra 31/12/03

 quarta-feira, 31 de Dezembro de 2003
“Vale mais um primeiro almoço do que a última ceia”

“Vale mais um primeiro almoço do que a última ceia”, foi esta a frase que serviu de mote ao primeiro encontro nacional de ateus, realizado no passado sábado (dia 27), no Hotel D. Luís, em Coimbra. Uma reunião, fruto de debates entre membros da lista de discussão da página da internet dedicada ao ateísmo, na qual estiveram presentes a Associação Ateísta Portuguesa e a Associação República e Laicidade. Cerca de duas dezenas de ateus estiveram juntos para discutir, entre outros assuntos, os privilégios que são dados aos católicos. Para Onofre Varela, da Associação Ateísta Portuguesa (AAP), “Deus é um factor e um conceito social, que só habita dentro das mentes dos crentes, pois fora destas cabeças não existe Deus nenhum”. A AAP existe há cinco anos, tem cerca de 40 membros e “está agora numa altura de crescimento e elaboração de estatutos”, referiu Onofre Varela, continuando: “As sociedades têm sido construídas pelas religiões, mas deviam ser antes de mais sociedades humanas. A igreja propagandeia valores, como por exemplo a fraternidade, mas não os pratica. Os ateus praticam, mas não propagandeiam”.

Por sua vez, a Associação República e Laicidade (ARL) existe desde Fevereiro do presente ano e tem, à semelhança da AAP, cerca de 40 membros. Segundo Ricardo Alves, da ARL, “o importante é não haver discriminações nem privilégios e queremos acima de tudo a separação de poderes”, sublinhando a importância da existência de uma sociedade onde cada um tenha a liberdade de escolher.

Em opinião expressa ao JC, Carlos Esperança, da comissão organizadora, defendeu que “os católicos são católicos de fachada, ao passo que os ateus têm tendência de ser cada vez mais praticantes. O culto sobrevive mais por uma questão de interesses”. Porque “a religião não é um mal necessário nem deus uma desgraça inevitável” e mais importante que “os mandamentos da lei de Deus, é a Declaração dos Direitos do Homem. Mais honrosa que a virgindade de Maria é a dignidade da mulher. Mais justos que Deus são os homens na sua progressiva marcha para a eliminação de qualquer forma de discriminação. O ateísmo não manda queimar livros, nem pessoas, não proíbe, nem condena, mas não renuncia ao combate pela liberdade”, realçou.

Este primeiro encontro, cuja data foi escolhida ao acaso, pois “nada temos a ver com dois mil anos de um nascimento qualquer, é apenas um ponto de partida para uma longa caminhada contra o obscurantismo. Outros se seguirão”, garantiu Carlos Esperança.

Carla Martins

21 de Junho, 2014 Carlos Esperança

Iraque – A invasão dos cruzados e as sequelas atuais

Os aliados confundiram a rapidez da vitória com a virtude da expedição, a febre de destruição com a sede de liberdade e usaram a crueldade do regime deposto para legitimar a agressão.

A passividade perante a fúria devastadora dos bandos ensandecidos deveu-se à cultura dos soldados americanos. Suspeitando que os sumérios fossem terroristas e os assírios financiadores da Al-qaeda, nas tábuas de gesso, com mais de cinco mil anos, temeram mensagens cifradas em escrita cuneiforme, e numa cabeça esculpida, da época suméria, viram um busto de Saddam.

Numa biblioteca a arder, com preciosidades únicas, julgaram ver a livraria do ministro da informação.

A inércia e incultura dos invasores criaram cáfilas de díscolos, numa orgia destruidora, e hordas de saqueadores em busca de despojos.

No Iraque, o povo que sobrou devastou palácios, arruinou o património, ajustou contas antigas e recentes, desfez o país que restava.

Os invasores não se limitaram a arrasar o país, quiseram apagar uma civilização.

Agora, onze anos decorridos, o País ameaça dividir-se. Acentuaram-se as rivalidades étnicas e religiosas e o ódio comum ao invasor transferiu-se para sunitas e xiitas, entre si, enquanto a sharia vai a caminho.

