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13 de Outubro, 2016 Carlos Esperança

13 de outubro – o milagre de Fátima

Quando em 13 de maio de 1917 a Lúcia, o Francisco e a Jacinta viram “…uma senhora mais branca do que o Sol” a saltitar numa azinheira de 1 metro e pouco de altura, já os três eram reincidentes em visões.

No ano anterior tinham visto 3 vezes um anjo, certamente o mesmo, repetido, algo que se aceita na população celeste, mas é de todo inverosímil na fauna do planeta Terra.

Quanto à senhora das ‘visões’, posteriormente convertidas em ‘aparições’, por vontade da hierarquia religiosa e necessidades do negócio, deslocou-se à Cova da Iria nos cinco meses seguintes, sempre no dia 13, o que faz supor que a agenda tinha apenas aquele dia destinado às crianças, a quem afirmou ser a “Nossa Senhora do Rosário”, o heterónimo adequado à tarefa de que as incumbiu.

Lúcia via, ouvia e falava com a ‘aparição’, Jacinta via e ouvia e Francisco apenas via, e não a ouvia. Este é o milagre então obrado, a mentira pia das sotainas que não tiveram pejo de instruir crianças alucinadas pelo catecismo e aterrorizadas com o Inferno.

Só 18 anos depois, em 1935, a Lúcia começou a redigir as memórias que os padres lhe ditaram depois de a diocese ter comprado os terrenos rústicos para os transformar num lucrativo santuário e respetivo complexo hoteleiro.

Onde as cabras pastavam, depois de ter sido anjódromo, e de uma azinheira se tornar o local de aterragem da “Nossa Senhora do Rosário”, foi o local privilegiado da bailação do Sol e é hoje o mais lucrativo destino do turismo pio.

Não me surpreende quem promove o negócio, mas compadeço-me de quem o alimenta, do sofrimento de quem castiga o corpo e acalenta a esperança de improváveis milagres.

O negócio da fé começou por ser ali uma trincheira contra a República, depois contra o comunismo, para se tornar uma lucrativa exploração da superstição e um embuste que o Papa, os bispos e os padres perpetuam, agora contra o ateísmo, depois da implosão da URSS.

Num país atrasado, o fenómeno de Fátima ameaça recrudescer com o medo, esse real, dos desvarios que o mundo vive.

fatima_lucia

12 de Outubro, 2016 Carlos Esperança

Os milagres não param

Celebração marcada para 16 de outubro, na Praça de São Pedro

Cidade do Vaticano, 11 out 2016 (Ecclesia) – O Papa vai presidir este domingo ao rito de canonização de sete fiéis católicos, celebração que acontece a pouco mais de um mês do final do Jubileu da Misericórdia (20 de novembro).

Comentário _ E quer a Igreja católica ser considerada uma instituição séria? O Papa acredita em milagres?

10 de Outubro, 2016 Luís Grave Rodrigues

KKK

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9 de Outubro, 2016 Carlos Esperança

PIO 12

A garantida canonização de Pio 12

Mesmo com o atual Papa, de que a ICAR teve necessidade, como as nódoas de benzina, após dois pontificados a perder freguesia, os milagres perduram na indústria de produtos pios e no exercício ilegal da medicina por mortos de longa defunção.

Os santos continuam a nascer como cogumelos em noite de orvalho e Pio 12 parece ser dos que estão bem colocados no certame e nos milagres.

Pio 12 não foi um celerado que arrancasse olhos aos sérvios, um carrasco que estivesse nos campos de concentração a assassinar judeus, um biltre que usasse as próprias mãos para despachar hereges a caminho do Inferno.

Pio 12 foi apenas um Papa católico, amigo da ordem e da paz, antissemita como os seus pios antecessores e anticomunista como os sucessores. Foi com muita mágoa – dizem os panegiristas de serviço –, que assistiu em silêncio ao extermínio dos judeus e, depois da guerra, para compensar, converteu conventos e seminários em refúgios nazis, enquanto o Vaticano emitia os respetivos passaportes para a América do sul.

Não se pode condenar Pio 12 pelo antissemitismo. É um dever que o Novo Testamento impõe, é o culto de uma tradição que alimentou as fogueiras do Santo Ofício e o preito de gratidão a todos os santos que acossaram judeus, moiros e hereges, e dilataram a fé.

Pio 12 apenas queria celebrar concordatas com os Estados fascistas, proteger as famílias cristãs dos malefícios do divórcio e assegurar às crianças o ensino obrigatório da sua fé. Haverá odor que mais praza a Deus do que o da combustão de hereges ou delícia maior do que a tortura de quem professe uma religião errada?

Pio 12 deve ser canonizado. Muitos bem-aventurados de duvidosa reputação o foram já. O que o prejudica é não ser incluído em grupos numerosos e, na singularidade papal, ter ainda quem recorde que o Vaticano foi um antro de colaboração com o fascismo a que deve o Estado em que se transformou.

Mas não aconteceu o mesmo com JP2, um papa que já fazia milagres em vida, apesar de só os mortos terem alvará no ramo?

Faz hoje 58 anos que faleceu o papa cuja infalibilidade definiu o dogma da Assunção de Maria em 1950. Foi ele que, no uso do dogma da sua infalibilidade, criou o da subida de Maria ao Céu, em corpo e alma, ainda que estas subidas e descidas sejam exclusivas das vias de comunicação celeste e do nunca editado mapa de estradas do reino da fé.

