Loading

Categoria: Não categorizado

17 de Agosto, 2006 Palmira Silva

Cartoons do Holocausto em exibição em Teerão

Em Fevereiro, como resposta à publicação dos cartoons sobre Maomé na génese da «guerra» dos cartoons – que trouxe mais violência a um mundo já abalado pela violência decorrente da intolerância das religiões – o presidente do Irão, Mahmoud Ahmadinejad – um crente fervoroso na proximidade do Yawm al-Qiyamah, o dia do Juízo Final – promoveu uma competição a nível internacional de cartoons sobre o Holocausto.

Cerca de 200 dos mais de 1100 cartoons dos fundamentalistas e neo-nazis que responderam ao convite, estão agora em exibição em Teerão, numa exposição que, segundo os seus organizadores, pretende testar a realidade da liberdade de expressão como um valor fundamental ocidental. Não sei exactamente que valor ocidental pretendem testar com o cartoon do indonésio Tony Thomdean que mostra a Estátua da Liberdade com um livro sobre o Holocausto na mão esquerda e tem o braço direito erguido na saudação nazi…

Suponho que a todos os participantes neste triste evento passou completamente ao lado o poder da sátira assim como o significado de liberdade de expressão. Aliás, é-lhes alheio quer o conceito de sátira quer o de liberdade de expressão! Para não falar no conceito de soberania, já que, como apontou o Ricardo, se acharam no direito de tentar condicionar a liberdade de expressão (e o decorrente direito à blasfémia) de países em que não vivem e que talvez nem saibam situar no mapa. Isto é, pretendem condicionar até sociedades em que os muçulmanos são uma pequena minoria, alienar os direitos fundamentais em que assenta a nossa sociedade!

Esta exibição, realizada imediatamente a seguir ao cessar fogo entre Israel e o Hezbollah não é um bom augúrio. Aliás, é um verdadeiro tiro no pé. Ao contrário desta exposição, que expressa tão sómente revisonismo histórico e anti-semitismo, os cartoons de Maomé apenas caricaturavam algo que é um facto experimental e violentamente comprovado nos últimos anos: associavam o Islão radical a violência.

Associação que foi e é feita não pelos cartoons mas pelas acções, como esta exposição, (e falta de reacção em alguns casos, como o do julgamento por apostasia de Rahman) dos muçulmanos mais fundamentalistas um pouco por todo o mundo. As caricaturas de Maomé foram injuriosas apenas indirectamente na medida em que foi também a campanha de intimidação e o assalto à liberdade de expressão ocidental orquestrados como manifestação «espontânea» de indignação aos cartoons que de facto contribuiram para que muitos se apercebessem de que o Islão é uma religião de violência.

Uma religião em que o teste de lealdade não é a fé mas o martírio na luta contra os incréus (47:4) – a única forma de salvação garantida (4:74; 9:111), já que apenas os «mártires» que morrem quando assassinam não crentes têm automaticamente todos os seus pecados perdoados (4:96).

Esta exibição pública de cartoons negando e caricaturando aquela que foi uma das maiores tragédias da humanidade, em que cerca de um terço dos judeus da época foram exterminados – genocídio apenas possível devido ao anti-semitismo instilado pelas restantes religiões do «Livro» – não é uma sátira: é apenas mais uma demonstração da violência do Islão e é claramente uma provocação, a Israel e a todo o Ocidente, com um timing tudo menos inocente.

Nas palavras de Yad Vashem, da Autoridade sobre o Holocausto, este evento, vindo de um país «O Irão, uma nação que aspira a poder nuclear e cujo presidente fez inúmeras declarações genocidas em relação a Israel [aliás considera que é necessário «limpar Israel do mapa» para que o seu Mahdi, o messias, seja enviado] é uma luz vermelha faiscante assinalando perigo não apenas para Israel mas para todo o mundo iluminado».

E concordo plenamente com a afirmação de Yad Vashem de que:

«A História demonstrou que silêncio face ao mal gera más acções»!

16 de Agosto, 2006 Carlos Esperança

Bento XVI reza pela paz

O Sapatinhos Vermelhos, em acto de exibição pública, reza pela paz enquanto o cardeal francês Roger Etchegaray, enviado especial do Vaticano, conduzia orações de um grupo de fiéis no Líbano.

