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Categoria: Religiões

7 de Junho, 2015 Carlos Esperança

Ocidente e Islão: um choque de civilizações

Texto de Sam Harris retirado do livro “O fim da Fé.”

Samuel Huntington descreveu o conflito entre o Islão e o Ocidente como «um choque de civilizações». Huntington observou que onde quer que muçulmanos e não muçulmanos tenham uma fronteira comum, o conflito armado é altamente provável. Utilizando uma frase feliz para uma realidade infeliz, declarou que «o Islão tem suas fronteiras ensanguentadas».

Ao contrário do que se pensa, Bin Laden não se «tornou num símbolo amplo e sobre-determinado de todos os ódios e medos da América». Basta ler o Alcorão para saber, com certeza quase matemática, que todos os muçulmanos verdadeiramente devotos estarão «convencidos da superioridade da sua cultura, e obstinados com a inferioridade do seu poder» tal como Huntington alega.

O mal que penetrou nas nossas fronteiras não é apenas o do terrorismo. É o mal da fé religiosa no momento da sua ascensão politica. Claro que o Islão não é a única religião susceptível de sofrer transformações tão terríveis, embora a sua ascensão, neste momento da história, seja única.

Os líderes ocidentais que insistem em afirmar que o nosso conflito não é com o Islão estão enganados.

Como sempre tenho tentado demonstrar, temos também um problema com o Cristianismo e o Judaísmo.Está na altura de reconhecermos que todos os homens e mulheres razoáveis têm um inimigo comum. É um inimigo tão próximo de nós, e tão enganador, que continuamos a seguir a sua orientação ao mesmo tempo que ameaça destruir a simples possibilidade da felicidade humana. O nosso inimigo não é mais do que a própria fé.

Embora seja reconfortante acreditar que o nosso diálogo com o mundo muçulmano tem, como um dos seus desfechos possíveis, um futuro de tolerância mútua, nada nos garante que isso aconteça, e muito menos os princípios do Islão. Dados os constrangimentos da ortodoxia muçulmana, dadas as penas existentes no Islão para punir a adaptação à modernidade, penso ser claro que o Islão deve encontrar uma maneira de se corrigir, pacificamente ou não.

O significado disto é tudo menos claro. O que parece óbvio, no entanto, é que o Ocidente deverá ganhar a discussão ou ganhar a guerra. Tudo o mais será escravidão.

(Enviado por Paulo Franco)

4 de Junho, 2015 Carlos Esperança

Sondagem espanhola

Estudo nº 3082.  BARÓMETRO DE MAIO 2015 Maio 2015 – Espanha

Pergunta 15

Crê que, em Espanha, as pessoas que têm crenças religiosas são, em geral, muito, bastante, pouco ou nada tolerantes com pessoas que NÃO têm crenças religiosas?

Muito tolerantes – 4,8  

Bastante tolerantes – 42,6

Pouco tolerantes – 35,7

Nada tolerantes – 10,2

N.S. – 6,2

N.C. – 0,4

(N) – (2.485)

 

Pergunta 15a

¿E as pessoas que NÃO têm crenças religiosas com as que têm crenças religiosas?

Muito tolerantes – 5,1

Bastante tolerantes – 46,5

Pouco tolerantes – 33,2

Nada tolerantes – 7,8

N.S. – 7,1

N.C. – 0,3

(N) (2.485)

CIS

2 de Junho, 2015 Carlos Esperança

Homenagem ao rei espanhol Juan Carlos

Faz hoje, 2 de junho de 2015, 1 ano que o rei, nomeado por um dos maiores genocidas do séc. XX, abdicou. Nomeado em 1969 para a monarquia abolida em 1931, o neto de Afonso XIII, nascido em Itália, durante o exílio, reinou de 22 de novembro de 1975 a 19 de junho de 2014.

O descendente da família Bourbon tornou-se rei, mais pela graça do ditador Francisco Franco do que da de Deus, alegada pelos clérigos reacionários, cúmplices do fascismo, e que viram na guerra civil contra a República, democraticamente sufragada, a ‘cruzada’ que o Papa de turno outorgou à sedição franquista.

Franco foi o déspota que assassinou dezenas de milhares de patriotas depois de finda a guerra, que garrotou presos políticos com a mesma displicência com que comungava e odiou a liberdade com a sanha com que rezava contra a República e a democracia.

