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Categoria: Cristianismo

5 de Outubro, 2025 Eva Monteiro

Carta a um Crente

(Quase) todas as quartas-feiras sou anfitriã de um debate online em que convido crentes a discutirem temas que me parecem relevantes à luz das suas crenças. Faço-o através da plataforma TikTok e vou lá deixando também, em formato de vídeo, algum conteúdo. Foi com alguma surpresa que encontrei na minha caixa de entrada desta plataforma uma mensagem mais educada e razoável que as do costume (normalmente são insultos). Sou detalhada nas minhas respostas, pelo que no fim, achei que o texto poderia ser útil e decidi publicá-lo aqui. O que se segue é a mensagem inicial desta pessoa:

Ponderei bastante antes de enviar mensagem. Era bem mais fácil não dizer nada e pronto, vida que segue. Mas não consigo concordar contigo em relação às religiões. As religiões têm um papel fundamental na sociedade e esta é somente a minha opinião. E esta é a minha verdade. Tu tens a tua e outra pessoa qualquer poderá ter a dela e está tudo certo. Sem julgamentos, até porque a meu ver cada um tem o seu caminho e trajeto a seguir. Que me digas que houve e há uma instrumentalização por parte dos homens em relação a essas mesmas religiões, sem dúvida alguma, 100% de acordo. No entanto, as religiões na sua essência são apenas e só uma maneira de mostrar valores e distinguir o certo do errado. Percebo que me digas que isso faz parte da educação de cada ser, mas na minha opinião não é a mesma coisa. Pois uma coisa é o pai, ou a mãe, ou mesmo a professora, outra é supostamente uma entidade superior a demonstrar o bem ou o mal.

Atenção que à medida que crescemos todos nós optamos por diversos caminhos e começamos a questionar esses mesmos ensinamentos. O que é normal pois são apenas histórias que passaram de pessoas para pessoas e que quem as passa age como se fossem verdades absolutas.

Como é lógico, devemos questionar sempre e não acreditarmos em algo só porque sim. Devemos tirar as nossas próprias conclusões, pelas nossas próprias experiências e também pelas nossas pesquisas se assim o desejarmos e quisermos saber mais. Por exemplo, se me perguntares se eu acredito em Deus, eu vou responder o que respondo sempre. Eu não acredito, eu sei que Existe.

Não me identifico com nenhuma religião. Fui educado sim na igreja católica cristã (é cultural) e tive passagens pelo budismo. No entanto, desde os meus 5 anos de idade que tenho contato com outros planos, que não aquele que estamos no momento presente. Estudo o espiritismo segundo Allan Kardec, sempre baseado no método científico.

Como eu costumo dizer, o espiritismo não é uma religião, é um modo de vida. É apenas a maneira como vemos o mundo e que não há certos nem errados, há apenas experiências e modos de fazer e ver as coisas de maneira diferente. Lá porque dizes que algo é assim e eu digo que é assado é tudo uma questão de perspectivas. Estamos sempre a aprender e a evoluir.

Peço desculpa pela intromissão e pelo testamento. Bom fim de semana.

A minha resposta:

É a tua vez de me perdoares a extensão da resposta. Quando acabei de a escrever dei conta que talvez tenha sido detalhada demais. Ainda assim, acho que devo escrever o que tenho a dizer e tu decidirás se tens o tempo e a paciência de fazeres a leitura e até, se eu tiver alguma sorte, responderes aos pontos em que discordo contigo.

Prometi que te respondia mal pudesse dar atenção completa à tua mensagem e tive algum tempo para ponderar. É sempre um sinal de integridade intelectual quando alguém que me manda mensagem privada numa rede social se dispõe a refletir, questionar e dialogar, mesmo quando o tema é sensível; e poucas coisas o são mais do que as crenças religiosas. Por isso, antes de mais, quero agradecer-te novamente pela mensagem.

O facto de não concordares comigo quanto às religiões é válido, temos direito a portar diferentes opiniões e a defendermos diferentes posições. Contudo, eu acredito em fundamentar as minhas posições e a questionar o fundamento das posições contrárias à minha. Desta forma, posso entender se a minha posição está afinal, errada. Hoje não foi o dia. Parece-me que confundes, antes de mais, opinião com verdade. Esta ideia de que dada coisa é “a minha verdade” é completamente descabida. É a tua opinião, faz parte da tua mundividência, é o que tu achas. A verdade é outra coisa. Não depende da opinião nem da perspectiva de quem afirma que algo é verdadeiro, mas da coerência entre a afirmação e a realidade. Isto é, uma afirmação é verdadeira se corresponder aos factos ou ao estado de coisas que a pessoa afirma.

Quanto a opiniões, cada um tem a sua, é verdade. Por outro lado, não devo aceitar tudo o que me dizem só porque as pessoas têm direito a terem opiniões. Podemos certamente concordar que nem todas as opiniões fazem sentido. Há quem acredite que a terra é plana. Têm direito a acreditar numa coisa falsa, mas eu não tenho que aceitar que a terra é plana só porque essa é a opinião de uma pessoa que está muito claramente errada mas que decidiu ser essa “a sua verdade”. Há opiniões sobre tudo e para todos os gostos. Algumas opiniões são inócuas, outras têm consequências. Quando a consequência só atinge o próprio, está tudo bem. Quanto a consequência atinge outros ou a sociedade em geral, creio que opor-me é imperativo.

