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17 de Março, 2006 Carlos Esperança

Os pés de S. Francisco Xavier

(Foto de E.O. – enviado do Diário Ateísta, em Goa)
O mórbido desvelo da Igreja católica pelos cadáveres devia levá-la a criar um piquete de urgência para reparar as mazelas que corroem os corpos dos santos defuntos, como faz a Brisa com os buracos das auto-estradas.

O bom senso devia levá-la a privilegiar os ossos, fáceis de substituir e mais resistentes ao tempo e à humidade, sem perda da santidade do bem-aventurado referido na etiqueta.

A Capela dos Ossos, em Évora, hediondo culto do tétrico e lucrativo apelo à devoção, é a prova de que os ossos resistem e a carne é fraca, como a própria ICAR ensina.

Em Itália – já aqui referi no D. A. – uma guia turística debitava um ror de milagres junto do esqueleto de um virtuoso e excelente santo que continuava a obrá-los. A seu lado um esqueleto pequeno passava despercebido por entre uma panóplia de ossos pios que mais pareciam amostras de um laboratório anatómico.

Tendo um turista perguntado a que santo pertencera o pequeno esqueleto, logo a guia o atribuiu ao mesmo santo… quando era mais novo.

A ICAR vive do cadáver de J. Cristo que, por lhe ter perdido o rasto, o domicilia no Céu para onde terá emigrado três dias após a morte. Exibe-o agora, esculpido e chagado, só ou dependurado em cruzes mas não despreza as aparas do santo lenho onde o fundador da seita – segundo a propaganda – terá agonizado.

À falta de corpo não há milagres. Cristo é um mero logotipo para identificar a religião e facilitar a venda de indulgências, liturgias, sacramentos e artigos pios.

Por isso, os santos têm elevada cotação no mercado da fé e provocam muita emoção no bazar católico. Mas há desleixo dos inspectores de relíquias e incúria nos zeladores dos mortos.

Falta aos santos cadáveres um código de barras, inspecção sanitária e prazo de validade, para advertir os funcionários de Deus a quem cabe a manutenção da mercadoria.

Com algum zelo a ICAR nunca mais permitirá que um santo tão exaltado – S. Francisco Xavier – deixe chegar os pés ao estado deplorável que a imagem documenta.
16 de Março, 2006 Carlos Esperança

S. Francisco Xavier – Apóstolo das Índias

(Fotografia recente, amavelmente cedida por E. O.)

Desacreditada com a última leva de santos que JP2 criou em doses industriais, como nos aviários se produzem frangos, e descoroçoada com a falta de originalidade dos milagres, virou-se a ICAR para santos antigos, de sólido prestígio, reconhecimento público e clientela fiel.

Francisco Xavier é uma dessas reputações sem mácula, um jesuíta da primeira hora, nascido em Espanha, amigo e discípulo de Loiola, que estudou em França e partiu, ao serviço de D. João III (o Piedoso), para o Oriente.

Evangelizou na Índia, Malaca, Molucas e Japão, ímpios que converteu à única religião verdadeira e, assim, os resgatou do limbo, dando-lhes o passaporte para o Paraíso onde certamente ainda residem as almas por falta de acordos bilaterais de extradição com o Inferno.

Francisco Xavier era tão santo que o corpo ficou incorrupto, prova de santidade e fonte de receitas para a Igreja cujo culto mórbido por cadáveres é uma verdadeira obsessão.

Há cerca de cinquenta anos as relíquias (fragmentos de cadáver em bom estado de conservação) vieram de Goa e viajaram por este velho Portugal para gáudio e pasmo das populações rurais que acorriam a ver a mão do santo, tendo como brinde a missa, um sermão do padre Pinto Carneiro e uma procissão.

A mão comoveu crentes e resistiu à viagem, às homilias e às procissões, dentro de um relicário cujo vidro a defendia dos devotos que a contemplavam com ar bovino.

Perdido o Império colonial, que começou a ruir na Índia, lá ficou o cadáver na velha Goa, na Basílica do Bom Jesus, onde o santo jaz morto e apodrecido.