Não sei se Deus ouve melhor as orações feitas no teatro de guerra ou as que, na pacatez do Vaticano, são rezadas por um dignitário com as orelhas sob a tiara.

Fica igualmente a dúvida sobre o que Deus pensa, se pensa, se acaso existe.

Acaba com a guerra porque uns figurões, exoticamente vestidos, disparam orações e acendem velas ou com vergonha da forma como se chacinam os crentes de duas edições diferentes do estúpido livro de que ditou a primeira edição a Moisés no Monte Sinai?

Se acaso as orações têm algum efeito para subornar Deus, por que motivo não as usaram antes do primeiro tiro, da primeira criança assassinada, da primeira grávida morta? E, se Deus é tão bom, como dizem, e omnipotente como apregoam que andava a fazer quando os primeiros mísseis foram disparados e os motores dos tanques aqueciam?

É feio querer ganhar influência política e importância mediática à custa das tragédias.

O Papa, bispos, mulhas, ayatollas e rabis são prostitutos de alterne, proxenetas de Deus, que, como aves de rapina, aguardam a carne putrefacta dos cadáveres para a sua própria sobrevivência.

16 de Agosto, 2006 Palmira Silva

Os pergaminhos do Mar Morto

Qumran-The Pottery Factory, Yizhak Magen e Yuval Peleg, Biblical Archaelogy Review.

Desde a descoberta, a partir de 1947, dos Manuscritos do Mar Morto, um conjunto de papiros encontrado nas cavernas da região de Qumram – Khirbet Qumran, «ruína da mancha cinzenta», localizado na margem noroeste do Mar Morto, a 12 km de Jericó e cerca de 22 km a leste de Jerusalém na costa do Mar Morto – que os 930 fragmentos de manuscritos hebraicos, aramaicos e gregos encontrados em onze cavernas, datando de 250 a.C. ao primeiro século da era comum, têm despertado uma intensa curiosidade.

As escavações realizadas nas proximidades pelo padre francês Roland de Vaux, da École Biblique et Archéologique Française de Jerusalém encontraram uma construção que, destruída e queimada no ano 68 da nossa era, o padre católico concluiu tratar-se sem dúvida de um antigo convento dos essénios. Os essénios são uma seita dentro do judaismo, cujo existência é conhecida por muitos outros textos da antiguidade.

Na verdadeira biblioteca encontrada nas cavernas há, entre inúmeros livros do Velho Testamento e outros relacionados com práticas sortidas dentro do judaísmo, alguns documentos específicos da seita, como o Manual de Disciplina, que era seguido pelos seus membros. Até agora, apesar de existirem mutos documentos contemporâneos do mítico Cristo, não há, como seria apenas expectável, alguma menção a Jesus. Pelo contrário, alguns documentos, incluindo um muito semelhante ao Sermão da Montanha, escrito umas décadas antes do suposto nascimento do Cristo, indicam que as lendas associadas a este não são inéditas, são apenas uma colagem de vários cultos messiânicos muito abundantes na época.

Mais livros e artigos têm sido escritos sobre Qumran que sobre qualquer outro ponto arqueológico no Médio Oriente. No entanto, têm sido os pergaminhos o foco das atenções daqueles que têm interpretrado a história de Qumran, essencialmente teólogos e historiadores da religião. A arqueologia propriamente dita e a análise arqueológica contextual do local foi até há pouco tempo um aspecto secundário.

No New York Times de ontem é apresentado o trabalho de dois arqueólogos da Israel Antiquities Authority, Yizhak Magen e Yuval Peleg, que trabalham no local há cerca de 10 anos, que asseveram que Qumran não tem nada a ver com essénios, conventos ou mesmo com os pergaminhos. Qumran, afirmam eles, era apenas uma fábrica de olaria, como a análise arqueológica do local indica.

Quando os romanos destruiram Qumran em 68, durante a revolta judaica, o local era o centro de uma indústria oleira pelo menos há um século. Antes disso, o local faria parte da cadeia de fortificações que se erguiam ao longo da fronteira leste de Israel.

«A associação entre Qumran, as cavernas e os pergaminhos é assim uma hipótese sem qualquer suporte factual arqueológico».