Juan Carlos, educado numa madraça franquista, ganhou esporas de democrata no golpe do anacrónico tenente-coronel Tejero Molina, sob comando do gen. Milans del Boshe e tendo como cérebro o precetor real, general Alfonso Armada, com a comunicação social a imputar ao rei o mérito democrático, como se a intentona não tivesse fracassado com 3 homens que, nas Cortes, não se deitaram no chão, desafiando a ordem e os tiros, Adolfo Suárez, Gutiérrez Mellado e Santiago Carrillo.

Depois de anos a merecer a benevolência do país saído da ditadura terrorista, com 7,5 de aprovação, deve-se a Juan Carlos o facto de a monarquia ter atingido a aprovação de 3,72 numa escala de 0 a 10.

A erosão da instituição monárquica não se deveu apenas ao seu carácter anacrónico, foi mérito do rei que decididamente ajudou, com o apetite sexual dos Bourbons, a que fez jus, as caçadas, os negócios escuros da família, as relações pouco recomendáveis, onde não faltou o português Dias Loureiro, e o inenarrável genro Iñaki Urdangarín para quem o Ministério Público espanhol pediu 19 anos e meio de cadeia, acusado de desviar mais de seis milhões de euros de dinheiros públicos.

O descrédito que adicionou à monarquia não faz de Juan Carlos herói da República, mas merece gratidão pelo contributo para a decadência da instituição, que o imobilismo dos povos preserva e, sobretudo, por ter arrastado consigo o desprestígio da Igreja católica, pilar da monarquia e esteio da ditadura franquista.

1 de Junho, 2015 Carlos Esperança

O Islão e a Ibéria

O islamismo radical e a Península Ibérica

O mito do Al-Andalus é ensinado em escolas e madraças do mundo islâmico, que sente com carinho e profunda nostalgia esse glorioso passado.

Sabe-se há muito que a Península Ibérica (ou Al-Andalus — designação dada pelos árabes ao Estado e Civilização nela criados) ocupa um lugar particular no imaginário árabe, no que se reporta aos territórios conquistados que formaram o império. Com os trabalhos sobre o islamismo radical, iniciados algumas décadas atrás, soube-se mais.

29 de Maio, 2015 Carlos Esperança

A NOTÍCIA: Espanha – o mau perder do PP

Uma vereadora do Partido Popular de Rafelbunyol (Valência), Nuria Losada, causou polémica com um comentário que escreveu no Faceboock, em relação aos resultados eleitorais e ao descalabro do seu partido na região, em que se lia: «agora vão começar a queimar igrejas e violar freiras» e «na praça de touros construirão um bordel».

(Comentário divulgado pelo jornal ‘Levante EMV’)

Fonte: DN, hoje, pág. 36

29 de Maio, 2015 Carlos Esperança

A cerimónia da bênção das pastas

Não há evidência estatística que prove que a bênção das pastas beneficie os benditos ou seja a carta de recomendação para o primeiro emprego.

Não há ensaios duplo-cegos que provem a correlação positiva entre a fé e a preparação académica, entre a hóstia e o conhecimento científico, entre as orações e o domínio das sebentas.

Tirando o colorido coreográfico de um bispo paramentado a rigor e estudantes vestidos a imitar padres, não há nos borrifos de água benzida, arremessados a golpes de hissope, a mais leve suspeita de que a benta humidade preserve o coiro da pasta ou do próprio.

Há, todavia, no circo da fé, genuína alegria, uma absoluta demissão do sentido crítico, a força poderosa da tradição que arrasta os estudantes para a missa, a suplicar a bênção da pasta e a prometer que vão espalhar a felicidade.

Começam no confessionário a confessar os «pecados» em que reincidirão, continuam na eucaristia, despacham umas ave-marias e acabam na cerveja, mergulhando na estúrdia da semana de todos os excessos.

Deus é o aperitivo que a tradição manda e a festa é o ritual que os corpos e os sentidos exigem. O bispo leva Deus para o Paço episcopal enquanto os estudantes vão fazer a digestão da hóstia em hectolitros de cerveja ou acabar no banco do Hospital, em coma, espécie de êxtase místico induzido por abuso alcoólico.

Até à data não se registaram intoxicações por excesso de hóstias. Talvez a eucaristia tenha lugar no início dos festejos porque, no fim, não há estômago que ainda aguente.

No final do curso, os alunos começam a festejar de joelhos e, com a falta de empregos, acabam de rastos.