De acordo com os interrogatórios feitos a Lúcia depois do «bailado do sol» de 13 de outubro de 1917, surgiu «Nossa Senhora vestida de branco» sobre a azinheira e, como de costume, depois de um relâmpago. Comunicou-lhe [Nossa Senhora] que deviam rezar o terço em sua homenagem e rogou-lhe que não a ofendessem mais, [quem?].
Entre o pedido de uma «capelinha» no local e informação sobre o regresso dos militares que combatiam na guerra, anunciou-lhes que a guerra acabava naquele dia, o que prova que era escassa a informação e de pouca confiança os informadores de ‘Nossa Senhora’.
Lúcia revelou ainda que, logo após o desaparecimento da visão, que a Igreja católica, ao longo dos anos, converteria em ‘aparição’, olhou para o sol e viu «S. José vestido de branco», o ‘Menino Jesus vestido d’encarnado’ e ‘Nosso Senhor da cintura para cima’.
Os dados referidos, que constam da pág. 49 do livro «O Sol Bailou ao Meio-Dia», do historiador Luís Filipe Torgal, deixam-nos perplexos. Isto de o Menino Jesus vestir de determinada cor e ‘Nosso Senhor da cintura para cima’, para além de não se saber se alguma nuvem vestiu Nosso Senhor da cintura para baixo ou se, perante as crianças, se esqueceu de cobrir as partes pudendas, leva-nos a concluir que Nosso Senhor apareceu em criança, como Menino Jesus, e em adulto, como Nosso Senhor.
Recordei a guia italiana a quem um turista perguntou de quem era o esqueleto pequeno, dependurado junto de outro, grande, de um santo de vasto prestígio, orgulho da cidade e do museu pio visitado, respondendo logo que era do mesmo santo, em criança.
Segundo revela a Amnistia Internacional, em 2015 foram executadas 1634 pessoas, mais 573 do que em 2014, o que representa o maior número desde 1989.
Excluindo a China, a Arábia Saudita, o Irão e o Paquistão somaram 89% de todas as execuções.
À crueldade do seu deus, juntam a demência do seu clero.
Numa sociedade pluriétnica, como a europeia, o multiculturalismo devia ser a forma de aprofundar o cosmopolitismo, de tornar o velho continente a referência da diversidade planetária, onde a miscigenação e a interação das diversas culturas se realizassem.
Seria a forma ideal de convivência, sem os demónios totalitários que pervertem relações sociais e criam suspeitas e ódios. O Império Romano soube integrar a cultura helénica e criou a greco-romana, matriz da civilização europeia. Fundiu as culturas. A Europa não pode integrar o Islão porque não há duas culturas, há a civilização e a tradição, o direito e a vontade divina, o humanismo e a sharia.
Quando uma crença é incompatível com a democracia e se pretende impor, o multiculturalismo torna-se uma utopia perigosa.
O convívio de várias culturas é enriquecedor, mas a imposição dos valores de uma sobre outra, produz ressentimentos e ódios de que é difícil sair pacificamente. Os preconceitos culturais (de brancos contra negros ou vice-versa, de religiões contra ‘infiéis’, dos ateus contra as religiões, dos ricos contra pobres) são perturbadores e detonadores de guerras.
Na Europa, o multiculturalismo conduziu a guetos, submissos numa primeira geração e agressivos nas seguintes, donde fogem os que se integram. Há guetos étnicos, religiosos e monoglotas, que criam sistemas de defesa, segurança e penais, à margem do Estado de direito. Dessa experiência trágica, alfobres de ódio que resistem à integração, saem hoje bandos de dementes obcecados, embrutecidos e raivosos, a lançar o pânico e o caos.
É através dessa experiência negativa que devemos refletir os limites do comunitarismo que estamos dispostos a tolerar, enquanto tivermos força para obrigar. Ceder, em nome da tolerância, à misoginia, à lapidação ou ao proselitismo, é renunciar à democracia.
É na imposição do respeito pela Declaração Universal dos Direitos Humanos que temos de colocar a baliza da condescendência com valores medievais e resquícios tribais que as religiões incubaram durante séculos. A política identitária de uma comunidade não deve exceder a liberdade individual e ser fator desagregador de identidades nacionais.
A diversidade étnica e racial não pode destruir as identidades políticas e culturais, que a História criou, com novas ondas de violência para as alterar e destruir a civilização.