Opinião partilhada por Norman Golb, da Universidade de Chicago, que considera, dada a diversidade de seitas representada nos pergaminhos, que estes foram removidos de Jerusalém por refugiados da guerra com os romanos. Fugindo para leste, estes refugiados esconderam os pergaminhos na segurança das cavernas de Qumran, dentro dos potes lá fabricados, onde permaneceram durante séculos.

15 de Agosto, 2006 Carlos Esperança

A França e o catolicismo

Uma sondagem feita em França, com uma amostragem de 29.016 pessoas, concluiu que dois terços dos franceses se consideram católicos, que a prática religiosa é, sobretudo, feminina, praticada pelos mais velhos e cada vez maior o número dos «sem religião» que, em 20 anos, passou de 21% para 27%.

A moral sexual do Vaticano é desprezada pela maioria dos que se afirmam católicos e o número dos que vão regularmente à missa não chega a 5%.

Mesmo assim é um número significativo para um espectáculo que, com leves alterações, está em cena há demasiados séculos.

Fonte: Inquérito do «Ifop» realizado para o jornal «La Croix»

15 de Agosto, 2006 Palmira Silva

Heresia ao longo da história II

Continuando com a análise da evolução «herética», na génese da maioria das diversificações cristãs, retomo o tema da divindade do mítico fundador da seita, estabelecida de forma tão rebuscada e ilógica que até hoje continua fonte de «heresias» sortidas.

De facto, há pouco menos de dois anos o actual Papa, então na pele de inquisidor-mor, redigiu um documento declarando como herética a obra do padre Roger Haight, Jesus Symbol of God, que segundo Ratzinger «continha afirmações erróneas, cuja divulgação constituía grave dano para os fiéis».

No livro, o padre jesuita comete várias heresias. Afirma que «hoje a teologia deveria ser realizada em diálogo com o mundo pós-moderno», estabelecendo uma «correlação crítica» entre os dados da fé e o pensamento pós-moderno, o que se traduz para o actual Papa «numa subordinação [inadmíssivel] dos conteúdos da fé à sua plausibilidade e inteligibilidade». Ou seja, a fé deve continuar misteriosa, ininteligível, implausível e descrita numa linguagem propositamente confusa.

Para além disso, o jesuita produz «afirmações contrárias às verdades da fé divina e católica pertencentes ao primeiro coma da Professio Fidei, relativos à preexistência do Verbo, à divindade de Jesus, à Trindade, ao valor salvífico da morte de Jesus, à unicidade e universalidade da mediação salvífica de Jesus e da Igreja, e à ressurreição de Jesus».

Isto é, como inúmeros pensadores católicos que se atreveram a tentar racionalizar o rídiculo, o «herege» Roger Haight chega à conclusão que o dogma da divindade de Cristo é uma palermice que não resiste a uma análise filosófica/racional – para além de, como qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento de História, saber da impossibilidade da sua existência histórica. Assim, o autor propõe uma interpretação simbólica para o mito em que assenta o cristianismo, isto é, «uma cristologia da encarnação, na qual o ser humano criado ou a pessoa de Jesus de Nazaré é o símbolo concreto que exprime a presença na história de Deus como Logos».

A aceitação de que Jesus de Nazaré é um símbolo, isto é, um mito, é algo claramente impossível à hierarquia da Igreja que reclama ser o seu representante na Terra, agora como ao longo da sangrenta história do cristianismo.

Ou seja, a Igreja católica está «amarrada» às limitações impostas pelos três padres capadocianos ao resolver «airosamente» a divindade do seu mito recorrendo ao conceito velho como as primeiras religiões, da trindade, ou três face da Lua. Que não causava problemas em religiões politeístas mas numa religião supostamente monoteísta esteve na base de guerras, torturas e um inacreditável desperdício de tempo, pergaminho ou papel e tinta ao longo dos séculos.

E inúmeras heresias surgiram dos esforços de aplicados teólogos, que se recusavam a aceitar o comando da igreja de deixar ser a «natureza» do seu mito um «mistério» da fé, e que discutiam o significado de essência, ousia, e pessoa, hypostasis, para tentar resolver o berbicacho que constitui uma pessoa com duas essências (humana e divina) e que por sua vez faz parte de uma entidade com três pessoas e uma essência!