Um cadáver que gozou de excelente estado de conservação durante séculos está agora, por falta de orações, no estado deplorável que a imagem documenta.

Faz no próximo dia 7 de Abril 500 anos que nasceu o santo. A ICAR prepara a festa, mas deixou apodrecer as relíquias.

15 de Março, 2006 Palmira Silva

Defensores da fé

«Mas esta prescrição da razão não poderia ter força de lei se não fosse a voz e o intérprete de uma razão mais alta, à qual nosso espírito e nossa liberdade devem submeter-se.» (Leão XIII, encíclica Libertas Praestantissimum, 1888)

«O totalitarismo nasce da negação da verdade em sentido objectivo: se não existe uma verdade transcendente, na obediência à qual o homem adquire a sua plena identidade, então não há qualquer princípio seguro que garanta relações justas entre os homens.» (João Paulo II, encíclica Centesimus Annus, 1991)

Um argumento recorrente, e totalmente falso, por parte dos crentes em relação ao ateísmo consiste na afirmação que um sistema ético divorciado do «sobrenatural» é simplesmente utilitário/subjectivo/nihilista e redunda numa sociedade injusta e selvagem. Esquecendo que não há uma única crença religiosa que resista a um escrutínio objectivo; que não existe sequer uma única evidência que Deus, Alá, Yahweh, Shiva, Marduk , etc. sejam mais que as congeminações dos que os propuseram. E o mesmo em relação às supostas verdades «reveladas». Para além de que a suposta ética religiosa é uma ética mercenária em que se compra um lugarzinho no Paraíso por obediência a essas leis «reveladas».

Em qualquer religião, especialmente as do livro, há inúmeras interpretações quer da «verdadeira» natureza de Deus quer das suas «leis». E o terrorismo religioso é indissociável das religiões e tem sido justificado ou como excesso de fé ou por uma interpretação contrária a essa «verdadeira» natureza divina e às respectivas «verdadeiras» leis.

O problema é que essa natureza e as suas leis são o que alguém diz serem e, como temos apreciado ao longo da História, quer essa natureza quer as leis «reveladas» têm sofrido alterações radicais. O que torna essas verdades absolutas e as morais/éticas associadas mais subjectivas que a ética humanista ateísta. Porque a ética humanista é construída racionalmente a partir de premissas consensuais, como os direitos humanos, e por processos lógicos cujas regras são conhecidas de todos. As religiões apenas podem justificar as suas morais (irracionais) apelando a uma suposta experiência sobrenatural de um qualquer profeta, papa ou afins e que não resiste (nem pode ser sujeita) a uma análise racional.

Assim, para os crentes em qualquer religião, e todas exigem obediência acrítica ao que debitam, o imperativo de fazer o que quer que seja que Deus (ou o Espírito Santo) supostamente sussurra no ouvido de qualquer alucinadoou oportunista sobrepõe-se aos mais básicos princípios da convivência humana.

O cristianismo em particular aponta como doutrina fundamental uma aceitação submissa dos ditames do Vaticano, que se opõe a qualquer «insubordinação, relutância em obedecer, rebelião contra a autoridade». Um exemplo é o de Abraão e Isaac. Deus ordena a Abraão para sacrificar o seu filho, isto é, Deus ordena a Abraão para cometer um assassínio. Há aqui um aparente paradoxo, resolvido se entendermos que este episódio pretende incutir a lição que é mais importante obedecer a Deus do que preservar a vida humana. Nenhum princípio, verdade, honestidade intelectual, respeito pela vida humana, se sobrepõe à estrita fidelidade à miragem da «vontade» de Deus.

Estes (e outros) argumentos são desmontados num fabuloso artigo de Slavoj Zizek*, de leitura obrigatória, no New York Times de domingo. Deixo para já alguns parágrafos que reflectem exactamente o que penso sobre os temas abordados.

