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10 de Dezembro, 2015 Carlos Esperança

Associação Ateísta Portuguesa (AAP)

Exmo. Senhor
Prof. Dr. Manuel Heitor
Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
C.C. Reitor da Universidade de Coimbra

Senhor Ministro,

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP), tomou conhecimento de um insólito convite que a Universidade de Coimbra endereçou aos corpos docente e discente para uma “Missa de Homenagem à Padroeira da Universidade, a Imaculada Conceição”, missa celebrada no dia 8 de dezembro, pelas 11H00, na Sé Nova.

A AAP, alheia a missas e à Imaculada Conceição, ficou estupefacta com o convite do Reitor e do Capelão, função esta que desconhecia numa Universidade do Estado, cuja laicidade data de 1910 e que a atual Constituição da República Portuguesa tornou irreversível.

Não surpreende que o Sr. Capelão, existindo, perfilhe o dogma da Imaculada Conceição que o papa Pio IX decidiu em 1854, o que surpreende é a inédita cumplicidade do Reitor de quem se espera a defesa da laicidade, uma conquista civilizacional e uma obrigação constitucional.

Por considerar que o Reitor da Universidade de Coimbra violou os deveres de isenção a que é obrigado em matéria religiosa e que, como Reitor, não pode assumir como seu o Deus do Sr. Capelão, vem protestar junto de V. Ex.ª contra a grave violação do espírito e da letra da Constituição da República Portuguesa.

A AAP, confiando na defesa da neutralidade do Estado em matéria religiosa, pelo Governo que V. Ex.ª integra, espera ser esclarecida sobre este lamentável incidente e sobre as medidas que a tutela pretende tomar para evitar futuros atropelos ao carácter laico das instituições do Estado.

Aguardando a resposta de V. Excelência,

Apresentamos-lhe os nossos melhores cumprimentos,
Odivelas, 9 de dezembro de 2015

a) A direção da AAP

9 de Dezembro, 2015 Carlos Esperança

A Arábia Saudita e o terrorismo islâmico

“O Estado Islâmico sempre existiu, é a Arábia Saudita”

SOFIA LORENA

Ziauddin Sardar, reformista muçulmano, acredita que se um grupo terrorista for destruído outro ocupará o seu lugar. Isto, até se atacar a ideologia na base do extremismo, o wahhabismo saudita. Riad e os terroristas usam as mesmas leis, diz.
Sardar esteve em Lisboa a convite da Fundação Champalimaud.

Leia esta entrevista que, na minha opinião, é lúcida e uma opinião indispensável para compreender e combater o terrorismo islâmico.

8 de Dezembro, 2015 Carlos Esperança

Ultraje à laicidade

Um convite pio do Magnífico Reitor da Universidade de Coimbra

Quando tomei conhecimento deste convite julguei que o reitor era o pároco daSé Velha e a Universidade uma madraça de qualquer monarquia teocrática.

Afinal, é um convite para a missa de hoje, na Universidade de um Estado laico, oriundo da mais alta figura institucional de uma escola secular.

Quando a Constituição e a República são assim agredidas, sem respeito pela separação do Estado e da Igreja, vemos a cidadania desprezada por quem julgávamos ser a reserva intelectual da neutralidade religiosa e da ética republicana.

Universidade de Coimbra

8 de Dezembro, 2015 Carlos Esperança

Refletindo sobre o terrorismo

A explosão demográfica, a exaustão de recursos do Planeta e o aquecimento global são suficientes para provocar insónias a quem ainda sobrevive e se dá ao trabalho de pensar, mas assistir ao medo que o terrorismo provoca, à escala global, é motivo de desespero para quem pensa na sobrevivência da civilização.

Acossada pelo medo, a Europa vacila na defesa dos valores da civilização e a vingança é o único sentimento que decide as eleições. O extremismo político é a reação mimética ao radicalismo religioso. O subconsciente dos povos retém a mensagem de quem lhes promete segurança em troca da liberdade.

O futuro, se o há, é um caminho estreito entre a empenhamento na defesa das liberdade individuais e a exigência do respeito pelas conquistas civilizacionais. A Europa foi uma região mártir das lutas religiosas. A Guerra dos 30 Anos ficou na História pelo sangue derramado e pela submissão, em Vestefália, do catolicismo à diversidade religiosa.

Não podemos permitir hoje o proselitismo que, no passado, ensanguentou a Europa. As religiões anacrónicas, que persistem em evangelizar à bomba, devem ser tratadas à luz do Código Penal e não de um multiculturalismo laxista cujo fracasso já foi confirmado.

Quando um templo se converte em quartel e uma escola num meio de intoxicação pia, a proteção divina tem de ser substituída pelo braço da justiça. Não são um problema de fé, são um caso de polícia.

6 de Dezembro, 2015 José Moreira

Natal, e tal…

Obviamente, festejo o Natal. Mais exactamente, o “Natalis Solis Invictus”. O tempo em que o Sol, finalmente, começa a vencer as trevas com quem vinha lutando desde o Solstício de Verão, luta que se agravou a partir do Equinócio de Outono, com o Sol a definhar de dia para dia. Por isso, em minha casa se ergue uma árvore, na qual se penduram fitas com pedras nos extremos. Nas noites em que sopra o vento, as pedras batem umas nas outras e/ou nos ramos e troncos da árvore. Com o barulho, os espíritos maus fogem, de modo a que o Sol continue a lutar contra as trevas. As trevas não vencerão, como será confirmado lá mais para diante, no Equinócio da Primavera.

Se não é bem assim, a intenção é que conta.

Claro que poderão afirmar que se trata de paganismo puro. Felicidades! Um ateu pode dar-se a luxos que são interditos a crentes. Já vi, com estes que o fogo há-se consumir, uma testemunha de Jeová solidarizar-se com a morte de um cristão de quem era amiga, acompanhando o respectivo funeral, mas a não entrar na igreja onde se rezavam os responsos. A sua religião não o permitia, disse-me. Eu entrei. Não tenho religião, pelo que posso dar-me ao luxo de entrar em tudo o que seja igreja, mesquita ou sinagoga.

Mas o que me traz aqui é outra questão: por alma de quem o Vaticano ergue uma árvore de Natal na Praça de S. Pedro? Ou antes: o que tem um símbolo pagão a ver com a cristandade?

Alguém me explica?

Ou será que não há grande diferença?

Feliz Natalis Solis Invictus.