Do ponto de vista histórico, é verdade que as religiões moldaram civilizações, inspiraram arte, música e literatura, e serviram de estrutura moral e social durante séculos. Mas a questão crucial é: a que custo e com que fundamentos. A religião, de uma forma geral, foi a primeira explicação que a humanidade conseguiu dar a grandes questões, mas não foi a última nem foi a melhor. Pelo contrário, é a mais imperfeita das explicações do mundo e a que provocou piores danos. Contudo, ainda que não tivesse provocado danos e não fosse hoje uma visão obsoleta, o facto de em tempos ter tido utilidade não significa que seja verdade. São dois conceitos diferentes. Um vidente pode ser útil a um cliente que lá vai desabafar, mas não deixa de ser charlatanice. Naturalmente, não concordo contigo que as religiões ainda têm esse papel social, pelo menos no ocidente secularizado em que as leis, feitas por pessoas para pessoas, moldam a nossa vida diária. Por outro lado, a religião mantém esse poder em países onde a teocracia é a regra. Acho que basta olhar para os países que não fazem a separação entre o estado e as organizações religiosas para vermos o quanto a religião corrompe e destrói sociedades inteiras.

Quando alguém me diz que as pessoas é que instrumentalizam a religião, sinto que estamos a cair numa tautologia. A religião não é petróleo. Não é uma coisa que a humanidade descobriu e que não soube usar corretamente. A religião é uma construção humana cujo objetivo é o controlo. Parece-me por isso evidente que um instrumento seja… instrumentalizado. Basta olharmos para as sociedades para entendermos que tipo de deuses é que as pessoas criam. Uma sociedade de pequenas tribos, onde toda a gente se conhece e em que a violência e o crime são situações pontuais e aberrantes tende a ser animista. Já uma sociedade que desenvolve grandes cidades tende a criar deuses que vigiam, que estão em todo o lado, que castigam pecados. A religião é o que as pessoas criam antes de desenvolverem sistemas legais e modos mais seculares de regulação social.

Na sua essência, as religiões não te dão um sistema de valores. Pelo contrário, és tu que imprimes moralidade à religião que professas. Por isso é que tantos cristãos não são racistas, misóginos e violentos, apesar de o seu livro sagrado estabelecer um sistema de “valores” absurdo e impensável. Se decidisses agora seguir à letra o sistema de valores que o cristianismo, o judaísmo ou o islamismo oferecem nos seus escritos sagrados, só não ias parar à cadeia se te rebentasses juntamente com uma bomba, ou te suicidasses após desatares a matar infiéis, pecadores, bruxas, ateus e outros. Se seguisses à letra esse sistema de “valores”, não distinguirias o certo do errado. É porque consegues distinguir o certo do errado que tens a capacidade de ignorar as partes imorais de uma religião e selecionar ou reinterpretar as partes que se coadunam com o teu sistema moral.

Para mim, distinguir o que é bom e o que é mau também não faz inteiramente parte da educação de cada pessoa. Faz também parte do processo de seleção e da sobrevivência da espécie. Somos uma espécie cooperativa e se não tivéssemos a capacidade de coexistir, de saber que não se faz mal aos outros, que devemos ser bons uns para os outros, não sobreviveríamos enquanto espécie. Com todos os defeitos que temos, temos tendência a não sermos violentos, a não sermos destruidores da nossa própria espécie. É coisa comum a muitas espécies, especialmente entre os mamíferos e especificamente entre os primatas que nos são, do ponto de vista da evolução, mais próximos. A mãe e o pai, ou a mãe e a mãe, ou o pai e o pai, ou a avó, o avô, o tio, a tia, ou seja quem for que educa uma criança tem um papel essencial na sua vida através da educação e isso eu não nego. Uma criança bem educada terá um futuro mais feliz e útil, para si e para os outros. Contudo, falas de uma entidade superior que demonstra o bem e o mal. Suponho no entanto que o teu deus, seja ele qual for, nunca te respondeu às preces de forma audível e verificável. Não temos quaisquer provas de que uma entidade sobrenatural alguma vez tenha falado ou aparecido a alguém. Temos é padres, pastores, bispos, apóstolos, profetas, gurus e restantes líderes espirituais que dizem saber o que está certo e o que está errado, e que afirmam o que é ou deixa de ser a vontade do respetivo deus. Ora, cada líder religioso tem a sua opinião sobre o que está certo ou errado, pelo que não existe nessa suposta comunicação divina objetividade suficiente, nem nos dias de hoje nem ao longo da História, para suportar a tua afirmação. Eu creio que entendes isto, pela forma como escreves, mas não me parece que entendas que o que dizes num parágrafo contradiz o que dizes no parágrafo anterior.

Concordo que devemos questionar, tirar as nossas próprias conclusões, como dizes. Mas então em que momento desse processo é que entra deus?

Dizes uma frase que já ouvi centenas se não milhares de vezes em debates, especialmente com cristãos e muçulmanos: “Eu não acredito, eu sei que Existe.” Na verdade é o oposto, tu não sabes, tu acreditas. É matéria de fé e não de facto. Se soubesses efetivamente que o teu deus existe, terias como prová-lo. Se fosse esse o caso, não estaríamos a debater via mensagem no TikTok, terias mostrado esse facto à humanidade, não existiriam ateus e terias ganho meia dúzia de prémios Nobel e pelo menos uma beatificação. É apenas, e lamento ter que to dizer de forma tão direta, uma frase feita daquelas que os padres e os pastores gostam de atirar ao ar mas que carecem de qualquer tipo de sentido. É aquela jogada de dizer “eu sei no meu coração que deus existe” – se sabes no teu coração, não sabes na tua cabeça. Estou interessada naquilo que é verificável, não em “verdades pessoais” que é uma forma de dizer crenças infundadas.

Quando alguém me diz que não se identifica com nenhuma religião chego sempre à conclusão que é porque não se querem comprometer à partida com determinados dogmas, com os quais podem não concordar ou não saber como sustentar. No entanto, quando faço perguntas a quem diz que não se identifica com nenhuma religião, chego sempre à conclusão que o deus em que acreditam é aquele que lhes foi imposto na infância e que as suas crenças religiosas vão de encontro às crenças da instituição religiosa correspondente, ainda que não na sua totalidade. Resumindo, posso dizer que apesar de tu não te identificares com nenhuma religião, bastariam 10 minutos de conversa honesta para eu fazer essa identificação por ti. Aliás, esse diálogo, a ser feito internamente e de forma honesta, provavelmente também faria com que te identificasses com alguma religião. Vou apostar, sem muita base, porque essa conversa não aconteceu, que acreditas no deus da Igreja Católica (omnisciente, omnipotente, omnipresente e bom), mas que gostas de práticas mais místicas pelo que em vez de ires à missa preferes meditar e que não te identificas com a Igreja Católica porque o Kardecismo te conferiu a crença de que o mundo dos espíritos está ao teu alcance, quando a Igreja o nega. Isto é, descaradamente, um pré-conceito da minha parte. Não o nego e até peço desculpas se estiver errada. No entanto, apostaria uns euros nesta opinião se fosse forçada a isso.

