Grande parte das actividades da Opus Dei, a começar pelo apostolado, é levada a cabo pelos membros supranumerários. Isso consome muito tempo, em detrimento da família. Mas a Opus Dei responde a esta objecção com o argumento da sua escala de valores: 1. Deus; 2. Família; 3. Trabalho; 4. Vida social. Analisemo-la. Deus está primeiro. “Servir primeiro a Deus”.
“Não há santidade de segunda categoria: ou existe uma luta constante para estar na graça de Deus e ser conformes com Cristo, nosso modelo, ou desertamos dessas batalhas divinas”: com essas palavras de São Josemaría Escrivá, o bispo Javier Echavarría, prelado do Opus Dei, dirigiu-se aos 30 novos presbíteros desta prelazia, ordenados no sábado passado em Roma.
Não cometo a ofensa de pensar que os leitores do Diário Ateísta acreditem em milagres nem a injúria de acusar de semelhante ingenuidade o Papa e os bispos.
Sabe-se que a criação de beatos e santos é um negócio idêntico ao dos aviários e que os milagres estão para a indústria da santidade como as rações para a criação de frangos. É por isso que estão encomendados milagres para João Paulo II, o papa de que há fortes suspeitas de ter acreditado em deus, e para a Lúcia e outros bem-aventurados destinados a tornarem-se patronos de outras tantas caixas de esmolas.
O que aborrece, neste negócio, é o embrutecimento a que condena as pessoas simples, o cinismo com que as quer fazer passar por tolas, o impudor com que a ICAR tenta impor paradigmas medievais e sobrepor a irracionalidade da fé à virtude da razão.
A beatificação dos pastorinhos de Fátima – Francisco e Jacinta – criaram mais dúvidas aos crentes e ridicularizaram mais a sua Igreja do que os escândalos sexuais que minam os estabelecimentos de ensino que lhe estão confiados.
A cura da D. Emília dos Santos que, de vez em quando, ficava paralítica e cujo processo clínico parece ter desaparecido do serviço de psiquiatria dos Hospitais da Universidade de Coimbra, é um embuste tão primário que até os padres envergonha.
A D. Emília de Jesus tinha no Hospital de Leiria, no serviço de Medicina, uma mesinha de cabeceira cheia de santinhos e vasta quinquilharia religiosa que impressionavam o director. Quando, uma vez mais, voltou a andar e foi preciso rubricar um milagre, para a beatificação dos pastorinhos, logo foi confirmada a intercessão conjunta no prodígio.
O Vaticano apressou-se a dizer que o milagre foi certificado por três médicos diferentes, embora espante a convicção de que foram os pastorinhos os autores do milagre obrado. E a D. Emília, que morreu curada, nunca andou bem das pernas e da cabeça.
Aqui ficam os nomes dos médicos, diferentes, que confirmara o milagre: Felizardo Prezado dos Santos, director do serviço de Medicina, no hospital de Leiria, Maria Fernanda Brum, médica do mesmo serviço e esposa do primeiro e uma psiquiatra que, por insondável coincidência, é filha de ambos. Última indiscrição: todos os três médicos diferentes eram servitas em Fátima.
Diz a ICAR que os ateus ridicularizam os milagres. Não se vê que é ela que escarnece a inteligência e envergonha os crentes com os seus reiterados embustes?
A igreja católica, perante a perplexidade dos crentes, encontra-se sob o escrutínio severo da comunicação social, dos pais e da maioria dos cidadãos. A moralidade que apregoa dissolve-se nos escândalos que a corroem.
O documento secreto de João XXIII, enviado aos bispos, ameaçando excomungar todos os que denunciassem os crimes sexuais cometidos pelo clero, incluindo as vítimas, veio lançar sobre o único papa que mereceu a afeição dos não crentes uma mancha indelével.
A tentação de encobrir os prevaricadores e o péssimo hábito de os transferir de paróquia veio avolumar o opróbrio que recai sobre o Vaticano, um Estado com muitas sotainas e pouca transparência.
Não interessa que o papa se pronuncie ou não sobre o recente e chocante escândalo na Irlanda. As hormonas e a liberdade devoram o último estado totalitário europeu.
João Paulo II teve de aceitar a resignação do amigo, cardeal de Viena, Hans Herman Groer, referido como seu eventual sucessor, um poço de virtudes conservadoras a cuja fulgurante carreira eclesiástica as tentações pedófilas puseram termo. Dos EUA à pia Irlanda, da Espanha à Austrália, as dúvida sobre a virtude dos padres vão aumentando a descrença no seu deus.