«Durante séculos disseram-nos que sem religião não éramos mais que uns animais egoístas, lutando pelo nosso quinhão, a nossa única moralidade a de uma alcateia de lobos; apenas a religião, diziam-nos, nos pode elevar a um nível espiritual mais alto. Hoje em dia, quando a religião emerge como a fonte de violência assassina por todo o Mundo, soam ocas as desculpas de que os fundamentalistas cristãos ou muçulmanos ou hindus apenas abusam e pervertem as nobres mensagens espirituais das respectivas crenças. E que tal restaurar a dignidade ao ateísmo, um dos maiores legados da Europa e talvez a nossa única hipótese de paz?

Há mais de um século, no livro ‘Os irmãos Karamazov’ e em outras obras, Dostoyevsky avisava-nos contra os perigos de um niilismo moral sem Deus, essencialmente argumentando que se Deus não existe então tudo é permitido. O filósofo francês André Glucksmann até aplicou ao 11 de Setembro a crítica de Dostoyevsky ao niilismo ateu, como sugere o título do seu livro ‘Dostoyevsky in Manhattan’.

Este argumento não podia estar mais errado: a lição que nos dá o terrorismo actual é que se Deus existe então tudo, incluindo rebentar com milhares de inocentes, é permitido – pelo menos para aqueles que clamam agir directamente em nome de Deus uma vez que, evidentemente, uma ligação directa com Deus justifica a violação de quaisquer considerações ou constrangimentos meramente humanos. Abreviando, os fundamentalistas religiosos tornaram-se iguais aos comunistas estalinistas sem Deus, para quem tudo era permitido uma vez que se consideravam instrumentos directos da sua divindade, a Necessidade Histórica de Progresso a caminho do Comunismo.»

(…)

Os fundamentalistas fazem o que consideram como boas acções de forma a cumprirem a vontade de Deus e para ganharem a salvação; os ateístas fazem-nas simplesmente porque são a coisa certa a fazer. Não é esta a nossa mais elementar experiência de moralidade? Quando eu faço uma boa acção não a faço como um suborno para cair nas boas graças de Deus; faço-la porque se não a fizesse não me conseguiria olhar no espelho.»

*O filósofo Slavoj Zizek, é o director internacional do Birkbeck Institute for the Humanities. O seu livro mais recente e o mais representativo é «The Parallax View».

15 de Março, 2006 Carlos Esperança

A ICAR e a liturgia

Um bispo que abdique do Palácio Episcopal, dispa a mitra e a capa de asperges, pendure o báculo e arrecade o anelão com ametista, prescinda dos fâmulos, reverências e beija-mão, venda a custódia e leve ao prego a cruz de diamantes, pode tornar-se um cidadão.

Se o clero desistir do processo alquímico que transforma a água normal em benta, o pão ázimo em corpo e sangue de Jesus e as orações em modo de pagamento de apartamentos no Paraíso, pode recuperar a honestidade que o charlatanismo comprometeu.

Se renunciar às novenas, missas e procissões, ao lausperene e ao te deum, pode reservar as energias para o bem público.

Se a confissão, a terrível arma que viola a intimidade dos casais, a honra dos crentes e a confiança da sociedade, for abolida, deixando ao deus que dizem omnisciente a devassa dos pecados e o sigilo, o mundo fica mais tranquilo.

As religiões são especialistas em idolatrar o passado e mitificá-lo. Fazem piedosas falsificações, inventam documentos e fazem relíquias para embevecer os carentes do divino em busca de uma assoalhada no Paraíso.

O incenso e os sinais cabalísticos prejudicam a reflexão e o livre-pensamento.

15 de Março, 2006 Ricardo Alves

Onde está o bom-senso, onde está a realidade?

A propósito do seu novo filme, Manoel de Oliveira cometeu declarações no Diário de Notícias que, para ser simpático, me limito a qualificar como disparatadas: «Agora tiram o véu às meninas que vão ao colégio com véu, tiram os Cristos de algumas escolas, é proibido ter qualquer religião mas não é proibido ser ateu ou laico. Onde é que está a liberdade, onde é que está a tolerância?»