Quanto ao espiritismo e à ideia de contacto com outros planos, o que posso dizer é que a sinceridade da experiência não garante a veracidade da interpretação. As experiências subjetivas (visões, intuições, sentimentos de presença) são universais e explicáveis em termos neurológicos e psicológicos. A mente humana é extraordinariamente criativa, e o cérebro é capaz de gerar experiências intensamente reais que, no entanto, não têm correspondência objetiva. O método científico serve precisamente para proteger-nos dessas ilusões, inclusive das mais agradáveis.

Embora Allan Kardec afirmasse seguir o “método científico” na elaboração da doutrina espírita, na realidade ele nunca aplicou qualquer procedimento científico reconhecível. Não houve observação controlada, hipóteses testáveis, experimentação reproduzível nem revisão por pares. O que Kardec fez foi recolher relatos mediúnicos e interpretá-los à luz das suas próprias convicções, apresentando-os como factos. Esse processo pode ter sido feito com sinceridade, mas não é ciência, é especulação metafísica. A ciência baseia-se em evidências verificáveis e na possibilidade de refutação. Já o espiritismo baseia-se em testemunhos subjetivos e fenómenos não demonstráveis. Portanto, apesar de Kardec desejar dar ao espiritismo uma aparência racional, os seus escritos pertencem ao domínio da crença, não ao da investigação científica. Que seja esse o teu modo de vida é uma escolha pessoal que não tenho que questionar. Contudo, é só isso, uma escolha de vida que em nada demonstra a veracidade dos ensinamentos que escolheste seguir e que em nada se baseia no método científico.

Concordo inteiramente contigo num ponto essencial: devemos sempre questionar e continuar a aprender. O problema é que o verdadeiro questionamento exige que também coloquemos em dúvida as nossas certezas mais íntimas, inclusive as espirituais. E é aqui que a postura ateísta não é uma negação da espiritualidade humana, mas uma exigência de honestidade intelectual. Por fim, suspeito que o que te incomoda no meu conteúdo é sobretudo o anticlericalismo. Deixa-me só referir que o anticlericalismo não é ódio à religião, mas defesa da liberdade de consciência contra qualquer instituição que pretenda ter autoridade sobre o pensamento humano. É uma oposição ao poder clerical. As igrejas e demais instituições religiosas e espirituais, todas elas, devem ser submetidas ao mesmo escrutínio que qualquer outra forma de poder. Isso não é intolerância; é maturidade intelectual.

Ao ler e reler a tua mensagem fico na dúvida: seria uma forma de evangelização? Tens como objetivo arrancar-me do ateísmo herege e pecaminoso? Tiveste necessidade de partilhar as tuas crenças porque sentes que o meu conteúdo as invalida de alguma forma? Ou só quiseste iniciar um debate? Não sei, mas agradeço na mesma a tua mensagem. O diálogo é o que nos permite evoluir.

Evoluímos melhor quando a verdade, e não o conforto, é o nosso objetivo.

29 de Setembro, 2025 Onofre Varela

«ERA UMA VEZ NA AMÉRICA»…

Os Estados Unidos da América (EUA) pelas acções dos republicanos no poder comandados por Donald Trump, deram, de si mesmos, a habitual imagem degradante do que é a política na versão fundamentalista com muletas religiosas.

Charlie Kirk, militante republicano assassinado a tiro no dia 10 de Setembro último, foi homenageado num recinto que se mostrou pequeno para albergar a multidão que acorreu à homenagem, congregando cerca de 90.000 pessoas. Kirk foi honrado como “mártir da fé cristã”, nas palavras do vice-presidente dos EUA, J. D. Vance. E Donald Trump, por sua vez, referiu-o como um “evangelista da liberdade”!…

Esta do “evangelista” é a mais recente versão do Cristianismo no seu modelo de seita fundamentalista, conseguida na confusão do lema “A América Grande Outra Vez” inventado por Trump, que é o candidato ao lugar histórico de ditador dos EUA. Nesta aproximação da América actual ao figurino religioso islâmico-fundamentalista, o Secretário de Estado Marco Rubio comparou Charlie Kirk a Jesus Cristo!…

Por sua vez, a viúva de Kirk tomou parte do espectáculo debitando um discurso místico, perdoando ao “jovem que matou” o seu marido, porque foi o que Jesus fez na cruz, ao dizer “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. “Porque a resposta nunca é o ódio, mas sim o amor. Amor pelos nossos inimigos e por quem nos persegue”.

Seguiu-se um outro momento patriótico com a multidão a entoar a canção “América the Beautiful”, rematada com um discurso do conselheiro presidencial Stephen Miller, dizendo que os que estão contra o activista Kirk “não são conscientes do que despertaram. Vós acreditastes que pudestes matar Charlie Kirk? Só conseguistes torná-lo imortal… agora, milhões tomarão o seu lugar!”

