O jornal do Vaticano, L’Osservatore Romano, chamou de “ódio anti-religioso” a decisão da justiça espanhola de mandar retirar os crucifixos de uma escola pública.
Em artigo publicado nesta segunda-feira, o autor, o escritor e jornalista espanhol Juan Manuel de Prada, colaborador regular de L’Osservatore Romano, estimou que “os crucifixos podem ofender apenas os que querem que o Estado se transforme em um novo Deus com um poder absoluto sobre as almas”.
Por
Kavkaz
O Ministro italiano das Finanças, Giuli Tremonti, fez um serviço ao Papa ao elogiar-lhe uma suposta previsão “correcta” de 1985 sobre o “colapso” da economia “devido às suas próprias regras” e que “o declínio observado ao nível da ética poderia “levar a um colapso das leis do mercado”. Será que o Papa acertou? A minha resposta é NÃO!
A actual “crise financeira mundial” tem o seu ponto de partida nos EUA. Entendo haver dois nomes claramente responsáveis pela “crise”: George W. Bush e Alain Greespan.
O primeiro, mais conhecido de todos, ainda Presidente dos EUA, é o responsável político pelo envolvimento dos EUA em duas guerras internacionais, a do Afeganistão (iniciada a seguir aos ataques ao WTC de 11/09/2001) e a do Iraque (iniciada em Abril de 2003). Estas duas guerras consumiram muitas centenas de milhões de USD e fizeram disparar as dívidas do Estado americano.
Alain Greespan, foi Presidente da Reserva Federal dos EUA, de Agosto de 1987 a Janeiro de 2006. Foi durante o seu mandato que as taxas de juro subiram e desceram de forma acentuada. Em Dez./2000 Greenspan estabelecia a taxa de juro de referência em 6,5%, mas em Dez./2007 era de 1,5% (desceu mais de 4 vezes). E continuou a descer até Maio de 2004 atingindo 1% (6,5 vezes menos 4 anos depois). Isto deu uma confiança extraordinária aos americanos que pensaram que o dinheiro seria sempre barato e poderiam comprar vivendas, automóveis, tudo, a crédito com baixo custo de juros. Os bancos locais convenciam os clientes a comprarem imobiliário sem entrada. E vendiam as dívidas destes clientes, em pacotes de investimento imobiliário, aos grandes bancos de investimento de Nova Iorque.
Com o esforço da condução das duas guerras pelos EUA e as dívidas enormes do Orçamento estatal a taxa de juro americana começou a subir. Atingiu os 5,25% em Junho de 2006. Subiu 5,25 vezes em 13 meses. Milhares de pessoas que tinham dívidas aos bancos, por terem comprado recentemente a sua vivenda ou carro (o preço da gasolina em USD também subia), deixaram de cumprir o pagamento das suas prestações por estas se terem tornado incomportáveis com a multiplicação do nível dos juros a pagar. Os grandes bancos de investimento entraram em crise por não receberem os pagamentos dos endividados. Alguns faliram, outros foram vendidos. A taxa de juro só começou a descer em Set./2007 e está agora em 1% de novo, desde Out./2008.
São os erros fundamentais destes dois homens, um pelas guerras lançadas e o outro pela loucura das disparidades impostas na taxa de juro americana que provocaram consequências e levaram à actual crise económica nos EUA, que se estendeu a outras regiões do globo, com a perda de confiança dos investidores e a retirada dos capitais das bolsas mundiais.
O Papa não entra em pormenores, como sempre, e fala de “colapso das leis de mercado”. A oferta e a procura existiram e vão continuar a existir. O mercado não termina porque alguém o decide. Os preços sobem e descem pela oferta e procura. O Papa está errado na previsão de 1985 do “colapso das leis do mercado”. Estas continuarão a actuar como dantes.
A crise actual tem dois nomes concretos como principais responsáveis, mas o Papa não soube ou não lhe convém dizê-lo!
É grave e clamoroso o silêncio da imprensa em relação à assinatura do acordo entre o Executivo brasileiro e a Santa Sé. Como é grave a atitude de, ao dar a matéria, meramente divulgar informações oficiais do governo brasileiro ou do Vaticano, que obviamente tentam minimizar a ameaça à laicidade do Estado, que está presente.
À espera dos colaboradores regulares que já manifestaram a sua disponibilidade para a reactivação do blogue, que já foi dos mais lidos e comentados da blogosfera, o DA vai manter-se vigilante contra os piratas informáticos que o desactivaram durante quase três meses e contra o clericalismo que corrói o Estado laico que a democracia criou.
Como repetidas vezes se tem afirmado, o DA não é um órgão da Associação Ateísta Portuguesa (AAP) e os artigos apenas comprometem quem os subscreve ou publica, mas será sempre um veículo do ateísmo, na diversidade e, até, nas divergências dos seus colaboradores.
Os ateus são livres-pensadores a quem a dúvida estimula e não os detentores de certezas com que os crentes se anestesiam. Por isso são um estorvo às crenças e à superstição.
Perante o proselitismo clerical e agressividade da Conferência Episcopal Portuguesa, que procura manter os privilégios herdados da ditadura de que foi cúmplice, é preciso defender a laicidade do Estado e o direito das famílias a que não lhes fanatizem os filhos.
O DA é um lugar de encontro dos que não precisam de deus para serem felizes, dos que recusam um ente cruel, misógino, homofóbico, vingativo e violento que os homens da Idade do Bronze criaram à sua imagem e semelhança.
Sem deuses nem diabos, sem anjos nem milagres, sem livros sacros nem excomunhões, o Diário Ateísta continuará a defender a liberdade, a paz e o livre-pensamento.
Perante os que matam em nome de deus, o Diário Ateísta exaltará a vida, única e irrepetível, e uma ética descomprometida com as fantasias do sobrenatural.
CIDADE DO VATICANO – O jornal vaticano ‘Osservatore Romano’ lamentou nesta sexta-feira que a Justiça italiana tenha ignorado a posição da Igreja no caso de Eluana Englaro, há 16 anos em coma, cuja eutanásia foi permitida por decisão judicial.
As capelanias dos hospitais precisam de mais sacerdotes para trabalhar nesta área pastoral. No encontro que juntou a equipa Coordenadora Nacional das Capelanias Hospitalares com os Coordenadores Diocesanos de Capelães, foi entendido realizar um encontro de iniciação para Capelães/Assistentes Espirituais.
Nota: Para quando o respeito pela laicidade?
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Kavkaz
Em Israel realizaram-se as eleições municipais. O principal tema dos órgãos de informação de ontem, em Israel, era a vitória do candidato secular Nir Barkat na cidade de Jerusalém. Barkat obteve 52 % dos votos contra os 43% do candidato dos partidos religiosos, Meir Porush, rabino ultra-ortodoxo e parlamentar. Barkat apresentou-se como candidato independente.
O novo Presidente da Câmara de Jerusalém, com cerca de 700 mil pessoas, no seu discurso de vitória prometeu ser o “Presidente de todos os habitantes de Jerusalém”, trabalhar para o bem de todas as organizações laicas e religiosas, de todos os habitantes judeus e árabes.
Ele é contra a divisão de Jerusalém com os palestinianos, pretendentes aos bairros da parte ocidental da cidade, ocupados por Israel durante a guerra de 1967 e pretende transformar Jerusalém na capital cultural de Israel e em centro de turismo internacional.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.