O julgamento de Saddam foi uma farsa em que o ditador humilhou e desmascarou o simulacro de tribunal que o julgou. Os crimes de Saddam não tinham defesa e o tribunal carecia de legitimidade. É difícil apurar a verdade num tribunal protegido por invasores que se basearam na mentira.

Saddam, num dos últimos dias de vida, acusou o ministério do Interior, dirigido por um xiita de montar esquadrões da morte que assassinavam sunitas, e afirmou que se tornara um órgão que matou milhares de iraquianos e os torturou.

Agora são sunitas os dementes da fé, alucinados do Profeta, o Misericordioso, que estão a vingar-se dos xiitas, enquanto o Irão entra para o Eixo do Bem e oferece auxílio contra os muçulmanos desvairados que só querem a vitória ou 72 virgens.

20 de Junho, 2014 Luís Grave Rodrigues

Teologia

20 de Junho, 2014 Carlos Esperança

Arca de Noé: a mais bonita história de um genocídio

Por

Paulo Franco

Numa sociedade perfeita, um genocídio deveria ser considerado sempre como algo absolutamente horroroso e inaceitável. Mas nós não vivemos numa sociedade perfeita.

Vivemos numa sociedade onde uma borbulha no rabo do Cristiano Ronaldo é noticia em horário nobre no jornal da noite mas a miserável condição de vida das crianças talibés de África – que são violentamente espancadas, exploradas e obrigadas a recitar diariamente o Alcorão durante várias horas por Islamitas – só têm direito televisivo entre as 3 e as 4 da manhã (no programa “Toda a verdade”).

Vivemos numa sociedade que tem muita moral para prevenir que as crianças não assistam a cenas de sexo ou à simples nudez, na televisão mas é totalmente permissiva em relação às cenas de assassínio e violência gratuita.

Vivemos numa sociedade onde se considera a tourada parte integrante da nossa cultura. Talvez, metaforicamente, o sangue que escorre pelo lombo do pobre animal torturado possa simbolizar as lágrimas que deveríamos derramar por um ato tão bárbaro e primitivo ainda ser permitido realizar.

Mas os erros da nossa cultura têm raízes históricas muito profundas.

Por todo mundo, a história da “Arca de Noé” é publicada em milhares de livros infantis como sendo uma das mais belas histórias bíblicas. ” Vejam como é bela a imagem do mundo primitivo onde centenas de animais, um casal de cada espécie, vão caminhando para dentro de um barco.”

Para além da enormidade da falácia que é transmitida com a representação de um mundo com apenas algumas centenas de espécies, quando na realidade já então haveria muitos milhões – a maioria das quais de tamanho microscópico, e portanto, impossíveis de recolher um casal de cada espécie – esta interpretação distorcida do mundo ancestral ainda consegue ser suplantada pela audácia de tentar camuflar um genocídio como se fosse uma bela e edílica história de encantar.

O lado negro da religião é caracterizado precisamente por esta especial capacidade de envenenar as mentes ao ponto de se aceitar o inaceitável.

Os defeitos e as virtudes humanas amplificados até ao limite são parte constitutiva no carácter dos deuses antropomórficos da antiguidade e são a prova definitiva de que tais mitos são de fabrico meramente humano.

As lacunas da nossa educação impedem-nos de compreender melhor a origem das interpretações equivocadas e só mergulhando bem fundo no estudo da história poderemos ver um pouco mais longe.

19 de Junho, 2014 Carlos Esperança

Deus – A descer

Em 2005 era assim. E agora?

De acordo com sondagens realizadas pelo respeitado Instituto Gallup Internacional em 65 países, o numero de pessoas que se consideram religiosas ou afirmam acreditar num Deus qualquer não para de diminuir: eram 87% em 2000 e apenas 66% em 2005.

O número dos que se vinculam a uma religião passou de 88% para 60% na Europa Ocidental; de 84% para 65% na Europa de Leste; de 77% para 50% na Ásia/Pacífico; de 91% para 71% na América do Norte e de 96% para 82% na América do Sul.

