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Categoria: Religiões

16 de Maio, 2013 Carlos Esperança

Fátima, troika e milagres

Naquele tempo a Lúcia – segundo afirmou – não sabia ler nem escrever, nem, ao menos, contar os anos, meses ou dias, mas já reconhecia «o anjo que aparecia em forma de um jovem transparente, mais brilhante que um cristal atravessado pelos raios do Sol», que lhe surgiu pela primeira vez na Loca do Cabeço.

O Francisco e a Jacinta, que insondáveis desígnios, adiantaram no caminho da santidade não eram tão perspicazes nas visões nem tão apurados de ouvido.

Era pela Lúcia que sabiam que «Nosso Senhor» andava muito zangado e que a Senhora de Fátima, incomodada com os estados de alma do divino filho, aproveitava para dizer aos pastorinhos que pusessem toda a gente a rezar o terço e para pedirem ao Papa que consagrasse o Mundo ao seu (dela, Senhora de Fátima) coração imaculado.

Em vez de rebuçados caramelizados, embrulhados em papel, a Senhora surgia para lhes dar recados. A princípio, quando as pessoas descriam de tanta aparição, era a República que preocupava a celeste visita mas, com o tempo, depois de 1926, era já a conversão da Rússia que perturbava a Senhora de branco. E a arma para tal desígnio era ainda o terço, como poderoso demífugo capaz de afugentar o comunismo.

Certo, certo, foi o facto de a senhora de Fátima, pseudónimo com que se apresentou na Cova da Iria, ter surgido 7 vezes, a última das quais em rigoroso exclusivo para a Lúcia.

Foi a partir da coincidência e da confirmação do Sr. Presidente da República, alertado pela Sr.ª D. Maria, que eu acreditei no milagre de Fátima na aprovação da 7.ª avaliação do programa de ajustamento português.

Se com 7 aparições a Virgem converteu a Cova da Iria, de manhosos terrenos rústicos, de fraca valia para o setor primário, no promissor setor terciário, no sentido do jargão económico e no místico, dedilhar do terço com os mistérios do rosário, é de crer que a 7.ª aparição da troika fosse o milagre que faltava para tornar a vida dos portugueses num inferno. A Senhora de Fátima estava ao serviço do Céu mas a Troika, não.

14 de Maio, 2013 Carlos Esperança

Cavaco Silva, a troika e a Senhora de Fátima

A realidade é sempre pior do que a notícia. Cavaco Silva prestou-se a ser presidente da Comissão de Honra da canonização de Santo Pereira, a forma de desacreditar um herói nacional, Nun’Álvares Pereira, com o milagre pífio da cura do olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus, queimado com salpicos de óleo fervente de fritar peixe.

Um presidente que se presta a rubricar a cura milagrosa do olho esquerdo da cozinheira de Ourém, para fazerem santo um guerreiro com seis séculos de defunção, é alguém que prefere a oração ao colírio e que confia mais em Fátima do que na virtude dos enviados da troika, embora, neste caso, haja razões para desconfiar de todos.

Ao comprometer a Senhora de Fátima na aprovação da sétima avaliação do programa de ajustamento português, Cavaco revela que perdeu a confiança no Governo e vira-se para a Cova da Iria. Tal como Portas, notabilizado por mobilizar a marinha de Guerra contra um barco armado com pílulas abortivas, que ameaçava interrupções da gravidez da Gala a Buarcos, e que atribuiu à Senhora de Fátima a orientação dos ventos e marés que depositaram nas costas da Galiza resíduos tóxicos do naufrágio do petroleiro Prestige, o PR insiste na proteção divina, desígnio de que a exonera do estado a que chegámos.

Sabendo-se que o seu humor está ao nível do das vaquinhas dos Açores, os portugueses veem no PR, não o economista eleito PR, por milagre, mas o devoto capaz de anunciar aos portugueses: “Penso que foi uma inspiração da nossa Senhora de Fátima”.

Vi e ouvi o inspirado crente, com a colher da sopa suspensa entre o prato e a boca. Se a notícia fosse apenas do jornal certamente que teria duvidado. Não sei como não meti o cotovelo no prato.

13 de Maio, 2013 Carlos Esperança

Fátima – o destino de quem teme o futuro

Hoje, em Fátima, consumiu-se mais cera do que mel produziram as abelhas.

