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7 de Junho, 2017 Carlos Esperança

Santos e milagres

Santos e milagres da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR)

Há muito que os bispos diocesanos perderam o alvará para a atribuição da santidade aos defuntos bem-aventurados. O próprio privilégio papal está, na prática, dependente de 1 milagre, para criar um beato, e de um segundo, para criar um santo.

Há um departamento no Vaticano – Sagrada Congregação para as Causas dos Santos –, cujo nome atual é da autoria de João Paulo II, o maior criador de beatos e santos da História da ICAR. Cabe-lhe certificar milagres, que germinam em terras católicas como cogumelos em noites de outono, se a temperatura e a humidade são propícias, e aprovar os resultados sobre o martírio e virtudes heroicas de Servos de Deus.

Depois do avanço da medicina e da farmacologia, os milagres são cada vez mais rascas. Não curam leprosos, coxos ou cegos, e um amputado jamais substitui a prótese por um membro ou um desdentado dispensa a placa, por mais que rezem aos melhores defuntos.

É curioso que os santos mais celebrados se arredaram do ramo e deixaram os prodígios aos novos, isto é, aos que não são ainda beatos nem santos, independentemente dos anos de defunção que carregam.

A D. Emília dos Santos não pediu a S. José que a pusesse a andar, pediu aos pastorinhos de Fátima que precisavam da beatificação antes de concorrerem à canonização.

A D. Guilhermina de Jesus, ao queimar o olho esquerdo, com salpicos de óleo fervente de fritar peixe, não rezou a S. Pedro, invocou D. Nuno, cuja canonização, em tempos de maior fé, os espanhóis vetavam. Evitou o colírio e permitiu à ICAR, registar o nome do Santo Condestável no catálogo romano, já depois da bênção municipal na toponímia de uma freguesia de Lisboa, alcançada por intercessão política do Patriarcado.

Os milagres não são dogmas, mas é mais fácil crer nos primeiros, em desespero, do que nos últimos, em momentos de sensatez.

5 de Junho, 2017 Carlos Esperança

Coisas que me chateiam

«Não gosto que me sequestrem, sei lá, é uma coisa que me chateia.»
(Pinheiro de Azevedo, ex-PM)

Chateia-me que se expludam ao pé de mim, junto de quem partilha os meus valores e o mesmo espaço civilizacional ou de quem quer que seja. Quem goste de se explodir, faça como os bonzos, imole-se sozinho.

Chateia-me que haja quem se julgue superior às mulheres, as lapide e vergaste, lhes confisque as liberdades e as humilhe.

Chateia-me que se ocupem diariamente ruas para manifestações pias e as interrompam à circulação, que me chamem infiel, sabendo o que fazem aos infiéis, que se proíba a carne de porco, a música, a dança ou o álcool, e se decretem o jejum e a abstinência.

Chateia-me o horror às artes plásticas, aos deuses de outros e a outros que não têm deus.

Chateia-me a aceitação da escravatura, da pedofilia, sob o pseudónimo de matrimónio, e da poligamia.

Chateiam-me as agressões conjugais, normalmente do homem à mulher, e chateia-me o homem que agride, e a comunicação social que só humilha o político e ignora o clérigo.

Chateia-me a excisão do clitóris, a circuncisão, a abominação das viúvas, a divisão em castas, a homofobia, o racismo e o proselitismo.

Enfim, chateia-me que se discriminem, persigam ou assassinem budistas, muçulmanos, hindus, cristãos, animistas, ateus, xintoístas, agnósticos, racionalistas, bruxas, céticos, livres-pensadores, quiromantes, judeus, cartomantes, lançadores de búzios ou outros, e quem renuncie a uma crença ou a todas, sabendo que todos somos ateus em relação aos deuses dos outros.

Não gosto que me atropelem, gaseiem, expludam ou esfaqueiem, sei lá, são coisas que me chateiam.

4 de Junho, 2017 Carlos Esperança

Terrorismo

É um erro tão grave atribuir o terrorismo à emanação da luta de classes como tolerar as madrassas e mesquitas que o promovem e, sobretudo, o livro que inspira os seus agentes.

Não podemos ver em cada crente um terrorista, mas não podemos ignorar a falsidade e a nocividade da doutrina que os intoxica.

O terrorismo não é monopólio de uma religião, é a bomba detonada de qualquer religião não submetida ao secularismo democrático e à repressão do clero que o fomenta.

3 de Junho, 2017 Carlos Esperança

Um bom começo

Líder muçulmano admite que escrituras do islamismo pregam violência e morte a cristãos e judeus

«Um debate entre duas lideranças muçulmanas na Austrália teve um desfecho inesperado, com um deles afirmando que as escrituras sagradas do islamismo incentivam a prática da violência contra os que não seguem a religião.

O ponto de partida do debate foi o atentado terrorista ocorrido em Manchester, quando um jovem extremista muçulmano explodiu uma bomba no final do show da cantora pop Ariana Grande, matando 22 pessoas e ferindo dezenas.»

2 de Junho, 2017 Carlos Esperança

Espanha – a católica

Surrealista.

Pablo Iglesias adicionou um vídeo novo.