Há uma relação direta entre crença e ação. Quem acredita que assassinando hereges tem direito a 72 virgens no Paraíso, presta-se à prática de crimes violentos, mas não temos o dever de os tolerar. Não se discute a legitimidade de apedrejar mulheres adúlteras ou de decapitar infiéis, pela mesma razão por que não se toleram crenças que divirjam sobre conceitos de higiene básica, vacinas, educação ou o respeito por direitos individuais.
Recuso a tradição como forma de cultura, a violência como inspiração divina, as normas de conduta de acordo com manuais a que apenas as crenças atribuem origem divina.
A Europa criou leis de acordo com o seu estádio civilizacional, deve impô-las a todos os que a habitem, sem discriminação de raça, sexo, religião ou opção filosófica.
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A todos os leitores do DduA, sejam crentes ou nem por isso, lanço um apelo: calmamente, reflectidamente, se possível desapaixonadamente, sigam esta ligação e leiam o que lá está escrito. Depois, se acharem que vale a pena, comentem e/ou debatam.
…mas a lepra não está em vias de cura.
Para já, começaram a matar os seguranças.
Não há qualquer religião cujo deus defenda o respeito pelas outras e, muito menos, por não crentes. Quanto maior é a crença de alguém por outra vida, depois da morte, menor é a tolerância pelas posições divergentes na única e irrepetível vida que nos coube.
“A religião é um instrumento de paz” é o lugar-comum, politicamente correto, repetido à exaustão e cuja falsidade não é posta em causa, às vezes – e bem –, para evitar gestos primários de vingança contra minorias, e, quase sempre, para impedir a reflexão sobre o passado histórico da religião autóctone.
O facto de se permitirem as frases anteriores, não se deve à indulgência do catolicismo, mas ao facto de ter sido politicamente reprimido na Europa. A liberdade religiosa só foi aceite pelo catolicismo no Concílio Vaticano II, há meio século, uma decisão que ainda provocava azedume em João Paulo 2 e Bento 16. Na Arábia Saudita deixavam em risco a ligação da cabeça ao tronco.
“Só um Estado não confessional pode garantir a liberdade religiosa de todos”, dizia no DN, ontem, o padre Anselmo Borges, afirmação que ainda provoca a ira dos crentes que ficam insatisfeitos com as delícias que Deus lhes reserva, após a morte, e não dispensam a vindicta contra os que prescindem da conversão.
Os cristãos aceitam que a Bíblia, tantas vezes alterada ao longo dos séculos, com vários Evangelhos considerados apócrifos, não foi ditada por Deus. É apenas a sua expressão humana, e têm, além disso, o NT que, salvo o vigoroso antissemitismo, que se explica por ter sido uma cisão do judaísmo, é um avanço na humanização dos preconceitos das tribos patriarcais da Idade do Bronze de que o AT é um documento histórico e literário.
O Corão, cópia grosseira do cristianismo e do judaísmo, foi ditado pelo Arcanjo Gabriel a Maomé, o ‘último profeta’, entre Medina e Meca, a última vez que Deus falou, através do anjo. Assim, é inexequível refazer o que foi ‘revelado’ ao beduíno analfabeto, apesar de o texto atual ser do ano 800 da era vulgar, de predicação apaixonada nas mesquitas e ensino obrigatório nas madrassas, v.g.:
“Sabei que aqueles que contrariam Alá e seu mensageiro serão exterminados, como o foram os seus antepassados; por isso Nós lhes enviamos lúcidos versículos e, aqueles que os negarem, sofrerão um afrontoso castigo.” (Alcorão, Surata 58:5)
“Ó fiéis, combatei os vossos vizinhos incrédulos para que sintam severidade em vós; e sabei que Alá está com os tementes.” (Alcorão, Surata 9:123)
Em vez de se permitir à extrema-direita europeia combater os crentes, urge combater as crenças; em vez de se negociarem os refugiados com a Turquia, deve ser-lhes imposto o respeito pelos padrões civilizacionais europeus, incluindo a igualdade de género; em vez de se promover o diálogo inter-religioso e o multiculturalismo, deve exigir-se a renúncia aos valores que os mullahs exaltam e com que hordas de muçulmanos exultam; em vez de orações pela paz, é mais profícuo vigiar quem promove e financia a guerra santa.
Se nas mesquitas, igrejas ou sinagogas, sedes de clubes ou partidos políticos, se prega o ódio e incita à violência, exige-se vigilância, denúncia, medidas de coação, julgamento e repressão política, segundo as normas do Estado de direito e não do direito teocrático.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.