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16 de Novembro, 2016 Carlos Esperança

A Religião Verdadeira e a verdade das religiões

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O governo alemão proibiu ontem, dia 15, o grupo islamista Die Wahre Religion (“A Religião Verdadeira”), por pregar o ódio religioso e manter contactos com crentes que saíram para a Síria e Paquistão a fim de participarem na jihad.

Não há uma só religião que não se considere a única verdadeira, tal como o seu Deus, e falsas todas as outras e o deus de cada uma delas. Essa situação faz de todos os crentes ateus. Estes só consideram falsa mais uma religião e um deus mais. No fundo, somos todos ateus em relação aos deuses da mitologia, e os vindouros estudarão na mitologia os atuais.

O problema não está na falsidade das religiões, mas na sua nocividade, sempre que os crentes, convictos da vontade de um ser imaginário, são capazes das maiores crueldades para lhe agradarem. E nem a mentira mais tosca ou a mais primária superstição os inibe de as usarem como armas.

Em Itália, um padre católico, que deixou o papa Francisco com os cabelos eriçados, não se coibiu de atribuir os terramotos que têm fustigado a Itália, a castigo de Deus. Só não explicou se o alvará de padre lhe permite interpretar a vontade do deus dele e ir além da transformação da água vulgar em benta e de realizar o complexo processo alquímico da transubstanciação. Na sua demente superstição, ou maldade, deixou Deus mal colocado.

No estado em que o Islão se encontra, perante o fracasso da civilização que aniquilou as energias criativas, os facínoras de Deus usam a crença para todas as tropelias. Querem o Paraíso para todos os outros nem que, para isso, tenham de os matar. A bomba pode ser um método obsoleto, mas é eficaz na redução de infiéis.

Quando as religiões ultrapassam a pacífica transmissão das crenças e a prática litúrgica, deixam de ser um veículo para o Paraíso e tornam-se um perigo para a paz. Deixam de ser fé e passam a fezes que, por razões sanitárias, devem ser erradicadas.

15 de Novembro, 2016 Carlos Esperança

A entrevista

“A violência está sempre ligada à visão monoteísta do mundo”

«P – Estou a falar da violência no Islão, título do seu livro, um tema que o tem preocupado, que o tem feito refletir.

R – Perturba-me há muito tempo mas, para melhor compreender a violência no Islão, é preciso compreender a violência nos outros dois monoteísmos – o judaísmo e o cristianismo. A prática da violência é conhecida antes do Islão, há muito tempo, e também no seio do Islão. Ainda hoje falamos da Inquisição e coisas no género. A violência está estreitamente ligada à visão monoteísta do mundo e do ser humano. Porque o monoteísmo é uma negação do outro.»

(Ali Ahmed Saïd Esmer, nascido no norte da Síria, escritor)

13 de Novembro, 2016 Carlos Esperança

Se houvesse um raio que os partisse!

Atentado do Daesh faz 52 mortos no Paquistão

PÚBLICO 12/11/2016 – 17:20 (actualizado às 21:37)

Ataque ocorreu na província do Baluchistão, durante uma cerimónia sufi, um ramo místico do islamismo, que é considerado herético por grupos radicais, como os taliban.

Um atentado bombista reinvidicado pelo Daesh fez este sábado pelo menos 52 mortos e mais de uma centena de feridos. O ataque ocorreu durante as cerimónias sufistas que estavam a ter lugar no templo de Shah Noorani, em Khuzdar, a mais de 760 quilómetros a sul de Quetta, a capital da província do Baluchistão.

12 de Novembro, 2016 Carlos Esperança

A Igreja católica e os funerais

Deixem que um ateu defenda a Igreja católica, frequentemente poupada quando merecia ser criticada e, não poucas vezes, injustamente censurada.

É vulgar criticar-se um padre por recusar os sacramentos a quem em vida os considerou placebos, maltratar um ministro do culto por faltar com as rezas e as cantorias a um ateu ou crente de uma religião concorrente, como se um médico fosse obrigado a receitar ave-marias para uma pneumonia ou um ateu condenado a missa de corpo presente.

Ver a bandeira do PCP aspergida com água benta não lembra ao Diabo cuja existência é tão improvável como a diferença da água benta da outra.

O facto de o velório se ter realizado na igreja de A-dos-Loucos e de a defunta se chamar Maria de Fátima não era motivo para obrigar o padre a aceitar a bandeira do PCP sobre o caixão. Mandou retirá-la e fez bem. Não é preciso ser muito letrado para perceber que o comunismo e a religião são incompatíveis.

Desmiolada foi a família a querer impor ao padre a bandeira do PCP no templo de uma religião que excomungou o comunismo. Certamente que a Maria de Fátima, incapaz de se pronunciar, como soe acontecer aos defuntos, se fosse comunista seria a primeira a enjeitar os pios ofícios fúnebres.

Não se pode deixar de louvar a coerência do padre que a família do defunto afrontou confundindo o martelo com a cruz romana.

8 de Novembro, 2016 Carlos Esperança

A Inauguração da Estátua de D. Nuno Álvares Pereira

«O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa inaugurou, no Restelo em Lisboa, a estátua de D. Nuno Álvares Pereira, numa cerimónia onde foi acompanhado pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina. (06.11.2016)» [sic]

Na impossibilidade de acompanhar a frenética atividade do PR, socorri-me da página da PR para examinar o vídeo da inauguração da referida estátua onde se lê, sob as datas do nascimento e morte, os títulos: «Condestável do Reino e Santo».

A cura do olho esquerdo da cozinheira de Ourém, atingida por salpicos do óleo fervente de fritar peixe, não adicionou mérito ao herói que carecia do milagre para a santidade que a Espanha franquista nunca lhe consentiu, por respeito aos milhares de cristãos que matou. O declínio da fé no país vizinho permitiu à Igreja portuguesa transformar o herói em colírio para o elevar a santo, depois de curar o olho esquerdo de D. Guilhermina.

Foi pífio o milagre obrado, após séculos de defunção, mas não o foi a cerimónia pia. Ao Patriarca Clemente evitou-lhe a experiência a luxação do ombro direito, tal a força com que aspergiu a estátua com água benta do hissope que o experiente sacristão recolheu na caldeirinha. Sendo santo para que precisaria D. Nuno de água benta? Coisas da fé!

Os militares, com plumas, ficam sempre bem, seja numa inauguração, num Te Deum ou numa procissão, e a banda militar raramente desafina.

O presidente Marcelo e o edil Fernando Medina estavam ótimos. Só o Sr. Duarte Pio me pareceu deslocado, a menos que estivesse a fingir de duque, descendente do proscrito D. Miguel, filho improvável de D. João VI e garantido de D. Carlota Joaquina.

O Sr. Duarte Pio aparece nestas cerimónias e nas revistas do coração com o pseudónimo de Dom Duarte Pio João Miguel Gabriel Rafael de Bragança, o que é pouco, comparado com o último rei, despedido no glorioso dia 5 de Outubro de 1910: Dom Manuel Maria Filipe Carlos Amélio Luís Miguel Rafael Gonzaga Xavier Francisco de Assis Eugénio.

Aa República transformou os vassalos em cidadãos e obrigou todos a substituirem um catálogo por nome de gente.

Viva a República!