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Categoria: Religiões

18 de Janeiro, 2011 Carlos Esperança

As ideologias e os crimes

As boas ou más acções costumam ser apanágio de pessoas boas ou más, mas as acções más praticadas por pessoas boas exigem a abdicação da racionalidade que a demência ou o fanatismo da crença provocam.

Os crentes das diversas religiões envergonham-se da história das crenças que professam e costumam acusar os ateus das mesmas malfeitorias que a piedade inspirou.

Na Grécia Antiga apelidavam-se ateus os que acreditavam em deuses de outras cidades porque, no fundo, todos somos ateus com os deuses alheios. Os ateus só descrêem de mais um deus do que os mais fanáticos monoteístas.

Seria estultícia negar os crimes execráveis de ateus que detiveram o poder, de Estaline a Mao, de Pol Pot a Enver Hoxha, mas não consta que os milhões de mortos e deportados fossem vítimas da crença na virgindade de Maria, na infalibilidade do Papa ou nas conversas de Maomé com o arcanjo Gabriel. Mas os judeus, cristãos e muçulmanos têm o habito de se matarem por questões de fé. Às vezes por meras divergências teológicas.

Não se podem considerar crimes católicos as centenas de milhares de assassinatos do devoto Francisco Franco, apesar do apoio entusiástico do clero católico e de o Papa de turno ter abençoado a matança com a equiparação a cruzada. Nem Mussolini, Pinochet, Videla ou Salazar podem ser vistos como assassinos católicos apesar da paternal estima que os pontífices de Roma lhes prodigalizaram.

Só o padre Tiso,  ditador eslovaco, se pode considerar um assassino católico porque matava cristãos, por serem ortodoxos, e judeus por ser hábito. Também não lhe faltou o apoio unânime do episcopado e do Papa e o epíteto de enviado da Providência, antes de ter caído em desgraça.

Os ateus criminosos não quiseram converter ninguém ao ateísmo, excepto o demente Enver Hoxha que presidiu a um Estado oficialmente ateu, uma perversão semelhante a uma teocracia.

Crimes religiosos são os que se praticam por causa de uma crença, com o desejo de que ninguém tenha dúvidas sobre qual é o deus verdadeiro – o dos carrascos.

As cruzadas, a evangelização dos índios, a Inquisição, a Jihad, os  pogroms, os suicídios bombistas assassinos, o terrorismo contra infiéis, esses sim, são crimes religiosos pois são praticados em nome de um deus contra os crentes de um deus diferente. Confundir os sistemas totalitários com o ateísmo é o mesmo que confundir Urbano II, Estaline, Pio IX, Mao, talibãs e cruzados com democratas e humanistas.

O Opus Dei e a Al-qaeda são instrumentos do proselitismo. Não há equivalente ateu.

18 de Janeiro, 2011 Carlos Esperança

Querem esquecer o passado

O Presidente do Conselho Pontifício para os Migrantes e Itinerantes, D. Antonio Maria Vegliò, admitiu dificuldades no diálogo entre comunidades de diferentes culturas e religiões na Europa, «sobretudo com o mundo islâmico».

Intervindo no XI encontro de agentes sócio-pastorais das migrações, em Fátima, D. António Vegliò disse que conteúdos diferentes atribuídos pelo mundo islâmico e pela cultura europeia aos mesmos conceitos podem estar na origens dessa dificuldade.

17 de Janeiro, 2011 Carlos Esperança

O negócio dos milagres

Beatificação alegra Igreja e fiéis católicos

“Todos os que o conheceram, todos os que tinham por ele estima e admiração, não podem deixar de se regozijar com a Igreja por este momento.” Falando ontem da sua janela virada para a Praça de São Pedro, no Vaticano, na bênção de domingo, Bento XVI não quis perder a oportunidade para demonstrar a alegria da Igreja pela beatificação de João Paulo II, a 1 de Maio.

14 de Janeiro, 2011 Carlos Esperança

Missa gay

Missa de apoio a Renato Seabra em Cantanhede

Realizou-se ao final da tarde de ontem, quinta-feira, uma missa de apoio ao jovem suspeito do homicídio do cronista social Carlos Castro.

De acordo com a TVI, “muita gente” compareceu nesta iniciativa convocada através de uma página do Facebook. Familiares, amigos, conhecidos ou população em geral compareceram na missa, que se realizou na igreja de Cantanhede.

Comentário: Aos que possam pensar que a missa foi pela vítima, o Diário Ateísta esclarece que os paroquianos rezaram pelo algoz.

14 de Janeiro, 2011 Carlos Esperança

Em busca de Deus

“Acto sexual aproxima o casal de Deus”

Um sacerdote polaco cujo trabalho diário é ajudar os casais cristãos a resolver os seus problemas conjugais escreveu um polémico livro em que tenta provar que a religião católica não é prejudicial para a harmonia sexual do matrimónio.