Isto é a 59 ª Peregrinação Militar Internacional a Lourdes e foi pago com dinheiro público.

Se queriam fazer uma homenagem ao cinema de Casillas, era impossível fazê-lo melhor.

Nota: Clicar em «Vídeo»

2 de Junho, 2017 Carlos Esperança

Re-conversão de um crente

Por

Paulo Franco

Um homem muito religioso, muito cristão, rezava constantemente a Deus pedindo-lhe que terminasse com a guerra, as doenças e a fome no mundo.

Com o passar dos anos, constatou que tudo permanecia na mesma: milhões de mortos devido à guerra, às doenças e à fome. Esta situação deixou-o tão desgostoso que acabou por deixar de acreditar em Deus.

Passados uns anos, numa noite de inquietação e turbulência, sonhou que tinha, por razões mágicas e enigmáticas, subido aos céus para se encontrar com Deus, e então disse-lhe:

– Meu Deus, aquilo lá em baixo está espetacular, não faças nada, não mexas uma palha, aquilo lá em baixo está mesmo, mesmo uma maravilha. Quando acordou, constatou que de facto Deus estava finalmente a fazer aquilo que lhe pediu: Guerra, fome e doenças continuavam a dizimar milhões de vidas.

No dia seguinte, este homem tornou-se cristão outra vez.

1 de Junho, 2017 Luís Grave Rodrigues

No…!

1 de Junho, 2017 Carlos Esperança

Um texto oferecido por um jornalista brasileiro

A moral divina é impossível

Há alguns impedimentos filosóficos no dogma de pecado e salvação que se sustenta na construção do divino onipotente das três teologias monoteístas. Embora saibamos que paradoxalmente o deus judaicocristãoislâmico tenha personalidade divergente em cada uma dessas mitologias, no aspecto escatológico parece o mesmo.

Portanto, para simplificarmos, analisemos esses impedimentos pela ótica da teologia do deus abraâmico Javé, o absoluto.

Com o poder supremo elementar que engloba a onisciência e a misericórdia infinita, Javé, também conhecido por Cristo ou Alá, segundo a teologia triunfante, por ser perfeito e não tolerar a imperfeição em suas criações está moralmente legitimado em punir os imperfeitos com um inapelável castigo eterno de torturas em sua satânica fornalha incandescente depois do tribunal do juízo.

O primeiro impedimento nos salta aos olhos: a troco de quê uma entidade onisciente – e a prova está até mesmo nas suas escatológicas profecias apocalípticas de dor e provação -, prestar-se-ia ao papel de carrasco impiedoso daqueles que a contrariam? É que se deus é perfeito, e, por lógica inerente, impedido de dar existência a algo imperfeito, por que sua criação apresentase imperfeita, a ponto de merecer punição marcial? Segundo os crentes, deus concede a cada um o direito de buscar a perfeição. Há aqui outro impedimento.

Deus é perfeito porque escolhe ser perfeito ou é impossível para deus cometer imperfeição? Se deus escolhe sempre ser perfeito, ele não dispõe da onisciência, assim como também não poderia ter o poder supremo e único da criação, já que a possibilidade de imperfeição fugiria aos seus desígnios por ser concomitante ou anterior a ele. E por tabela desconstrói a lógica da moral absoluta. E se deus também criou a possibilidade da imperfeição implode-se a teologia da perfeição moral suprema divina, aquela que legitima a punição do imperfeito porque deus é moralmente perfeito para tal. Mas se para deus é impossível criar a imperfeição – e ainda assim suas criaturas a sujeitam-,temos um imenso problema às prerrogativas divinas, já que o poder supremo e absoluto é incompatível nesse cenário.

Há então que se admitir: algo imponderável escapa à vontade de deus e nem lhe é impossível criar algo imperfeito. Se segundo a teologia, o deus perfeito criou cada humano com a liberdade de escolher, ainda assim a onisciência divina invalida essa tese. Isso porque mesmo com o fabuloso privilégio de prever, deus só permitiu a possibilidade do imperfeito vir à existência, ao que parece, apenas para justificar uma sádica prerrogativa de punição que poderia ser evitada se a máxima de que o perfeito não produz imperfeição fosse uma verdade absoluta. Deus, nesse caso, é um sádico. Ou não dispõe da onisciência, e por isso rende-se a compulsão criativa na tentativa patética de alcançar a perfeição, ou não tem o menor controle da perfeição e da mesma forma vai criando sempre na busca inalcançável da obra perfeita. Mas se até de deus escapou a perfeição, que sentido moral tem a punição eterna a uma criação imperfeita?

O que se abstrai, portanto, dessa teologia é que se deus é perfeito fica impedido de parir – e consequentemente punir – criaturas com a capacidade de escolher entre o perfeito e o imperfeito por essa razão lógica: é que diante da onisciência de um observador absoluto toda e qualquer decisão humana reduz-se a um determinismo irrevogável. Punir a criatura imperfeita que nunca usará a plenitude da liberdade, posto que sua decisão já está definida na eternidade dos tempos, é moralmente inaceitável.

a) Carlos Tavares, jornalista, livre pensador da cidade de Três Rios – RJ – Brasil