Este Papa, venerável desde 2007 e com uma estátua em Braga, é inábil a obrar milagres, mas não lhe faltam virtudes heroicas, embora algumas se procurem apagar.

Canonize-se o defunto. Com tantos anos de defunção, há muito que não fede.

pceli_mussolini

7 de Outubro, 2016 Carlos Esperança

As monarquias e a religião

A monarquia pode ser um anacronismo e, na minha opinião é, mas não conheço uma só onde a religião esteja ausente.

Nem a Coreia do Norte é exceção. Aquela fé no deus vivo, que encarna em cada nova geração da dinastia Kim, é um misto da teologia estalinista mais jurássica e da religião, onde o sumo sacerdote troca a tiara por um exótico corte de cabelo.

Na Europa há uma monarquia teocrática eletiva, de carácter vitalício, que se mantém até à morte natural do príncipe ou ajudada pela Cúria. O monarca sai de uma assembleia de cardeais que acreditam ser visitados pelo Espírito Santo, uma pomba invisível, que lhes transmite a sabedoria para o voto.

E há uma outra, a de Andorra, um principado em que o casal de príncipes, até agora sempre do mesmo sexo, é formado, pasme-se…, pelo Presidente da República Francesa, frequentemente ateu, e o bispo de Uriel, presumível crente.

Há ainda uma teocracia monástica no Monte Athos, mas não conta como monarquia por não ter a categoria de Estado.

5 de Outubro, 2016 Carlos Esperança

Viva a República!

A lenta e inexorável morte das monarquias é um avanço civilizacional irreversível. Os povos já não toleram o poder hereditário e vitalício, resquício medieval que insistia na origem divina do poder para justificar a iníqua existência.

Há países civilizados e democráticos, habituados ao sufrágio periódico do poder, onde o regime monárquico perdura, mas esvaziaram-no de conteúdo e mantêm-no como mero ornamento e/ou atração turística, reduzindo-o à pompa e circunstância que consentem os seus governos, estes legitimados pelo voto popular.

Em 4 de outubro de 1910, com exceção da França, todos os países europeus eram ainda dominados por monarquias. A Revolução do 5 de Outubro, em Portugal, foi pioneira do advento das repúblicas. Hoje existem 12 monarquias na Europa, sendo a espanhola uma regressão imposta pelo genocida Francisco Franco que mandou educar nas madrassas da Falange, para lhe suceder, Juan Carlos, descendente dos Bourbons.

Hoje, em todo o mundo, há menos de 50 monarquias e 16 têm um ornamento comum, a rainha inglesa Isabel II. Monarquias absolutas, além da teocracia do Vaticano, existem 5: Arábia Saudita, Omã, Emirados Árabes Unidos, Qatar e Brunei.

Portugal deve à I República a grande preocupação com a instrução pública, num país que a monarquia legou analfabeto e beato, e a promulgação as de leis imprescindíveis e emblemáticas: Registo Civil obrigatório, separação da Igreja e do Estado e divórcio.

O 5 de Outubro, é a matriz do regime e o marco histórico que a ignorância, indiferença e má fé, conjugadas, anularam como feriado.

republica

3 de Outubro, 2016 Carlos Esperança

A eutanásia e o terrorismo pio

Que a eutanásia é um assunto melindroso, que nos interpela até ao âmago, que nos leva a refletir sobre a vida e a morte, e nos levanta dúvidas e perplexidades, é uma evidência.

Que se discuta na base de uma campanha terrorista, com panfletos aterradores, a lançar insinuações sobre a possibilidade de os hospitais se transformarem em açougues, como se os médicos e enfermeiros fossem um bando de possíveis assassinos, é terrorismo que não tem pudor em praticar uma autodenominada “Federação Portuguesa pela Vida”.

A Bélgica admite a eutanásia a pacientes em “sofrimento físico e/ou psíquico constante, insuportável e sem alívio” e a Holanda permite-a “a doentes incuráveis e em sofrimento (a pedido do doente), condição que tem de ser atestada por mais de um médico”. Não se pode ignorar a experiência pioneira destes dois países, que já leva 14 anos.

A vida, sendo um direito inalienável, não pode ser uma condenação sem apelo. Ainda se ouvem os apelos aflitos de Ramón Sampedro, tetraplégico desde os 25 anos, que teve de esperar 30 anos para que uma amiga o apoiasse no suicídio. A Justiça absolveu-a, como se esperava, por ‘falta de provas’, como convinha numa Espanha católica e hipócrita.

O reconhecimento do direito à eutanásia não obriga a que alguém o aceite, mas impede que o proíba. Um direito individual é isso mesmo, uma decisão do próprio ou, estando incapaz, de quem o ame e tenha legitimidade para essa decisão, sob a responsabilidade de médicos quem possam e saibam avaliar o sofrimento e a irreversibilidade da causa.

A razão por que ninguém tem direito a impor a eutanásia, a quem quer que a não deseje, por maior que seja o sofrimento e a irreversibilidade da causa, é a mesma a que se deve submeter quem gostaria de a impedir a quem não suporte o sofrimento que o atormenta.

Os preconceitos não podem sobrepor-se à razão nem a alegada vontade divina à vontade humana. É um direito individual escolher como morrer sem que alguém tenha o direito de impor aos outros a morte que lhe deseja.

Se Deus está interessado em prolongar o sofrimento de alguém, por que motivo quem o ignora há de sujeitar-se à vontade dos funcionários que nunca viram o patrão? É curioso que sejam os países que quiseram a Inquisição os que mais se opõem à eutanásia. Gostavam de escolher quem matar.