(continua)
15 de Agosto, 2006 jvasco

Aquilo que os Mormones acreditam

A explicação para a etnia africana é… surpreendente.
Cada religião com suas crenças bizarras…

15 de Agosto, 2006 jvasco

«O Islamismo é uma religião de Paz»

«A guerra é convocada por Alá, e todos os islâmicos devem estar dispostos a lutar, quer queiram, quer não»
2:216

«Alá providenciará uma vasta recompensa para aqueles que lutam em guerras religiosas»
4:74

«Quando lutares com descrentes, não retires. Aqueles que o fizerem irão para o inferno»
8:15-16

«Aqueles a quem os islâmicos mataram, não foram mortos por eles. Foi Alá quem fez a matança»
8:17

«Mata os idólatras onde quer que os encontres»
9:5

«Quantas cidades já Alá destruiu!»
22:45

«Aqueles que ouvem e rejeitam as revelações de Alá são mentirosos pecaminosos. Leva-lhes marés de destruição dolorosa»
45:7-8

«Alá ama aqueles que lutam em seu nome»
61:4

Estas são 8 passagens, entre 337 passagens seleccionadas que mostram o carácter «pacífico» da mensagem de Maomet.

14 de Agosto, 2006 Palmira Silva

50 anos sem Bertolt Brecht

No dia 14 de Agosto de 1956 falecia Eugen Bertholt Friedrich Brecht, vítima de um ataque cardíaco. Mas a sua obra mostra quão vivo está o criador do teatro didáctico, ateu assumido.

Recordo, por exemplo, «A Boa Alma de Setsuan». Esta parábola de Brecht data de 1941 e foi escrita na época em que o dramaturgo vivia no exílio da Alemanha nazi e em que Brecht afirmava que a bondade era o estado natural do homem.

Brecht foi desde o início um opositor do regime nazi e viveu no exílio desde a subida ao poder de Hitler. «A Resistível Ascensão de Arturo Ui» é uma paródia sobre Hitler escrita em 1941, na Finlândia. Usando como pano de fundo Al Capone e as guerras entre gangsters, transpostas para a Alemanha nazi, Brecht reproduz a tomada de poder e a anexação da Áustria.

O seu desprezo pela religião pode ser apreciado, por exemplo, na maravilhosa peça de teatro de Bertold Brecht, Santa Joana dos Matadouros (1932).

Se por acaso alguém vier dizer baixinho,
Que existe um Deus, invisível é verdade,
Do qual, portanto podeis esperar por socorro,
Batei-lhe o crânio na pedra,
Até que ele rebente.

ou no seu poema, «Se os tubarões fossem homens»

(…)
O mais importante seria, naturalmente, a formação moral dos peixinhos.

Eles seriam informados de que nada existe de mais belo e mais sublime
do que um peixinho que se sacrifica contente,
e que todos deveriam crer nos tubarões, sobretudo
quando dissessem que cuidam da sua felicidade futura.

Os peixinhos saberiam que este futuro só estaria assegurado
se aprendessem a obediência.
(…)
Também não faltaria uma religião, se os tubarões fossem homens.
Ela ensinaria que a verdadeira vida dos peixinhos começa no paraíso,
ou seja, na barriga dos tubarões.

14 de Agosto, 2006 Carlos Esperança

Günter Grass e Rätzinger

A revelação, feita pelo próprio, de que tinha sido membro das SS, de Himmler, deixou os admiradores do Nobel da Literatura, Günter Grass, em estado de choque.

Nascido no mesmo ano, exactamente seis meses depois, Günter Grass fez o mesmo percurso adolescente de Joseph Ratzinger. É uma nódoa que ficará na biografia do excelente escritor.

Quanto ao Papa, a nódoa é menos grave pois nunca foi uma referência moral e, de certo modo, nunca mudou.

14 de Agosto, 2006 Palmira Silva

Momento Zen de segunda

Não sei se é a «silly season» ou se de facto o cavaleiro da pérola redonda, J.C. das Neves, ensandeceu de vez, mas a homília de segunda debitada hoje no Diário de Notícias, é francamente mais imbecil que o habitual.

Subjacente à opinação, com o interessante título «Uma decisiva questão de omeletas», está o tema querido ao spin doctor de segunda: a imposição a todos do modelo de família e de sexualidade segundo o evangelho de J.C. das Neves.