Depois apelou à derrota “das forças das trevas e do mal”, concluindo: “Não podem parar-nos. Nós temos beleza, luz, virtude, força, determinação. Os nossos inimigos não percebem a nossa paixão. Nós construímos este mundo e vamos defendê-lo. Estamos do lado do bem, do lado de Deus”. A seguir, Jack Posobiec, comentador de extrema-Direita e apoiante fervoroso de Trump, na mesma senda de Miller, entrou em cena apelando “a uma guerra espiritual”!…

Chegou o momento de Trump brilhar em apoteose, encerrando o degradante espectáculo. Fez um comício onde enalteceu o ideal “republicano-americano”, defendendo as comissões “caça-dinheiro” que impôs aos países que querem negociar com os EUA; atacou Joe Biden (o seu inimigo de estimação já neutralizado desde as eleições); mais os imigrantes que quer ver expulsos do território; e mais a “esquerda radical” a quem culpa pelo assassinato de Kirk; e ainda os meios de informação independentes por não dizerem o que ele quer que se diga. Acabou em grande, garantindo que nos seus oito meses de governação converteu os EUA no “país mais sexy do mundo”!…

Se tudo isto não é uma súmula de discursos de loucos… então o que é?!…

Aquilo que seria o funeral de um activista político assassinado, foi transformado numa jornada “político-religiosa” com Deus na boca e o Diabo no coração de todos os intervenientes, ao estilo das ameaças extremistas islâmicas!

E tudo isto acontece, hoje, na América!…

8 de Setembro, 2025 Carlos Silva

Sudário de Turim

Imagem: Internet

Diz o povo, com razão, que “a mentira tem a perna curta”.

Em Cadouin, França, desde o século XII que os cristãos veneravam e atribuíam milagres a um Sudário (peça de tecido) que supostamente teria envolvido a cabeça de “Cristo” e tinha sido preparada pela própria “Virgem Maria”.

Porém, inesperadamente, em 1935, a Igreja Católica cancelou abruptamente todas as peregrinações e cerimónias pois descobriu que a “relíquia” continha a inscrição “em nome de Deus clemente e misterioso… Deus não há senão Allah” e teria pertencido a Moustali, califa do Egipto entre 1094 e 1101.

 Resumindo, por mais de 700 anos, milhares de fiéis cristãos veneraram um véu islâmico que continha inscrições que glorificaram Allah… -um longo e humilhante período de paixão religiosa, agora desmascarado, ridicularizado e alvo de chacota popular.

Como há algum tempo que uma relíquia da Igreja Católica não era desmascarada ou desacreditada, eis que chegou a vez do Sudário de Turim.

O Sudário de Turim é um pano de linho que se encontra guardado na Catedral de Turim, norte da Itália, desde 1578, que mostra a imagem de um homem que milhões de católicos ainda hoje veneram por acreditarem piamente que se trata da mortalha que envolveu o corpo de “Cristo” após a sua crucificação.

Tal como o Sudário de Cadouin, o Sudário de Turim também tem uma longa e controversa história de devoções e desacreditações…

Recentemente, Cícero Moraes, designer brasileiro, publicou um estudo científico onde demonstra que a imagem do Sudário não foi formada pelo contato de um corpo humano, mas sim por um molde de baixo-relevo, uma técnica artística comum na Idade Média, levantando assim dúvidas sobre a sua autenticidade.

Já em 1988, uma datação por radiocarbono efetuada por três laboratórios diferentes, tinha estabelecido que o material de linho do Sudário foi produzido entre os anos 1260 e 1390, o que reforça o estudo de Cícero de Morais, uma vez que estas representações religiosas em baixo-relevo eram práticas comuns na Europa nesse período.

Entretanto, eis que um documento medieval, recentemente descoberto, vem complementar as provas anteriores e arrasar por completo a crença do Sudário, classificando-a como uma “fraude deliberada”.

“A autenticidade do Sudário já tinha sido rejeitada por Nicole Oresme, teólogo do século XIV que se tornaria Bispo de Lisieux. Oresme classificou o Sudário como um “engano claro e patente” que teria sido orquestrado por clérigos para obter donativos dos fiéis.”

Esta análise de Oresme é, pois, a rejeição mais antiga que se conhece sobre a autenticidade do Sudário o que revela que nessa altura já se sabia que era falso!

Há mais de 500 anos que a Igreja Católica sabe que o Sudário de Turim é falso!

Perante a esmagadora evidência das provas agora apresentadas, muita gente questionará…

Como é que a Igreja Católica consegue fazer com que milhões de pessoas continuem a acreditar piamente que o Sudário é uma mortalha que envolveu o corpo de “Cristo” após a sua crucificação?

Como é que o Vaticano consegue manter vivo este “milagre”?

A resposta é muito simples…

O Sudário é um negócio lucrativo que continua a dar dinheiro… muito dinheiro!


AGORA ATEU (II), 2025-09-03 Carlos Silva

3 de Setembro, 2025 Onofre Varela

O Papa Leão XIV existe?

Por Onofre Varela

O Papa Leão XIV foi eleito a 8 de Maio de 2025. São passados três meses (100 dias) da sua tomada de posse da cadeira de S. Pedro. Bem sei que três meses não é muito tempo numa organização bi-milenar como é a Igreja Católica… em termos temporais na longevidade de qualquer carreira (mesmo não considerando a idade da instituição), três meses foi ontem.

Porém, tal como o mundo hoje se apresenta, afogado em guerras alimentadas por líderes bélicos, invasores e assassinos dos povos seus vizinhos, a voz do Papa, enquanto referente de uma moral verdadeiramente Humanista e tão propalada pela sua Igreja (é assim que ela se identifica) tem-se mantido quase em silêncio (como é comum dizer-se: num silêncio ruidoso)!…

Pode ser uma atitude defensiva, obrigando-o a pensar muito bem no que quer dizer e como dizer, para ser bem compreendido e aceite, não correndo o risco de mostrar uma imagem de navegador sem rumo definido num mar de interpretações tão diversas e falsas como Judas. O mais certo (segundo o meu pensamento de ateu) é a figura do Papa não valer mais do que a de um chefe de qualquer grupo que só tem interesse para os elementos daquele grupo.