Fátima tem a maior área coberta da religião, em Portugal. Foi um centro de propaganda da ditadura depois de ter sido um instrumento de luta contra a República. A guerra fria deu-lhe uma enorme importância e converteu o local num centro de recolha de esmolas onde o dinheiro e o ouro abundaram. Hoje, a crise da fé e da economia tornam o sítio menos rentável, apesar das campanhas papais de marketing.

Também é verdade que os pastorinhos nunca conseguiram fazer um milagre de jeito. São mais os peregrinos que morrem na estrada do que os estropiados que se curam. Os joelhos dos devotos sangram nas maratonas beatas à volta da capelinha das «aparições» e as orações aliviam os crentes mas não produzem efeitos.

Não sei como os laboratórios farmacêuticos não usam a ave-maria como placebo nos ensaios duplo-cegos com que testam os medicamentos.

O paganismo é hoje um detonador da fé que se cultiva na Cova da Iria. Ninguém quer saber de deus, apenas a Virgem é a mascote que recebe oferendas e obriga a sacrifícios a quem se pagam promessas.

Ainda se veem velhos combatentes com a farda da guerra colonial a agradecer o retorno à Pátria. Se foi a virgem Maria que os protegeu deve haver 13 mil defuntos a sofrer em silêncio a desatenção da dita senhora que aparece em locais improváveis para alimentar a superstição e manter o negócio da fé.

Com a fome que grassa e a miséria que se instala não admira que, o desespero se torne propício às maratonas místicas que desaguam na Cova da Iria. Triste sina dos povos que veem a Terra a abandoná-los e se viram para o Céu.

10 de Maio, 2013 Carlos Esperança

O fruto proibido

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Bem que eu achava aquela história de maçã um pouco estranha!

10 de Maio, 2013 Carlos Esperança

Maomé

Por

Leopoldo Pereira

A Ciência estima que entre 12 a 14 milhares de milhões de anos atrás (mais ano menos ano), terá deflagrado uma espécie de bomba, que viria a ser rotulada de Big Bang. A citada explosão deu origem ao Universo, com milhões de Galáxias, cada qual com milhões de astros. Uma dessas Galáxias é a “Via Láctea”, nela existindo diversos Sistemas Solares, pertencendo o nosso planeta a um deles. Tudo isto acontece a escalas tais que um errozito de milhão ou ano-luz não é significativo nas medições. Significativo é o abrangimento de tamanha imensidão, inatingível para o comum dos mortais e daí o tradicional recurso à explicação mais simplista: Foi Deus que fez detonar a bomba!

Validemos a sugestão, o que também me leva a acreditar ter andado o Senhor muitos milhares de milhões de anos a arrumar as estrelas, a fazer colapsar as velhas para obter as novas, a guiar os cometas, a colocar “buracos negros” aqui e a ali, a desenhar as melhores órbitas para cada astro, enfim, todas as tarefas que tamanha complexidade exige.

Quebrando a rotina, há uns anitos (seis milhares, números redondos) decidiu rumar ao planeta azul da Via Láctea, para uma semana de férias. Só que, em vez de descansar, acabou fazendo algo em prol do planeta. Segundo os “Livros Sagrados”, criou o Céu e a Terra, o dia e a noite (na realidade já tudo isso existia), colocou dois luzeiros no Céu (Sol e Lua), outra medida escusada, pois os luzeiros já lá estavam; criou as águas, enchendo-as de seres vivos, as plantas, os animais terrestres e o Homem, à sua imagem e semelhança (quem inventou esta, no mínimo era presunçoso).

Deus descansou apenas um dia, dos sete previstos. A origem da Humanidade toda a gente sabe: Deus fez Adão, dele fez Eva e ambos tiveram três filhos varões. Como um deles matou outro, restaram dois. Deus disse-lhes: Crescei e multiplicai-vos. Tudo numa boa, até que o pessoal descambou e Deus, que não perdeu a Terra de vista, quis pôr cobro aos desmandos e afogou a malta toda, à exceção de Noé e sua família que, a bordo de uma pequena embarcação, juntamente com vários milhares de outros animais, se salvaram.

A partir daí, Deus, mais cauteloso, escolheu um povo para O adorar (só a Ele). A breve trecho até o Povo Eleito roeu a corda e as coisas estavam de novo a descambar! Foi então que Deus teve a ideia de elaborar os Mandamentos, que Moisés carregou Monte abaixo, até onde estava o seu povo acampado. Então os “eleitos” começaram a portar-se melhor (às vezes à força) e com o passar do tempo Deus avivava o espírito de alguns. Foi a estes iluminados, por certo analfabetos, que aos poucos ditou os textos bíblicos, escritos quando eles já não existiam!