A minha vontade é responder ao conhecido realizador de cinema perguntando-lhe «onde está o bom-senso, onde está a realidade?». Efectivamente, a última vez que me dei conta de um esforço significativo para impedir alguém de ter uma dada religião em Portugal foi há exactamente dez anos, quando houve uma campanha pública contra um pequeno grupo evangélico neo-pentecostal, a IURD. Na altura, chegou-se mesmo a destruir um local de culto desta religião e a IURD foi expeditamente despejada de vários templos que não estavam devidamente autorizados. Não se constata zelo comparável na aplicação das leis quando está em causa a religião que inspira Manoel de Oliveira no seu último filme, e não me recordo de o realizador nonagenário ter defendido a liberdade de religião dessa igreja que tinha métodos de marquetíngue tão eficazes, mas que era talvez popularucha demais para a selecta estética oliveiriana.

Devo ainda acrescentar que na minha cabecinha ateísta não pode ser classificada senão como humorística a ideia de que tirar crucifixos das escolas públicas seja «proibir qualquer religião». Parece-me que impô-los a quem não os quer será, isso sim, senão «proibir» o ateísmo ou qualquer religião que não tome o crucifixo como símbolo (ou seja, todas à excepção do catolicismo), pelo menos obrigar quem não segue o catolicismo a conviver com uma religião que rejeita. Mas admito que isto sou eu, com esta minha mania de que são as pessoas e não as sociedades que têm religião e que, horror dos horrores, ninguém deve ser obrigado a seguir uma religião que não deseja.

No fundo, o melhor de Manoel de Oliveira sempre foi a comédia, e é nessa categoria que se devem arquivar as suas declarações.
14 de Março, 2006 Palmira Silva

Isaac Hayes deixa South Park

Isaac Hayes a voz do «Chefe» em South Park abandonou a série por, alegadamente, já não aguentar as sátiras à religião que abundam nesta série satírica.

Hayes, que personifica o cozinheiro da escola desde 1997, justificou a sua saída porque «As crenças religiosas são sagradas para as pessoas e devem ser sempre respeitadas e honradas». Estranhamente Hayes, um devoto cientologista e crente em Xenu, «thetan’s» e demais delírios do escritor de ficção científica L. Ron Hubbard que inventou a religião há cerca de meio século, nunca protestou as muitas sátiras devotadas a outras religiões. Os pruridos de Hayes apenas se manifestaram depois de um episódio de South Park (entretanto banido depois de Tom Cruise ter ameaçado processar a Paramount se o episódio fosse emitido outra vez), «Trapped in the Closet», ter satirizado a Igreja da Cientologia e as celebridades que acreditam nos disparates extra terrestres sortidos desta religião.

Matt Stone, co-criador de South Park, afirmou ontem à Associated Press que «Isto tem 100% a ver com a sua fé na Cientologia… Ele não tem problemas – e recebeu montes de cheques – em que o nosso programa satirize cristãos» acrescentando que «Ele quer um padrão diferente para as outras religiões e para a sua e, para mim, é aí que a intolerância começa».

Embora o «Chefe» fosse um personagem que de certa forma normalizava o mundo disfuncional de South Park numa nota optimista pode ser que agora possamos ver um episódio de «Bullshit! on Scientology»!

14 de Março, 2006 Carlos Esperança

A Cúria Romana pode abandonar o Vaticano

«Bento XVI afirmou que a África deve ser uma prioridade para a Igreja Católica.

Num encontro de oração com jovens universitários da Europa e do continente africano, que decorreu no último sábado, o Papa sublinhou a necessidade de impulsionar o humanismo cristão como via de cooperação entre o continente europeu e o africano» – afirma a Agência Ecclesia, órgão oficial da seita.

Há grande euforia nos meios ateístas europeus, com a possibilidade de a Cúria Romana se transferir para o Burkina Faso, um país da região do Sahel, para contrariar aí a influência do islão telecomandado da Arábia Saudita.

Se a auspiciosa previsão se confirmar, a Bielorússia ficará como a derradeira ditadura do espaço europeu
14 de Março, 2006 Palmira Silva

Cristanianismo vs islamismo

Não é apenas o Vaticano que explora os medos da modernidade despoletados pelo terrorismo islâmico para passar a mensagem que apenas o fundamentalismo cristão pode derrotar a ameaça do fundamentalismo islâmico.