12 de Janeiro, 2011 Carlos Esperança

O Papa, a blasfémia e a laicidade

Bento XVI condenou as perseguições e crimes sectários cometidos contra os cristãos no Egipto e no Iraque e «a lei contra a blasfémia» do Paquistão. Quem aceita tal desvario? Só a demência sectária de uma crença pode levar à chacina de quem reza outras orações ou tem sobre a carne de porco e o álcool uma visão diferente.

O ódio religioso, destilado pelos livros ditos sagrados, é uma sobrevivência das tribos que inventaram deus como explicação por defeito para tudo o que ignoravam, para dar coesão social, combater os medos e sonhar uma vida para além da morte.

É surpreendente que as guerras religiosas que se agravam em África, entre muçulmanos e cristãos evangélicos mereçam tão pouca atenção da comunicação social europeia, que as limpezas étnicas e religiosas que ocorrem em várias partes do globo mereçam menos atenção do que qualquer acidente aéreo.

O Papa tem razão quando lamenta os ataques aos cristãos e pede o fim da “lei contra a blasfémia”, violência gratuita a primeira e anacronismo medieval a segunda. Blasfémia é qualquer discordância em relação à crença oficial ou inexistência de crença. No fundo, qualquer pessoa é ateia com os deuses dos outros. Mesmo em política, onde as ditaduras imitam as religiões, não se perdoam convicções heterodoxas.

O próprio Bento XVI ignora o «crime» quando se mantém nos códigos penais de países ditos católicos, como se as convicções particulares servissem para adjectivar países, mas a jurisprudência dos países democráticos privilegia o direito à liberdade de expressão face ao «crime» de blasfémia, ao contrário do que se passa nas teocracias.

Há muito que a laicidade se tornou a vacina capaz de conter o proselitismo e evitar lutas religiosas. O direito à crença, descrença ou anti-crença não se discute e a garantia reside na neutralidade do Estado. Só o Estado laico pode evitar a alienação de quem, para além  do direito à sua crença, quer impedir aos outros uma crença diferente ou a ausência dela.

Curiosamente, o Papa que reivindica a laicidade onde os cristãos estão em minoria, é o mesmo que se opõe à educação laica na América Latina. É, aliás, normal que os bispos católicos defendam o Estado laico quando são minoritários e uma Concordata quando se julgam maioritários, com o argumento de que não se deve aplicar a igualdade ao que é diferente.

Não podemos esquecer que a liberdade religiosa só foi reconhecida pela Igreja católica no Concílio Vaticano II, há cerca de 50 anos, e não parece que o actual pontífice recorde com entusiasmo o sínodo em que participou.

Por sua vez, o mais implacável dos monoteísmos – o Islão –, recusa qualquer crença que não seja o plágio grosseiro do cristianismo, sem o tempero da cultura grega e do direito romano.

Só a laicidade pode evitar o regresso das guerras religiosas, a submissão às sotainas e o retrocesso civilizacional.

10 de Janeiro, 2011 Carlos Esperança

O Papa e a benevolência com que encara a religião

Bento 16 diz que a religião não é um problema nem factor de conflito para a sociedade. A afirmação, feita no tradicional discurso anual ao Corpo Diplomático, esta manhã, no Vaticano, referia-se ao «Ocidente».

De facto, na Europa, com excepção do Vaticano, os Estados respeitam a liberdade de culto. Só pecam pela falta de atenção à pregação do ódio e da xenofobia e na leviandade com que abdicam de fiscalizar as madraças, conventos e outros lugares pios onde, nem sempre, a liberdade individual e os bons costumes são prezados.

Dizer que a religião não é um problema, é ignorar as manifestações hostis ao Governo de Espanha, com os bispos a agitarem as mitras e a brandirem os báculos na via pública, sempre que as leis da família tomaram um rumo de maior modernidade; é passar uma esponja pela independência da Croácia e da Eslovénia que provocaram uma tragédia na ex-Jugoslávia; é esquecer os crimes da Sérvia e do Kosovo a cujo separatismo a religião e a falta de visão política deram origem, com o sectarismo religioso a ser o detonador do ódio mútuo e da crueldade recíproca.

Nos países islâmicos, os constantes atropelos à liberdade e à vida assumem contornos fascistas para com os direitos e liberdades que tinham obrigação de respeitar e que, pelo contrário, desprezam.

Na Palestina a repressão sionista é uma obstinação da demência sionista e a sharia faz parte da alienação do Hamas.

A luta cruel que se desenrola em África entre o islamismo e o protestantismo evangélico é o mais forte desmentido das palavras do Papa que repudia justamente os assassinatos de pessoas no Egipto e no Iraque pelo simples facto de serem cristãos.

O Sudão, que hoje vota a separação do Sul, é um exemplo trágico dos conflitos étnicos e religiosos, tantas vezes associados na origem de tragédias.

O discurso do Papa não passa de uma peça de propaganda.