Podemos tentar provar este pensamento com o facto de o Papa Francisco ter sido tão falado, cantado, idolatrado e apresentado como exemplo moral de um perfeito “Jesus” actual, como referência moral que recuperou a degradada imagem da Igreja Católica depois de dirigida por um extremista de Direita-radical como alguns críticos reconhecem ter sido Bento XVI.

Há cem dias que Leão XIV é chefe da Igreja Católica… e nada do seu pensamento passou para a opinião pública, nem o seu nome é referido pelos sectores políticos e sociais que fazem a actualidade. A imagem do seu antecessor, Francisco, ainda perdura na história mais recente da Igreja como seu chefe supremo… como que se Leão XIV não exista, porque não dá sinais de vida, não discursa para fora da Igreja, não critica, não vaticina nem chama a atenção do mundo para aquilo que choca (ou deveria chocar) o seu pensamento… o qual, ninguém sabe qual seja!…

Se eu me colocar no lugar do Papa (o que é um exercício difícil, mas se cada um o fizer quando pretende julgar alguém, esse julgamento deixará de ter razão, ou será feito de um modo menos radical do que a ideia que o produziu), encontro-me sob o peso da forte imagem pública do meu antecessor, e obrigo-me a escolher uma de duas atitudes possíveis: ou continuo no caminho de quem me antecedeu, com todas as imensas dificuldades que vou encontrar no percurso porque eu não sou ele; ou então corto com os laços que me ligariam a ele, fazendo o meu caminho sem receio de comparações que me podem menorizar ou engrandecer, por muito diverso que o meu caminho seja daquele que Francisco percorreu, assumindo o risco de desiludir os crentes que esperavam de mim um “Francisco Segundo”.

Muito provavelmente, neste meu entendimento, estou a atribuir à maioria dos crentes católicos uma consciência moral e ética que eles não têm!… Por outro lado, a parte económica da Igreja é demasiado importante neste mundo onde nada se faz sem o dinheiro que “brota do Inferno” mas que tomou conta dos “altares” das nossas vidas… e dos da Igreja também. O “deus-dinheiro” é o verdadeiro deus da sociedade moderna tão precisada de evoluir no sentido de reconhecer a falta de valores que o dinheiro alimenta, e promover um sentimento maior onde o dinheiro nada vale.

Esta visão moral da despromoção do valor do dinheiro seria uma mais valia para uma Igreja que se diz fraterna e defensora do sentimento do “amor”… mas sem “o guito” que a alimenta, a Igreja falece como falecem os indigentes nas bermas das estradas e nos portais das cidades. Por isso me parece urgente reconhecer a menos-valia do dinheiro e do poder de quem o detém, trocando-o pela mais-valia das pessoas, independentemente de quem elas sejam… basta existirem!

Leão XIV conseguirá promover esta alteração social, transformando qualquer indigente num representante da espécie humana, muito mais importante e digno do que a importância falaciosa e a ausência de dignidade que retratam ratazanas de esgoto como são Trump, Putin e Netanyahu?

14 de Agosto, 2025 Carlos Silva

Feriado (15 agosto)

Imagem: Internet

Muita gente, crente e descrente, hoje questionará certamente…

Porque se celebra o 15 de agosto?!
Porque é que é feriado nacional?!

Será este dogma da Igreja Católica tão importante ao ponto de fazer dele mais um feriado nacional?
Sabe-se que em 1950, o Papa Pio XII determinou que na “Constituição Apostólica” constasse que a “Imaculada Mãe de Deus, a Virgem Maria, terminaria o seu curso de vida terrestre e subiria de corpo e alma à glória celestial.”
À luz desta brilhante determinação, a Igreja Católica, decretaria que o 15 de agosto passasse a ser feriado nacional em todos os países ditos católicos, e consequentemente, dia de “santo descanso”.
Embalado nesta mesma luz, dois anos depois, o Primeiro-Ministro, António de Oliveira Salazar, em nome do Estado português, ratificaria a determinação do Papa, decretando o 15 de agosto feriado nacional.
Foi a partir dessa data que no calendário religioso português se passaria a celebrar a “Assunção de Nossa Senhora”, que é como quem diz, o fim da vida terrena e a sua subida ao céu.

Subida ao céu? Mas qual céu!? -questionarão alguns…
Que local é esse para onde ela foi? Onde é que fica?! -questionarão outros…
Terá ido de avião, de foguetão, ou apenas de corpo e alma?! -questionarão os mais céticos.
Se realmente a “Senhora” decidiu subir ao céu a 15 de agosto de 1950, porque é que não o teria feito nos últimos dois mil anos?!
Porque é que a Igreja Católica e os anteriores Papas não se lembraram disto antes!?
Sempre poderiam ter gozado mais uns feriados!

Se é importante ou não, dirá o povo, não importa!
O que realmente importa é que hoje é feriado e dia de “santo descanso”!

AGORA ATEU (I), 2023-08-15 Carlos Silva

9 de Agosto, 2025 Carlos Silva

“Peregrinação das crianças”

Imagem: ECCLESIA

“FÁTIMA RECEBE MILHARES DE CRIANÇAS EM PEREGRINAÇÃO APÓS 2 ANOS DE PAUSA”