O Gana está em 1.º lugar em percentagem de crentes (96%) seguido pela Nigéria 94%).

À cabeça do ateísmo está Hong-Kong com 54%. E dos sem religião a Tailândia (65%) seguida pelo Japão (59%).

Em todo o lado, exceto África, a prática religiosa retrocedeu. Apenas se verifica, para gáudio dos prosélitos, que o envelhecimento traz Deus de volta.

A sondagem de 2005 aponta uma relação de causa/efeito entre o fenómeno religioso e a situação social e económica das pessoas: quanto mais elevados os níveis de instrução, mais baixos são os níveis de religiosidade.

Não é ainda o fim das religiões que se anuncia nem os primatas paramentados estão em vias de extinção. Mas é um bom augúrio para uma sociedade liberta da opressão divina, um princípio do fim dos medos, uma alteração na correlação de forças que submete os crentes à opressão do clero.

É nesta fase de declínio da fé que a raiva eclesiástica atinge o paroxismo. As feras, no seu estertor, são perigosas.

Fonte: LA VANGUARDIA.es Lunes, 13 de febrero de 2006de febrero 2006
Dios se siente solo – SAMIR GHARBI – 12/02/2006
JEUNE AFRIQUE L´INTELLIGENT, París, 11 / II / 2006

18 de Junho, 2014 Carlos Esperança

Voltaram as guerras religiosas

Quando julgávamos que a secularização tinha contido as pulsões homicidas em nome de Deus, esquecíamos o cancro que corroeu povos tribais e países civilizados onde germina o ódio e floresce a fé. A laicidade não foi suficiente, nem na Europa, para impedir que a fanatização tivesse lugar nas madraças e mesquitas.

Muitos europeus caucasianos, sem emprego nem futuro, aderiram ao mais implacável dos monoteísmos – o Islão –, e combatem por um déspota virtual ao serviço do ódio, do tribalismo e de um “misericordioso” profeta analfabeto, impacientes por impor a sharia.

Depois do tirocínio na Síria, Iraque, Iémen ou Líbia, vão regressar à Europa, cheios de ódio e de tempo, com enorme experiência militar, ansiosos de virgens e rios de mel!

Blair, grotesca caricatura de católico, dissimulado anglicano, enquanto PM, conduziu com Bush a guerra assassina contra o Iraque, arrastando idiotas úteis, Aznar e Barroso. Sentiu agora necessidade de mentir, outra vez, dizendo que a atual tragédia do Iraque é alheia às armas químicas que brotaram da cabeça dele, de Bush e dos outros cruzados que o invadiram.

O Islão, a cópia grosseira do cristianismo, com laivos de judaísmo, falhada a civilização árabe, converteu-se, no seu primarismo, numa mancha de óleo que escorreu para o Irão e Turquia e contaminou povos onde a repressão política sobre o clero tornara pacíficas as religiões. É certo que o sionismo o ajuda a exacerbar o ódio, mas ninguém pense que a destruição de Israel pacificaria a horda de fanáticos viciados em jejuns e orações.

Europa e EUA, embevecidos com a paz religiosa de que têm gozado, salvo o sobressalto na ex-Jugoslávia, imaginam que na Turquia governa um “muçulmano moderado”, como se o substantivo fosse compatível com o adjetivo.

Não entenderam o genocídio de utus e tutsis, incitados os ódios tribais pelo proselitismo cristão, a tragédia africana na zona do Sahel, com muçulmanos a massacrar os cristãos, tensões na Índia entre hindus e islamitas, enfim, a globalização da “banalidade do mal”, na expressão de Hannah Arendt, para decifrar a perversidades de criaturas imbecilizadas por um credo e fanatizadas na obediência a um ser imaginário.

Há uma ameaça religiosa global à espreita, a demência ecuménica que serve interesses económicos, redistribui recursos energéticos e concentra a riqueza nos fornecedores de armas.

E nós, ingénuos, a julgar que o fanatismo não é contagioso.