Depois de Ratzinger, que expressou repetidamente as suas preocupações sobre o futuro de uma Europa sob a ameaça da laicidade e do Islão, em que a primeira, ou seja, a exclusão de Deus da vida pública, impede a única resposta que dará conta da ameaça islâmica, a assunção inequívoca e firme da superioridade do cristianismo é a vez dos dignitários anglicanos usarem o terrorismo islâmico como forma de coacção psicológica para angariar clientela!

No passado domingo os membros da congregação da Catedral de Lincoln foram avisados por um dos seus responsáveis, Alan Nugent, que, a não ser que os ingleses (assumidos pelo dignitário como cristãos por omissão) levem a sua fé a sério, a Inglaterra tornar-se-á a breve trecho uma nação islâmica.

Para Nugent é significativo que, embora menos difundido pelos media, nas manifestações integrantes da guerra dos cartoons, para além dos posters «brutais e violentos», esses sim muito reproduzidos na imprensa, muitos posters dos manifestantes avisavam que em breve a Inglaterra seria uma nação islâmica. «Não há dúvida que o Islão é uma fé missionária e a conversão de incréus um factor decisivo na sua difusão. Não é assim surpreendente que muitos muçulmanos possam ter a esperança que este país se converta à fé do profeta- especialmente quando encontram frequentemente uma fé cristã que é incerta e em declínio».

Não é muito difícil prever que esta será uma tecla muito utilizada no futuro próximo por parte de todas as confissões cristãs, a necessidade de combater fogo com fogo, isto é, combater o fundamentalismo islâmico com fundamentalismo cristão. Face aos prevísiveis ataques aos valores em que assenta a nossa civilização por parte das religiões, cristã e islâmica, é necessário que todos os que não querem regressar ao obscurantismo das Cruzadas afirmem a laicidade e a defesa dos direitos humanos consagrados como a única forma de ultrapassar a actual crise!

14 de Março, 2006 Palmira Silva

Uma entrevista com Daniel Dennett

O autor de «Breaking the Spell: Religion as a Natural Phenomenon», o livro que tenta explicar o como e o porquê de os homens terem inventado os deuses e um dos proponentes do termo «bright» para designar livre-pensadores em geral foi entrevistado pelo Guardian.

Vale a pena ler a entrevista (e esta outra) em que o cientista, que colaborou com Dawkins na extensão para o pensamento do mecanismo dos genes egoístas ou memes, compara neste seu novo livro a religião a um pequeno parasita, o verme Dicrocoelium dendriticum (lancet fluke), «um pequeno verme cerebral» que altera o comportamento de formigas de forma a ser engolido por uma ovelha ou vaca para se poder reproduzir nas entranhas destes animais. Dennett afirma que «memes são ideias contagiosas. Elas alastram de pessoa para pessoa. Há milhões de pessoas neste mundo que vivem de propagar memes. Todos os que trabalham em publicidade, todos em relações públicas e todos em religião».

Acusado pelos seus detractores de ser um «fundamentalista de Darwin», no sentido em que acredita que não existe uma área da vida que não possa ser passível de explicação em termos de selecção natural ( eu acrescentaria também deriva genética para dar conta de bizarrias nas mitologias religiosas de algumas comunidades isoladas), um rótulo que aceita alegremente, Dennett devotou a sua vida a mostrar como os ideais que consideramos mais sagrados, autodeterminação, individualismo, justiça, a alma, tudo o que se refere ao «Eu» pode (e deve) ser explicado em termos de preservação genética.

Eu não poderia estar mais de acordo com Dennett! Especialmente com a sua acepção que o mundo do futuro vai estar polarizado entre racionalidade e irracionalidade, isto é, crença.

13 de Março, 2006 Carlos Esperança

Afinal fala

Quaresma para escutar Jesus

«Escutar Cristo e obedecer à sua voz: este é o único caminho que leva à plenitude da alegria e do amor» – disse B16.

Afinal ele fala. Só lhe falta aprender a escrever.