“Gostei muito de ver Nosso Senhor”, uma frase do vidente de Fátima, Francisco Marto, é o tema da peregrinação, para a qual os serviços do Santuário esperam grande afluência, tendo em conta que este momento concentra, nalguns anos, um número de participantes maior do que o registado na Peregrinação Aniversaria de 12 e 13 de outubro.
As cerimónias da Peregrinação das Crianças serão presididas pelo bispo de Leiria-Fátima, José Ornelas, e o programa começa na noite de quinta-feira, com uma vigília de oração, às 21:00, na Basílica da Santíssima Trindade, onde, na manhã do dia seguinte, terá lugar uma encenação relativa ao tema da peregrinação, a partir das 09:30.
Após a recitação do rosário, às 10:00, na Capelinha das Aparições, segue-se a celebração da missa às 11:00, no recinto de oração. O dia terminará com a repetição da encenação da manhã, às 15:00, na Basílica da Santíssima Trindade, à qual se seguirá a celebração de despedida.
Os grupos de crianças presentes terão um lugar reservado no recinto de oração, durante a missa da peregrinação e, no final, como é tradição, receberão uma surpresa que ficará a assinalar a sua presença na Cova da Iria neste dia.
O tema da peregrinação remete para “a experiência do encontro íntimo, pessoal e transformador com Cristo”, segundo informação do Santuário de Fátima.
“Em Fátima, três crianças — Lúcia, Francisco e Jacinta – tornaram-se testemunhas de um encontro profundo com Cristo Ressuscitado. (…) A intimidade da amizade com Jesus, que viram naquela luz, transformou o coração e o olhar dos três. Cada um, a seu modo, passou a ver tudo e todos com a mesma compaixão de Jesus. E as suas vidas tornaram-se sinal luminoso desse amor”, refere a apresentação desta peregrinação, que tem o objetivo de despertar as crianças em grupos de catequese para a mensagem de Fátima e dar-lhes a conhecer a vida e a espiritualidade dos santos Francisco e Jacinta Marto.
07/06/22 LUSA


Em pleno século XXI, é impossível a qualquer mente minimamente sensível e racional, assistir a este contínuo massacre de crianças indefesas e ficar absolutamente indiferente!
A doutrinação religiosa de crianças é uma flagrante violação de liberdade e personalidade!
A doutrinação religiosa de crianças tem que ser objeto de um amplo debate público para esclarecer as suas reais causas e sobretudo denunciar as suas nefastas consequências!
Nenhuma criança nasce devota de imagens de pedra, madeira ou gesso!
São influenciadas para acreditarem piamente em seres imaginários!
Pela envolvência simbólica do cenário e sofreguidão do discurso apresentado, certamente que muitas destas crianças idealizarão o seu “Senhor” e a maioria ficará plenamente convicta que realmente ali o viu!
É um assunto demasiado grave para não ser levado a sério!
Não se trata de transmitir inofensivas mentiras a inocentes crianças!…
Trata-se de transformar mentiras em verdades inquestionáveis com o vil propósito de manter acesa a chama da religião… até se tornarem adultas… úteis e rentáveis aos doutrinadores!
Trata-se de incutir mentiras em inocentes antes de alcançarem discernimento racional ou terem acesso a informação fatual, o que lhes pode acarretar graves consequências para o futuro.
A maioria destas crianças, ao chegar à idade adulta, acreditará incondicionalmente nestas falsidades e deixará de ter capacidade crítica para as questionar.
Cegarão… não terão sequer consciência da cegueira que as condenará a uma dependência e subserviência total aos doutrinadores, ocultos sobre o manto de entidades supremas e divinas.

“Gostei muito de ver Nosso Senhor”…
(…)
“Em Fátima, três crianças (Lúcia, Francisco e Jacinta), tornaram-se testemunhas de um encontro profundo com Cristo Ressuscitado. (…)

No caso acima apresentado pela LUSA, o objeto de doutrinação infantil é precisamente a “visão” de uma pobre criança de 9 anos, um dos “videntes”, usado e exorbitado na construção da mentira que agora se pode obviamente constatar.

O objetivo da doutrinação infantil?!
Neste caso em concreto, obviamente prolongar no tempo a mentira de Fátima, também ela sustentada sem o mínimo pudor na inocência de três pobres crianças… hoje principal fonte de rendimento da Igreja em Portugal e fundamental para a sua sobrevivência.

O objetivo geral da doutrinação de Fátima?!
João Ilharco revelou-o (denunciou-o) melhor que ninguém:

“O sobrenatural de Fátima foi obra de um pequeno grupo de eclesiásticos, inteligentes e ousados, que tinham contra o regime republicano, implantado em 1910, grandes ressentimentos.
A República reduzira a importância social do clero e os seus rendimentos, e isso levou os padres a hostilizarem abertamente o novo regime, tanto no púlpito como fora dele.
E se eclodisse em Portugal um fenómeno sobrenatural, capaz de causar alguns engulhos a republicanos e livres-pensadores?
Usando de prudência e de absoluto sigilo, dois ou três eclesiásticos começaram a estudar um plano de atuação -e desses conciliábulos nasceram as aparições da Cova da Iria, na freguesia de Fátima, distrito de Santarém.
Os autores do sobrenatural de Fátima pretendiam alcançar três objetivos imediatos:
– Tentar a fundação de uma nova Lourdes, que conservava então o primeiro lugar entre os centros de peregrinação do mundo católico.
– Arranjar uma copiosa fonte de receita para a propaganda católica.
– Fazer de Fátima uma arma contra o regime republicano, implantado em Portugal em outubro de 1910.”

O fim último desta doutrinação é obviamente o lucro. O autêntico “deus”: O DINHEIRO!
Uma ilusão fundamental à continuidade e à sobrevivência da religião!
Criar, perpetuar e explorar uma ilusão até ao limite… até que o povo finalmente abra os olhos e desperte para a realidade dos factos. Há custa de muito sofrimento… é inegável!
Enquanto o interesse do estado/clero continuar a prevalecer sobre o interesse destas inocentes crianças, que ainda não têm capacidade para distinguir a fantasia da realidade…
A doutrinação continuará…
A mentira perdurará…
É evidente que não basta apenas ler e entender os factos… não basta apenas ficar indignado…
É preciso agir em defesa dos doutrinados, dos que realmente sofrem as trágicas consequências desta doutrinação infantil…

As crianças!
Afinal, “o futuro são as crianças!”


AGORA ATEU (I), 2022-06-29 Carlos Silva


Nota: Peregrinação das crianças 2025

Imagem: Santuário de Fátima

3 de Agosto, 2025 Carlos Silva

“Santuário de Fátima envia Imagem (“Virgem Peregrina”) para a Ucrânia”

Imagem: RTP

“Santuário de Fátima envia Imagem (“Virgem Peregrina”) para a Ucrânia”

O envio é justificado como o “esforço pastoral de oração pela paz no mundo”.

