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Carlos Esperança

3 de Fevereiro, 2006 Carlos Esperança

Cardeal, agente duplo

«O cardeal húngaro Laszlo Paskai, antigo arcebispo de Esztergom e de Budapeste, trabalhou para os serviços secretos comunistas nos anos 1960 e 1970, escreve esta quinta-feira o semanário húngaro Elet es Irodalom».

Trata-se mais de um agente duplo do que propriamente de um espião da União Soviética. Não se pode dizer que trabalhava para Deus e para o Diabo.

O KGB e o Vaticano eram duas centrais de intoxicação internacional.

Graças à confissão, o bondoso cardeal podia prestar um excelente serviço às duas multinacionais da repressão.

2 de Fevereiro, 2006 Carlos Esperança

Solidariedade


As barbas do profeta – Diário Ateísta/Ponte Europa

«Obviamente que sou solidário com os meus colegas Dinamarqueses» Zédalmeida

31 de Janeiro, 2006 Carlos Esperança

Apedrejadores do diabo

Em tempos, o catolicismo saía das missas, empanturrado em hóstias e orações, para as fogueiras onde, em euforia mística, assistia à incineração de hereges, apóstatas e ímpios, com bruxas à mistura e judeus que tivesse à mão.

Hoje, são os beatos do profeta Maomé, um troglodita analfabeto que em vinte anos de convivência com Deus não aprendeu a ler, por ser mais fácil alfabetizar os camelos que circulavam entre Medina e Meca do que o rude pastor que os conduzia.

A Noruega e a Dinamarca, países ricos, cultos e civilizados, onde os autóctones não têm por hábito virar-se para Meca, nem matar o ócio com cinco orações diárias, publicaram caricaturas do profeta a quem uma viúva rica e os camelos permitiram vida desafogada.

Da demência dos crentes já aqui deu conta o Ricardo Alves, em «Blasfémia: a cara de Maomé».

O Diário de Notícia também refere como a Noruega e a Dinamarca são alvos da ira dos países islâmicos pela publicação destas caricaturas.

A blasfémia é para o islão um pecado que exige a pena de morte. Para quem, ainda há pouco, assassinou a cineasta Theo van Gogh e procura agora impedir a liberdade de expressão, não há limites à loucura com que busca o Paraíso.

Cabe aos países que se libertaram da opressão papal impedir que beatas manifestações de proselitismo venham perturbar o ambiente de liberdade e tolerância que a Europa conquistou contra a fúria evangelizadora dos parasitas de Deus.

Depois da Bíblia só nos faltava o Corão.

29 de Janeiro, 2006 Carlos Esperança

Irmã Lúcia

Quando a 11 de Fevereiro de 2005 faleceu Lúcia, a mais antiga sequestrada do mundo, condenada a clausura perpétua, acabou-se o sofrimento e a solidão a que a condenaram.

Não foi a única a quem, no primeiro quartel do século XX, a fome, instrução rudimentar e fanatismo religioso deram volta à cabeça e a levaram a ter visões. Os mais agressivos acabaram no Sobral Cid e no Hospital do Lorvão, duas unidades criadas para os doentes psiquiátricos da zona centro do país.

Quando os pacientes eram dóceis e crentes e os delírios apenas mostravam o Inferno e as almas que o habitavam, particularmente o administrador de concelho de Ourém, que desprezava a missa e os sacramentos, eram destinados à vida monástica.

Lúcia teve o azar de não encontrar um médico e tropeçar nos padres; de não precisar de calmantes e bastar-lhe o terço como redutor da ansiedade; de lhe recusarem os pingos e internarem-na. Assim, passou a vida, mortificada pela fé, a jogar às adivinhas com o fim da guerra, o mau feitio do divino e o tiro na batina de um Papa vindouro.

Pobre mulher que sofreu cárcere privado sem que uma assistente social lhe valesse, sem que um juiz indagasse da situação a que a submeteram, sem que alguém lhe aliviasse as dores do corpo e lhe curasse a tristeza da alma.

Se Deus existisse não seria tão cruel que submetesse uma pastora, habituada às cabras e às mentiras para divertir os primos, a tão cruel calvário. O rapto, sequestro e lavagem ao cérebro a que foi submetida a pobre criança é um crime sem perdão, uma crueldade de que só o clero é capaz.

Nota: A última linha foi modificada.

27 de Janeiro, 2006 Carlos Esperança

Encíclica sobre o amor

O Papa Rätzinger publicou quarta-feira uma encíclica subordinada ao título «Deus é amor».

O tema, recorrente no clero, é uma obsessão. Será recalcamento ou saudade?

Com o pastor alemão a falar sobre o amor, apetece citar os irreverentes de Maio de 1968:

«Quem sabe, faz; quem não sabe, ensina».

26 de Janeiro, 2006 Carlos Esperança

Passagem espiritual para o céu

materialmente em corpo

«É profundamente grato para Coimbra e também um testemunho de gratidão para com a vidente de Fátima, Irmã Lúcia, de ficar perpetuada nesta cidade, e não só por aqui ter vivido muitos anos, mas também para que a sua passagem agora espiritual para o céu, mas materialmente em corpo para Fátima e fique perpetuada através de uma rua», explicou Mário Nunes, vereador da Cultura na Câmara de Coimbra» Fátima Missionária, 13/01/2006.
posted by mndixit at 1/25/2006 03:38:00 PM

Não sei o que mais apreciar no vereador da cultura, Mário Nunes, se a qualidade da prosa, a intensidade da devoção ou a criatividade toponímica.

O blog «mario nunes dixit» presta um verdadeiro serviço público ao divulgar as pérolas de tão pio e eminente edil que regista a viagem da Irmã Lúcia para o Céu, certifica a sua qualidade de vidente e coloca Coimbra no itinerário celeste.

Um vereador assim faz falta como sacristão da igreja de Santa Cruz!

26 de Janeiro, 2006 Carlos Esperança

Padre contra paroquianos

Em Pombal, o pároco e a Associação de Alto dos Crespos desentenderam-se. Não estão em causa divergências sobre a virgindade de Maria, a infalibilidade papal ou a criação do Mundo.

Os recalcitrantes não contestam as homilias do pároco, a confissão ou a penitência que dá aos pecadores. É um litígio sobre a posse da terra, não aquela que Deus criou em seis dias, alguns metros quadrados onde foi edificada uma capela mortuária.

O representante de Cristo em Pombal fez aos paroquianos o que a Rússia fez à Ucrânia. Putin privou de gás um país, o padre privou da missa e da catequese uma paróquia.

A Ucrânia tremeu de frio e de raiva, a paróquia aturou melhor as privações. Não sendo produtos de primeira necessidade o padre corre o risco de os paroquianos substituírem a eucaristia por peixe de escabeche e as crianças trocarem a catequese pelo futebol e a apanhada.