Não deixa de ser curioso que Deus tenha prescindido de Roma, Constantinopla, Pinhel, Atenas, Cairo ou Lisboa, optando por aterrar sempre na mesma zona geográfica. E foi por essas bandas que posteriormente mandou entregar a Maomé, via anjo Gabriel, um livro já impresso, o Alcorão. Quase uma cópia da Bíblia, dado o Autor ser o mesmo. Mas por ser posterior e conter alguns queixumes divinos, relativamente ao Povo Eleito, acreditam os seguidores do Profeta que a verdade está com eles e os mais fanáticos defendem-na a ferro e fogo.

Por que razão Deus terá abandonado os “eleitos” e se voltou para Maomé? Deus tem razões que a razão desconhece. E o que consta do Profeta? Bom, a narrativa não lhe é muito favorável: Por azar ficou órfão muito cedo e consta que era pobre. Se o primeiro problema não tinha remédio, remediou divinamente o segundo, casando com uma viúva rica. Era idólatra, mas a dada altura começou a ter visões e mais tarde revelações. Deus aparecia-lhe sob a forma de luz intensa, o que o deixava encandeado e com suores; não raro batia com a cabeça.

Converteu-se e foi convencendo uns e outros de que era verdade tudo quanto lhe acontecia de sobrenatural. Tanto insistiu que foi corrido de Meca (sua terra natal). Decidiu ir para Medina com alguns seguidores e pelos vistos com sucesso. Travou várias batalhas com inimigos, somando vitórias e derrotas, mas no final tudo acabou em bem para a religião que defendia, sendo hoje a segunda em número de fiéis e sem dúvida a mais aguerrida.

Faleceu em Medina, depois de ter possuído esposas, escravas, sobrinhas, e outras mulheres (crentes). Como se depreende, praticou poligamia e foi de opinião que cada homem não deve ter mais que 4 mulheres. Teve vários filhos, mas só 4 filhas vingaram. Os muçulmanos veneram-no. Ele e Alá são o máximo.

O Alcorão contém muitas frases temíveis: “Matai os politeístas”; “Os não crentes islâmicos só têm um fim: O Inferno”; “Aos que não creem, atormentá-los-ei com um duro castigo nesta vida e na outra. Não terão quem os auxilie”; “Deus aniquila os infiéis”; “Se fordes mortos pela causa de Deus, tereis o seu perdão e uma misericórdia superior a todas as riquezas deste mundo”. “Não tenhais por mortos aqueles que morreram pela causa de Deus”; “Aos que combateram, introduzi-los-ei em jardins por onde correm rios”. Falta citar as “virgens prometidas” e várias outras frases identicamente elucidativas, mas por agora não pretendo alongar-me mais.

9 de Maio, 2013 Carlos Esperança

Deus pode esperar. O lucro não

Médicos, freiras e pais traficavam bebés comprados em Marrocos

A Guarda Civil acusou 19 pessoas desta rede internacional

Todas as crianças eram de famílias pobres para dar dinheiro ou promessa de um futuro melhor.

As redes de compra e venda de bebés que operaram em Espanha até 1990 não foram só fornecidas com os recém-nascidos no país, mas também importados do exterior.

A Guarda Civil já descobriu a existência de uma rede que captou crianças em Marrocos e, com base em Melilla, para casais espanhóis ansiosos para serem pais. Muitas dessas crianças foram entregues a famílias de Valencia, uma região que, já antes, aparecera como destinatária de muitos recém-nascidos roubados.

 

9 de Maio, 2013 Carlos Esperança

Insensibilidade católica

Supremo de El Salvador vai decidir se Beatriz pode abortar

Há quase dois meses, uma junta médica em El Salvador recomendou a interrupção da gravidez como única forma de salvar a vida a Beatriz C., 22 anos, portadora de lupus e com insuficiência renal.

A vida de Beatriz C., 22 anos, em adiantado estado de gestação e mãe de uma criança de um ano de idade, continua em risco. Proibida de abortar no seu país, sob pena de ser castigada com até 50 anos de prisão, a jovem salvadorenha, portadora de lúpus e sofrendo de insuficiência renal, apresentou há quase um mês um recurso ao Supremo Tribunal (CSJ) para que a equipa médica do Hospital de Maternidade seja autorizada a interromper a sua gravidez.