RTP1


Confesso que se não visse não acreditava!

Como é possível, em pleno Séc. XXI, este tipo de notícia (se é que assim se pode chamar) na televisão pública portuguesa?

Como é possível um contribuinte ter obrigatoriamente que pagar na sua fatura de energia elétrica uma taxa adicional de um “serviço religioso” a que chamam “público”?

Como é possível, ainda hoje, observar este tipo de notícia na televisão pública portuguesa quando a autêntica notícia é o drama do povo ucraniano que sofre e morre às mãos de mais um louco ditador?

Neste momento de aflição o povo da Ucrânia não precisa de “orações” nem “esforços pastorais”, mas sim de ações!

O povo da Ucrânia precisa de alimentos e dinheiro para comprar os bens essências à sua sobrevivência!

Em vez de “orações” a Igreja Católica deveria abrir os “cofres do Vaticano” e apoiar os que mais precisam; mas, em vez de o fazer, ainda se aproveita da situação e procura retirar benefícios da pobreza e desgraça alheia!

O envio de uma figura de barro ou gesso para o local de conflito armado é uma ação absurda e completamente inútil. Fazer crer aos mais pobres e desfavorecidos que tal terá alguma influência ou implicará o termo do conflito é uma autêntica falácia repleta de puro cinismo.

Com esta notícia da RTP, amplamente divulgada e partilhada nas redes sociais, a Igreja Católica, mais uma vez, está apenas a fazer publicidade à sua milagrosa galinha dos ovos de ouro (“Santuário de Fátima”).

Estão descaradamente a fazer publicidade a uma das maiores e mais embaraçosas mentiras da Religião Católica portuguesa: “O milagre do Sol” … ou, por outras palavras, a presumida aparição de uma “Virgem Santa” a três inocentes crianças que, entre inúmeros milagres e profecias, previra o fim da Primeira Guerra Mundial nesse célebre 13 de outubro de 1917, o que acabaria por não se concretizar.

Em Portugal, após a implementação da República, a Igreja Católica passaria por grandes dificuldades com a perda de inúmeras regalias herdadas da Monarquia, agravadas com a eclosão da 1ª Grande Guerra Mundial, que deixaria a maioria dos seus “fiéis” na fome e na miséria, privando-a, assim, das suas principais fontes de rendimento.

Apoiou-se então na ditadura do Estado Novo que também precisava do seu apoio para “abençoar” os governantes e a guerra nas ex-colónias portuguesas.

Com a ajuda do Papa João Paulo II e do “milagre” da sua sobrevivência ao atentado, o “espírito de Fátima” voltaria a reacender…

Com a pandemia, tal como toda a economia, o “Santuário de Fátima” sofreria outro grande revés… a enorme crise obrigaria ao despedimento de alguns dos seus “funcionários” …

É preciso, agora, recuperar…

Só falta mesmo o fim desta Guerra passar a ser o quarto segredo de Fátima!

Mais um milagre de Fátima!

Mas, pior do que publicidade, é estarem a fazer uso do sofrimento dum povo e de todos os horrores desta guerra… uma guerra da qual, como sempre, a religião colhe os seus louros!

Segundo a própria RTP, a “Guerra na Ucrânia está a desencadear também um conflito religioso. A Igreja Ortodoxa de Moscovo apoia a Rússia, enquanto as duas Igrejas Ortodoxas da Ucrânia estão divididas.”

Agora só faltaria mesmo mais um conflito provocado pela Igreja Católica.

Continuamos ciclicamente a repetir os mesmos erros do passado e não aprendemos a lição…

Continuamos ciclicamente a acomodar à preguiça de não pensar…

A humanidade precisa, de uma vez por todas, de se libertar dos seus “Deuses e Demónios”; admitir e reconhecer o que realmente os seus olhos vêm na realidade; nesta guerra, tal como em todas as guerras, são os homens que fazem todo o bem e todo o mal.

O povo da Ucrânia merece respeito!


Nota: Passados mais de 3 anos, a guerra na Ucrânia continua… o “esforço pastoral de oração pela paz no mundo” promovido pela Igreja Católica (“Senhora de Fátima”), foi, obviamente, mais uma vez, completmente inútil.


AGORA ATEU (I), 2022-03-15 Carlos Silva

28 de Julho, 2025 Onofre Varela

A FOME COMO ARMA DE GUERRA

Há dias foi divulgado que “Reino Unido, França e Alemanha pediram ao governo israelita que suspenda imediatamente as restrições à distribuição de ajuda e permita urgentemente que a ONU e as ONGs humanitárias realizem o seu trabalho de combate à fome. A declaração dos três governos lembrou a Israel que deve cumprir as suas obrigações segundo o Direito Internacional Humanitário”. Parece que parte do mundo [a Europa civilizada] acordou para a realidade e reivindicou o fim da guerra genocida. 

Netanyahu comete atrocidades em Gaza de acordo com um plano que idealizou no sentido de promover a fome naquela região da Palestina, não permitindo a distribuição de comida ao povo nos lugares onde está, estabelecendo três centros distribuidores de água e alimento perto da fronteira do Egipto, obrigando à deslocação dos palestinos esfomeados que, assim, deixam o território deserto à mercê da ocupação facilitada dos israelitas, para que possam concretizar mais facilmente a terraplanagem de acordo com o projecto de transformação daquela faixa em estância balnear para ricos. Penso que tal intenção imobiliária não será concretizada porque, ao fazê-lo, Israel desrespeitaria a propriedade territorial da Palestina, o que será ilegal à luz do Direito Internacional. 

IMAGEM GERADA POR IA.