Pode, pois, o velho inquisidor Ratzinger vociferar contra o preservativo e exasperar-se contra o planeamento familiar que os católicos não o escutam. O declínio da fé é uma evidência nas sociedades democráticas.
Urge controlar o terrorismo islâmico onde a hierarquia religiosa ocupa uma pirâmide irregular e sem vértice que dá origem a núcleos de devotos que aceitam tão cegamente o Corão como alguns cristãos o Antigo Testamento.
A recente tentativa de um acto terrorista de dimensões colossais foi sabotada nos EUA por infiltração no grupo assassino e venda de mísseis desactivados. Assusta saber que aqueles selvagens cruéis actuavam isolados, sem ligação a qualquer rede internacional.
Eram exclusivamente movidos pela fé, esse sinónimo do ódio xenófobo, essa demência sublimada na leitura do Corão, essa convicção de que o Paraíso abarrota de virgens e de mel para facínoras que julgam que deus é grande e que Maomé é um profeta respeitável.
A Irlanda tem-se caracterizado pela influência eclesiástica a todos os níveis do poder. O reaccionarismo católico só encontra paralelo na dimensão dos escândalos do seu clero. Não há lei modernizadora que não depare com a intolerância da Igreja.
Ainda está na lembrança de todos a ordem do tribunal para reter uma adolescente cujos pais a queriam levar a Londres para abortar, na sequência de uma violação. O tribunal negava-lhe o direito de sair do país perante uma campanha de apoio orquestrada pelos padres. Depois explodiu com estrondo a denúncia do bispo que ocultava a paternidade mas transferia fundos da diocese para criar o filho.
Nos conventos, até 1960, enclausuravam-se as mães solteiras que “envergonharam a família”, a quem roubavam os filhos, e outras que convinha encarcerar para manter indivisa a herança. Eram ultrajadas e maltratadas. Foi a crueldade no máximo esplendor, com o conluio das famílias e do clero católico, durante longas décadas, até à decisão dos tribunais, que levou ao encerramento dos conventos/prisões e à libertação das detidas.
Agora surgem acusações de violências e abusos comprovados num relatório impecável: privação de alimentos, violências sexuais e agressões físicas a crianças. Um oceano de horrores em charcos de água benta.
Revela-se a perversão, o drama de milhares de crianças a quem roubaram a felicidade e os crimes do clero (padres e freiras) contra vítimas que deviam cuidar. O que revolta é a inépcia do Estado para controlar instituições religiosas porque, em vez da autonomia, há a conivência que impede a defesa da dignidade humana e a investigação dos crimes.
Durante seis décadas foram vítimas de abusos sexuais, violências físicas e humilhações, milhares de crianças, com o conhecimento das autoridades políticas e religiosas, com a cultura do silêncio a vigorar enquanto a vida de crianças era dramaticamente destruída.
Já, várias vezes, o Diário Ateísta levantou o problema da defesa dos direitos das freiras e dos monges enclausurados, a necessidade de psicólogos, assistentes sociais e médicos verificarem se a clausura é uma decisão livre ou a reclusão pia coberta pelo manto da fé e do poder discricionário do clero. A violência não é só contra crianças.
Só tivemos insultos. Defender a liberdade, contra os preconceitos da fé, é um dever que pode custar caro e demora. Como se vê na devota Irlanda.
Nota: Não podemos esquecer as crianças vítimas das madraças islâmicas.
Um padre católico, condenado anteriormente por pedofilia na Austrália, reconheceu esta quinta-feira em tribunal ter atacado sexualmente em três ocasiões um aluno menor entre 1968 e 1969.
O processo histórico da vida da Irmã Lúcia deve dar entrada na Congregação para a Causa dos Santos dentro de um ano e, segundo o postulador da causa, o padre espanhol Ildefonso Mariones, “a beatificação pode acontecer rapidamente, talvez dentro de quatro anos”.
A comunidade muçulmana não quer que se distribuam preservativos nas escolas. Segundo David Munir, não deve sequer haver «contacto físico» entre rapazes e raparigas antes do casamento.
Fantástico. É sempre possível pior. Se a ICAR nos quer manter no século 19, o Islão quer levar-nos para a Idade Média. Se a ICAR aceita o contacto físico antes do casamento mas não o sexo, o Islão não aceita nem um nem outro. Felizmente que são ultra-minoritários na ocidental República lusitana.
(…)
No âmbito das comemorações dos 50 anos da inauguração do santuário do Cristo Rei, a imagem de Nossa Senhora de Fátima deixou a capelinha das Aparições em Fátima e viajou até Lisboa para uma procissão que culminou na missa presidida pelo Cardeal-Patriaca.
Comentário: Correcto era o contrário. Levarem o filho a visitar a mãe a Fátima.
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