Para o devoto católico, no mundo actual subsiste apenas um problema importante, uma clivagem histórica: a não submissão de todos aos ditames do Vaticano no que respeita à sexualidade, traduzida «na facilitação do divórcio e do aborto, na equiparação de outras formas de vida [leia-se não discriminação e estigmatização de homossexuais e mães solteiras]» que segundo o fundamentalista opinador constituem um «ataque à família».

Como o Pedro apontou há uns tempos, e como é óbvio para todos, não há qualquer ataque à família, o que acontece, para grande incómodo da hierarquia católica e de todos os fundamentalistas, é que não há ataques às famílias monoparentais e homossexuais. Cada vez mais, com excepção de uns redutos católicos mais fanáticos, a sociedade ocidental se revela mais tolerante em relação às opções pessoais dos seus membros, está mais aberta à diversidade e ri das definições anacrónicas, neolíticas da ICAR sobre afectos e a sua concretização.

Concordo plenamente com o Pedro quando este diz que «A ICAR ambiciona um monopólio das definições, da definição de fé, da definição de amor, da definição de afectos, etc, porque percebe que nas definições está a chave para o controlo da legislação (é uma questão de lógica bastante simples, se eu controlo as premissas praticamente estou a ditar a conclusão)». E aquilo que os spin doctors católicos de segunda tentam, felizmente desta forma no mínimo rídicula, é manipular a sociedade de forma a impor as definições católicas. Manipulações absolutamente evidentes não só no caso da homossexualidade como no caso do aborto, em que os fundamentalistas católicos querem redefinir o significado de pessoa de forma a abranger meia dúzia de células indiferenciadas.

Acho no mínimo interessante que o fazedor de opinião de segunda, que tanto vocifera contra a ciência, que diz a alto e bom som que a ciência é a «religião» dos ateus, venha agora usar falaciosamente a ciência como muleta para as suas ridículas omoletes. Claro que no mesmo texto em que deturpa a ciência para a conformar aos seus propósitos, demoniza a mesma ciência quando esta se traduz naquilo a que chama «desrespeito pelas regras naturais», isto é, desrespeito pelas regras jurássicas da ICAR que o bom católico quer impôr como «regras naturais».

J.C. das Neves, que não se pronuncia sobre ser igualmente contra natura tudo aquilo que damos como adquirido na sociedade moderna, desde a utilização de qualquer electrodoméstico, até do acender de uma lâmpada, passando pelos hospitais e pelos medicamentos até à roupa que vestimos, assesta baterias apenas nas actividades humanas permitidas pelo nosso desenvolvimento tecnológico que vão contra os ditames do Vaticano: «a procriação artificial, aborto, eutanásia e aberrações sexuais,» que considera «formas de impor a soberania artificial sobre a natureza». Esquecendo que, por exemplo, é a imposição da «soberania artificial» sobre a natureza de muitas doenças que subjaz ao debate da eutanásia, isto é, muitos doentes terminais são mantidos vivos, ou sem dor, artificialmente e a eutanásia em muitos casos reduz-se à remoção desses meios artificiais de manutenção da vida. Como no mui mediático caso de Terry Schiavo.

Entretanto o wannabe fazedor de opinião, que inicia a sua prosa de segunda relegando todos os problemas que assolam o mundo, desde o terrorismo, o aquecimento global ao subdesenvolvimento, como problemas menores em que «domina um consenso ou, quando muito, há escaramuças», termina igualando a tolerância em relação às opções sexuais alheias, isto é, a não submissão de todos à ditadura do Vaticano, ao nazismo e ao comunismo.

Enfim, as habituais falácias católicas e os papões que agitam para tentarem controlar toda a sociedade e no processo assegurarem o poder político do Vaticano que por sua vez é a garantia do poder económico do mesmo, indispensável para manter o fausto a que as cúpulas do Vaticano se habituaram.

A confiança que J.C das Neves demonstra no poder branqueador dos revisionistas históricos ao serviço da ICAR, que pretendem apagar o papel que esta teve no apoio ao regime nazista e conotá-lo com o ateísmo, pode no entanto revelar-se um verdadeiro tiro no pé. Nem todos engolem as histórias da carochinha que estes revisionistas históricos querem vender!