Neste momento Israel promove uma guerra com o apoio de Trump, negando todos os direitos dos palestinos espezinhados por um exército de malfeitores instruídos por Netanyahu para destruírem e matarem indiscriminadamente, incluindo o assassínio de povo indefeso que pede comida. A fome que Netanyahu decretou na Palestina é usada para tentar eliminar o povo palestino num genocídio idêntico ao que Hitler usou com os judeus, mas substituindo as câmaras de gás por fome, levando crianças à morte por inanição. 

Os colonos israelitas radicais dispersos pela Cisjordânia ajudam no arrasar da Palestina. A atrocidade de se reter alimento e água – incluindo comida para bebés – com a intenção de se deixar a população palestina morrer à fome, faz parte do projecto genocida de Netanyahu. 

O jornalista israelita Gadi Algazi conta no jornal El País (20/7/2025) que o plano genocida foi iniciado há pouco tempo e os resultados já são dramáticos. Todo o mundo já viu fotos de “esqueletos com pele” que são as crianças desnutridas. Gadi Algazi, que é historiador israelita, fundador do grupo de jovens soldados que se negaram a prestar serviço militar nos territórios ocupados – pelo que foi condenado a um ano de cadeia – diz que Israel aproveitou as atrocidades do grupo Hamas, a 7 de Julho de 2023, para ter a oportunidade de pôr em prática dois grandes projectos: 

“O primeiro é imperialista, no sentido de conseguir a hegemonia regional, do qual fazem parte os ataques militares ao Líbano, à Síria e ao Irão. O segundo é um projecto colonialista contra os palestinos, não só os de Gaza, mas também os que vivem na Cisjordânia debaixo da ocupação militar israelita que protege os colonos, transformando os palestinos em cidadãos de segunda classe mediante a erosão dos seus direitos civis”.

E o mundo assiste a este horror… e deixa!

24 de Junho, 2025 Onofre Varela

Aborto ainda condena mulheres portuguesas

Leio no jornal Público de 17 de Junho último, que “entre 2007 e 2024 houve 159 crimes de aborto registados em Portugal e 33 condenações em 1ª Instância relacionadas com estes casos”. A notícia é, no mínimo, estranha e assombrosa… já que a Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) em Portugal está legalizada desde 2007 pela lei nº 16, de 17 de Abril, segundo fonte fidedigna da Direcção Geral da Saúde e da Sociedade Portuguesa da Contracepção. Quem agora veio revelar este assombroso número de “crimes” relacionados com a prática do aborto no país (que eu presumia legal) foi a Amnistia Internacional (AI) que regista tão elevado número no seu relatório sobre IVG em Portugal. Entre as recomendações que a AI deixa ao governo Português consta a retirada da prática abortiva do Código Penal… (eu nem imaginava que constava dele, depois da lei de 2007!).

A mesma notícia dá conta de que quem se governa muito bem com esta “titubeante legalização da IVG em Portugal” são as clínicas espanholas. Em seis anos (de 2019 até 2025), 3352 grávidas portuguesas recorreram a clínicas espanholas para interromperem a gravidez. Não é novidade: em Junho de 1999 (quando ainda era proibido abortar em Portugal) a imprensa noticiou que nos três anos anteriores cerca de nove mil mulheres portuguesas tinham recorrido a clínicas espanholas para abortarem. Há, por cá, um movimento de “famílias bem” apoiado pela Igreja (não sei se alguns elementos destas famílias têm interesses económicos nas clínicas espanholas) que quer um retrocesso na lei que regulamenta a prática do aborto em Portugal, inscrevendo-o na mesma lista onde colocaram a eutanásia que não querem ver legalizada. 

É uma atitude que me parece muito estranha… porque aquilo que, de imediato, sobressai dela é a falta de respeito pela vontade do outro, o que mostra haver quem queira impor a sua própria vontade a todos os cidadãos do país! Para quem viveu, como eu vivi (em 1974 eu tinha 30 anos) a realidade do Portugal ditatorial sob o regime de Salazar e da Igreja Católica medieval (contra quem, e contra o que, eu estava) é que sente o bem que é ter a Liberdade de escolher que todos conquistamos em Abril!… 

Aos meus leitores mais novos lembro que as leis de Salazar proibiam o aborto e o divórcio, obrigando a que cada homem desse o seu apelido de família aos filhos da sua esposa, mesmo quando os bebés eram, garantidamente, filhos de outro homem! Quanto ao aborto, a tragédia multiplicava-se. Sob o falso e dogmático manto da defesa da vida, a petrificada posição religiosa contribuía para situações que se saldavam em elevado número de mortes, que seriam evitáveis através de políticas realistas, livres de religiosas e nefastas vontades. 

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Em 1997, quando na Assembleia da República se discutia a lei da IVG, houve um caso noticiado pelo jornal Diário de Leiria como notícia local. Uma senhora tinha uma filha bebé de poucos meses e engravidou sem o querer. Por muito que ela quisesse dar um irmão ao primeiro filho, havia uma realidade económica e social que lhe dizia não ser possível fazê-lo naquele momento. Ela e o marido trabalhavam. As despesas da casa recém-adquirida levavam quase o vencimento do casal, deixando pouco para os restantes gastos familiares. Um outro filho naquela altura era impensável. Decidiu-se pelo aborto clandestino por ser o único modo que tinha de abortar naquele tempo. Mesmo assim, teve o bom senso de não confiar o seu corpo a uma habilidosa, e procurou uma profissional credenciada. Uma enfermeira que lhe foi recomendada por alguém. Teria de pagar 50 contos (parte para a enfermeira e outra parte para a pessoa que fez a mediação). Conseguido o dinheiro por empréstimo, a enfermeira provocou-lhe o aborto em sua própria casa. Dois dias depois a senhora não aguentava as dores e chamou a enfermeira que, vendo o caso de difícil solução, chamou uma ambulância e levou-a para o hospital. Foi-lhe diagnosticada uma “infecção generalizada”… e morreu no dia seguinte. 

São estes desfechos, impensáveis numa sociedade moderna, que os contrários à IVG querem ver nos telejornais da desgraça dos seus encantos?!…